<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173</id><updated>2012-02-17T07:53:44.157-08:00</updated><category term='Arte e Cotidiano'/><category term='Neurociência'/><category term='filosofia'/><category term='Hipóteses e Modelos'/><category term='Processos Psicológicos Básicos'/><category term='Cursos e Eventos'/><category term='Clínica'/><category term='Ciência e Filosofia'/><category term='Entrevistas'/><category term='Filosofia e Religião'/><title type='text'>Montando o Quebra-Cabeça</title><subtitle type='html'>Dados e rabiscos em Psicologia, Neurociência e Filosofia</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>42</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-5846140688622579481</id><published>2012-01-30T16:49:00.000-08:00</published><updated>2012-02-16T07:32:12.023-08:00</updated><title type='text'>A linguagem das emoções: uma resenha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que são emoções? Elas são universais ou variam significativamente entre culturas? Quais são os papéis das emoções? Podemos controlar o que sentimos? Podemos identificar as emoções dos outros, mesmo quando estão tentando camuflá-las? Essas e outras perguntas são respondidas pelo psicólogo Paul Ekman (2011) em seu livro &lt;i&gt;A Linguagem das Emoções. &lt;/i&gt;Com a proposta de atingir o grande público, seu trabalho alterna entre dados científicos, exemplos inventados e próprios e especulações. Ao longo do livro, o pesquisador traz ideias, novas e recicladas, que podem modificar a forma como leigos, clínicos e cientistas encaram o comportamento emocional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ekman define as emoções como processos, produzidos pelas histórias da espécie e individual, que preparam o organismo para lidar com certos eventos importantes. Quando deflagradas, as emoções alteram a atividade do cérebro, do sistema nervoso autônomo e dos músculos. No âmbito social, as expressões emocionais figuram como recursos úteis para a comunicação. Quando presenciamos, pela face, gestos e voz, uma expressão emocional, temos um indício do que a pessoa emocionada pode fazer ou do que a fez sentir uma emoção. Mas podemos, como frequentemente acontece, estarmos redondamente enganados. Se o choro e o medo podem resultar da culpa pelo que fizemos, podem também ser fruto de uma acusação indefensável e injusta. Nem sempre sabemos o que motiva uma emoção, e Ekman alerta-nos sobre o perigo de se cometer o "erro de Otelo".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-6ibBdv9piIw/TyX6aB82EXI/AAAAAAAAAcw/O6GcjE90sJ0/s1600/otelo+de+shakespeare.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-6ibBdv9piIw/TyX6aB82EXI/AAAAAAAAAcw/O6GcjE90sJ0/s320/otelo+de+shakespeare.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Desdêmona, injustamente acusada de uma traição, temia pela morte. Otelo, cego pelo ciúme, interpretou seu temor como um indicativo de culpa. &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Relacionados a qualquer emoção -- medo, raiva, aversão ou entusiasmo, por exemplo --, o pesquisador acredita que há algo como &lt;i&gt;mecanismos automáticos de avaliação&lt;/i&gt;, ou&lt;i&gt; autoavaliadores&lt;/i&gt;. Em certas situações, devemos agir de forma rápida, inconsciente, e só um mecanismo automático de avaliação, que rastreia continuamente o mundo ao nosso entorno, poderia cumprir essa função. Se um leão pular na nossa frente, não decidimos nos espantar; não pedimos ao cérebro que envie hormônios para a corrente sanguínea, que o coração acelere e que o sangue se concentre na musculatura dos membros inferiores. Se perdemos um ente querido, não podemos optar entre nos entristecer ou seguir a vida como se nada tivesse acontecido. A seleção natural forjou mecanismos que trabalham rápida e automaticamente, isto é, independentemente do que queremos ou decidimos.&amp;nbsp; Se não fosse assim, nossos ancestrais caçadores-coletores não teriam sobrevivido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para abordar a questão dos aspectos filogenéticos do comportamento emocional, Ekman pesquisou o povo &lt;i&gt;fore&lt;/i&gt;, que vive em aldeias esparsas em Papua-Nova Guiné. Os fore não têm (ou não tinham, em 1967) acesso a meios de comunicação como tevê e rádio, e foram raras as vezes em que uns poucos deles entraram em contato com pessoas de regiões urbanizadas. Utilizando histórias, vídeos e fotografias, Ekman verificou que seus voluntários &lt;i&gt;identificam&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;expressam&lt;/i&gt; &lt;i&gt;facialmente&lt;/i&gt; a raiva, a satisfação, a aversão e a tristeza como o fazem estudantes universitários dos Estados Unidos. Apenas surpresa e medo não foram claramente distinguidos pelos fore. Em conclusão, certas expressões emocionais seriam universais, mesmo que a cultura influencie a forma como as controlamos. Ao longo dos capítulos sobre tristeza e angústia, raiva, surpresa e medo, aversão e desprezo e emoções agradáveis, Ekman traz exercícios e fotografias faciais para nos ensinar a detectar os sinais emocionais nos outros e em nós mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1egtb7lmUWY/Tyc3SGxnvYI/AAAAAAAAAc4/juAiJkkyYc0/s1600/microexpress%C3%B5es+tim+roth.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="356" src="http://4.bp.blogspot.com/-1egtb7lmUWY/Tyc3SGxnvYI/AAAAAAAAAc4/juAiJkkyYc0/s400/microexpress%C3%B5es+tim+roth.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Tim Roth, do seriado &lt;i&gt;Lie to Me&lt;/i&gt;, exibindo microexpressões típicas de algumas emoções: tristeza (&lt;i&gt;sadness&lt;/i&gt;), desprezo (&lt;i&gt;contempt&lt;/i&gt;), surpresa (&lt;i&gt;surprise&lt;/i&gt;), raiva (&lt;i&gt;anger&lt;/i&gt;), aversão (&lt;i&gt;disgust&lt;/i&gt;) e medo (&lt;i&gt;fear&lt;/i&gt;).&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além dos aspectos topográficos do comportamento emocional, Ekman fala sobre quando nos emocionamos. O termo &lt;i&gt;gatilho&lt;/i&gt; é utilizado para dizer da situação que controla ou desencadeia uma resposta emocional. Quando um rato se depara com um gato, a aparição do último é um gatilho para o medo. Se o gatilho para uma emoção não precisa passar por aprendizagem, trata-se de um &lt;i&gt;tema emocional&lt;/i&gt;. A perda de um ente querido seria um tema para a tristeza, e a aparição de um gato seria, para um rato, um tema para o medo. A partir dos temas com que nascemos, ou do banco de dados emocional que herdamos dos nossos ancestrais, vamos gradualmente aprendendo a nos emocionar diante de novas situações. Quanto mais próxima uma situação estiver de um tema herdado, mais fácil seria a aprendizagem. Se, por exemplo, aprendemos a ficar atentos e a nos desviar facilmente de um carro que invade a pista em que trafegamos, deve ser por que nascemos com a predisposição para nos assustar e nos esquivar de objetos que se aproximam rapidamente de nós. É mais fácil aprender a ter medo de animais do que de cogumelos e flores, e isso poderia ser explicado pela história da nossa espécie.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contra os efeitos adversos dos comportamentos emocionais, Ekman propõe alguns exercícios e passos a ser seguidos. As emoções influenciam o que pensamos e fazemos, e isso pode, em inúmeros contextos, gerar graves problemas. Se ficamos com raiva fácil e frequentemente, e se essa raiva nos leva a dizer e a fazer coisas que nos arrependemos depois, temos bons motivos para querer controlá-la. Para tanto, devemos saber &lt;i&gt;em que situações&lt;/i&gt; nos sentimos raivosos, aprender a &lt;i&gt;identificar os estágios iniciais&lt;/i&gt; dessa emoção e lembrar que, quando emocionados, &lt;i&gt;podemos avaliar ou interpretar os eventos de forma equivocada&lt;/i&gt;. Com esse conhecimento em mãos, passamos a antever o que poderemos sentir em certas ocasiões, a ser mais atenciosos acerca do que sentimos e a flexibilizar o que pensamos e fazemos. Se um gatilho emocional for difícil de ser modificado, Ekman sugere que procuremos a terapia comportamental e, como exercício complementar, a meditação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num dos últimos capítulos do livro, o pesquisador trata de um problema intrigante: como podemos saber se alguém está mentindo ou escondendo informações que nos interessam. A hesitação ao ser indagado sobre um assunto, a oscilação topográfica da voz, a duração e a assimetria das expressões faciais, a congruência do que se diz com o que se expressa facialmente e as microexpressões do rosto, dificilmente captadas por quem não é treinado no assunto, podem colocar em questão a veracidade do que está sendo dito. Mesmo com tantos sinais a serem observados, Ekman ressalta que a detecção de mentiras é um trabalho árduo e que não há uma fórmula mágica ou um sinal específico que esteja fielmente ligado ao mentir. Como dito anteriormente, um mesmo sinal pode ter mais de uma origem. No campo das emoções, tudo, ou quase tudo, é relativo e melindroso. Abaixo, temos a propaganda da série &lt;i&gt;Lie to Me&lt;/i&gt;, que passa na Fox e é inspirada nos estudos do pesquisador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/A6h3qgSqjHY?rel=0" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paul Ekman lança mão de termos úteis para tratar do problema das emoções, como "gatilho", "tema" e "autoavaliadores", mas há momentos em que suas definições parecem se confundir ou são pouco claras. Sobre os autoavaliadores, o autor supõe que esses mecanismos automáticos atuam de forma ativa, &lt;i&gt;buscando&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;procurando&lt;/i&gt; por eventos que podem ter algum valor conforme um banco de dados emocionais. O mais provável de ocorrer, entretanto, é que esses mecanismos &lt;i&gt;respondam&lt;/i&gt; a certas situações com as quais um indivíduo interage, e que o ato de avaliar compreenda, &lt;i&gt;per se&lt;/i&gt;, as emoções. Afinal, como um mecanismo pode julgar que uma situação é boa ou favorável à sobrevivência &lt;i&gt;sem levar em conta um aspecto emocional&lt;/i&gt;? A literatura atual mostra que valoramos as situações &lt;i&gt;a partir das emoções&lt;/i&gt; (por exemplo, Damásio, 2011); portanto, não haveria uma avaliação prévia e independente que, posteriormente, desencadearia emoções: estas parecem &lt;i&gt;constituir&lt;/i&gt; o ato de avaliar. No mais, Ekman poderia ter dedicado mais caracteres aos processos envolvidos na aquisição de gatilhos emocionais. Se o autor descreve de forma razoável como nos emocionamos, deixa a desejar o como aprendemos, ao longo da vida, a nos emocionar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;A Linguagem das Emoções&lt;/i&gt; é um livro que pode, de inúmeras maneiras, ser útil para muitos públicos -- de clínicos e interessados no autoconhecimento a policiais e agentes secretos. Paul Ekman consegue, com clareza e estilo, lançar luz sobre um dos temas mais elementares do campo das relações humanas. O referido livro é indispensável para os teóricos das emoções e, ao mesmo tempo, para quem quer aprimorar suas habilidades de identificação e controle emocionais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Referências&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Damásio, A. (2011). &lt;i&gt;E o Cérebro Criou o Homem&lt;/i&gt;. São Paulo: Companhia das Letras.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Ekman, P. (2011). &lt;i&gt;A Linguagem das Emoções&lt;/i&gt;. São Paulo: Lua de Papel.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-5846140688622579481?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/5846140688622579481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2012/01/linguagem-das-emocoes-uma-resenha.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5846140688622579481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5846140688622579481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2012/01/linguagem-das-emocoes-uma-resenha.html' title='A linguagem das emoções: uma resenha'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-6ibBdv9piIw/TyX6aB82EXI/AAAAAAAAAcw/O6GcjE90sJ0/s72-c/otelo+de+shakespeare.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-1491693368876205772</id><published>2011-11-23T16:39:00.001-08:00</published><updated>2012-01-27T03:51:39.033-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte e Cotidiano'/><title type='text'>Quando o ateu orou</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Fonte:&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href="http://bulevoador.haaan.com/2011/11/30085/"&gt;Bule Voador&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decorrer de uma festa, Amanda e eu discutíamos religião. Como acontece quando o assunto é futebol ou política, ninguém queria dar o braço a torcer. Em um momento propício, contudo, decidi fazer uma revelação: “Depois que me tornei ateu, e isso deve fazer uns cinco ou seis anos, houve um momento singular em que me pus a orar. Eram dias difíceis, cheios de tristeza, angústia e desesperança. Não imaginei nada ou ninguém a recorrer… a não ser Deus.” Ao ouvir isso, Amanda imediatamente esbravejou: “É só o negócio apertar, e então vocês mudam prontamente de ideia! No fundo, no fundo, os ateus crêem em Deus!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como acontece com os traços de personalidade e a inteligência, o que nos define ateus, agnósticos ou religiosos é essencialmente a frequência com que nos comportamos de formas tais ou quais. Essa frequência pode oscilar à medida que variam as condições que as mantém, e uma variação razoavelmente aguda ou estável pode, com efeito, fazer com que religiosos e ateus virem temporariamente ao avesso. Nos parágrafos seguintes, tentarei brevemente desenvolver a justificativa que dei à minha colega naquela ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-X1dsShXK3ow/Ts2S_v6DPlI/AAAAAAAAAcg/qdZe_Yx1eSE/s1600/ora%25C3%25A7%25C3%25A3o2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/-X1dsShXK3ow/Ts2S_v6DPlI/AAAAAAAAAcg/qdZe_Yx1eSE/s200/ora%25C3%25A7%25C3%25A3o2.jpg" width="198" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Para Freud, a religião é uma ilusão infantil que permite ao homem lidar com o desamparo.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;Dos rótulos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se Fernanda é frequentemente delicada, simpática e cuidadosa com as palavras, passo a chamá-la &lt;i&gt;amável&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;sociável&lt;/i&gt;. Se Paulo é regularmente ansioso, impulsivo e emocionalmente instável, poderia chamá-lo &lt;i&gt;neurótico&lt;/i&gt;. “Falar com clareza e fluidez”, “raciocinar com lógica”, “identificar relações entre ideias” e “dominar uma área do conhecimento” são alguns comportamentos que definem uma pessoa &lt;i&gt;inteligente&lt;/i&gt; (Colom, 2006). “Amabilidade”, “neuroticismo”, “responsabilidade”, “abertura” e “extroversão” são os cinco grandes fatores da personalidade, então avaliados e estudados, ao lado da inteligência, pela psicologia diferencial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Em um &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2011/11/inteligencia-capacidade-de-ser-feliz.html#more"&gt;texto&lt;/a&gt; que escrevi recentemente, discuti a importância de se chamar inteligentes certas classes de comportamento. Na psicologia, o uso dos rótulos serve comumente para amarrar um conjunto de comportamentos que compartilham certos atributos. Mas há algo além. Se contam-me que Raquel, a palestrante que conhecerei mais tarde, é rigorosa e antipática, passo a ter uma noção razoável do que esperar dela. Diante dessa expectativa, prepararei uma forma adequada de abordá-la, na saída, para falar de um projeto de pesquisa. Uma aproximação alternativa, ou menos meticulosa, poderia ser elaborada caso contassem-me que a palestrante é aberta e agradável. Daí que os rótulos, de forma geral, estão ligados a certas expectativas sobre pessoas, doenças ("Estou atendendo um paciente com &lt;i&gt;transtorno obsessivo-compulsivo&lt;/i&gt;"), carros ("Cara, estou pensando em comprar um &lt;i&gt;conversível&lt;/i&gt;"), torcidas de futebol ("Os atleticanos são &lt;i&gt;fanáticos&lt;/i&gt;") e tudo o mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-PoGH6hmLg2U/Ts2Ulr_goUI/AAAAAAAAAco/tVrQpGNCr9E/s1600/Cruzeiro-Esporte-Clube-2.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://3.bp.blogspot.com/-PoGH6hmLg2U/Ts2Ulr_goUI/AAAAAAAAAco/tVrQpGNCr9E/s200/Cruzeiro-Esporte-Clube-2.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há alguns dias atrás, contei a um amigo atleticano que eu não tenho acompanhado os jogos do Cruzeiro. Disso decorreu o julgamento de que eu não sou, de fato, cruzeirense. A regra seria: "Torcedor de verdade está com o time tanto nos momentos bons como nos ruins". Eu imagino que, e não só em casos como esse, a questão está em quem formula e divulga a regra. O fanático desportivo, ao comparar o amigo consigo mesmo, poderia julgá-lo como um "torcedor de fachada". No entanto, penso que seja mais apropriado tratarmos a questão em termos de &lt;i&gt;nível&lt;/i&gt; e/ou &lt;i&gt;contexto&lt;/i&gt; em vez de &lt;i&gt;tudo ou nada&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;oito ou oitenta&lt;/i&gt;. Isso está de acordo com o fato de que, mesmo não acompanhando o time celeste, meu coração dispara e meus ouvidos tentam captar a mensagem contida em cada grito e buzina que rasgam o céu belo-horizontino em dias de jogo (como aconteceu hoje). Posso não ser apaixonado por futebol, mas a vitória ou a derrota do Cruzeiro conta, ao menos um pouquinho, no balanço do meu humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Níveis e frequências&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como o torcedor de futebol — cuja audiência televisiva e a força dos gritos podem ser função do lugar em que seu time está na tabela — e o neurótico — cuja preocupação e ansiedade aumentam à medida que se aproxima o dia do exame —, o nível com que uma pessoa é religiosa pode variar conforme as circunstâncias. Se estamos tristes ou felizes, abastados ou miseráveis, saudáveis ou enfermos, seguros ou inseguros — tudo isso é variável que afeta, em alguma medida, o quanto somos, ou melhor, o quanto "estamos religiosos". Experiências de quase morte (EQMs) e curas ou acontecimentos improváveis podem elevar a fé (Mobbs &amp;amp; Watt, 2011). Em um estudo recente, Shenhav e cols. (2011) demonstraram que a exposição prévia a atividades que incitam a intuição ou a reflexão faz variar o nível em que uma pessoa se julga religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O religioso pode ser avaliado com base na força com que crê e na frequência com que engaja em atividades religiosas. Em um de seus estudos, Nyborg (2009) classificou os religiosos como "dogmáticos" ou "liberais", sendo estes últimos mais flexíveis quanto à interpretação das escrituras bíblicas, menos comprometidos com a doutrina e mais críticos. A crença em Deus pode ser avaliada por escalas de auto-relato, podendo seus itens ir desde "Eu não acredito em Deus" e "Eu não sei se há um Deus e eu não acredito que haja uma forma de descobrir" até "Quando tenho dúvidas ou estou angustiado, eu sinto que acredito em Deus" e "Eu sei que Deus existe e não tenho dúvidas a respeito disso" (Kanazawa, 2010). Pode-se, ainda, avaliar as atividades relacionadas à religiosidade, como quando é requerido a alguém que descreva com que frequência vai à igreja, com que faz orações e com que lê a bíblia ou materiais religiosos (Koenig, Magoe &amp;amp; Iacono, 2008). Há, como vemos, muitas formas de se avaliar o nível de religiosidade de uma pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dadas as condições necessárias, Anselmo, um jovem simpático e amável, pode se irritar, gritar e até mesmo agredir um colega; contudo, permanecerá tranquilo, sociável e ameno por cerca de, digamos, 90% de todo um ano. Consequentemente, a frequência e a intensidade com que esse jovem emite certos comportamentos fazem valer seus adjetivos. No meu entendimento, o mesmo se aplica a religiosos, agnósticos e ateus. Não duvido que haja ateus que, quando no fundo do poço, firmam o peito e caminham, mesmo que tremulamente, com as próprias pernas — e podem até ser a maioria! Mas uma parte do grupo há de ceder; e outra, um tanto maior, deve lançar um "Será?", mesmo que por alguns segundos, no contexto de certas situações inusitadas (como ao se deparar com coincidências estranhas), atípicas e adversas — um "Será?" que deve render, após passado o pente fino do ceticismo, um riso sutil de quem quase se deixou enganar. A questão é: isso quer dizer que os ateus são, &lt;i&gt;no fundo&lt;/i&gt;, teístas? A resposta: é improvável haver religioso que, conversando com seus botões, nunca tenha questionado sua fé. Da mesma forma que isso não significa que as pessoas religiosas são, no fundo, atéias, o mesmo vale para o grupo posicionado no outro extremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não possamos colocar crença e descrença nas pontas de um mesmo &lt;i&gt;continuum&lt;/i&gt;, mas o tipo de interpretação (religiosa ou naturalista) que damos a certas situações — ou à vida — parece poder variar em frequência e intensidade. Se frequentemente atribuímos a conquistas, coincidências, ocorrências improváveis e experiências fantásticas o dedo de Deus, somos chamados religiosos. Se frequentemente procuramos explicá-las naturalisticamente ou, quando necessário, as guardamos no berço da dúvida e resistimos a explicações mágicas ou improváveis, somos chamados céticos. Mas o religioso, além de não interpretar todo e qualquer acontecimento à luz de sua doutrina, pode também duvidar e, para várias questões, abraçar o conhecimento científico; e o ateu pode, em ocasiões atípicas, levantar o "Será?" ou mesmo, e virando ao avesso, recorrer a divindades. O ponto é que não existe um núcleo ou uma essência da crença ou da personalidade, ou algo elementar e verdadeiro que sempre esteve escondido, quiçá por mecanismos inconscientes, e que pode ser trazido do fundo à superfície em momentos especiais. O que acontece é que nos comportamos regularmente de uma forma em detrimento de outra, então incompatível, e isso nos faz ateus, agnósticos ou religiosos — ainda que circunstâncias atípicas possam suscitar sensações, pensamentos e práticas atípicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E então, Daniel?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginemos que o simpático Paulo, após a festa em que brigou com o colega que dançara com sua namorada, repensou sua conduta, fez uma ligação e pediu perdão. A partir daí, passou a compreender e, com a ajuda de seu terapeuta, controlar seu ciúme. Como resultado, não mais se comportou daquela forma em situações similares. A insegurança, a raiva e a agressão foram substituídas por, digamos, empatia, autoestima e divertimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ocorreu com Paulo, tive a chance de rever minha breve conversa com Deus e de criar formas alternativas, assaz mais eficazes, de lidar com aquele tipo de adversidade. Tal como podemos perder o filtro da razão em certas circunstâncias — como quando Kaká agrediu um jogador da Costa do Marfim na última Copa do Mundo —, podemos deixar cair o pente fino do ceticismo em momentos de espanto ou desamparo. Mas não façamos disso motivo de vergonha. A maioria de nós foi, desde a tenra infância, incentivada a descrever ou interpretar o mundo de forma mágica ou supersticiosa. Uns quilos de livros científicos e de filosofia e o acúmulo de experiências que modelam o ceticismo podem não ser o suficiente para nos prevenir contra &lt;i&gt;todas&lt;/i&gt; as situações imagináveis. O conjunto de comportamentos que define o ser cético vai se adaptando gradativamente às circunstâncias, e ocasionalmente precisa enfrentar, com rivalidade, formas rudimentares de comportamento que foram outrora adquiridas (como o pedir socorro a divindades em certos reveses). E o resultado disso é que, se permeia &lt;i&gt;com vigor e frequência&lt;/i&gt; a esfera religiosa, o rótulo ateísta vem a calhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A variação da força e da frequência do comportamento mostra-nos que a inteligência, a personalidade, a torcida desportiva e a crença religiosa não são coisas estáveis, imutáveis ou invariáveis. A propósito, tratá-los como &lt;i&gt;coisa&lt;/i&gt; não é apropriado. Mais uma vez, esses termos amarram comportamentos que possuem certas características em comum e, assim, fazem-nos ter certas expectativas sobre as pessoas. Mas o que esperar de um ateu, afinal? Mais do que uma pessoa que frequentemente nega a existência de Deus, o ateísmo está ligado a "uma atitude científica que valoriza a evidência e a razão, que rejeita afirmações baseadas somente em autoridade, e que encoraja uma exploração mais profunda do mundo" (&lt;a href="http://bulevoador.haaan.com/2011/11/29896/"&gt;Myers, 2011&lt;/a&gt;). No entanto, e tal como Ronaldo, o Fenômeno, não perdeu seu trono por ter vez ou outra errado gols que até a vovó Mafalda faria, uma pessoa não deixa de ser atéia por ter, em um momento raro, escorregado no gramado molhado. Se assim fosse, padres, papas e até mesmo Jesus Cristo, se tiver de fato existido, provavelmente seriam ou foram, no fundo, ateus mal-resolvidos. O que está em questão, portanto, é se estamos dispostos a rever o &lt;i&gt;replay&lt;/i&gt; dos escorregões e a aprender formas mais adequadas de lidar com as condições atípicas da grama — como ao concluir que já é hora de trocar definitivamente as chuteiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Referências&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Colom, R. (2006) O que é inteligência? Em Flores-Mendoza, C., &amp;amp; Colom, R. Introdução à psicologia das diferenças individuais. Porto Alegre: Artmed.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Kanazawa, S. (2010). Why Liberals and Atheists Are More Intelligent. Social Psychology Quarterly, 73(1), 33-57. doi:10.1177/0190272510361602&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Koenig, L. B., McGue, M., Krueger, R. F., &amp;amp; Bouchard, T. J. (2005). Genetic and environmental influences on religiousness: findings for retrospective and current religiousness ratings. Journal of personality, 73(2), 471-88. doi:10.1111/j.1467-6494.2005.00316.x&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mobbs, D., &amp;amp; Watt, C. (2011). There is nothing paranormal about near-death experiences: how neuroscience can explain seeing bright lights, meeting the dead, or being convinced your are one of them. Trends in Cognitive Sciences, 15(10), 447-449. Elsevier Ltd.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nyborg, H. (2009). The intelligence–religiosity nexus: A representative study of white adolescent Americans. Intelligence, 37(1), 81-93. Elsevier Inc. doi:10.1016/j.intell.2008.08.003&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Shenhav, A., Rand, D. G., &amp;amp; Greene, J. D. (2011). Divine intuition: Cognitive style influences belief in God. Journal of experimental psychology. General. doi:10.1037/a0025391&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-1491693368876205772?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/1491693368876205772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/11/quando-o-ateu-orou.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1491693368876205772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1491693368876205772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/11/quando-o-ateu-orou.html' title='Quando o ateu orou'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-X1dsShXK3ow/Ts2S_v6DPlI/AAAAAAAAAcg/qdZe_Yx1eSE/s72-c/ora%25C3%25A7%25C3%25A3o2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-4942414717735629700</id><published>2011-11-05T11:45:00.000-07:00</published><updated>2011-11-07T16:25:31.744-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte e Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Processos Psicológicos Básicos'/><title type='text'>Inteligência: capacidade de ser feliz?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Z7EVSth5xyY/TrWDGS1Rw0I/AAAAAAAAAcI/I53K9b4_0m4/s1600/felicidade.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://2.bp.blogspot.com/-Z7EVSth5xyY/TrWDGS1Rw0I/AAAAAAAAAcI/I53K9b4_0m4/s200/felicidade.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Parece haver um consenso de que &lt;i&gt;inteligência&lt;/i&gt; é um dos construtos mais polêmicos da psicologia. Mas é também um dos mais caros, sendo eventualmente considerado como a dimensão psicológica mais estudada e estabelecida (Flores-Mendoza, 2010). No entanto, se uma miríade de estudos concebe &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; especial à sua medida, então calculada e nomeada &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/medidas-da-inteligencia.html"&gt;enquanto fator &lt;i&gt;g&lt;/i&gt; ou como QI&lt;/a&gt;&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;outros tantos levantam uma série de críticas. A mais popular delas é a de que não existe &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; inteligência, mas &lt;i&gt;as&lt;/i&gt; inteligências, sendo Daniel Goleman comum e prontamente lembrado por cunhar o termo &lt;i&gt;inteligência emocional&lt;/i&gt;. Howard Gardner, um pouco menos modesto, levanta a bandeira das &lt;i&gt;inteligências múltiplas&lt;/i&gt;, e o faz ao postular que cada habilidade específica, como os raciocínios numérico, espacial e interpessoal, referem-se a inteligências autônomas, isoladas. Tendo outrora exposto &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/09/em-busca-da-inteligencia.html"&gt;uma alternativa a esse tipo de tese&lt;/a&gt;, quero agora desenvolver algumas considerações sobre uma proposição curiosa: a de que a definição de inteligência deve estar vinculada à &lt;b&gt;capacidade de ser feliz&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;O que é i&lt;/b&gt;&lt;b&gt;nteligência&lt;/b&gt;&lt;b&gt;?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/09/em-busca-da-inteligencia.html"&gt;um texto&lt;/a&gt; que publiquei há pouco mais de um ano, comentei que a comunidade científica, tal como concluído por Colom (2006), define inteligência como a capacidade de aprendizagem, raciocínio e resolução de problemas. E descrevi, ainda, os seguintes pontos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;As pessoas diferem em sua capacidade geral para raciocinar, resolver problemas e aprender;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;Essa capacidade pode ser medida por meio de testes padronizados;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;As diferenças dessa capacidade devem-se à influência conjunta de diferenças genéticas e ambientais.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro ponto merece ser discutido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguém poderia indagar, por exemplo, de que tipo de aprendizagem, raciocínio e resolução de problemas estamos tratando. Gardner e Goleman diriam que a forma como uma pessoa resolve conflitos interpessoais deveria ser avaliada e agregada a uma concepção de inteligência. Não podemos negar que a interação com outras pessoas é &lt;i&gt;aprendida&lt;/i&gt;, envolve&lt;i&gt; raciocínio&lt;/i&gt; e pode ser vista como &lt;i&gt;um problema a ser solucionado&lt;/i&gt;. Dessa forma, não teríamos por que comprar briga com a tese das inteligências múltiplas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alternativamente, um estudo conduzido por Sternberg (1981), então descrito por Colom (2006), parece ajudar a restringir o conceito. Quando indagadas sobre que comportamentos caracterizam uma pessoa inteligente, leigos apontaram "falar com clareza e fluidez",  "raciocinar com lógica", " identificar relações entre ideias", "ver todas  as variantes de um  problema", "ser um bom conversador", "dominar uma  determinada área do  conhecimento", "manter a mente aberta" e  "interessar-se pelas coisas do  mundo em geral". Nessa lista, e com exceção de "ser um bom conversador", não há traços exclusiva ou predominantemente emitidos em situações interpessoais. Notamos, ademais, que aqueles traços não guardam relação íntima com as emoções. Em contraste, se fosse solicitado às pessoas apontar que características definem &lt;i&gt;como alguém é&lt;/i&gt;, por certo ouviríamos "extrovertido", "responsável", "amável", "relaxado" e "aberto" -- com algumas variações e ao lado de seus antônimos.(1) Embora os adjetivos "inteligente" e "bonito" possam surgir, contarão pouco para a configuração do construto que chamamos &lt;i&gt;personalidade&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao escrever o capítulo &lt;i&gt;O que é inteligência?&lt;/i&gt;, Roberto Colom (2006) quis ressaltar que leigos e cientistas possuem uma noção significativamente próxima do que são comportamentos inteligentes. Há uma divisão nítida e consistente, embora possa haver sutis sobreposições, entre os traços de inteligência e os traços de personalidade. E leigos, psicoterapeutas, cientistas, órgãos públicos e empresários estão, de forma geral, notavelmente interessados em classificações e avaliações comportamentais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-qecw3tEIkP0/TrWDE8SgH2I/AAAAAAAAAcA/ABW-bN2ihzI/s1600/intelig%25C3%25AAncia+e+personalidade.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="162" src="http://1.bp.blogspot.com/-qecw3tEIkP0/TrWDE8SgH2I/AAAAAAAAAcA/ABW-bN2ihzI/s200/intelig%25C3%25AAncia+e+personalidade.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Inteligência é uma coisa; personalidade, outra.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se podemos dizer que a psicologia é a ciência do comportamento, é inevitável querermos classificar comportamentos. Organizar coisas ou eventos em categorias ou classes é um comportamento deveras comum e assaz prático, funcional, sendo emitido tanto por pesquisadores como pelos leigos. Um punhado de comportamentos restringe o que é ser extrovertido; outro, responsável; e outro, amável. Os pesquisadores adotam certos critérios, como o &lt;i&gt;psicoléxico&lt;/i&gt;, para enxugar ou reduzir uma diversidade exaustiva de traços em um número com o qual possam trabalhar; e procuram agrupar esses traços em conjuntos, então relacionados por características comuns, e dá-los nomes. &lt;i&gt;Personalidade&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;inteligência&lt;/i&gt; são frutos dessa &lt;b&gt;economia conceitual&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em seu artigo "A psicologia pode ser uma ciência da mente?", Skinner (1990) assevera que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;a inteligência [...] é claramente uma inferência a partir de amostras de comportamento em testes de inteligência, e uma análise de diferentes tipos de inteligência é uma análise de diferentes tipos de comportamento. &lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Skinner critica a concepção, popular e acadêmica, de conceber inteligência como uma &lt;b&gt;coisa &lt;/b&gt;ou&lt;b&gt; &lt;/b&gt;uma&lt;b&gt; entidade inferida&lt;/b&gt; (um construto) que estaria &lt;b&gt;dentro do indivíduo&lt;/b&gt;. Alternativamente, e em conformidade com o pai do behaviorismo radical, o filósofo Gilbert Ryle (1949/1980) propõe que "os desempenhos inteligentes abertos [ou diretamente observáveis] não são um vestígio do trabalho das mentes": &lt;i&gt;eles são esse trabalho&lt;/i&gt;. Não importa que o raciocínio seja um comportamento privado, estando portanto distante do olhar atento e sistemático do pesquisador; importa que as atividades mentais, enquanto ocorrências, eventos ou respostas contextualizadas, fazem parte de uma &lt;b&gt;cadeia comportamental&lt;/b&gt; que pode ser, sobretudo por respostas motoras (como o escrever) e fonoarticulatórias (ou verbais), avaliadas -- essas respostas (como quando escolhemos uma figura complexa em detrimento de outras, respondemos à pergunta "Quem foi Santos Dumont?" e resolvemos cálculos matemáticos) podem ser observadas, quantificadas e classificadas conforme os parâmetros de uma população.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As respostas contingentes a um teste de inteligência, como somar, abstrair e definir palavras, são previamente especificadas: os pesquisadores, com base em dados, teorias e conceitos, definem que tipos de comportamentos serão avaliados. Desconfio com veemência que comportamentos ditos inteligentes sejam definidos em razão das funções que comumente cumprem -- ou das consequências que geram em certas circunstâncias. Se são notáveis as consequências de se conviver com uma pessoa extrovertida, irresponsável e ansiosa, decerto há motivos por que notamos e chamamos de inteligentes certas classes comportamentais -- ou a diferença com que alunos aprendem, com que colegas jogam e com que funcionários trabalham, por exemplo, passaria despercebida.&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim: inteligência pode ser vista como a capacidade para aprender, raciocinar e resolver problemas. Talvez até possamos, como sugeriu o cientista cognitivista Steven Pinker (1999), tratá-la enxutamente como a &lt;i&gt;capacidade de conquistar objetivos em face de obstáculos&lt;/i&gt;. Contudo, se não especificarmos os obstáculos e os objetivos, &lt;i&gt;tudo&lt;/i&gt; se transforma em amostras ou tipos de inteligência: o jogar futebol, o cozinhar e o varrer, o se relacionar romanticamente e o dirigir automóveis. No entanto, e se a tese das inteligências múltiplas vencer,(2) os&lt;i&gt; cogno-proficientes&lt;/i&gt; continuarão a ser videntes em terra de míopes. Caso a definição tradicional de inteligência seja dissolvida, as pessoas que falam com clareza e fluidez, raciocinam com lógica, identificam relações entre ideias, vêem todas  as variantes de um  problema, são bons conversadores, dominam uma  determinada área do  conhecimento, mantém a mente aberta e interessam-se pelas coisas do  mundo em geral &lt;i&gt;provavelmente permanecerão notáveis&lt;/i&gt;. Por conseguinte, esse conjunto de habilidades receberá um nome especial, a &lt;i&gt;cogno-proficiência&lt;/i&gt;, que então seria, em razão de interesses clínicos, educacionais, empresariais e governamentais, alvo de inúmeros instrumentos de avaliação e de intervenções. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A supervalorização e o trato científico das condutas inteligentes foram provavelmente fomentados pela revolução industrial. Comportamentos como ler e compreender textos, calcular, raciocinar abstratamente, ser rápido no gatilho e se especializar em certas áreas do conhecimento são pré-requisitos para se conseguir empregos satisfatórios. A exigência cumulativa por currículos melhores promoveu o &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/efeito-flynn-multiplicacao-social-da.html"&gt;efeito Flynn&lt;/a&gt;, ou o aumento da inteligência ao longo do século passado. Não posso dizer se as pessoas vêm sendo cada vez mais felizes, mas é indubitável que vêm ficando mais inteligentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Inteligência e felicidade &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O psicólogo e mestre em filosofia Daniel Grandinetti, meu xará, publicou em seu blogue uma tese inovadora: a de que a felicidade deveria ser incluída na definição do que é ser inteligente. Em seu texto &lt;a href="http://nogabinetedopsicologo.blogspot.com/2011/10/o-que-e-inteligencia-e-qual-sua-relacao.html#comments"&gt;"O que é a inteligência e qual sua relação com a felicidade"&lt;/a&gt;, Grandinetti comenta acertadamente que "desde cedo aprendemos a chamar de 'inteligentes' aquelas pessoas que aprendem com facilidade e se saem bem na escola, ou simplesmente aquelas que são eruditas e sabem falar de tudo um pouco". Nesse momento, ressalta-se o aspecto funcional do uso de qualquer rótulo, termo ou adjetivo pessoal: classificar ou identificar pessoas conforme a &lt;i&gt;regularidade&lt;/i&gt; e a &lt;i&gt;frequência&lt;/i&gt; com que se comportam de tal ou qual maneira. No entanto, meu colega procura alertar que a definição tradicional de inteligência, razoavelmente similar à que apresentei anteriormente, remete ao funcionamento de um computador ou um robô, e não ao de um ser humano. Vejamos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Se estas definições se mostram insuficientes para caracterizar a inteligência &lt;/span&gt;&lt;i style="color: #999999;"&gt;humana&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;, nem por isso devemos propor uma diferente. Talvez, o correto seja exatamente procurar a &lt;/span&gt;&lt;i style="color: #999999;"&gt;dimensão &lt;/i&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;humana que está faltando a estas definições e [...] &lt;/span&gt;&lt;i style="color: #999999;"&gt;acrescentá-la&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;. [...] A dimensão humana faltosa nas definições clássicas de inteligência não pode ser senão uma &lt;/span&gt;&lt;i style="color: #999999;"&gt;finalidade&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt; que não estaria ao alcance das máquinas; uma finalidade &lt;/span&gt;&lt;i style="color: #999999;"&gt;humana&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;, ou, para não excluirmos levianamente os animais, uma finalidade cuja realização esteja restrita aos seres vivos. Segundo Aristóteles, a &lt;/span&gt;&lt;i style="color: #999999;"&gt;felicidade &lt;/i&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;é o bem supremo buscado por todos os homens (Grandinetti, 2011).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;Aproveitando a definição de Pinker, interpreto que Grandinetti está propondo que inteligência é a &lt;/span&gt;&lt;i style="color: #666666;"&gt;capacidade de ser feliz em face de obstáculos&lt;/i&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;. Com base no filósofo Epicuro, meu colega comenta que "o homem feliz é aquele que se habitua às coisas simples", e não aquele que se entrega aos excessos -- uma suposta forma de "apaziguar o desejo por aquilo que não temos e o medo de perdermos o que já possuímos". O bem-estar do corpo e a serenidade do espírito, ou a felicidade, seriam a medida que define se um "conjunto de capacidades e habilidades representa de fato um alto QI". Ao final, co&lt;/span&gt;nclui-se que um novo grupo de pessoas, ou os que vivem felizes por seguirem as recomendações epicuristas, comporia a classe dos inteligentemente superiores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua exposição, Grandinetti deve ser reconhecido por levantar um ponto que é às vezes omitido pelos pesquisadores em psicologia: o critério da &lt;b&gt;finalidade&lt;/b&gt; ou das &lt;b&gt;circunstâncias funcionais&lt;/b&gt; de um comportamento. Todavia, não vislumbro um prognóstico animador para a sua tese. Passo a me justificar:&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;Redefinir inteligência não fará que com que leigos, empresários, educadores, psicólogos e órgãos governamentais deixem de se interessar por aqueles comportamentos notáveis que, ao menos atualmente, são denominados inteligentes;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;As classes comportamentais que compõem o "habituar às coisas simples" são ou podem ser, em grande parte, definidas como &lt;i&gt;traços de personalidade&lt;/i&gt;;(3)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Na sociedade atual, imagino que os comportamentos preconizados por Epicuro não são notáveis, ou suficientemente valorizados, de tal forma que possam ter força para alavancar patentes mudanças conceituais;&lt;br /&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Deve haver uma variedade exorbitante de comportamentos que contribuem para o quanto somos felizes, e não seria prático ou útil definirmos todos como inteligentes;&lt;br /&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Aparentemente, felicidade é um conceito de difícil operacionalização, e isso implica em complicações na empreitada de se avaliar o grau em que uma pessoa é inteligente. &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em conclusão, não vejo por que adotar a definição de inteligência proposta por Grandinetti. Para aqueles que, mesmo sob condições adversas, batalham e conquistam seus objetivos, reservemos os termos &lt;i&gt;perseverantes &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;resilientes&lt;/i&gt;; àqueles que não se entregam aos excessos e que agem de forma a assegurar consequências futuras, postergadas, &lt;i&gt;responsáveis&lt;/i&gt;; e àqueles que estão frequentemente sorrindo e se sentem satisfeitos com a vida, &lt;i&gt;felizes&lt;/i&gt;. Mesmo diante da saudável dúvida de se a felicidade é de fato a finalidade última de toda ação humana, há uma diversidade inumerável de subojetivos ou finalidades intermediárias que interferem na definição de classes comportamentais conspícuas. Desejaremos, como hoje o fazemos, classificar e avaliar esses comportamentos. Naquele mundo anteriormente hipotetizado, o grupo dos &lt;i&gt;cogno-proficientes&lt;/i&gt; continuaria, mesmo que menos felizes, ou melhor, &lt;i&gt;menos inteligentes&lt;/i&gt;, se destacando por suas façanhas. E a respeito das máquinas e dos robôs, não importa que não sejam humanos ou que não tenham emoções; importa que sejam, por fazerem o que fazem, inteligentes... ou que alcancem certos objetivos especificados -- os quais, a propósito, têm íntima relação com o bem-estar humano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mais algumas palavras&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a maior dificuldade em se encontrar uma concepção precisa de inteligência derive da tendência que temos de tratá-la como uma &lt;i&gt;coisa&lt;/i&gt;. Tal como o &lt;i&gt;self&lt;/i&gt;, a personalidade e a consciência, a inteligência não deve ser vista como uma entidade concreta e passível de ser localizada pela lente do cientista; deve, antes, ser concebida como uma ocorrência ou um conjunto de respostas ou eventos que guardam, topográfica e/ou funcionalmente, características em comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias de hoje, parte dos problemas cuja resolução é notável estão impregnados de &lt;b&gt;símbolos&lt;/b&gt;. A velocidade e a qualidade com que se fala, com que se pensa e se identifica relações entre ideias e o domínio que se tem de certas áreas do  conhecimento são comportamentos que os envolvem, que geram consequências específicas e que podem ser avaliados. As pessoas diferem comportamentalmente umas das outras, e as diferenças comportamentais da referida classe, mas não apenas, são lidas como diferenças de inteligência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao olhar para o céu, prosseguirei a me perguntar se os extraterrestres, felizes ou infelizes, estão por lá... e se são mais ou menos &lt;i&gt;inteligentes&lt;/i&gt; que nós, seres humanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-bg3C8x01phw/TrWD6nXoFKI/AAAAAAAAAcQ/7edxK_3eBho/s1600/intelig%25C3%25AAncia+extraterrestre.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://3.bp.blogspot.com/-bg3C8x01phw/TrWD6nXoFKI/AAAAAAAAAcQ/7edxK_3eBho/s320/intelig%25C3%25AAncia+extraterrestre.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Notas e referências:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(1) "Amabilidade", "responsabilidade", "abertura", "extroversão-introversão" e "neuroticismo" são os cinco grandes fatores da personalidade usualmente estudados em psicologia diferencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Para uma alternativa à tese das inteligências múltiplas, ver texto &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/09/em-busca-da-inteligencia.html"&gt;"Em busca da inteligência"&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;(3) É o que o construto &lt;i&gt;inteligência emocional&lt;/i&gt; parece medir: um composto dos cinco grandes fatores de personalidade (Roberts et al., 2006).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Colom, R. (2006). O que é inteligência? Em Flores-Mendoza, C., &amp;amp; Colom, R. &lt;i&gt;Introdução à psicologia das diferenças individuais.&lt;/i&gt; Porto Alegre: Artmed.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flores-Mendoza, C. (2010). Inteligência Geral. In Malloy-Diniz, L. F., Fuentes, D. Mattos, Abreu, N. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Avaliação Neuropsicológica.&lt;/span&gt; Porto Alegre: Artmed, Cap. 5, p. 58-66.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Grandinetti, D. (2011, 30 de outubro). No gabinete do psicólogo. Recuperado em http://nogabinetedopsicologo.blogspot.com/2011/10/o-que-e-inteligencia-e-qual-sua-relacao.html#comments&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pinker, S. (1999). &lt;i&gt;Como a mente funciona&lt;/i&gt;. São Paulo: Companhia das Letras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Roberts, R., Rouse, J., Zeidner, M., &amp;amp; Matthews, G. (2006). O &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; científico da inteligência emocional: consenso e controvérsias. Em Flores-Mendoza, C., &amp;amp; Colom, R. &lt;i&gt;Introdução à psicologia das diferenças individuais.&lt;/i&gt; Porto Alegre: Artmed.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ryle, G. (1980). The concept of mind. New York: Penguin Books. (Original publicado em 1949.) Em Lopes, C. E., &amp;amp; Abib, J. A. D. (2003). O behaviorismo radical como Filosofia da Mente. &lt;i&gt;Psicologia: Reflexão e Crítica&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;16&lt;/i&gt;(1), pp. 85-94.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Skinner, B. F. (1990). Can psychology be a science of mind? &lt;i&gt;American Psychologist&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;45&lt;/i&gt;(11), pp. 1206-1210.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sternberg, R., Conway, B., Ketron, J., &amp;amp; Bernstein, M. (1981). People's conceptions of intelligence. &lt;i&gt;Journal of Personality and Social Psychology&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;41&lt;/i&gt;, 1, 37-55.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-4942414717735629700?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/4942414717735629700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/11/inteligencia-capacidade-de-ser-feliz.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/4942414717735629700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/4942414717735629700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/11/inteligencia-capacidade-de-ser-feliz.html' title='Inteligência: capacidade de ser feliz?'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Z7EVSth5xyY/TrWDGS1Rw0I/AAAAAAAAAcI/I53K9b4_0m4/s72-c/felicidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-2070610890414456706</id><published>2011-10-30T08:58:00.000-07:00</published><updated>2011-12-22T15:55:46.171-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte e Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><title type='text'>Muito além do nosso eu: admirável mundo por vir (Parte 1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-phE4_mMjbhM/Tq6mzoJP0MI/AAAAAAAAAbY/iGCnNYHWC9A/s1600/interface+c%25C3%25A9rebro-m%25C3%25A1quina.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-pP8ywXW_Owo/Tq6n1X9sjWI/AAAAAAAAAbo/mtYPwUnu8Hs/s1600/miguel+nicolelis+e+aurora.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-pP8ywXW_Owo/Tq6n1X9sjWI/AAAAAAAAAbo/mtYPwUnu8Hs/s200/miguel+nicolelis+e+aurora.jpg" width="129" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Nicolelis, Aurora e seu braço robótico&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Desde que li a obra do neurologista português Antônio Damásio, então responsável pelos rudimentos de como entendo as relações cérebro-comportamento, não ficara tão extasiado com um livro de neurociência até trombar com o &lt;i&gt;Muito além do nosso eu&lt;/i&gt; (2011). Nele, o brasileiro Miguel Nicolelis mostra-nos parte do desafio, assumido por ele e sua equipe, de desenvolver robustas interfaces cérebro-máquina (ICMs): sistemas que, por exemplo, permitem a símios, ratos e mesmo seres humanos controlar, &lt;i&gt;por pensamento&lt;/i&gt;, computadores ou artefatos robóticos. Em paralelo, o cientista tupiniquim procura tanto desbancar a tese de que o encéfalo é dividido em domínios de processamento especializados como criticar o pressuposto de que o neurônio, e não redes neurais, é a unidade funcional do sistema nervoso. Neste texto, descreverei de forma sucinta o principal experimento narrado em &lt;i&gt;Muito além do nosso eu&lt;/i&gt; e quais as prováveis e sonhadas implicações das ICMs. Quanto às discussões teóricas, guardarei-as para um inadiável trabalho posterior (a Parte 2).&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Suco de laranja: "Dê um pouco, e eu aprendo o inimaginável"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nicolelis e sua equipe, tendo em mãos um protocolo experimental inovador, tinham como objetivo ensinar Aurora, uma simpática macaca, a cumprir uma tarefa computadorizada utilizando apenas o pensamento. Diante de si, a protagonista do experimento via um monitor de cristal líquido no qual um círculo branco e um cursor ficavam dispostos. Inicialmente, a tarefa consistia em direcionar o cursor, controlado por um joystick (que cumpria a função de &lt;i&gt;mouse&lt;/i&gt;), para dentro do círculo. Feito isso, o círculo deveria ser preenchido pelo cursor, que crescia como a pupila cresce em resposta à luz, conforme o joystick era levemente apertado. Em meio a uma porção de tentativas e erros, o comportamento de direcionar o cursor com o joystick e comprimi-lo no momento certo foi sendoseletivamente recompensado (ou melhor, &lt;i&gt;reforçado&lt;/i&gt;) com doses de um delicioso suco de laranja brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À medida que nossa parente primata vinha se tornando &lt;i&gt;expert&lt;/i&gt; naquele jogo, microeletrodos captavam a atividade de 96 neurônios distribuídos em seis áreas corticais. Os sinais desses neurônios (chamados por Nicolelis de "sinfonias neurais"), uma vez sendo filtrados e amplificados por microchips, eram então enviados a um microcomputador que os convertia em sinais digitais. Quase que simultaneamente, uma fita recheada de sensores captava e transmitia ao mesmo microcomputador parâmetros cinéticos do ombro, cotovelo e pulso de Aurora. A importância de se registrar tanto os padrões de disparo neural como os padrões cinéticos, que controlava o joystick, é óbvia: os segundos ocorrem &lt;i&gt;em função&lt;/i&gt; dos primeiros (ou &lt;i&gt;o braço é controlado pelo cérebro&lt;/i&gt;). Daí que, com base na leitura de certos padrões neurais, aqueles pesquisadores poderiam &lt;i&gt;prever&lt;/i&gt; quais padrões cinéticos seriam emitidos! E era isso que o microcomputador, munido de modelos matemáticos sofisticados, fazia: buscava encontrar correlações lineares desses dois parâmetros digitais -- o referente à atividade cortical e o relacionado ao ombro, cotovelo e punho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-phE4_mMjbhM/Tq6mzoJP0MI/AAAAAAAAAbY/iGCnNYHWC9A/s1600/interface+c%25C3%25A9rebro-m%25C3%25A1quina.png" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-phE4_mMjbhM/Tq6mzoJP0MI/AAAAAAAAAbY/iGCnNYHWC9A/s1600/interface+c%25C3%25A9rebro-m%25C3%25A1quina.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;A atividade neural pode ser captada, codificada digitalmente e ser usada para controlar o movimento de neuropróteses, como um braço ou pernas robóticas.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tendo finalmente chegado a uma resolução razoavelmente precisa das correlações cortico-motoras, Nicolelis e sua equipe estavam a um passo de testar se, com base apenas no pensamento, um braço robótico poderia emitir movimentos idênticos aos de um braço biológico. Após perder seu joystick para um braço de metal, Aurora não tardou para perceber o improvável: perante a tarefa computadorizada previamente dominada, bastava tão-somente &lt;i&gt;imaginar&lt;/i&gt; os movimentos que fizera outrora, e seus desejos (receber goles de suco de fruta) se concretizariam como que num passe de mágica! O membro metálico, por mediação do microcomputador, passou a ser fielmente comandado pelo pensamento da macaquinha. Conforme comenta Nicolelis, Aurora aprendera que &lt;i&gt;querer é poder&lt;/i&gt;. O vídeo abaixo, que conta com a participação do cientista brasileiro, ilustra uma versão levemente alterada do experimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="287" src="http://www.youtube.com/embed/PTVVYYxY9Cs?rel=0" width="380"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admirável mundo por vir&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No último capítulo de seu livro, o &lt;i&gt;De volta para as estrelas&lt;/i&gt;, Nicolelis especula livremente sobre possíveis, e algumas quase mágicas, aplicações das ICMs num futuro mais ou menos distante. Em razão da capacidade do cérebro de assimilar ferramentas -- como quando Pelé, Ayrton Senna, Santos Dumont e Aurora tomaram como partes de si, respectivamente, bolas de futebol, carros de Fórmula 1, aviões e braços metálicos --, o autor acredita que as ICMs poderão tanto "restaurar a vida daqueles que são afligidos por quaisquer danos neurológicos" como "permitir a expansão de nossa percepção e ação no universo" (p. 470). No que se refere à área médica, pacientes acometidos por moléstias neurológicas poderão voltar a ouvir, falar, ver, tocar e andar. Por exemplo, um dos projetos que Nicolelis ajudou a fundar, o &lt;i&gt;The Walk Again Project&lt;/i&gt; [Projeto Andar Novamente], visa "desenvolver e implementar a primeira ICM capaz de restaurar a mobilidade corporal completa de pacientes vítimas de graus severos de paralisia" (p. 471). Esses pacientes poderão controlar, pelo pensamento, movimentos complexos de exoesqueletos (vestes robóticas) de corpo inteiro, de tal forma que possam ser modulados seus membros superiores e inferiores, sua postura e a deambulação corporal. O pesquisador, em um tom ousado e animador, prevê que,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;depois de algumas semanas de interação com o exoesqueleto, o cérebro de nosso futuro paciente completará o processo de incorporação dessa veste robótica através de um processo de plasticidade neural, como uma extensão verdadeira da imagem corporal que reside nele. Nesse momento, o usuário provavelmente se tornará proficiente na operação do exoesqueleto controlado pela ICM, podendo então voltar a se mover livre e autonomamente pelo mundo (p. 475).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-nyUhcT-36Jo/Tq6pr_Ea-FI/AAAAAAAAAb4/29bkYc3qpoQ/s1600/interface+c%25C3%25A9rebro-m%25C3%25A1quina+brainet.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="187" src="http://2.bp.blogspot.com/-nyUhcT-36Jo/Tq6pr_Ea-FI/AAAAAAAAAb4/29bkYc3qpoQ/s200/interface+c%25C3%25A9rebro-m%25C3%25A1quina+brainet.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Para além da medicina, Nicolelis vislumbra um mundo no qual nossos descendentes controlarão, pelas faíscas ordenadas de seus encéfalos, toda uma rede de aparatos tecnológicos, desde a manipulação de objetos virtuais à literal troca de ideias em uma rede social cerebral, a &lt;i&gt;brainet&lt;/i&gt;! E, num ponto mais próximo de outras estrelas, robôs humanoides ou mesmo avatares virtuais poderão explorar paisagens extraterrestres longínquas, e com tal vivacidade que trouxesse "para a ponta de nossos dedos a sensação inaudita do que seria tocar essas terras estranhas e seus segredos" (pp. 488-89).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perto de concluir sua obra, Nicolelis aproxima suas especulações à fantasia -- e quase à religiosidade. Se em um momento é asseverado que uma teia organizada de cérebros em comunicação poderia configurar uma &lt;i&gt;fusão coletiva de mentes&lt;/i&gt;, levanta-se posteriormente a possibilidade de se registrar perenemente a experiência subjetiva de cada indivíduo humano! O autor não revela detalhes de como essas façanhas poderiam ser arquitetadas; pelo contrário, prossegue com sentenças cada vez mais recheadas de ambiguidades curiosas, e quiçá irônicas, como a de que poderíamos coroar "o cérebro relativista de primata como a única trindade significativa a nos conceder suas bênçãos" (p. 495). Mas a mensagem básica é clara: o desenvolvimento e a assimilação social de ICMs provavelmente ditarão uma mudança notável na forma como concebemos o senso de eu e, de forma geral, o que entendemos por realidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na dúvida saudável de se todo esse devaneio há de se concretizar, resta-nos, sobretudo para quem não teme o avanço tecnológico, pegar carona em extasiantes enredos como &lt;i&gt;Matrix &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Avatar&lt;/i&gt; -- obras cinematográficas que abrem caminho à experimentação de um admirável e possível, embora dramático, mundo por vir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://0.gvt0.com/vi/qpNkPHrnZ7Q/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qpNkPHrnZ7Q&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/qpNkPHrnZ7Q&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Referência bibliográfica:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nicolelis, Miguel (2011). &lt;i&gt;Muito além do nosso eu: a nova neurociência que une cérebro e máquinas -- e como ela pode mudar nossas vidas.&lt;/i&gt; São Paulo: Companhia das Letras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-2070610890414456706?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/2070610890414456706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/10/muito-alem-do-nosso-eu-admiravel-mundo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/2070610890414456706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/2070610890414456706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/10/muito-alem-do-nosso-eu-admiravel-mundo.html' title='Muito além do nosso eu: admirável mundo por vir (Parte 1)'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-pP8ywXW_Owo/Tq6n1X9sjWI/AAAAAAAAAbo/mtYPwUnu8Hs/s72-c/miguel+nicolelis+e+aurora.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-7978036668504303341</id><published>2011-10-23T10:53:00.000-07:00</published><updated>2011-11-04T04:51:05.535-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte e Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Ciência Espírita</title><content type='html'>&lt;blockquote style="color: #999999;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eles são cientistas. E eles acreditam em espíritos e reencarnação. Agora, estão usando o laboratório para provar que tudo isso não é apenas questão de fé. E dizem que estão conseguindo.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-WuCf2G_VjfM/TqRLBovR9fI/AAAAAAAAAbM/6FjOhErciiw/s1600/ci%25C3%25AAncia+esp%25C3%25ADrita+super+interessante+%25282%2529.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-WuCf2G_VjfM/TqRLBovR9fI/AAAAAAAAAbM/6FjOhErciiw/s200/ci%25C3%25AAncia+esp%25C3%25ADrita+super+interessante+%25282%2529.jpg" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;O excerto supracitado é a manchete da &lt;i&gt;Super Interessante&lt;/i&gt; deste mês (outubro de 2011). Embora convidativa e exagerada, como costuma ser quase toda capa de revista, a matéria não se limita a relatar anedotas que dão um frio na barriga. Em contraste, os autores (Nogueira e Castro) tiveram o escrúpulo de contar o outro lado da história: o fato de que pesquisas sérias acerca do tema estão apenas começando, bem como, e principalmente, que não há dados empíricos que corroborem a tese de que corpo e mente (ou alma) são entidades de natureza ou substância distinta. Contudo, e se isso for verdade, o que dizer das experiências extracorpóreas que praticantes de meditação, pacientes de enfarte e sobreviventes de acidentes relatam? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quase lá: uma visão do além&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No final do século passado, van Lommel e seus colegas queriam saber se um punhado de pacientes acometidos por parada cardíaca tiveram o que tem sido chamado &lt;i&gt;experiência de quase-morte&lt;/i&gt; (EQM). Em situações cujo risco de morrer é alto, como ao cair de precipícios, sofrer acidentes de trânsito ou passar por afogamentos, alguns sobreviventes relatam experiências atípicas, às vezes extasiantes, que sugerem a existência do além. Algumas dessas vivências são "se ver fora do corpo", "encontrar com entes falecidos", "ser tomado por sensações agradáveis" e "visualizar luzes ou túneis". No estudo que publicaram na revista &lt;i&gt;The Lancet&lt;/i&gt; em 2001, Lommel e cols. relataram que 62 dos 344 pacientes (18%) entrevistados tiveram (ou recordaram de) uma EQM. Antes de serem trazidos de volta à consciência pela equipe médica, constatou-se que o registro miográfico desses pacientes estava plano, zerado, o que os caracterizava como &lt;i&gt;clinicamente mortos&lt;/i&gt;. Com efeito, esses pesquisadores tomaram seus relatos como um indício de que a consciência, ou a alma, é uma instância que independe do corpo material, tese comumente denominada &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dualismo"&gt;&lt;i&gt;dualismo de substância&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os entusiastas do dualismo costumam se armar com anedotas no mínimo arrepiantes. Para tomar um exemplo da &lt;i&gt;Super&lt;/i&gt;, um major aposentado viu-se, do teto, deitado na maca à medida que recebia, para ser ressuscitado, descargas elétricas no peito. E viu também a esposa, então de vermelho, que o aguardava apreensiva no cômodo ao lado. Após ser tragado de volta para o corpo, o militar espantou-se ao notar que sua amada estava de fato com a vestimenta vermelha que avistara! Em um caso descrito no artigo de Lommel, um homem em coma teria notado, de fora do corpo, uma enfermeira levar sua dentadura em um carrinho de tralhas. Quando desperto, dias depois, trombou com a enfermeira e lhe pediu seus dentes postiços. O paciente, tendo acertado na mosca (ou na enfermeira), teve de volta seu sorriso e ganhou atenção diferenciada da mídia e da equipe médica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lommel e cols., na discussão de seu estudo, deixaram uma mensagem provocadora:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;Na falta de evidência para qualquer teoria da EQM [...] o conceito de que a consciência e a memória estão localizados no cérebro deve ser discutido. Como pode uma clara consciência fora de seu corpo ser experienciada à medida que o cérebro não funciona no período de morte clínica [...]?&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Meditação: uma espiadinha no lado de lá?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há cerca de seis ou sete anos atrás, eu vinha praticando meditação regularmente. Tive experiências estranhas com essa técnica, como quando senti-me flutuando, esticando ou encolhendo, reduzido a &lt;i&gt;duas&lt;/i&gt; dimensões e possuído por repentinas sensações orgásticas. Mas minha primeira experiência profunda foi, ao menos inicialmente, estarrecedora: senti-me paralisado, fora do corpo e, à medida que era puxado, com a inequívoca impressão de que estava à beira da morte! O que motivou minhas aventuras meditativas posteriores foi minha extrema curiosidade e o desfecho deleitoso daquela experiência: fã declarado do anime &lt;i&gt;Dragon Ball&lt;/i&gt;, fui não por acaso contemplado com o poder de voar e de descarregar torrentes luminosas de energia em um misterioso local vazio (algo como tiros consecutivos de &lt;a href="http://pt.dragonball.wikia.com/wiki/Kamehameha"&gt;&lt;i&gt;kamehameha&lt;/i&gt;s&lt;/a&gt;)! É provável que eu nunca tenha acordado tão descansado e maravilhado como na manhã do dia seguinte. Enquanto estive por lá, lembro de pensar ininterruptamente: "Não quero jamais sair daqui... jamais!".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ptDw6O5mZcM/TqRKPS29ACI/AAAAAAAAAa8/N4ZlPVh8LfM/s1600/Goku_Kamehameha_.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="208" src="http://1.bp.blogspot.com/-ptDw6O5mZcM/TqRKPS29ACI/AAAAAAAAAa8/N4ZlPVh8LfM/s320/Goku_Kamehameha_.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Goku lançando um poderoso &lt;i&gt;kamehameha&lt;/i&gt;.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cerca de um ano após essa primeira experiência, algo curioso aconteceu. No meu quarto, então dividido com um dos meus irmãos, deitei e comecei a meditar. Em meio ao chiado estranho que costumava preencher meus ouvidos nessas ocasiões, meu corpo adormecia lentamente... e minha consciência se segurava por apenas um fio, em seu limiar mínimo, como que lutando contra a investida do sono. Passado algum tempo, eis que me deparo com uma cena inusitada: meu corpo na cama, estendido, e eu do lado de fora! Assustado, olho para os lados e começo a caminhar, casa adentro, indagando se tudo aquilo era mesmo real. Sem resistir por mais que alguns passos pelo corredor, senti-me sugado de volta -- era tempo de despertar. Numa espécie de errado que deu certo, defrontei-me com uma incoerência que fez calar meu desejo de acreditar nas implicações sobrenaturais daquelas experiências: &lt;b&gt;desperto, notei que eu não estava na cama da esquerda, tal como percebera durante a meditação, mas na da direita!&lt;/b&gt; Aquela vivência espetacular, em vez de se referir a uma pista de que corpo e alma são coisas dessemelhantes, pareceu-me dizer de uma &lt;i&gt;construção que meu cérebro fez com base em memórias remotas e em eventos que imediatamente a antecederam.&lt;/i&gt; Em memórias remotas porque, devo esclarecer, eu sempre dormi na cama da esquerda, e não na da direita. Então, e à medida que foi sendo criado aquele &lt;i&gt;sonho induzido &lt;/i&gt;(chamado pelos místicos de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Proje%C3%A7%C3%A3o_da_consci%C3%AAncia"&gt;&lt;i&gt;viagem astral&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;projeção&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;), foram sendo misturados elementos recentes (estar deitado em meu quarto e a meditar) com elementos remotos (estar deitado na cama onde costumava, por anos, dormir). Bingo: a incoerência dos cenários fez crescer com vigor a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monismo"&gt;tese monista&lt;/a&gt;! Foi a segunda vez que vi brotar em mim um senso cético tão forte e animador.(1)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O lado cético da história&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como aludi inicialmente, os autores da matéria da &lt;i&gt;Super&lt;/i&gt; são inteligentes. Em razão de carimbarem na chamada da matéria a insinuação de que o dualismo vem sendo empiricamente ratificado, tanto o crente como o cético ficam instados a comprar a revista. Contudo, e a fim de se resguardar da crítica intelectual, trazem embutidos avisos que contrariam sua jogada propagandística. Esses avisos são "o lado cético da história", que deve ser salientado mas que é comumente negligenciado por certos, para não dizer inúmeros, leitores (sobretudo os que crêem em eventos e entidades sobrenaturais). Passo a ilustrar, com um trecho, esse lado da matéria:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="color: #999999;"&gt;A maior parte dos pesquisadores entende que [as EQMs] não passam de uma confusão cerebral. No momento de uma parada cardíaca [por exemplo], a perda de oxigênio faz com que a massa cinzenta deixe de distinguir realidade e fantasia. Balançada pela desordem, recorre à memória de curto prazo para compreender a situação. Então se depara com cenas que acabou de registrar, como a própria sala de cirurgia [...] e nos prega uma peça. Todas as nossas lembranças registram uma visão panorâmica, como uma imagem de um filme, em terceira pessoa, criando a sensação de estarmos fora do próprio corpo. [...] O cérebro é um diretor de cinema. E o seu corpo, o protagonista (pp. 61-62).&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um parente meu, ao ser submetido a uma neurocirurgia, visualizou ele próprio sendo carregado por um falecido padre mineiro de quem é devoto e que é, por muitos, considerado como santo. Por vários dias, e provavelmente momentos antes do procedimento operatório, ele direcionou preces fervorosas àquela aclamada santidade. Não só com elementos próximos ou remotos, como a movimentação de uma sala de cirurgia ou uma boa-cama-para-se-meditar, o cérebro parece configurar um cenário onírico com base em crenças, desejos e expectativas daqueles que vivem uma EQM (ou algo similar a uma). O momento aprazível e confortável sentido pelo meu parente parece ter sido associado, em seu histórico de experiências, à figura zelosa de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Padre_Lib%C3%A9rio"&gt;padre Libério&lt;/a&gt;, o milagroso que o protegeria. No meu caso, o prazer, a soltura do corpo e a sensação de poder estiveram associados às aventuras que, na pele de Goku, acompanhei empática e energicamente na adolescência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="float: right; padding: 5px;"&gt;&lt;a href="http://www.researchblogging.org/"&gt;&lt;img alt="ResearchBlogging.org" src="http://www.researchblogging.org/public/citation_icons/rb2_large_gray.png" style="border: 0;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;Nem todas as pessoas vêem túneis e entes falecidos, e o que vêem é provavelmente fundado em experiências prévias que, por algum motivo, foram associadas àquele perfil de funcionamento neurobiológico. O estudo de Lommel e cols., por exemplo, constatou que apenas 15 dos 62 pacientes (24%) relataram ter tido uma experiência extracorporal, enquanto 32% disseram ter encontrado com parentes falecidos. Em um artigo que acaba de sair do forno,(2) Mobbs e Watt (2011) comentam que o conteúdo das EQMs covaria com a liberação anormal, modulada por drogas (como as administradas em intervenções médicas) ou situações adversas, de neurotransmissores como a dopamina, a noradrenalina e os opióides. Os autores ressaltam que experiências extracorpóreas podem resultar não só de EQMs, mas de condições como a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paralisia_do_sono"&gt;&lt;i&gt;paralisia do sono&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e a estimulação de sítios neurais como a junção temporoparietal. Na verdade, pouco mais da metade (51%) dos fenômenos rotulados como EQMs &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; envolve risco de morte real. E alguns de seus conteúdos, como alucinações com fantasmas, entes falecidos ou monstros, são ocasionalmente descritos por pacientes com Alzheimer ou Parkinson, cujos perfis neuroquímicos encontram-se assaz alterados. Ao final, os autores concluem que "a evidência científica sugere que todos os aspectos da experiência de quase-morte tem uma base fisiológica ou neuropsicológica". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contra toda a rede de explicações psicológicas e neurobiológicas, alguns defensores do dualismo lembram que, como no estudo de Lommel, os pacientes que passaram por uma EQM tiveram cessadas suas atividades cardiocirculatórias ou, como em outros estudos, cerebrais. Contudo, e como levantado na matéria da &lt;i&gt;Super&lt;/i&gt;, o eletroencefalograma registra essencialmente a atividade do &lt;i&gt;córtex &lt;/i&gt;cerebral, a camada superficial do cérebro. Regiões subcorticais (que são mais profundas) podem, portanto, continuar em atividade sem que os aparelhos as detectem. Mas uma hipótese alternativa, ou mesmo complementar, é a seguinte: &lt;b&gt;fenômenos como as EQMs acontecem &lt;i&gt;antes&lt;/i&gt; da constatação da morte clínica ou da perda de consciência, e não enquanto&lt;/b&gt;. Pouco antes de se desligar, a ideia de estar sofrendo um enfarte ou um afogamento poderia, em instantes, gerar um rico cenário onírico, então permeado por elementos que circundam a vítima (como a equipe médica) e por crenças e expectativas preconcebidas (como reencontrar entes falecidos ou ser acalentado por um santo). O tom dessa espécie de sonho, ademais, seria regulado pelo balanço químico produzido pela experiência em questão (enfarte, submissão a drogas ou meditação). Vejo essa hipótese, mais razoável do que a alternativa, como uma síntese do que foi trazido pela &lt;i&gt;Super&lt;/i&gt; e pelo artigo de Mobbs e Watt (2011).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Considerações finais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O debate acerca da dualidade corpo-mente (ou espírito) deve perdurar por mais algumas gerações. À medida que a ciência avança, contudo, explicações mágicas e sobrenaturais vão perdendo seu espaço. Imagino que o problema mente-cérebro seja uma das últimas e mais profundas trincheiras nas quais crenças religiosas mantém-se protegidas contra as investidas céticas. Se podemos provar que a Terra é redonda, que não é o centro do Universo e que não tem seis ou oito mil anos, e se temos evidência de que a origem das espécies não decorre do dedo de um projetista poderoso, resta-nos mostrar consistentemente por que a tese de uma vida eterna e espiritual é incoerente. Como fazer isso? Ao lado das evidências indiretas da neurociência, é possível que as EQMs possam nos ajudar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O estudo do cardiologista Sam Parnia e do neurologista Peter Fenwick ilustra o que pode ser feito. Como descrito na &lt;i&gt;Super&lt;/i&gt;, esses pesquisadores instalaram "150 placas pelo hospital, com sinais, textos e desenhos virados para cima, posicionados de tal maneira que apenas alguém localizado no teto poderia ler. [Se] um paciente contasse o que havia na placa, a experiência fora do corpo estaria comprovada" (p. 60). Mas nenhum dos 63 pacientes ressuscitados alegou ter feito uma viagem espiritual, e a experiência mostrou-se um fracasso. Não sei se outros trabalhos dessa natureza foram realizados desde então; sei que os vejo como uma forma de sairmos das anedotas, que às vezes são fomentadas pelo desejo de visibilidade ou por vieses de pesquisa, e encararmos o problema de forma séria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns, como eu, são contemplados com a chance de ver com os próprios olhos a incoerência do dualismo (e, é claro, com as condições sociais adequadas para que o ceticismo e o conhecimento científico floresçam). Outros, que compõem a maioria, são enganados pela forma como parte de si mesmo funciona -- isto é, pelas peças casualmente pregadas pelo cérebro. Como cético e um pouquinho entendido de neurociência, devolvo a provocação a Lommel:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Diante do pesado conjunto de evidências que sustenta a tese de que a mente é um produto da atividade do encéfalo (ou que &lt;i&gt;é&lt;/i&gt; essa atividade), o conceito popular de que memória e consciência são coisas imateriais deve ser discutido.&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Notas e referências&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) A primeira vez foi quando, no sítio de meus pais, descobri que os supostos alienígenas que estavam no telhado tentando me abduzir eram, como fui conferir na alvorada, galinhas d'angola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Devo agradecer ao meu colega André Rabelo pelo encaminhamento do artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mobbs, D., &amp;amp; Watt, C. (2011). There is nothing paranormal about near-death experiences: how neuroscience can explain seeing bright lights, meeting the dead, or being convinced your are one of them. &lt;i&gt;Trends in Cognitive Sciences, &lt;/i&gt;&lt;i&gt;15&lt;/i&gt;(10), 447-449. Elsevier Ltd.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nogueira, P, &amp;amp; Castro, C. (2011). Ciência Espírita. &lt;i&gt;Super Interessante&lt;/i&gt;, ed. 296. São Paulo: Editora Abril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Owens, J.E. et al. (1990) Features of near-death experiences in relation to whether or not the patient were near death. &lt;i&gt;Lancet&lt;/i&gt; 336, 1175-1177.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;amp;rft.jtitle=The+Lancet&amp;amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1016%2FS0140-6736%2801%2907100-8&amp;amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;amp;rft.atitle=Near-death+experience+in+survivors+of+cardiac+arrest%3A+a+prospective+study+in+the+Netherlands&amp;amp;rft.issn=01406736&amp;amp;rft.date=2001&amp;amp;rft.volume=358&amp;amp;rft.issue=9298&amp;amp;rft.spage=2039&amp;amp;rft.epage=2045&amp;amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0140673601071008&amp;amp;rft.au=van+Lommel%2C+P.&amp;amp;rft.au=van+Wees%2C+R.&amp;amp;rft.au=Meyers%2C+V.&amp;amp;rft.au=Elfferich%2C+I.&amp;amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CNeuroscience"&gt;van Lommel, P., van Wees, R., Meyers, V., &amp;amp; Elfferich, I. (2001). Near-death experience in survivors of cardiac arrest: a prospective study in the Netherlands &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Lancet, 358&lt;/span&gt; (9298), 2039-2045 DOI: &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736%2801%2907100-8" rev="review"&gt;10.1016/S0140-6736(01)07100-8&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-7978036668504303341?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/7978036668504303341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/10/ciencia-espirita.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/7978036668504303341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/7978036668504303341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/10/ciencia-espirita.html' title='Ciência Espírita'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-WuCf2G_VjfM/TqRLBovR9fI/AAAAAAAAAbM/6FjOhErciiw/s72-c/ci%25C3%25AAncia+esp%25C3%25ADrita+super+interessante+%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-1832216170508308745</id><published>2011-10-13T10:05:00.000-07:00</published><updated>2011-10-14T12:36:37.324-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clínica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte e Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><title type='text'>Ciúme: palavras sobre o inato e o aprendido</title><content type='html'>&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;Os ciumentos sempre olham para tudo com óculos de aumento, os quais engrandecem as coisas pequenas, agigantam os anões, e fazem com que as suspeitas pareçam verdades" (Miguel Cervantes, 1547-1616).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1N9d62z5rgI/TpcXTe3ES6I/AAAAAAAAAas/KMMwJ892Zwc/s1600/ci%25C3%25BAme.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://1.bp.blogspot.com/-1N9d62z5rgI/TpcXTe3ES6I/AAAAAAAAAas/KMMwJ892Zwc/s320/ci%25C3%25BAme.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na manhã de hoje (10 de outubro de 2011), tirei um tempinho para ler algo a respeito do ciúme. Por sorte, ao lançar o termo no &lt;i&gt;Google Acadêmico&lt;/i&gt;, topei com o artigo "Contribuições da Psicologia Evolutiva e da Análise do Comportamento acerca do Ciúme" da analista do comportamento Nazaré Costa. &lt;i&gt;Sorte&lt;/i&gt; porque, em primeiro lugar, eu gostaria de conhecer um pouco da leitura analítico-comportamental sobre o tema e, em segundo lugar, porque tenho tido interesse em trabalhos que contemplam atributos filogenéticos do comportamento.(1) Pretendo, com este texto, trazer os principais pontos dessas duas abordagens e esboçar um possível e desejável &lt;i&gt;link&lt;/i&gt; entre seus respectivos níveis de análise.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;O ciúme&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do seu trabalho, Costa (2005) comenta sobre o aspecto universal do ciúme: toda sociedade, atual ou remota, é ou foi expressivamente marcada por esse padrão comportamental. Estamos tratando, portanto, de um &lt;i&gt;traço cultural&lt;/i&gt;. Desse fato incorre, entre outras coisas, o grande número de pessoas que procuram ajuda psicoterápica para controlar o ciúme, que pode ser excessivo e danoso, e uma parcela considerável de homicídios (em torno de 20%) que envolvem essa classe comportamental. Mas a diferença e a convergência de explicações para o ciúme entre disciplinas, sobretudo entre a análise do comportamento e a psicologia evolucionista, consistem no problema elementar a ser abordado pela autora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando uma vasta e diversificada literatura, Costa conclui que o ciúme é geralmente entendido como&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;uma emoção (desprazer [...] apreensão) que é desencadeada por uma situação de ameaça, seja ela real ou não, de perder uma relação ou posição em um relacionamento afetivo, sendo importante ainda destacar que tal emoção tende a "motivar" comportamentos que possam lidar com essa ameaça [...]&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa tentativa de diferenciar os aspectos "normal" e "patológico" do ciúme, a autora recorre a Pines (1992): "enquanto o ciúme normal ocorre em função de uma ameaça real, o ciúme patológico persiste a despeito da ausência de qualquer ameaça real ou provável". O ciúme patológico seria marcado por um sofrimento exacerbado acompanhado de comportamentos como verificação (de telefonemas, mensagens e e-mails do parceiro, por exemplo), perseguição e inquérito frequentes (indagação sobre onde, por que e com quem o parceiro está/esteve). Em um &lt;a href="http://www.comportese.com/2011/04/sindrome-de-otelo-o-ciume-patologico.html"&gt;texto escrito recentemente&lt;/a&gt;, meu colega Marcelo Souza falou sobre a Síndrome de Otelo, que é caracterizada por esses e outros comportamentos funcionalmente similares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esse pano de fundo, Costa comenta que o ciúme é um "evento privado [um sentimento] capaz de controlar eventos públicos". Entre as reações fisiológicas que caracterizam esse evento, ou as &lt;i&gt;respostas reflexas&lt;/i&gt;, estão o aperto no peito, a sensação de nó na garganta e/ou a sensação de perda de controle. Sentimentos típicos, imediatos ou tardios, são a tristeza, a raiva, a angústia, a ansiedade, a mágoa e a rejeição. Supõe-se, ademais, que o "ciumento aprendeu a sentir [tais sensações] e a emitir determinados comportamentos públicos". "Aprender a sentir" significa, em poucas palavras, que a ocorrência de um evento privado, como a angústia ou a raiva, pode ser condicionado ou emparelhado a um evento ambiental específico. Se, por exemplo, Júlia descobriu que Anselmo a traiu quando, para visitar seu avô, viajou para Belém, sensações privadas desagradáveis poderão surgir sempre que Paulo, seu atual namorado, precisar viajar a negócios (fenômeno denominado &lt;i&gt;generalização respondente&lt;/i&gt;). A situação seria assaz mais complicada caso Paulo voasse acompanhado de Cecília, sua esbelta colega de trabalho. Mas a origem dessas sensações, ou ao menos seus aspectos rudimentares, provavelmente remonta a experiências tenras do ciumento, como quando teve de aprender a dividir a atenção da mãe com o pai ou dos pais com um irmão recém-nascido. O fato é: não entramos na adolescência ou na fase adulta sem que tenhamos passado por situações de apego anteriormente, e o que sentimos e, a propósito, o que fazemos para lidar com esses sentimentos são respostas gradativamente modificadas -- da infância à velhice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comportamentos públicos, entre os quais a verificação, a perseguição e o inquérito, são aprendidos e mantidos &lt;b&gt;em função de suas consequências&lt;/b&gt;. A expressão de insegurança, por exemplo, pode ser mantida por declarações atenuantes como "Eu só tenho olhos para você" e "Eu não trocaria você por ninguém" e por gestos como beijos, abraços, presentes e sexo. Condutas imponentes, coercitivas, como quando o ciumento exclama "Não quero que você saia com suas amigas!", podem ser reforçadas (ter sua frequência aumentada) à medida que são aceitas sem resistência. Em quaisquer dessas ocasiões, o ciumento aprenderia que suas dúvidas e incômodos podem ser resolvidos à medida que os expressa, assertiva ou agressivamente. Segundo Menezes e Castro (2001), por ser reforçado (negativa e positivamente) por esquema intermitente, a extinção do ciúme leva tempo para ocorrer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-WtnBZvu8m1g/TpcYJ5bOfjI/AAAAAAAAAa0/n0LISRuKqTA/s1600/briga-ciumes-2.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-WtnBZvu8m1g/TpcYJ5bOfjI/AAAAAAAAAa0/n0LISRuKqTA/s1600/briga-ciumes-2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;As formas de sentir e de lidar com o ciúme são aprendidas, e portanto podem ser modificadas.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;De volta à savana&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tendo traçado um panorama dos prováveis &lt;b&gt;processos de aprendizagem&lt;/b&gt; relacionados ao ciúme, Nazaré comenta que "evolucionistas e analistas do comportamento compartilham a concepção segundo a qual o ciúme consiste numa emoção filogeneticamente determinada". Como uma resposta adaptativa da espécie, o ciúme teria surgido "para solucionar um problema recorrente de sobrevivência e reprodução: a ameaça real da traição" (Buss, 2000). Nesse sentido, o ciúme seria um produto de contingências de sobrevivência que conferiu vantagens reprodutivas àqueles que o manifestaram. Para os homens, o ciúme os protegeria, por exemplo, contra os riscos de investir tempo e energia no cuidado de filhos que não são seus. Para as mulheres, o ciúme afastaria a possibilidade de uma rival retirar a segurança emocional (&lt;i&gt;e material&lt;/i&gt;, devo acrescentar) para com ela e filhos. Fisher (1995), em síntese, assume que "o ciúme ajuda a restringir a prevaricação [perversão, traição] das mulheres e o abandono por parte dos homens". Com efeito, indivíduos com esses traços comportamentais teriam tido vantagens reprodutivas (gerariam mais descendentes) e, gradativamente, o grupo dos assaz relaxados teria minguado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu livro &lt;i&gt;Compreender o Behaviorismo&lt;/i&gt; (2006),(2) William Baum sublinha que "a maior parte dos genes que um indivíduo herda foi selecionada ao longo de muitas gerações porque promovem comportamentos que contribuem para o sucesso na interação com o ambiente e na reprodução" (p. 73). Ao largo da doutrina da tábula rasa, às vezes erroneamente associada ao behaviorismo radical, Baum comenta que não poderíamos "aprender todos padrões [comportamentais] complexos que aprendemos sem uma elaborada base de tendências previamente incorporadas" (p. 78). Há centenas de milhares de anos atrás, nossos ancestrais do sexo masculino não contavam com exames de ADN que os assegurassem que estavam captando recursos para e defendendo, com unhas e dentes, seus próprios filhos. Contra a tragédia de multiplicar genes de seus rivais, a seleção natural os contemplou com certa dose de ciúme. Essa sensação, ou esse misto de sensações, passaria a controlar certas classes de respostas verbais (como gritos e expressões de fúria) e físicas, quer fosse contra a fêmea (de forma a reprimir seus comportamentos promíscuos), quer fosse contra os machos, que a cortejavam ou aparentemente pretendiam fazê-lo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essas disposições inatas são algo como um repertório comportamental básico modelado pelas contingências de sobrevivência. O elenco desse repertório, denominado &lt;i&gt;padrões fixos de resposta&lt;/i&gt;, fazem com que os indivíduos comportem-se de forma adaptativa sem que tenham anteriormente passado por processos complexos de aprendizagem. Conforme ilustra e explica Baum (&lt;i&gt;Ibidem&lt;/i&gt;):&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="color: #999999;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando passa a sombra de um falcão em vôo, o filhote de codorna se encolhe como se estivesse paralisado. Se essa reação dependesse de experiência, poucos filhotes de codorna sobreviveriam para se reproduzir [...] genótipos que exigissem que tais padrões fossem aprendidos a partir do zero seriam menos aptos do que genótipos que já trouxessem a forma básica incorporada (pp. 77-78). &lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Baum pontua que os padrões fixos de resposta não são rígidos, inflexíveis, podendo ser modulados pelas consequências. Daí que, a partir das interações que fazemos com nossos pares ao longo da vida, quer seja com pais e irmãos, como enfatizam os psicanalistas, quer seja com namorados e cônjuges, dá-se a possibilidade de ser regulados, &lt;i&gt;a partir das consequências&lt;/i&gt;, os traços que herdamos dos nossos ancestrais. E é nesse escopo, o ontogenético, que os analistas do comportamento são peritos e podem atuar de forma a ajudar o ciumento -- e o seu parceiro, é claro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mais algumas palavras&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais do que discorrer exaustivamente sobre o ciúme, tive como objetivo central neste texto divulgar a ideia de que é possível, simples e&lt;i&gt; desejável&lt;/i&gt; fazer com que a análise do comportamento dialogue com disciplinas evolucionistas. O arsenal de comportamentos possíveis de um organismo é não só limitado pelas condições ambientais que o entornam (e o entornaram), mas também pelas disposições que lhe são geneticamente concedidas por seus progenitores. Se homens e mulheres, por exemplo, manifestam padrões comportamentais distintos, como patentemente ocorre no campo das relações interpessoais, parte disso certamente decorre de diferenças genéticas. Embora a cultura, através da mídia ou da vizinhança, possa estabelecer regras e incentivar ou reprimir certas condutas, não podemos fechar os olhos para as prováveis influências genéticas sobre o estabelecimento desses padrões. O ciúme, o tabu do incesto e o casamento são exemplos de universais humanos, sendo improvável que tenham, em cada esquina do planeta, brotado do acaso ou sido inspirados por Deus. Se quisermos compreender as raízes do comportamento humano, devemos cavar para além da primeira infância. E, se quisermos acompanhar o avanço da ciência contemporânea e ser reconhecidos e apoiados por membros de outras disciplinas, devemos direcionar nossos ouvidos a Darwin, tomado por alguns como &lt;a href="http://olharbeheca.blogspot.com/2010/10/darwin.html"&gt;o avô do behaviorismo radical&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre o ciúme, espero que tenha ficado claro que, embora seja natural (no sentido de ser comum e até mesmo esperado em uma relação romântica), pode passar da conta e fazer com que os laços se afrouxem ou rompam. Diante disso, tanto o ciumento como o seu parceiro podem procurar, individualmente ou em casal, ajuda profissional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Notas e referências:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Os behavioristas são eventualmente criticados, sobretudo pelos cognitivistas, sobre uma suposta ignorância ou descaso acerca dos aspectos filogenéticos do comportamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(2) Estou, neste momento, extrapolando a leitura que fiz do artigo em questão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Baum, W. M. (2006). &lt;i&gt;Compreender o behaviorismo: comportamento, cultura e evolução&lt;/i&gt;. Porto Alegre: Artmed.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Buss, M.D. (2000). &lt;i&gt;A paixão perigosa&lt;/i&gt;. RiodeJaneiro: Objetiva. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Costa, N. (2005). Contribuições da psicologia evolutiva e da análise do comportamento acerca do ciúme. &lt;i&gt;Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva&lt;/i&gt;. Vol. VII, número 1, 5-513. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fisher, H. E. (1995). Eros: a emergência das emoções sexuais. Em Fischer, H. E. &lt;i&gt;A anatomia do amor: a história natural da monogamia, do adultério e do divórcio&lt;/i&gt;. Rio Grande do Sul: Eureka.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Menezes, A., &amp;amp; Castro, F. (2001). &lt;i&gt;O ciúme romântico: uma abordagem analítico-comportamental.&lt;/i&gt; Trabalho apresentado no X Encontro Brasileiro de Medicina e Terapia Comportamental (Campinas,SãoPaulo).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pines, A. M. (1992). Romantic jealousy theshadowof love. &lt;i&gt;Psychology Today&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;25&lt;/i&gt;(2), 48-55.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-1832216170508308745?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/1832216170508308745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/10/ciume-palavras-sobre-o-inato-e-o.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1832216170508308745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1832216170508308745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/10/ciume-palavras-sobre-o-inato-e-o.html' title='Ciúme: palavras sobre o inato e o aprendido'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-1N9d62z5rgI/TpcXTe3ES6I/AAAAAAAAAas/KMMwJ892Zwc/s72-c/ci%25C3%25BAme.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-2224064348524747359</id><published>2011-10-01T14:10:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T09:27:37.296-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><title type='text'>Divulgando a (neuro)ciência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aproveitando a onda do &lt;a href="http://www.5simposioneurociencias.chsd.com.br/"&gt;V Simpósio de Neurociências da UFMG&lt;/a&gt;, que ocorreu entre os dias 19 e 24 de setembro, professores e monitores se mobilizaram para receber a comunidade belo-horizontina em uma série de atividades de extensão. A &lt;i&gt;I Semana de Neurociências da UFMG&lt;/i&gt;, título que recebeu a mobilização, constituiu de exposições, oficinas, grupos de discussão e visitas organizadas a alguns dos laboratórios da universidade. Como ex-aluno da especialização e monitor, tive o privilégio de conduzir, em companhia da sagaz e simpaticíssima Suzan Ribeiro, uma breve mas divertida apresentação do que é a neuropsicologia. Bem mais do que espectadores, cerca de oitenta alunos do ensino médio tiveram a chance de participar -- perguntando, jogando e discutindo -- de atividades relacionadas a essa emergente ramificação da neurociência. Tudo, é claro, sem perder de vista a proposta interdisciplinar do projeto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-CHbkgYaoK5k/ToZ3xQffixI/AAAAAAAAAak/pzSF5zcgDic/s1600/semana+neurociencia2011+%252814%2529.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="227" src="http://4.bp.blogspot.com/-CHbkgYaoK5k/ToZ3xQffixI/AAAAAAAAAak/pzSF5zcgDic/s320/semana+neurociencia2011+%252814%2529.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Alunos do ensino médio no laboratório de neuroanatomia.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tendo recebido dos professores Arthur Kummer e Karen Torres(1) as coordenadas iniciais, Suzan e eu elaboramos um material simples mas atraente, recheado de exemplos e imagens, que abordava o conceito, os objetivos e os métodos básicos da neuropsicologia. Após falarmos sobre as relações do encéfalo com a cognição e o comportamento, trouxemos ao palco o curioso &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Phineas_Gage"&gt;caso Phineas Gage&lt;/a&gt;, o ferroviário que teve sua personalidade e algumas funções cognitivas -- como o planejamento, o controle de impulsos e o automonitoramento -- morbidamente alteradas em razão de um acidente. Estando certamente entre os três pacientes mais citados em aulas e livros de neurociência, Gage teve boa parte de seus lobos frontais, vistos por alguns como "o órgão da civilidade", estraçalhados por uma barra de metal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-vNBDOtkiABE/ToZ94dr539I/AAAAAAAAAao/_lFSTKc2n98/s1600/Phineas-Gage_neuropsicologia_lobos+frontais.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="130" src="http://4.bp.blogspot.com/-vNBDOtkiABE/ToZ94dr539I/AAAAAAAAAao/_lFSTKc2n98/s320/Phineas-Gage_neuropsicologia_lobos+frontais.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Phineas Gage, a barra de metal com a qual trabalhava e seus crânios ilustrado e real. Depois do acidente, seus conhecidos diziam que "Gage não era mais Gage".&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Mais adiante, descrevemos as principais funções cognitivas avaliadas pela neuropsicologia (sobretudo as &lt;i&gt;executivas&lt;/i&gt;, que tanto dependem da integridade dos lobos frontais) e explicamos que a plasticidade neural possibilita tanto a reabilitação como o treinamento neuropsicológico. E, para fechar com chave de ouro, demos aos participantes a chance de vivenciar, através de jogos computadorizados, amostras do que seriam tarefas neuropsicológicas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Zo_6_7Nayjc/ToZ2gWf6GeI/AAAAAAAAAag/9Te8AjuitPQ/s1600/SAM_1475+-+C%25C3%25B3pia+%25282%2529.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="203" src="http://2.bp.blogspot.com/-Zo_6_7Nayjc/ToZ2gWf6GeI/AAAAAAAAAag/9Te8AjuitPQ/s320/SAM_1475+-+C%25C3%25B3pia+%25282%2529.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Momento em que os alunos participaram, jogando, de amostras de uma avaliação neuropsicológica. Da esquerda para a direta: Daniel, João Vitor(1) e parte de seus colegas.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em complemento à visita aos laboratórios de anatomia, de neurociência comportamental e de engenharia biomédica, esperamos ter tanto suscitado espanto e curiosidade como, de forma modesta mas excitante, ter ensinado aos alunos alguns princípios rudimentares do que é a neurociência. Deve ser assim, com empenho, cuidado e sensibilidade, a forma de tocarmos o coração, digo, o encéfalo dos jovens para as maravilhas e os enigmas que a ciência, e em especial a neurociência, pode abordar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Nota:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(1) Gostaria, mais uma vez, de agradecer aos professores Arthur Kummer e Karen Torres pela belíssima e proveitosa oportunidade. Colaboradores como David Rodrigues, pós-doutorando, e Davidson, da informática, e os guias, que conduziram os alunos, tiveram um papel igualmente imprescindível para o andamento e a excelência das atividades. As fotos utilizadas nesta matéria foram concedidas pelo cordial e interessado aluno João Vitor Mello.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-2224064348524747359?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/2224064348524747359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/10/divulgando-neurociencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/2224064348524747359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/2224064348524747359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/10/divulgando-neurociencia.html' title='Divulgando a (neuro)ciência'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-CHbkgYaoK5k/ToZ3xQffixI/AAAAAAAAAak/pzSF5zcgDic/s72-c/semana+neurociencia2011+%252814%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-7497545884413258711</id><published>2011-09-02T18:47:00.000-07:00</published><updated>2011-09-02T18:47:05.667-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cursos e Eventos'/><title type='text'>V Simpósio de Neurociências da UFMG</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estão abertas as inscrições para o &lt;a href="http://www.5simposioneurociencias.chsd.com.br/"&gt;&lt;b&gt;V Simpósio de Neurociências da UFMG&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, cujo tema será &lt;i&gt;Interfaces com a Engenharia Biomédica&lt;/i&gt;. O evento acontecerá entre os dias 19 e 24 de setembro de 2011. Clique &lt;a href="http://www.cursoseeventos.ufmg.br/CAE/DetalharCae.aspx?CAE=4941"&gt;aqui&lt;/a&gt; para se inscrever. Para conferir a programação geral, clique &lt;a href="http://www.5simposioneurociencias.chsd.com.br/index.php?controller=Program&amp;amp;action=1&amp;amp;view=2"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-UBA3GXKFMA0/TmGGL6SBehI/AAAAAAAAAac/cfqd1f7RlPI/s1600/V+simp%25C3%25B3sio+de+neuroci%25C3%25AAncias+ufmg+2011.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-UBA3GXKFMA0/TmGGL6SBehI/AAAAAAAAAac/cfqd1f7RlPI/s400/V+simp%25C3%25B3sio+de+neuroci%25C3%25AAncias+ufmg+2011.jpg" width="277" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-7497545884413258711?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/7497545884413258711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/09/v-simposio-de-neurociencias-da-ufmg.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/7497545884413258711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/7497545884413258711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/09/v-simposio-de-neurociencias-da-ufmg.html' title='V Simpósio de Neurociências da UFMG'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-UBA3GXKFMA0/TmGGL6SBehI/AAAAAAAAAac/cfqd1f7RlPI/s72-c/V+simp%25C3%25B3sio+de+neuroci%25C3%25AAncias+ufmg+2011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Campus da UFMG, Belo Horizonte - MG, Brasil</georss:featurename><georss:point>-19.8718383 -43.9651325</georss:point><georss:box>-19.8867713 -43.984873500000006 -19.8569053 -43.9453915</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-1679030593690368692</id><published>2011-09-01T09:40:00.000-07:00</published><updated>2011-09-01T09:44:50.554-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Processos Psicológicos Básicos'/><title type='text'>Falsas memórias: entrevista com a neuropsicóloga Luciana Ávila</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Lib2teCKiy0/Tl-zNMetqGI/AAAAAAAAAaY/FW633uu2kjo/s1600/luciana+neuropsicologia+falsas+mem%25C3%25B3rias.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-Lib2teCKiy0/Tl-zNMetqGI/AAAAAAAAAaY/FW633uu2kjo/s200/luciana+neuropsicologia+falsas+mem%25C3%25B3rias.jpg" width="146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quer  seja no cotidiano, quer seja na clínica psicoterápica ou em condições  de pesquisa, somos eventualmente requeridos a recordar de situações que  presenciamos, vivenciamos ou lemos e ouvimos através de algum veículo de  comunicação. Acontece que, no entanto, o registro e a recordação dessas  experiências nunca é fiel: estamos inexoravelmente sujeitos ao erro.  Para abordar esse interessante e inquietante assunto, o graduando em  Psicologia &lt;a href="http://psicologiarg.blogspot.com/"&gt;Cláudio Drews&lt;/a&gt; e o psicoterapeuta Daniel Gontijo  entrevistaram Luciana M. Ávila, mestre em Psicologia Social e da  Personalidade (PUC-RS), psicoterapeuta e neuropsicóloga. Em seu  mestrado, Luciana investigou a influência dos traços de personalidade  sobre as falsificações de memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1) Primeiramente, Luciana, o que é memória e o que são falsas memórias? Como elas estão inseridas em nosso dia-a-dia?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em  primeiro lugar, é importante ressaltar o fascínio que a memória exerce  em função de sua complexidade. Podemos afirmar com tranquilidade que  “somos aquilo que recordamos”. É através da memória que temos uma  sensação de continuidade e é através dela que damos significado à nossa  personalidade. Podemos conceituar memória como aquisição (também  entendida como aprendizagem), conservação e evocação de informações  (nossas lembranças). Entretanto, a memória também tem seu lado obscuro e  frágil. Pode-se esquecer de forma rápida ou gradual de eventos  importantes ou até mesmo distorcer o passado de forma surpreendente. Uma  das falhas de memória são as falsas memórias (FM). As falsas memórias  caracterizam-se pela lembrança de eventos que na realidade nunca  ocorreram. As informações são armazenadas na memória e, mais tarde, são  recordadas como se tivessem sido verdadeiramente vividas. As FM incluem  distorções na maneira de recuperação da memória armazenada, incluindo  interpretações e inferências do indivíduo. Essas falhas podem trazer  prejuízos importantes em nosso dia-a-dia, já que acreditamos  sinceramente que nossa recordação é verdadeira, fazendo com que possamos  trazer uma riqueza de detalhes impressionantes sobre falsos episódios. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2) Qual a principal teoria explicativa sobre falsas memórias?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um  dos modelos teóricos explicativos para a compreensão das falsas  memórias mais aceito atualmente é a Teoria do Traço Difuso – TTD (no  original em inglês, Fuzzy Trace Theory de Reyna e Brainerd, 1995, 2005).  Segundo essa teoria, a memória não é um sistema unitário, mas  constituído de múltiplos sistemas independentes, contendo representações  literais e de essência. Enquanto que a memória de essência armazena  somente o significado do fato ocorrido, a memória literal contém em si  as lembranças dos detalhes específicos sobre o evento. Assim, segundo a  Teoria do Traço Difuso, as falsas memórias ocorrem em função da  lembrança de informações acerca do sentido das experiências (memórias de  essência). Na recordação dos eventos, aspectos específicos e detalhados  (memórias literais) acabam dando lugar aos aspectos e representações de  essência das lembranças – mais gerais e amplas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;3) Como fica o papel da emoção nas falsas memórias?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atualmente,  as emoções são definidas como coleções de respostas cognitivas e  fisiológicas acionadas pelo sistema nervoso que preparam o organismo  para se comportar frente a determinas situações. Várias pesquisas vêm  sendo desenvolvidas para identificar os padrões de interações entre  emoção, cognição e comportamento. Diante disso, também surge o interesse  em pesquisar como a emoção interage com a memória e, particularmente,  com as falsificações de memória. De uma maneira geral, os resultados  dessas pesquisas indicam que lembramos mais de eventos emocionais do que  não emocionais. Entretanto, estudos mais recentes também vêm indicando  que, especialmente em se tratando de eventos emocionais, o aumento no  índice de memórias verdadeiras pode vir acompanhado por um aumento no  índice de falsas memórias. Ou seja, o fato de lembrarmos mais de eventos  emocionais não significa que essas lembranças sejam imunes às  distorções. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4)  Em seu mestrado, você pesquisou o papel das diferenças individuais na  suscetibilidade às falsificações de memória. Quais traços de  personalidade estão mais relacionados à qualidade da memória?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre  os diversos aspectos que englobam o tema falsas memórias, o que mais me  encantou foi a seguinte questão: por que algumas pessoas apresentam uma  maior suscetibilidade às falsas memórias do que outras? Estudos que  relacionam diferenças individuais e falsas memórias procuram responder o  que torna algumas pessoas mais vulneráveis do que outras na produção e  aceitação de falsas informações. Pesquisas têm sugerido que as  diferenças individuais, especialmente certos tipos de traços de  personalidade, podem exercer influência significativa na precisão de  nossa memória. Em meu mestrado, utilizei o modelo dos Cinco Grandes  Fatores de McCrae e Costa (1997). Verifiquei que pessoas com altos  níveis de neuroticismo, que apresentam características como  instabilidade emocional, baixa autoestima, depressão e vulnerabilidade,  além de afetos negativos e respostas de coping mal adaptadas –  características associadas a uma maior suscetibilidade às falsas  memórias –, apresentam maior número de distorções mnêmicas. Essas  distorções ocorrem já que pessoas com essas particularidades possuem  dificuldades em estabelecer avaliações críticas e apresentam uma  necessidade de reduzir sensações de incerteza, demonstrando menor  confiança em suas próprias recordações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;5) As falsas memórias possuem dois campos de aplicação: a área clínica e a jurídica. Quais suas implicações em ambas as áreas?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No  campo da área clínica, os estudos de falsas memórias podem ajudar já  que as sessões terapêuticas normalmente giram em torno de experiências  emocionalmente significativas para o paciente e que geralmente partilham  de uma mesma essência (p. ex., problemas de relacionamento com a mãe).  Diversos casos relatados na literatura de recuperação de lembranças  falsas, fruto de procedimentos utilizados por terapeutas, que muitas  vezes desconhecem como a memória humana funciona, têm preocupado  pesquisadores. Os terapeutas podem ter lembranças falsas sobre o relato  de seus pacientes ou, até mesmo, baseados em suas interpretações do que  está ocorrendo com o paciente, podem prover sugestão de falsa informação  ao longo das sessões psicoterápicas. O estudo dos mecanismos envolvidos  nesse processo pode auxiliar no desenvolvimento e aprimoramento de  técnicas de entrevista e de intervenção terapêutica que minimizem a  ocorrência ou impacto dos erros de memória. Já no meio jurídico, os  estudos de FM obtiveram destaque, principalmente relacionados à  fidedignidade no relato de testemunhas de contravenções em geral. É  preciso que se utilizem técnicas confiáveis em coleta de testemunho, uma  vez que com base em falsas memórias indivíduos inocentes podem ser  acusados de crimes que não cometeram. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;6) Como identificar uma falsa memória?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao  considerar o fenômeno das falsas memórias, nos deparamos exatamente com  esse desafio: como determinar se uma pessoa está realmente baseando seu  relato em memórias verdadeiras ou em falsas memórias? Será possível  saber a probabilidade de uma memória ser real ou distorcida?  Infelizmente essas questões ainda não foram inteiramente respondidas  pela ciência, já que as falsas memórias são um fenômeno de base  mnemônica e não estritamente de base social, como mentiras ou simulações  ocorridas por pressões sociais. Sendo assim, a pessoa deposita um alto  grau de confiança em sua recordação, tornando-se difícil a comprovação  da veracidade das informações. Porém, considerar suas aplicações  clínicas e jurídicas – com os cuidados que devemos ter nessas duas áreas  – e compreender que certas pessoas com determinadas características e  traços de personalidade apresentam maior suscetibilidade para a produção  de FM nos aproxima de variáveis que contribuem para a resposta de  algumas dessas questões.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-1679030593690368692?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/1679030593690368692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/09/falsas-memorias-entrevista-com.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1679030593690368692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1679030593690368692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/09/falsas-memorias-entrevista-com.html' title='Falsas memórias: entrevista com a neuropsicóloga Luciana Ávila'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Lib2teCKiy0/Tl-zNMetqGI/AAAAAAAAAaY/FW633uu2kjo/s72-c/luciana+neuropsicologia+falsas+mem%25C3%25B3rias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-5639857883348331644</id><published>2011-08-13T17:07:00.000-07:00</published><updated>2011-08-23T05:52:21.807-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte e Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><title type='text'>Contingências, coincidências e superstições</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Vcu5s45GGXQ/TkcRSbtRrzI/AAAAAAAAAZs/ooUregS9o14/s1600/telepatia.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/-Vcu5s45GGXQ/TkcRSbtRrzI/AAAAAAAAAZs/ooUregS9o14/s200/telepatia.jpg" width="190" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes, andando pelo centro de Bom Despacho, minha cidade natal, avistava de longe um amigo ou conhecido. Quando, à medida que caminhávamos, nos aproximávamos, notava que a pessoa que avistara não era quem eu havia imaginado. Isso acontecia com certa regularidade... e o que estava por vir deixava-me com uma pulga atrás da orelha. Cerca de quatro ou seis minutos após o engano, não raro acabávamos de fato nos encontrando: o conhecido e eu. Impressionado, deixava-me seduzir pela ideia de que aquele equívoco se tratava de &lt;b&gt;premonição&lt;/b&gt; (sinal de que algo vai acontecer) ou &lt;b&gt;telepatia&lt;/b&gt; (sentir à distância). Era excitante imaginar que temos, ou que &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt; tinha, superpoderes ou estranhas habilidades superdesenvolvidas. &lt;i&gt;Era&lt;/i&gt;. Hoje, mais cético e instruído sobre o comportamento humano, tenho nas mangas explicações razoáveis para os eventos que nos convidam à superstição e à pseudociência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Contingências e coincidências&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apoiada na literatura behaviorista radical, Souza (2001) assevera que, "em sentido geral, contingência pode significar qualquer &lt;b&gt;relação&lt;/b&gt; &lt;b&gt;de dependência&lt;/b&gt; entre eventos ambientais ou entre eventos comportamentais e ambientais" (destaque meu). Vejamos alguns exemplos de eventos contingentes ou dependentemente relacionados:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;Se trabalhamos, então ganhamos dinheiro;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Se chegamos no banco antes que feche, então somos atendidos;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Se somos alertados sobre o perigo da estrada, então dirigimos com mais cautela;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Se comemos, ou mesmo se avistamos certos tipos de comida, então salivamos.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Souza, citando Todorov (1989, p. 354), ressalta que "a cláusula 'se' pode especificar algum aspecto do comportamento ou do ambiente, e a cláusula 'então' especifica o evento [...] consequente. Assim, os enunciados [como os descritos acima] apresentam-se como 'regras' que especificam essas relações entre eventos". Trocando em miúdos, certos eventos (como salivar e ganhar dinheiro) &lt;i&gt;tendem&lt;/i&gt; a ocorrer na ocasião ou no contexto em que outros eventos (como ser exposto à comida e trabalhar) se fazem presentes. Há uma &lt;b&gt;relação de dependência&lt;/b&gt; entre esses eventos, e esse tipo de relação é comumente denominada &lt;b&gt;relação causal&lt;/b&gt;. O behaviorismo radical, contudo, chama-a &lt;b&gt;relação funcional&lt;/b&gt;(1)&lt;b&gt; &lt;/b&gt;ou, mais simplesmente, &lt;b&gt;contingência&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Note-se que estamos lidando com eventos comportamentais. Comportamentos são &lt;b&gt;interações&lt;/b&gt; organismo-ambiente. Pensamentos, emoções e condutas públicas são ocorrências naturais e contingentes aos fenômenos mundanos. Não há dualismo; não há mundos paralelos. Toda atividade humana é &lt;b&gt;determinada&lt;/b&gt; e, por se tratar de um conjunto de interações, igualmente &lt;b&gt;determinante&lt;/b&gt; -- ambiente e organismo modificam-se mutuamente. Essas interações podem ser observadas (ou inferidas), medidas, controladas/manipuladas e mesmo previstas. Temos a chance de fazer, e fazemos, uma ciência do comportamento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas vejamos as seguintes situações:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;Relampejou quando abri a janela;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O ônibus parou no ponto assim que cheguei;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Sempre que aperto o botão com a mão direita, o elevador chega logo;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Paulo usa sempre a mesma lapiseira para fazer provas; diz que isso faz com que ele escreva respostas corretas (Souza, 2001).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Souza chama atenção para o fato de que abrir uma janela e, no mesmo momento, um relâmpago cortar o céu &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; se refere a uma relação de dependência. "Os dois eventos podem ocorrer temporalmente próximos, mas de modo totalmente independente: o relâmpago teria ocorrido quer eu abrisse ou não a janela." Por essa razão, relações como essa não são contingentes/dependentes, mas &lt;b&gt;de contiguidade&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;acidentais&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;coincidente&lt;/b&gt;s. Não há uma relação de dependência entre chegarmos no ponto e o ônibus imediatamente despontar na esquina. Similarmente ao caso do relâmpago, o ônibus teria dobrado a esquina naquele momento independentemente de o querermos pegar. Há não mais que uma justaposição, uma relação &lt;i&gt;temporal&lt;/i&gt; entre aqueles eventos, e agir como se fossem contingentes (ou causalmente relacionados) caracteriza a superstição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Superstição&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos curiosos e inteligentes. Quando certas coisas ocorrem, tendemos a indagar "Por quê?". Formular regras que descrevem o funcionamento do mundo é, em &lt;i&gt;última&lt;/i&gt; análise, uma questão de sobrevivência. Podemos confeccionar regras ao fazer parte de ou observar certos acontecimentos, como quando um blogueiro verifica que seus textos de divulgação científica são mais acessados e comentados do que os de filosofia. Essa observação, que poderia gerar uma regra como "As pessoas interessam-se mais por divulgação científica", tende a aumentar a probabilidade de aquele blogueiro postar textos sobre o tema que levou suas estatísticas às alturas. Por aumentar a frequência desse comportamento (postar textos sobre divulgação científica), dizemos(2) que aquelas consequências (mais acessos e comentários) o &lt;i&gt;reforçam. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode acontecer, entretanto, de um blogueiro desatento realizar observações equivocadas. Em vez de abstrair a regra "Se posto textos de divulgação científica, então tenho mais acessos e comentários", poderia inferir "Se coloco mais imagens ao longo dos textos, tenho mais acessos e comentários". Como não há uma relação de dependência entre publicar imagens e receber mais comentários, dizemos que o comportamento de postá-las é &lt;b&gt;supersticioso&lt;/b&gt;. Em termos técnicos, o comportamento supersticioso "trata-se de um tipo de comportamento no qual existe apenas uma relação &lt;i&gt;acidental&lt;/i&gt; entre uma resposta [publicar imagens] e a apresentação de um evento subseqüente [receber comentários]" (Santos &amp;amp; Micheletto, 2010, destaque meu). Em vez de publicar mais textos de divulgação científica, nosso blogueiro&amp;nbsp;começaria a&amp;nbsp;publicar textos variados adornados com inúmeras figuras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltemos ao caso do ônibus. Maria, atrasada para uma entrevista de emprego, está diante de uma excelente chance de transformar sua vida. Mesmo que apressada, faz uma prece e, logo ao sair de casa, é abordada por um mendigo. Impaciente, dá-lhe algumas moedas e o deixa falando sozinho. Faltando exatos quinze minutos para a entrevista, Maria chega ao ponto no mesmo instante em que o ônibus desponta na esquina. Pega-o, é entrevistada e consegue o emprego. A partir de então, antes de sair para o trabalho, Maria invariavelmente faz uma pequena prece e dá alguns trocados ao primeiro mendigo que encontrar. Maria: "Essa é a forma [rezar e ajudar os miseráveis] de fazer com que Deus intervenha sobre o mundo de forma a ajudar seus fiéis [conceder-lhes empregos e promoções, por exemplo]".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Quebrando o encanto&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote style="color: #999999;"&gt;&lt;br /&gt;[É] muito melhor, para as afirmações que ainda não foram refutadas ou apropriadamente explicadas, conter a nossa impaciência, nutrir certa tolerância em relação à ambiguidade e esperar -- ou, ainda melhor, procurar -- a evidência de que as confirme ou conteste (Sagan, 1996/2006, p. 258).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Costumamos interpretar o mundo conforme a regra "&lt;i&gt;Post&lt;/i&gt; &lt;i&gt;hoc, ergo proper hoc&lt;/i&gt;" -- expressão latina que significa "aconteceu após o fato, logo foi por ele causado". Mesmo que não possamos descrever por que fazemos o que fazemos, a justaposição de eventos explica por que regamos nossas plantas, por que estudamos para uma prova e por que cuidamos, abraçamos e dizemos "Eu amo você...": aprendemos que o crescimento das plantas, o resultado de uma avaliação e o fortalecimento dos laços interpessoais &lt;b&gt;dependem&lt;/b&gt; dos ou são causados pelos eventos que os antecedem. No primeiro caso, aprendemos mediante a instrução de uma terceira pessoa. Nos outros, comumente aprendemos na medida em que interagimos com o mundo -- &lt;i&gt;na medida em que somos afetados pelas consequências daquilo que fazemos&lt;/i&gt;. Acontece, contudo, que a justaposição de eventos pode gerar ambiguidades e, como vimos, comportamentos supersticiosos. Eventos que se sucedem temporalmente não estão necessariamente em relação contingente ou de dependência uns com os outros -- podem ser coincidentes ou acidentais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando contei a um dos meus irmãos sobre minhas fantásticas mas hipotéticas premonições, fui simultaneamente surpreendido e convidado ao pensamento cético. "Interessante, Daniel", comentou Thiago, "mas aposto que, em diversas situações, suas supostas previsões telepáticas falham. Você deve memorizar as que se concretizaram, mas inúmeras que falharam certamente foram esquecidas." A princípio, frustrei-me com aquela inteligente observação. Era inebriante crer naquelas habilidades atípicas e misteriosas -- ainda mais à medida que aconteciam &lt;i&gt;comigo&lt;/i&gt;. Mas ele tinha razão, e só mais tarde comecei a entender e a valorizar o ceticismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Thiago, naquela época, alertara-me sobre a falácia de selecionar observações (destacamos aquelas que confirmam nossas crenças/desejos e omitimos ou esquecemos aquelas que as refutam). Sagan (1996/2006), sobre a relação desse comportamento com a religiosidade, ressalta que as orações que não foram atendidas tendem a ser esquecidas ou abandonadas. Se alguma das rotineiras orações é seguida de um evento desejado, então as orações são vistas como variáveis independentes ou causais daquilo que acontece ("&lt;i&gt;Post hoc, ergo proper hoc&lt;/i&gt;"). A falta de merecimento ou a pouca fé podem ocasionalmente justificar por que certas orações não são atendidas. Mas nós tendemos a esquecer a maioria delas. E deve ser, como alerta Sagan, que "no âmago de algumas pseudociências reside a ideia de que é o ato de desejar que dá forma aos acontecimentos" (p. 39). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A parapsicóloga Susan Blackmore, citada por Sagan, assevera que é fácil ser enganado pelo próprio desejo de acreditar. Apenas um exame minucioso e cético pode nos livrar dos enganos, tanto dos bons (ter habilidades atípicas superdesenvolvidas) como dos ruins (ser vítima de mau-olhado). O blogueiro pode, ao longo de suas publicações, refinar suas observações e concluir que a inserção de imagens não é a principal variável que faz aumentar seus acessos e comentários. Aos poucos, textos sobre temas variados e recheados de imagens tendem a diminuir (essa classe de comportamentos começa a se &lt;i&gt;extinguir&lt;/i&gt;) e aqueles que se dedicam à divulgação científica aumentam de frequência (por serem consequenciados ou seguidos por&lt;i&gt;&lt;/i&gt; eventos [acessos e comentários] que reforçam esse tipo de comportamento [publicar textos científicos]). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o que dizer de Maria? Há condições em que podemos observar e manipular variáveis com certa facilidade (como aconteceu com o caso hipotético do blogueiro desatento). Maria, caso deixasse de rezar e ajudar mendigos, poderia notar que as razões pelas quais certos eventos desejados acontecem, como ser promovida, são outras (digamos, trabalhar com empenho, ser simpática com seus colegas de trabalho e cooperar). Ocorre, entretanto, que seus comportamentos supersticiosos são mantidos por regras abrangentes e por relações que estabelece com outras pessoas. Exemplos dessas regras são "Se há um mundo e pessoas, então deve haver Deus, Quem criou tudo" e "Se há Deus, então podemos ser punidos ou gratificados". Se acreditamos nesses condicionais, tendemos a crer que certos eventos do mundo levam um "dedo de Deus". Se começamos a questionar como, quanto, quando e &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; Deus interfere nos acontecimentos, podemos ser reprimidos por aqueles com quem partilhamos nossas crenças. Ainda, se cremos que Deus -- à semelhança de nós -- pune quem quer que Lhe desagrade, o questionar silenciosamente pode igualmente ser evitado. Quando menos, como é o caso dos "religiosos liberais", o questionamento pode estar presente mas não fazer desvanecer certas regras rudimentares. Exemplos dessas regras são "Deus existe e pode intervir sobre o mundo" e "Há vida após a morte do corpo", as quais são difícil ou impossivelmente refutadas e, portanto, são mais resistentes à extinção -- o que não quer dizer que não possam ser indiretamente confrontadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Contra o "sussurro de Deus"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há alguns dias atrás, deparei-me com um artigo cujo autor sugere que jamais estaremos livres do "sussurro de Deus". O comportamento supersticioso, e sobretudo o do tipo religioso, seria um subproduto da evolução. Nossos genes codificariam os mecanismos básicos que, juntos, possibilitariam o &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2011/07/teismo-e-ateismo-o-dilema-da.html"&gt;desenvolvimento provável da crença religiosa&lt;/a&gt;. Sou simpático às teorias evolucionistas. Contudo, desconfio que aquele sussurro seja satisfatoriamente explicado por um processo geral e deveras simples: o &lt;b&gt;condicionamento operante&lt;/b&gt;. A disposição, que é herdada, de aprender com as consequências explica a flexibilidade e a riqueza do comportamento humano. Ser sensível aos eventos (isto é, ser modificados por esses eventos) que sucedem nossas ações é uma condição &lt;i&gt;sine qua non&lt;/i&gt; para a aprendizagem. Se, contudo, certos eventos &lt;b&gt;coincidem&lt;/b&gt; com nossos comportamentos, uma associação &lt;b&gt;não-contingente &lt;/b&gt;pode ser estabelecida.&amp;nbsp; O "sussurro de Deus", ou o ícone do comportamento supersticioso, seria o resultado de aprendizagens cujo evento reforçador não é contingente ou dependente ao comportamento previamente emitido. Esse é o erro do tipo "&lt;i&gt;Post hoc, ergo proper hoc&lt;/i&gt;",&lt;i&gt; &lt;/i&gt;e nós e boa parte dos demais animais estamos a ele sujeitos. O que nos permite o comportamento inteligente acaba, como um efeito colateral, nos fazendo crer no poder mágico de cristais, água benta e crucifixo, amuletos, preces, pensamentos positivos e, no meu caso, equívocos premonitórios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contra o sussurro ou o grito da pseudociência, Sagan (1996/2006) aconselha-nos a ser curiosos, duvidar e investigar. Em casos sobre os quais não temos uma explicação baseada em evidências, levantemos hipóteses e escolhamos, mesmo que provisoriamente, a mais razoável e simples. No meu caso, é mais provável que eu tenha habilidades premonitórias cujos mecanismos são impassíveis de ser investigados ou que, em uma cidade interiorana, eu tenha aprendido, mesmo que inconscientemente, que a certas horas e lugares é possível que eu trombe com fulano ou sicrano, que trabalha ou estuda naquelas proximidades? Embora a primeira opção seja mais excitante, a segunda provavelmente descreve melhor e &lt;i&gt;aproximadamente&lt;/i&gt; o que acontecia. Passo a palavra a Sagan:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="color: #999999;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pensamento cético se resume no meio de construir e compreender um argumento racional -- de reconhecer um argumento falacioso ou fraudulento. A questão não é se &lt;i&gt;gostamos&lt;/i&gt; da conclusão que emerge de uma cadeia de raciocínio, mas se a conclusão &lt;i&gt;deriva&lt;/i&gt; da premissa ou do ponto de partida e se essa premissa é verdadeira (p. 241).&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Notas e referências:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(1) Cruz e Cillo (2008), baseados em David Hume e Ernst Mach, comentam que "o conceito de função irá expressar uma concepção relacional que não tem um fim em si mesma". Em vez de dizermos de relações causais, que trazem a ideia de relações necessárias e suficientes (o que conhecemos como mecanicismo), podemos simplesmente dizer que um evento é função de outro evento, sendo que o primeiro influencia a &lt;i&gt;provável&lt;/i&gt; ocorrência do segundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(2) Quando falo "dizemos", refiro-me aos behavioristas radicais/analistas do comportamento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cruz, R. N., &amp;amp; Cillo, E. N. P. (2008). Do Mecanicismo ao Selecionismo: Uma Breve Contextualização da Transição do Behaviorismo Radical. &lt;i&gt;Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, Vol. 24 n. 3, pp. 375-385.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sagan, C. (1996/2006). &lt;i&gt;O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. &lt;/i&gt;São Paulo: Companhia das Letras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Santos, G. M., &amp;amp; Micheletto, N. (2010). Relação entre comportamento supersticioso e estímulo reforçador condicionado: uma replicação sistemática de Lee (1996). &lt;i&gt;Rev. Bras. de Ter. Comp. Cogn.&lt;/i&gt;, Campinas-SP, 2010, Vol. XII, nº 1/2, 146-175.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Souza (2001). O que é contingência? &lt;i&gt;Sobre Comportamento e Cognição: aspectos teóricos, metodológicos e de formação em Análise do Comportamento e Terapia Cognitivista.&lt;/i&gt; Banaco, R. A., &amp;amp; Santo, A. São Paulo: ESETec.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todorov, J. C. (1989). A Psicologia como o estudo de interações. &lt;i&gt;Psicologia: Teoria e Pesquisa&lt;/i&gt;, 5, 347-356. Em: Souza (2001). O que é contingência? &lt;i&gt;Sobre Comportamento e Cognição: aspectos teóricos, metodológicos e de formação em Análise do Comportamento e Terapia Cognitivista.&lt;/i&gt; Banaco, R. A., &amp;amp; Santo, A. São Paulo: ESETec.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-5639857883348331644?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/5639857883348331644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/08/contingencias-coincidencias-e.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5639857883348331644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5639857883348331644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/08/contingencias-coincidencias-e.html' title='Contingências, coincidências e superstições'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Vcu5s45GGXQ/TkcRSbtRrzI/AAAAAAAAAZs/ooUregS9o14/s72-c/telepatia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-7042112833997074011</id><published>2011-08-01T09:45:00.000-07:00</published><updated>2011-09-05T19:49:52.580-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte e Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><title type='text'>Ambiente(s), determinismo(s) e mal-entendido(s)</title><content type='html'>&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;A história de diferentes povos seguiu diferentes rumos não&amp;nbsp;por  causa de diferenças biológicas entre esses povos, mas por causa de  diferenças ambientais (Diamond, 1997). No âmbito do que venho estudando,  os povos europeus são mais ricos e menos religiosos não em razão de sua  maior inteligência, mas em razão de circunstâncias ambientais  diferenciadas que caracterizaram seu percurso histórico.&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse comentário, que postei antes de ontem (30/07) no meu mural do &lt;i&gt;Facebook&lt;/i&gt;,  rendeu uma discussão assaz interessante e apimentada. Um grande e velho  amigo que tenho tomou-o como alvo de críticas contundentes, colou-o e  ridicularizou-o em seu próprio mural&amp;nbsp;e reservou-&lt;i&gt;me&lt;/i&gt; conselhos e  adjetivos depreciativos. Em vista disso, decidi tecer uma breve  explicação do que quis dizer com aquelas palavras, bem como tentar  resolver alguns mal-entendidos sobre ambiente(s), história(s) e  determinismo(s).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Armas, germes e aço&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquele  dia, preparando um material para um trabalho que estou desenvolvendo  com alguns amigos, trombei com uma resenha do livro &lt;i&gt;Guns, genns, and steel: The fates of human societies&lt;/i&gt;  (1977) do biólogo e geógrafo norte-americano Jared Diamond. Cito algumas asserções  de Diamond que chamaram minha atenção: "Diferenças entre pessoas de  diferentes continentes têm decorrido de diferenças ambientais, não por  diferenças inatas" e "Testes de habilidades cognitivas (p. ex., testes  de QI) tendem a medir aprendizagem, não uma inteligência puramente  inata, seja lá o que isso for". O trecho que colei no meu&amp;nbsp;mural do &lt;i&gt;Facebook&lt;/i&gt;&amp;nbsp;capta a ideia básica dessas afirmações. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diamond,&amp;nbsp;cujo livro foi resenhado por&amp;nbsp;P. A. Lamal (1999), atribui a certas&amp;nbsp;características ambientais o motivo hipotético&lt;i&gt; &lt;/i&gt;pelo qual diferentes populações, num passado remoto, mudaram da caça e da coleta para a produção organizada de alimentos &lt;b&gt;em diferentes tempos&lt;/b&gt;. Eis algumas dessas características diferenciais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;Presença de animais domesticáveis e plantas;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;clima e fertilidade;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;barreiras continentais (possibilidades de migração e difusão de práticas culturais) e;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;tamanhos de área geográfica e de população.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em suma, variações&amp;nbsp;ambientais teriam determinado &lt;i&gt;quando&lt;/i&gt;  pessoas de diferentes continentes se tornaram&amp;nbsp;pastores e agricultores,  sendo&amp;nbsp;isso um dos prerrequesitos para o desenvolvimento de organizações  políticas complexas e tecnologias como a escrita e&amp;nbsp;"armas, germes e  aço". Nesse sentido, a vantagem e a prevalência de umas sociedades sobre  outras&amp;nbsp;seriam &lt;i&gt;primordialmente&lt;/i&gt; configuradas conforme suas  possibilidades de interação com o ambiente circundante. Essas diferenças  continentais&amp;nbsp;seriam mais favoráveis às&amp;nbsp;sociedades da eurásia&amp;nbsp;do que  às&amp;nbsp;sociedades americanas e africanas. "Jared Diamond", conclui Lamal,  "apresenta-nos argumentos persuasivos para o papel causal do  macroambiente nos destinos das sociedades humanas". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Ambiente(s)&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora eu&lt;i&gt;&amp;nbsp;ainda &lt;/i&gt;não&amp;nbsp;tenha  lido&amp;nbsp;o referido livro do Diamond, tomei suas hipóteses como atraentes e  coerentes. Coerentes porque não podemos falar da evolução de espécies,  de comportamentos e de sociedades/práticas culturais sem &lt;i&gt;contextualizá-los&lt;/i&gt;,  isto é, sem analisá-los enquanto objetos inseridos em ambientes com os  quais interagem. E atraentes porque são totalmente passíveis de ser  estudados conforme os princípios do &lt;b&gt;selecionismo&lt;/b&gt;: modelo causal que adotamos enquanto behavioristas radicais, que é adotado pela Biologia Evolucionista e que &lt;i&gt;pode&lt;/i&gt;  ser adotado pelo nível de análise social (seleção e difusão de práticas  culturais conforme suas consequências). (Esclarecer a  proposta&amp;nbsp;selecionista pode ser importante para evitar novos  mal-entendidos, mas preferirei dar passos adiante para que minha  exposição não se torne exaustiva e dispersa.) &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acontece, contudo, que "o que Diamond chama por &lt;i&gt;ambiente&lt;/i&gt;  é geografia. A concepção behaviorista de ambiente",&amp;nbsp;ressalta  Lamal,&amp;nbsp;"inclui mais que geografia". No nível individual, o termo  ambiente se aplica à situação ou contexto no qual o responder (digamos, criticar um comentário) acontece e  à situação que passa a existir após o responder (digamos, mudar o comportamento de um amigo). No nível social,  poderíamos pensar, por exemplo,&amp;nbsp;no contexto político-econômico no qual  revoltas, passeatas, atentados, invasões, golpes, guerras&amp;nbsp;e conquistas  acontecem, bem como nas consequências desses eventos. Daí que&amp;nbsp;a riqueza, o nível de religiosidade e até mesmo a  inteligência média de uma nação poderiam ser explicados por  "circunstâncias ambientais diferenciadas que caracterizaram seu" desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5btYKWLjNlM/TjbW7JojGgI/AAAAAAAAAZg/DMCbMhjvFZw/s1600/11-de-setembro-02.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-5btYKWLjNlM/TjbW7JojGgI/AAAAAAAAAZg/DMCbMhjvFZw/s200/11-de-setembro-02.jpg" width="168" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;O atentado ao &lt;i&gt;World Trade Center&lt;/i&gt;,  em 2001, foi contexto para a publicação de uma torrente de livros que apresentam críticas veementes ao comportamento religioso ortodoxo.&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desconfio  que, ao entendermos&amp;nbsp;a&amp;nbsp;acepção de ambiente&amp;nbsp;tal como proposta pelo  behaviorismo radical, boa parte dos mal-entendidos é elucidada. Meu  amigo, ao que parece, vinha interpretando que&amp;nbsp;todo o perfil  contemporâneo&amp;nbsp;do povo europeu seria explicado por condições ambientais  remotas e restritas a&amp;nbsp;características geográficas e de fauna e flora.  Embora essas condições possam ter sido &lt;i&gt;primordialmente&lt;/i&gt; relevantes, condições&amp;nbsp;e eventos subsequentes&amp;nbsp;&lt;b&gt;não devem ser desconsiderados&lt;/b&gt;. Fazê-lo, com efeito,&amp;nbsp;é o mesmo que afirmar -- equivocadamente -- que certos comportamentos que exibimos atualmente são &lt;b&gt;unicamente&lt;/b&gt;  determinados pelos tipos de relação que estabelecemos com nossos pais e  irmãos&amp;nbsp;durante a&amp;nbsp;infância. É verdade, como no caso das sociedades, que  essas primeiras relações têm seu poder causal;&amp;nbsp;contudo, é&amp;nbsp;imprescindível  levar em conta toda a cadeia de eventos que&amp;nbsp;configurou -- e as  condições que mantém --&amp;nbsp;os&amp;nbsp;padrões comportamentais atuais de uma pessoa. É por isso que precisamos, para compreender um fenômeno social contemporâneo, considerar eventos como migrações, explorações, conflitos, trocas mercantis e popularização da Internet.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Inteligência e religiosidade&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inteligência  é um construto polêmico. O consenso da comunidade científica é o de que  inteligência é a capacidade de aprendizagem, de raciocínio e de  resolução de problemas (Colom, 2006). Podemos medi-la através de testes  cognitivos validados e padronizados; suas medidas estão &lt;b&gt;relacionadas&lt;/b&gt;  a uma variedade de fenômenos (p. ex., cargo laboral ocupado, renda,  saúde e resposta à psicoterapia) e as pessoas variam em termos dessas  medições.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A inteligência média de uma população pode ser estimada, e as sociedades européias geralmente apresentam os maiores escores. Essas sociedades são mais ricas e menos religiosas  do que, p. ex., as sociedades africanas e sul-americanas, mas isso não  significa que a inteligência seja o fator causal dessas diferenças. Isso deve ter ficado claro no meu comentário: "os povos europeus são mais ricos e menos religiosos não em razão de sua  maior inteligência, mas em razão de circunstâncias ambientais  diferenciadas que caracterizaram seu percurso histórico". A inteligência, tal como a personalidade e a religiosidade, é um &lt;b&gt;produto &lt;/b&gt;-- embora produtos retroajam causalmente sobre eventos subsequentes. Prefiro, portanto, e tal como o faz Diamond, tomá-la como uma &lt;b&gt;medida de&lt;/b&gt; &lt;b&gt;aprendizagem&lt;/b&gt;. Meu amigo asseverou apropriadamente, mas não com as seguintes palavras, que melhores sistemas de ensino produzem ou modelam certos comportamentos que, em testes de inteligência, tendem a ser classificados como corretos. As nações européias não são geneticamente superiores; seus sistemas educacionais, sim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acerca da relação inteligência-religiosidade, prefiro abordá-la em pormenores numa outra oportunidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Às críticas&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acredito que, diante de todo o exposto, devo dispensar  explicações sobre por que não há racismo, etnocentrismo e biologicismo expressos, explícita ou implicitamente, naquele comentário -- exemplos de rótulos com que fomos (meu comentário, Diamond e eu) carimbados. Como parece ter acontecido com o termo  ambiente, deve ter havido, sobretudo por parte dos colegas do meu amigo,  interpretações equivocadas e levianas das minhas palavras -- e das do Diamond.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Considerações finais&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Constatar diferenças individuais e de nações comumente faz irromper uma miscelânea de sentimentos nas pessoas -- dos melhores e dos piores. Contudo, investigar os fatores que promoveram e mantém essas diferenças pode fazer atenuar esses  humores. Na verdade, fazê-lo é um primeiro passo para a possibilidade  de planejarmos intervenções capazes de diminuir certas  diferenças. Essa tarefa vem sendo em parte tomada pelos pesquisadores da  Psicologia Diferencial (que estudam sobretudo o desenvolvimento da  inteligência e da personalidade), e empreendimentos do tipo podem ser  adotados por aqueles que estão envolvidos com as macro e  metacontingências -- as relações políticas e econômicas entre populações e sociedades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes, notamos que hipóteses de  alguns pesquisadores de um determinado nível de análise, como o cultural  ou o filogenético, são erroneamente lidas por pesquisadores de níveis adjacentes. Dicotomias como inato-aprendido e social-individual tendem a ser entendidas para além do seu sentido &lt;b&gt;didático&lt;/b&gt;, gerando condições para que brigas infrutíferas e ingênuas comecem a ser tristemente travadas. O ser humano é um animal &lt;b&gt;biopsicossocial&lt;/b&gt;, mas apenas no sentido de que podemos analisá-lo nesses distintos &lt;i&gt;mas complementares&lt;/i&gt; níveis de análise, a saber, o biológico, o psicológico e o social. A herdabilidade de traços não implica que o ambiente não determine o desenvolvimento desses traços.  O joão-de-barro não engendra seu ninho na ausência de barro, esterco e  palha, e uma criança só aprende a falar caso seja exposta a um ambiente verbal -- pessoas que conversam umas com as  outras e que ensinam seus filhos a fazer o mesmo. A linguagem, a inteligência, a personalidade e, como alguns querem, a religiosidade são herdáveis tão-somente no sentido de que  temos, enquanto espécie, os genes que, graças a certas condições nutricionais, codificam mecanismos elementares que, estimulados pelo  ambiente social, funcionam de forma que aqueles traços se desenvolvam e  sejam detectados por nossos instrumentos (sensoriais e tecnológicos).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp; &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Referências:&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Colom, R. (2006). O que é inteligência? Em Flores-Mendoza, C., &amp;amp; Colom, R. &lt;i&gt;Introdução à Psicologia das Diferenças Individuais&lt;/i&gt;. Porto Alegre: Artmed. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diamond, J. (1997). &lt;i&gt;Guns, genns, and steel: The fates ofhuman societies.&lt;/i&gt; New York: Norton&lt;i&gt;.&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lamal, P. A.&amp;nbsp;(1999). The Really Big Picture: A Review of Guns, Germs, and Steel: The Fates of Human Societies by Jared Diamond. &lt;i&gt;The Behavior Analyst&lt;/i&gt;, 22, 73-76 No. 1 (Spring)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-7042112833997074011?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/7042112833997074011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/08/ambientes-determinismos-e-mal.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/7042112833997074011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/7042112833997074011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/08/ambientes-determinismos-e-mal.html' title='Ambiente(s), determinismo(s) e mal-entendido(s)'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-5btYKWLjNlM/TjbW7JojGgI/AAAAAAAAAZg/DMCbMhjvFZw/s72-c/11-de-setembro-02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-1237350774722724683</id><published>2011-07-11T19:23:00.000-07:00</published><updated>2011-09-05T20:00:27.737-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Ciência em Psicologia</title><content type='html'>&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;Podemos rezar pela vítima do cólera, ou podemos lhe dar  quinhentos miligramas de tetraciclina a cada doze horas. [...] Podemos  tentar a quase inútil terapia psicanalítica pela fala com o paciente  esquizofrênico, ou podemos lhe dar trezentos a quinhentos miligramas de  clazepina. Os tratamentos científicos são centenas ou milhares de vezes  mais eficazes do que os alternativos. Renunciar à ciência significa  abandonar muito mais do que o ar-condicionado, o toca-disco CD, os  secadores de cabelo e os carros velozes (Sagan, 1996/2006, p. 25-26).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podemos,  enquanto psicólogos, lutar pela promoção do método científico em  Psicologia, ou podemos, junto à Psicanálise, ser colocados no barco das abordagens de eficácia questionável. Acredito em uma  Psicologia vista não como um "recurso alternativo", mas como um fazer  científico &lt;b&gt;complementar&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;independente&lt;/b&gt; cujo objeto de estudo é o comportamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas como é possível uma ciência do comportamento? Baum (2006):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;Na ideia de que é possível uma ciência do comportamento  está implícito que o comportamento, como qualquer objeto de estudo  científico, é &lt;b&gt;ordenado&lt;/b&gt;, pode ser &lt;b&gt;explicado&lt;/b&gt;, pode ser &lt;b&gt;previsto&lt;/b&gt; desde que se tenham os dados necessários e pode ser &lt;b&gt;controlado&lt;/b&gt; desde que se tenham os meios necessários. Chama-se a isso &lt;i&gt;determinismo&lt;/i&gt;, a noção de que o comportamento é determinado unicamente pela hereditariedade e o ambiente (p. 25, destaque meu).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se  assumimos que o comportamento é ordenado e que se apresenta com  regularidade, não o temos como aleatório. Por exemplo, a regularidade da  forma como nos interagimos com as pessoas permite falarmos de "traços  de personalidade". Se agíssemos tão distintamente a cada vez que  encontrássemos alguém, seríamos tão imprevisíveis, e mesmo  irreconhecíveis, que não nos caberia adjetivos como "afável", "ríspido",  "introvertido" ou "responsável" -- embora nos pudesse caber  "imprevisível". Com efeito, o padrão e a regularidade com que nos  comportamos permite que as pessoas, mesmo leigas em Psicologia,  categorize-nos em adjetivos ("extrovertido", "sociável" mas "ansioso",  p. ex.), prevejam nossas ações em algum nível e possam deliberadamente  nos influenciar (p. ex., convencendo-nos a ir ao cinema ou acalmando-nos  em circunstâncias adversas). Pode-se dizer que a &lt;i&gt;folk psychology&lt;/i&gt; (ou a Psicologia Popular) se fundamenta em uma ciência rudimentar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a ciência comportamental deve ir e vai além. Se não aceitamos a aleatoriedade,  logo podemos descobrir  em que circunstâncias um tipo de comportamento ocorre -- se é ao ter  suas ideias objetadas,  se é ao esperar pela ligação do(a) namorado(a), se é ao se submeter a  uma entrevista de emprego ou se é ao ser abordado por um estranho.  Podemos desvendar suas origens, bem como compreender as circunstâncias  que o fazem persistir ao longo dos anos. Podemos, ainda, estimar a  frequência, a intensidade e a duração desse  comportamento, e a partir dessas medidas podemos arquitetar e aplicar  intervenções e posteriormente avaliá-las. A propósito, boas intervenções  requerem boas &lt;a href="http://www.comportese.com/2011/07/metodos-indiretos-de-coleta-de-dados-em.html"&gt;análises do comportamento-alvo&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Termos e conceitos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há  tanto várias formas de se analisar um comportamento como várias formas  de se intervir sobre ele. Skinner sustentou que o caminho para uma  ciência do comportamento está no desenvolvimento de termos e conceitos  que permitem explicações verdadeiramente científicas (Baum, 2006).  Baseado em Mach (1960), Baum (2006) assevera que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;a ciência cria conceitos que permitem a uma pessoa  dizer à outra o que se relaciona com o que no mundo, e o que esperar se  determinado evento acontecer -- conceitos que permitem a previsão com  base na experiência passada com esses eventos. Quando os cientistas  criam termos como &lt;i&gt;oxigênio&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;satélite&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;gene&lt;/i&gt;, cada  palavra contém uma história completa de expectativas e previsões. Esses  conceitos nos permitem falar economicamente dessas expectativas e  previsões, sem necessidade de repetidamente darmos longas explicações  (p. 39).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O  termo "gene" -- e derivados -- costuma ser prático no contexto de uma  explicação sobre semelhanças comportamentais -- ou de personalidade --  de gêmeos idênticos. Se dissermos "É genético!", queremos dizer que suas  disposições comportamentais são em grande medida herdadas e que, é  claro, esses irmãos carregam os mesmos genes. Ademais, esse termo permite aos geneticistas dizer de e manipular, com base em expectativas preconcebidas, certos segmentos do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dna"&gt;ADN&lt;/a&gt;. Temos, a partir disso, que o termo "gene" é econômico e, por facilitar a prática científica, &lt;i&gt;operacionalizável&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, psicanalistas inventaram termos como libido, inconsciente  e repressão; cognitivistas lançam mão de termos como desejo, crenças e  esquemas; analistas do comportamento, reforço, extinção e operações  estabelecedoras; humanistas, congruência, aceitação incondicional e  empatia. Acontece que, &lt;i&gt;quando se trata do fazer científico&lt;/i&gt;,  certos termos e conceitos são mais ou menos aplicáveis,  operacionalizáveis. Em geral, termos "bons" referem-se àqueles que são  facilmente observados e/ou mensurados, bem como que diminuem a confusão  ou a ambiguidade de uma hipótese ou modelo qualquer. Termos  psicanalistas não satisfazem nenhum desses critérios. Termos  behavioristas podem ser, em princípio, de difícil compreensão; mas  estes superam, por exemplo, os termos humanistas -- que são elegantemente compreensíveis -- no quesito "operacionalidade  científica". Talvez possamos dizer o mesmo dos termos cognitivistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para o idoso, o declínio da &lt;i&gt;memória declarativa&lt;/i&gt; pode anunciar o início de um acometimento demencial. Para qualquer pessoa, a frequência de certas &lt;i&gt;classes de resposta&lt;/i&gt; em &lt;i&gt;contextos&lt;/i&gt; específicos pode dizer das variáveis que o &lt;i&gt;controlam&lt;/i&gt;, das &lt;i&gt;funções&lt;/i&gt; que assumem esses comportamentos e da &lt;i&gt;privação&lt;/i&gt;  de uma pessoa em relação ao produto dessas funções. Memória  declarativa, da Psicologia Cognitiva, e classe comportamental, contexto,  função e privação, da Análise do Comportamento, são termos que resumem  uma cadeia de expectativas -- são &lt;b&gt;atalhos conceituais&lt;/b&gt; cujas  observações ou medidas permitem que prevejamos e controlemos certos  fenômenos. Caso a hipótese seja confirmada, o idoso com doença de  Alzheimer poderá se submeter aos tratamentos farmacológicos e de  reabilitação disponíveis. Para a reabilitação, esquemas de reforçamento  poderão ser utilizados para que esse idoso aprenda a utilizar  dispositivos mnemônicos compensatórios e/ou a fortalecer respostas que  tendem a se extinguir em razão da progressão dessa doença. Como  resultado, termos econômicos e cientificamente operacionalizáveis  facilitam o trabalho do profissional e permitem que este ofereça melhor amparo para seu cliente -- e esse é um ponto em que &lt;b&gt;ciência&lt;/b&gt; rima com &lt;b&gt;ética&lt;/b&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Métodos e evidências&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltemos  ao caso dos gêmeos idênticos. Contrapondo à hipótese genética,  poderíamos dizer que aquelas semelhanças se dão pela ordem dos  planetas na ocasião do nascimento desses irmãos, sendo a explicação  astrológica, portanto, uma alternativa à primeira. Contudo, os signos ou  quaisquer descrições astrais meticulosas não explicam por que gêmeos  idênticos são, no âmbito comportamental, mais semelhantes do que gêmeos fraternos (que não  compartilham 100, mas apenas 50% dos seus genes). Ao fornecer termos  econômicos (Áries, Libra e Capricórnio, p. ex.) baseados na ordem dos planetas e relacionados a certas expectativas, a Astrologia, em  se tratando de previsão, &lt;b&gt;falha&lt;/b&gt; ao ser submetida a observações sistemáticas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sagan (1996/2006), a respeito da ciência e da pseudociência, ressalta:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;A  pseudociência difere da ciência errônea. A ciência prospera com seus  erros, eliminando-os um a um. Conclusões falsas são tiradas todo o  tempo, mas elas constituem tentativas. As hipóteses são formuladas de  modo a poderem ser refutadas. Uma sequência de hipóteses alternativas é  confrontada com os experimentos e a observação. [...] Alguns sentimentos  de propriedade individual são certamente ofendidos quando uma hipótese  científica não é aprovada, mas essas refutações são reconhecidas como  centrais para o empreendimento científico. [...] A pseudociência é  exatamente o oposto. As hipóteses são formuladas de modo a se tornar  invulneráveis a qualquer experimento que ofereça uma perspectiva de  refutação, para que em princípio não possam ser invalidadas. Os  profissionais são defensivos e cautelosos. Faz-se oposição ao escrutínio  cético (p. 39).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Felizmente, certas premissas da  Astrologia, um exemplo de pseudociência, podem ser contrastadas com -- e  são esmagadas por -- previsões da Psicologia Diferencial e da Genética  Comportamental. O método científico é de longe a melhor forma de  obtermos conhecimento a respeito de como o mundo funciona, e o  comportamento humano, não sendo um fenômeno sobrenatural ou aleatório, é  um objeto passível de ser cientificamente compreendido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não que as abordagens não-científicas da Psicologia sejam &lt;i&gt;pseudo&lt;/i&gt;ciências.  No entanto, não raro encontramos psicólogos dizendo de eventos &lt;b&gt;anedóticos&lt;/b&gt; que &lt;i&gt;confirmariam indubitavelmente &lt;/i&gt;algumas de suas&lt;i&gt; &lt;/i&gt;premissas &lt;b&gt;prediletas&lt;/b&gt;. Se estamos falando de ciência, observações isoladas e assistemáticas não têm muito valor -- a não ser para a formulação de hipóteses que serão posteriormente &lt;i&gt;testadas&lt;/i&gt;. Pior ainda é sentir que  uma proporção considerável desses profissionais, que não &lt;i&gt;compreenderem &lt;/i&gt;o método científico, toma partido de uma posição &lt;i&gt;anti&lt;/i&gt;científica  -- algo como admitir que os fenômenos comportamentais, públicos ou  privados, não podem ser explicados, previstos ou controlados. Se isso  for verdade, somos desonestos sempre que admitimos um novo  cliente. Se não é possível uma ciência comportamental, não podemos  oferecer um tratamento digno às pessoas -- &lt;i&gt;e isso equivale a sermos antiéticos&lt;/i&gt;.  Como não queremos que pessoas que sofrem de esquizofrenia, de TDAH, de  TOC ou de transtornos do humor sejam tão-somente medicadas,  precisamos nos instruir acerca do método científico(1) e nos esforçar  para erigir uma Psicologia baseada em evidências.(2) O caminho será longo e custoso, mas as recompensas decerto valerão a jornada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Notas e referências:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(1) Sugestões de &lt;i&gt;blogs&lt;/i&gt; que discutem ciência e/ou filosofia:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://cienciaumavelanoescuro.haaan.com/"&gt;Ciência -- Uma Vela no Escuro&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;a href="http://pedro-sampaio.blogspot.com/"&gt;Pedro Sampaio&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.comportese.com/"&gt;Comporte-se&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(2) Sobre Psicologia baseada em  evidências, ver:  http://behavioristlady.blogspot.com/2011/07/psicologia-baseada-em-evidencias.html&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Baum, W. (2006). &lt;i&gt;Compreender o behaviorismo: comportamento, cultura e evolução.&lt;/i&gt; Artmed: Porto Alegre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mach, E. (1960). &lt;i&gt;The Science of mechanics: a critical historical account of its development.&lt;/i&gt; La Salle (Illinois). Em: Baum, W. (2006). &lt;i&gt;Compreender o behaviorismo: comportamento, cultura e evolução.&lt;/i&gt; Artmed: Porto Alegre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sagan, C. (1996/2006). &lt;i&gt;O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. &lt;/i&gt;São Paulo: Companhia das Letras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-1237350774722724683?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/1237350774722724683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/07/ciencia-em-psicologia.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1237350774722724683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1237350774722724683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/07/ciencia-em-psicologia.html' title='Ciência em Psicologia'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-4869139629364220784</id><published>2011-07-03T09:28:00.000-07:00</published><updated>2011-08-01T15:02:55.937-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia e Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Teísmo e ateísmo: o dilema da naturalidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.researchblogging.org/" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img alt="ResearchBlogging.org" src="http://www.researchblogging.org/public/citation_icons/rb2_large_gray.png" style="border: 0pt none;" /&gt;&lt;/a&gt;Os cientistas cognitivistas da religião têm alegado que a  religiosidade é natural, isto é, que o conjunto de comportamentos que a caracteriza  seria motivado por intuições psicológicas nucleares e naturalmente  selecionadas (Bering, 2010). O ateísmo, e a irreligiosidade em geral,  parece ser um problema para a chamada &lt;i&gt;tese da naturalidade da religião&lt;/i&gt;  (TNR). Barrett (2010): "Se a religiosidade é natural, o que explica a  &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2011/06/hipoteses-acerca-da-onda-ateista.html"&gt;presença difundida do ateísmo&lt;/a&gt; e do agnosticismo, particularmente nos  países europeus?" Temos, diante desse cenário, um impasse na concepção  da postura religiosa (ateísmo, agnosticismo e teísmo) em termos de naturalidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A TNR traz a ideia de que recursos cognitivos normais ou comuns (&lt;i&gt;ordinary&lt;/i&gt;)  em ambientes humanos comuns levariam a alguns tipos de crenças em  agentes sobrenaturais e, talvez, a outras ideias religiosas (Barrett,  2010). Recursos culturais "especiais" seriam desnecessários. Crenças  sobrenaturais irromperiam tão facilmente quanto comportamentos como o  andar e o se comunicar verbalmente. Em contraste, ateus amparados pelas  ideias do etólogo Richard Dawkins preconizam que o comportamento  religioso é meramente aprendido. Em seus livros &lt;i&gt;O Gene Egoísta&lt;/i&gt; (1976) e &lt;i&gt;Deus: um Delírio&lt;/i&gt;  (2006), Dawkins assevera que a religião, tomada como um "vírus da  mente", não é mais do que um conjunto de crenças e valores transmitido  de pais para filhos (Geertz e Markússon, 2010). Nenhuma criança,  portanto, nasceria religiosa, e a doutrinação poderia ser vista como um  "estupro intelectual" (Dawkins, 2006). Isso fundamenta a &lt;i&gt;hipótese da não-naturalidade&lt;/i&gt; (HNN).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-dNGzEr3WaHo/ThChROtXumI/AAAAAAAAAZc/RPNPU-6c1ao/s1600/crian%25C3%25A7as-humanismo.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="246" src="http://4.bp.blogspot.com/-dNGzEr3WaHo/ThChROtXumI/AAAAAAAAAZc/RPNPU-6c1ao/s320/crian%25C3%25A7as-humanismo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;A HNN apregoa que a postura religiosa é aprendida.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Justin  Barrett, psicólogo cognitivista, objeta a HNN: "A tendência de as  pessoas se tornarem religiosas não é adequadamente  explicada pelo fato  de essas pessoas nascerem dentro de culturas  religiosas. Religião não  explica religião [ou cultura não explica cultura]". Se as pessoas em  quaisquer sociedades tendem a  se tornar religiosas, e a essa  prevalência chamamos &lt;i&gt;traço cultural&lt;/i&gt;, o que é que  explica essa  tendência -- ou esse traço cultural? Barrett, sob uma roupagem  evolucionista, sugere que a religiosidade é fundada sobre três tipos de &lt;b&gt;intuições naturais&lt;/b&gt;: um mecanismo de detecção de agentes (MDA), o realismo moral e o dualismo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A  função do MDA é detectar agentes, como pessoas e animais, mesmo quando em circunstâncias duvidosas. O nível de sensibilidade desse mecanismo  varia dependendo do nível de "urgência-de-sobreviência" em um contexto.  Acontece que essas detecções são eventualmente ambíguas em relação ao tipo de agente  ou evento detectado. Ao ouvirem ruídos aparentemente advindos do  armário, crianças poderiam passar a acreditar em monstros-de-armário.  Vultos e barulhos estranhos, quando não condizentes com a presença de pessoas, poderiam sugerir a presença de agentes  sobrenaturais. Se uma detecção se encaixa com o sinal típico de um  agente sobrenatural pré-postulado, a crença nesse agente é reforçada  (por exemplo, a casa realmente está assombrada). Supondo que a detecção  de agentes-que-parecem-não-naturais ocorra ocasionalmente, o  sobrenaturalista (&lt;i&gt;supernaturalist&lt;/i&gt;) pode rotular cada evento como sendo uma &lt;i&gt;evidência&lt;/i&gt;  da existência de deuses ou espíritos. O naturalista (cético), mesmo que  sensível a essas situações, teria formas distintas de interpretá-las:  "Sim, parece que tinha alguém ali... mas sei que isso é impossível" ou,  ainda, "Aquilo não era um agente real, mas a reação do meu  MDA a eventos estranhos, ambíguos".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acerca do realismo  moral, Barrett comenta que acreditar em deuses reforça certas intuições  morais que as pessoas têm. Uma dessas intuições é a de que algumas  coisas são simplesmente certas ou erradas. Seríamos, dessa forma,  realistas morais: acreditamos na existência absoluta e imutável de  valores. Se cremos, por exemplo, que Deus criou tudo quanto existe  (inclusive o bem e o mal) e que nós, parte de Sua criação, somos  parecidos (inclusive ao raciocinar moralmente) com Ele, tendemos a  aceitar, sem hesitação, o realismo moral. Nesse domínio, ateus devem ter  uma ideologia alternativa -- um corpo sistemático de conceitos e  relações -- para dar suporte a seus posicionamentos morais. Com efeito,  desenvolver ideologias é mais custoso e, portanto, "menos natural" do  que simplesmente dizer "Deus disse que aquilo é errado".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bloom (2004), citado por Barrett, sugere que a organização cognitiva comum (&lt;i&gt;ordinary&lt;/i&gt;)  incita a intuição sobre a dualidade mente-corpo, derivando disso a  naturalidade da crença em uma alma perene, imortal. A  perda de um ente querido, que é frequentemente acompanhada por  pensamentos e sensações de que este continua presente, figuraria como  uma das condições que favorecem o pensamento dualista. Nesse caso, naturalistas  (monistas) poderiam se deparar com mais empecilhos ao tentar resolver  conflitos como esse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao postular essas intuições, Barrett conclui que &lt;b&gt;o teísmo é mais natural do que o ateísmo&lt;/b&gt;.  De forma geral,&amp;nbsp;o ateu deveria ser amparado por condições culturais  especiais capazes de derrubar essas tendências naturais. Barrett sugere  que "essa relativa não-naturalidade [do ateísmo] pode ser uma razão por  que alguns estudos encontram uma relação entre ateísmo, educação formal e  inteligência. Recursos cognitivos especiais ou instituições especiais  (tal como instituições de educação formal) devem auxiliar a manutenção  do ateísmo". Nessa linha de raciocínio, Geertz e Markússon (2010)  asseveram que "o hábito do ateísmo &lt;i&gt;deve &lt;/i&gt;requerer mais andaimes  [isto é, auxílio cultural] para ser adquirido, e a religião, em  contrapartida, deve requerer mais esforço para ser [descartada]". O  critério seria: "Quanto mais aprendizagem, tanto menos naturalidade".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, em um discutido artigo publicado no periódico &lt;i&gt;Religion&lt;/i&gt;, Geertz e Markússon (2010) mostram-se mais ponderados: &lt;b&gt;o ateísmo seria tão natural quanto o teísmo&lt;/b&gt;.  O fato de ser desenvolvido e suportado por certos artifícios culturais,  sobretudo característicos das sociedades contemporâneas, não faria do  ateísmo menos natural do que o teísmo. Vejamos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Em última análise, a implicação da hipótese da naturalidade [TNR] é &lt;i&gt;probabilística&lt;/i&gt;: a religiosidade é &lt;i&gt;provável&lt;/i&gt; mas &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; é necessária (e certamente não é uma necessidade existencial, de vez que [seus mecanismos cognitivos subjacentes] &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; foram selecionados &lt;i&gt;para&lt;/i&gt;  a religiosidade, mas para a navegação mundana) e, como [vimos  observando], o ateísmo é menos provável mas certamente possível, dadas  certas condições ambientais e culturais.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesses termos, teríamos um problema de &lt;b&gt;probabilidade&lt;/b&gt;.  A naturalidade do comportamento religioso não é vista como algo  biologicamente determinado (Bering, 2010). Longe disso, a "religiosidade  [tal como o ateísmo] é uma propriedade emergente surgida da &lt;i&gt;interação&lt;/i&gt;  de mecanismos cognitivos normais com os ambientes social e natural  imediatos" (Geertz &amp;amp; Markússon, 2010). Na verdade, mesmo  comportamentos reflexos, assaz elementares (para não dizer "naturais"),  dependem de certas condições ambientais para que sejam eliciados. Por  exemplo, a dilatação da pupila, o respirar e o estiramento patelar  dependem, respectivamente, de luminosidade, de oxigênio e de percussão  sobre o tendão patelar. Acontece que, via de regra, a aquisição de  comportamentos mais complexos depende de interações organismo-ambiente  mais complexas, sendo que certas interações podem ser mais ou menos &lt;b&gt;prováveis&lt;/b&gt; do que outras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo que a TNR possa ser amparada pelas intuições supostas por  Barrett,  comportamentos como o ceticismo poderiam ser explicados  por  mecanismos naturais alternativos. Nesse sentido, não haveria nada que pudéssemos  fazer que não fosse sustentado por nossas disposições inatas -- "todo comportamento humano é igualmente natural".  Geertz e Markússon:  "Os contextos políticos e culturais funcionam de  forma a dar suporte à   cognição ateísta -- tal como o fazem para a  cognição religiosa. [...] O   ateísmo não é menos natural do que a  religiosidade". Contudo, Jesse Bering (2010), pesquisador cognitivista comentado criticamente por Geertz e  Markússon, tratou de tecer uma tréplica: "[...] A crença religiosa,  embora não seja [geneticamente] determinada, ainda é um fenômeno  altamente probabilístico [...] e &lt;b&gt;esse probabilismo captura [sua] naturalidade&lt;/b&gt;"  (destaque meu). E o que diríamos se, daqui há alguns séculos, a maior  parte da população for atéia? Estaríamos, através de dados estatísticos,  capturando a naturalidade do ateísmo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Ponto de reflexão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;[...] Categorias bem conhecidas de comportamento -- costumes matrimoniais, tabus relacionados a alimentos, &lt;b&gt;superstições populares&lt;/b&gt;  etc. -- certamente variam entre as culturas e têm de ser aprendidas,  mas os mecanismos mais profundos de computação mental que as geram  talvez sejam universais e inatos (Pinker, 2004, p. 65, destaque meu).&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A  TNR é derivada de proposições como essa, que caracterizam a Psicologia Evolucionista. O comportamento religioso, longe de ter seus  mecanismos exclusivos, teria suas raízes na interação cooptada de intuições básicas  (Bering, 2010). Da mesma forma, o ateísmo poderia ser visto como um  conjunto de comportamentos caracterizado pela atividade de certos  mecanismos elementares cooptados. Embora pareça haver consenso a respeito dessa ideia (ao menos em se tratando dos cientistas cognitivistas da religião), pessoas como Barrett e Bering tomam o termo "naturalidade" como  denotando a &lt;i&gt;facilidade&lt;/i&gt; com que certos comportamentos são  adquiridos -- possivelmente por terem sido adaptativos e, direta ou  indiretamente, selecionados. Pessoas como Markússon e Geertz, no  entanto, argumentam que o fato de o ateísmo requerer condições especiais  para aflorar não o faz menos natural. Ademais, pensar crítica e  cientificamente e se instruir a partir de instituições formais seriam  atividades fundadas em mecanismos igualmente naturais -- sem dizer que  figuram como comportamentos deveras adaptativos. Se mecanismos como os postulados por Barrett realmente existirem, Markússon e Geertz poderiam invocar Pinker (2004): "[...] um impulso ou hábito proveniente de um módulo pode ser traduzido  em comportamento de diferentes modos -- ou ser &lt;b&gt;totalmente suprimido&lt;/b&gt; --  por algum outro módulo [p. ex., o módulo ou mecanismo do pensamento  crítico]" (p. 66, destaque meu).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem querer dar crédito especial a nenhuma das duas alternativas -- que, aliás, soam-me mais como complementares do que como contraditórias --, fecharei este texto com uma passagem digna de reflexão: &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Hoje em dia é totalmente equivocado indagar se os humanos são  flexíveis ou programados, se o comportamento é universal ou varia entre  as culturas, se os atos são aprendidos ou inatos, se somos  essencialmente bons ou essencialmente maus. Os humanos comportam-se de  maneira flexível &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt; são programados: suas mentes são dotadas  de software combinatório capaz de gerar um conjunto ilimitado de  pensamentos e comportamentos. O comportamento pode variar entre as  culturas, mas a estrutura dos programas mentais que geram o  comportamento não precisa variar. O comportamento inteligente é  aprendido com êxito porque temos sistemas inatos que se incumbem do  aprendizado (Pinker, 2004, p. 67).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Referências:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Barrett, J.  (2010). The relative unnaturalness of atheism: On why Geertz and  Markusson are both right and wrong. &lt;i&gt;Religion&lt;/i&gt;, 40(3), 169-172.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bering, J. (2010). Atheism is only skin deep: Geertz and Markusson rely mistakenly on sociodemographic data as meaningful indicators of underlying cognition. &lt;i&gt;Religion&lt;/i&gt;, 40(3), 166-168. Elsevier Ltd.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bloom, P., 2004. &lt;i&gt;Descartes’ Baby: How Child Development Explains What Makes Us Human. &lt;/i&gt;William Heinemann, London. Em: Barrett, J.  (2010). The relative unnaturalness of atheism: On why Geertz and  Markusson are both right and wrong. Religion, 40(3), 169-172.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dawkins, R. (2006). &lt;i&gt;The God Delusion. Bantam Press, London&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;amp;rft.jtitle=Religion&amp;amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1016%2Fj.religion.2009.11.003&amp;amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;amp;rft.atitle=Religion+is+natural%2C+atheism+is+not%3A+On+why+everybody+is+both+right+and+wrong&amp;amp;rft.issn=&amp;amp;rft.date=2010&amp;amp;rft.volume=&amp;amp;rft.issue=&amp;amp;rft.spage=&amp;amp;rft.epage=&amp;amp;rft.artnum=&amp;amp;rft.au=Geertz%2C+A.+W.&amp;amp;rft.au=Mark%C3%BAsson%2C+G.+I.&amp;amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology"&gt;Geertz, A. W., &amp;amp; Markússon, G. I. (2010). Religion is natural, atheism is not: On why everybody is both right and wrong &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Religion&lt;/span&gt; DOI: &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.religion.2009.11.003" rev="review"&gt;10.1016/j.religion.2009.11.003&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pinker, S. (2004). &lt;i&gt;Tábula rasa: a negação contemporânea da natureza humana&lt;/i&gt;. São Paulo: Companhia das Letras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-4869139629364220784?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/4869139629364220784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/07/teismo-e-ateismo-o-dilema-da.html#comment-form' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/4869139629364220784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/4869139629364220784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/07/teismo-e-ateismo-o-dilema-da.html' title='Teísmo e ateísmo: o dilema da naturalidade'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-dNGzEr3WaHo/ThChROtXumI/AAAAAAAAAZc/RPNPU-6c1ao/s72-c/crian%25C3%25A7as-humanismo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-8652611907281849463</id><published>2011-06-17T07:16:00.000-07:00</published><updated>2011-09-04T12:28:25.928-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia e Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Hipóteses (prematuras) acerca da Onda Ateísta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na última terça-feira, dia 14 de  junho, marquei presença no simpósio intitulado "Fronteiras entre a  Psicologia, a Religião e a Espiritualidade". Esse evento, que aconteceu  na &lt;a href="http://www.fch.fumec.br/"&gt;Universidade FUMEC&lt;/a&gt;, contou com as apresentações de um hinduísta, um  budista e um evangélico, cada qual propondo como seus valores, pressupostos e  práticas podem contribuir para a Psicologia -- sobretudo na área da  psicoterapia. Ao final, no espaço para perguntas, pronunciei-me acerca  de uma questão que vive a me perseguir: "O que explica o aumento  exponencial de ateus, que compunham um grupo minoritário há até bem  pouco tempo, nos dias atuais? A propósito, quais seriam as implicações  individuais e sociais do ceticismo em relação à religiosidade?"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Silêncio:  esta foi a resposta da platéia e, por alguns segundos, também dos  participantes da mesa. Em vista das palavras leves e agradáveis que  compuseram as exposições, é provável que todos tinham como improvável um  questionamento desse tipo. Olhando uns para os outros, porém, eis que  um deles, o budista, sorriu e se dispôs a falar. Paráfrase:&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Meu  jovem, mais importante do que a crença -- ou a descrença -- que carregamos é a forma como lidamos com nós  mesmos e com as pessoas com quem convivemos. Entre os budistas, por exemplo, há  divergências a respeito da existência de Deus e mesmo, caso exista, de Sua importância prática. No entanto, a maioria de nós prima por um estilo de  vida baseado na filosofia, nos valores e nas práticas budistas --  coisas que vão além de uma posição a respeito de Deus.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Logo  em seguida, cada um dos outros dois, o hinduísta e o evangélico, se  pronunciaram, contudo sem destoar da ideia trazida pelo budista. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Devo dizer que acho particularmente interessante a hipótese de que uma ideologia não diz &lt;i&gt;muito&lt;/i&gt;  sobre seus adeptos. Não há um padrão &lt;i&gt;nítido&lt;/i&gt; de comportamentos que  caracteriza diferencialmente, em termos morais, um budista de um cristão ou um hinduísta de  um ateu. Por exemplo, o comportamento religioso (digamos, crer em entidades e eventos sobrenaturais) não é infalivelmente acompanhado por uma tendência maior de, por exemplo,  agir solidariamente, ser ecologicamente consciencioso, pagar as contas  em dia e ser fiel ao cônjuge. Da mesma forma, e contrariamente ao que  alguns crêem, o comportamento cético (digamos, desconfiar de afirmações  pouco ou nulamente sustentadas por evidências) &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; implica em ter uma tendência menor ao comportamento socialmente desejado. Essa ideia é sucinta e caricaturalmente expressa na seguinte imagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-d_Di3tGCYbo/TfopQjEzg1I/AAAAAAAAAZM/oJbRRdRYqLY/s1600/atea+ate%25C3%25ADsmo.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="187" src="http://1.bp.blogspot.com/-d_Di3tGCYbo/TfopQjEzg1I/AAAAAAAAAZM/oJbRRdRYqLY/s400/atea+ate%25C3%25ADsmo.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não estou dizendo que todo posicionamento filosófico-religioso seja igualmente bom. O &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2011/05/explicacoes-diferentes-podem-ser.html"&gt;relativismo epistemológico&lt;/a&gt;  é problemático e insustentável. Estou, contudo, questionando a  preconização temerosa de boa parte dos crentes de que uma sociedade sem  Deus seria caótica, desumana, desgraçada (lembremos do &lt;a href="http://www.blogger.com/goog_1368601406"&gt;"caso Datena&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=0NM2cMx58S0"&gt;"&lt;/a&gt;). Temos evidências de que um sistema moral não é divinamente preconcebido; ele é, em vez disso, construído ao longo da  história de relações entre pessoas de uma sociedade, de uma geração à outra. Com efeito, as  religiões, na forma de agências reguladoras do comportamento humano, &lt;i&gt;tomam&lt;/i&gt; &lt;i&gt;posse&lt;/i&gt; desses valores e crenças, ou daquilo que lhes parece &lt;i&gt;ideal&lt;/i&gt;,  e anunciam-nos como regras e verdades imutáveis e inquestionáveis. Esse  ponto, aliás, beira uma de minhas hipóteses sobre a mudança de  comportamento filosófico-religioso da população ocidental contemporânea -- algo  que permaneceu sem resposta naquele simpósio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Das mudanças recentes&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tive  um professor na graduação que dizia que os modelos macro-econômicos  explicavam boa parte das mudanças comportamentais das pessoas.  Com o advento do capitalismo, por exemplo, as relações interpessoais, afetadas pelas relações consumidor-produto e pelas condições de vida das cidades industrializadas, teriam se  tornado efêmeras, descartáveis, substituíveis. Como consequência, mais  pessoas tornar-se-iam socialmente mais inseguras, insensíveis e  competitivas.(1) Em se tratando da esfera filosófico-religiosa, o  capitalismo teria fomentado a queda ou o enfraquecimento do que seriam  verdades inabaláveis. A imigração de pessoas de  incontáveis regiões em busca de trabalho contribuiriam para a  diversidade de crenças e valores no âmbito das grandes cidades. Dessa  forma, criara-se um contexto de choques, conflitos, dúvidas e debates  ideológicos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para  não parar por aí, o advento da Internet, um tanto mais recente,  amplificou vezes sem conta o contato à variabilidade ideológica e, portanto, as condições para debate. Fóruns de redes sociais como o &lt;i&gt;Orkut&lt;/i&gt; e o &lt;i&gt;Facebook&lt;/i&gt; são diariamente contemplados com tópicos cuja discussão não poderia ser  outra: fronteiras entre Ciência, Filosofia e Religião. Projetos como o &lt;a href="http://livrespensadores.org/"&gt;Livres Pensadores&lt;/a&gt;, redes como o &lt;a href="http://evolucionismo.org/"&gt;Evolucionismo&lt;/a&gt; e blogues como o &lt;a href="http://www.bulevoador.haaan.com/"&gt;Bule Voador&lt;/a&gt;, para citar alguns, são exemplos de organizações virtuais empenhadas em  agregar, assegurar e instar a livre-expressão de pessoas que partilham de  posturas alternativas ao teísmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desse  fator global, o advento do capitalismo, que por certo persiste em  facilitar a diversidade ideológica, derivou-se naturalmente um fator  secundário: o "efeito Flynn". Como expus &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/efeito-flynn-multiplicacao-social-da.html"&gt;noutra ocasião&lt;/a&gt;,  o efeito Flynn refere-se ao aumento da inteligência ao longo das  gerações. Com base em uma torrente de pesquisas que constatam a correlação negativa entre inteligência e nível de religiosidade (por exemplo, Nyborg, 2009), há quem sustente que esse fenômeno é um bom candidato para explicar a "Onda Ateísta".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora seja uma hipótese deveras atraente, acho incorreto tomar o aumento do &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/medidas-da-inteligencia.html"&gt;QI&lt;/a&gt; médio da população como a &lt;i&gt;causa&lt;/i&gt; do ceticismo -- isso seria um largo salto explicativo. É preciso saber &lt;i&gt;interpretar&lt;/i&gt;  o que significa esse aumento. Sabe-se, por exemplo, que as gerações atuais resolvem problemas &lt;i&gt;abstratos&lt;/i&gt; mais eficientemente. Segundo Flynn (2009), a mente dos nossos ancestrais "não estava permeada pela linguagem  científica e não tinha o hábito de raciocinar além do concreto". Nesse sentido, o &lt;i&gt;upgrade&lt;/i&gt; intelectual não estaria tanto para "saber que", mas para "saber como". O efeito Flynn refletiria, em suma, &lt;i&gt;uma mudança na forma de as pessoas lidarem com o mundo &lt;/i&gt;(isto é, passaram a interpretá-lo de forma mais abstrata),  podendo ser o ceticismo um produto compartilhado e generalizado das condições que oportunizaram essa mudança. No entanto, se não  podemos dizer que o ateísmo leva à imoralidade, também não podemos dizer  que a ignorância leva &lt;i&gt;necessariamente&lt;/i&gt; ao teísmo. Embora o efeito Flynn acompanhe a  mudança na postura filosófico-religiosa da população ocidental, há muito  mais entre o QI e o ceticismo do que pode precipitadamente supor nossa intuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser, como aludido acima, que o ceticismo não esteja diretamente relacionado com ser mais habilidoso com os números ou com a gramática. No entanto, houve uma ocasião em que o "saber que", em vez de o "saber como", contribuiu decisivamente. Charles Darwin, quando formulou a teoria da evolução das espécies pela seleção natural, deu à humanidade um novo olhar sobre suas origens. Essa proposta, alternativa às teológicas, se aliada à diversidade ideológica e à maneira abstrata e científica de se ler o mundo (algo a ser promovido pelos sistemas educacionais), deve aumentar a probabilidade de as pessoas se posicionarem com ceticismo perante o pensamento mágico. Teríamos, portanto, um fenômeno multideterminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, vale dizer que as três condições supracitadas não explicam isoladamente a Onda Ateísta. Decerto conhecemos teístas inteligentes, que adoram debater diferenças ideológicas e que conhecem &lt;i&gt;bem&lt;/i&gt; a teoria da seleção natural. O que acontece, afinal? Suponho que há mais em posturas filosófico-religiosas do que proposições &lt;i&gt;racionais&lt;/i&gt; acerca do existir. Deve ser por isso que, mesmo quando um crente assume compreender -- &lt;i&gt;e quando realmente compreende --&lt;/i&gt; a evolução das espécies pela seleção natural, comumente se faz presente certa -- para não dizer &lt;i&gt;forte --&lt;/i&gt; resistência. Formas típicas dessa resistência são 1) afirmar que a evolução foi guiada por Deus e 2) procurar veementemente por lacunas explicativas que poderiam colocar o darwinista em maus lençóis. Falta-nos, contudo, desenvolver ferramentas e um modelo que explique satisfatoriamente os processos de construção e desconstrução do pensar filosófico-religioso. Estudos sobre diferenças em traços de personalidade e em relações parentais, por exemplo, podem ajudar a clarear o breu que circunda esse assunto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Últimas considerações&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em  vez de lançar luz sobre a mente das pessoas, devemos antes estar  sensíveis à miríade de transformações sócio-econômicas que permitem a  variabilidade, a transformação, a seleção e a difusão de novas ideias.  Compreender certos fenômenos, como o efeito Flynn e o ceticismo  pós-moderno, requer níveis de análise  diversificados. Tal como Datena demonstrou leviandade ao sugerir que a "ausência de Deus no coração" promove a falta de senso moral, devemos nos policiar contra o equívoco de se ler correlações como relações causais (como é o caso dos levantamentos sobre inteligência e religiosidade). O estudo da Onda Ateísta é, no mais, excitante e -- perante suas iminentes, impactantes e prováveis implicações sociais -- socialmente urgente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nota e referências bibliográficas:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flynn, J. R. (2009). &lt;i&gt;O que é inteligência? &lt;/i&gt;Porto Alegre: Artmed.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nyborg, H. (2009). The intelligence-religiosity nexus: A representative study of white adolescent Americans. &lt;i&gt;Intelligence&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;37&lt;/i&gt;(1), 81-93. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Em relação a essas hipóteses, ver: Bauman, Z. (2004). &lt;i&gt;Amor líquido: sobre a fragilidade das relações humanas&lt;/i&gt;. Rio de Janeiro: Zahar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-8652611907281849463?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/8652611907281849463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/06/hipoteses-acerca-da-onda-ateista.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/8652611907281849463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/8652611907281849463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/06/hipoteses-acerca-da-onda-ateista.html' title='Hipóteses (prematuras) acerca da Onda Ateísta'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-d_Di3tGCYbo/TfopQjEzg1I/AAAAAAAAAZM/oJbRRdRYqLY/s72-c/atea+ate%25C3%25ADsmo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-7560870790974894860</id><published>2011-06-04T10:14:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T18:25:45.348-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Processos Psicológicos Básicos'/><title type='text'>A inteligência humana: entrevista com Marcela Mansur-Alves</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4-n7Rs_f3Mw/Tepl7YYRewI/AAAAAAAAAY8/gKV_i7IQmPA/s1600/marcela+mansur-alves+2.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-4-n7Rs_f3Mw/Tepl7YYRewI/AAAAAAAAAY8/gKV_i7IQmPA/s200/marcela+mansur-alves+2.jpg" width="145" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trarei novamente ao palco um tema que mereceu calorosos debates no século passado e que, de certa forma, ainda é brasa que incendeia: a &lt;i&gt;inteligência humana&lt;/i&gt;. Entrevistei, com esse intuito e como colunista do &lt;a href="http://www.comportese.com/"&gt;&lt;i&gt;Comporte-se&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, a pesquisadora Marcela Mansur-Alves. A Marcela é graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), possui mestrado em Psicologia do Desenvolvimento Humano (UFMG), é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFMG e é pesquisadora do Laboratório de Avaliação das Diferenças Individuais (LADI/UFMG). Ela tem especial interesse pelas áreas de Psicodiagnóstico/Avaliação Psicológica, Psicologia das Diferenças Individuais, Neurociências Cognitivas e Desenvolvimento Humano.&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;1 - Inicialmente, Marcela, conte-nos um pouco sobre seu percurso acadêmico (sobre como, por exemplo, você se interessou pela Psicologia Diferencial), bem como sobre quais são suas principais atividades atualmente.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Bom, eu creio que desde o início da graduação estive bastante envolvida com pesquisa. Comecei trabalhando com avaliação cognitiva de bebês e crianças fenilcetonúricas no Ambulatório São Vicente do HC-UFMG. A pesquisa era fruto de uma colaboração entre o Laboratório de Desenvolvimento Cognitivo e da Linguagem (UFMG) e do NUPAD (Faculdade de Medicina-UFMG) e foi uma experiência muito importante na minha iniciação na área científica. Trabalhei por dois anos nesse projeto, o que despertou meu interesse inicial pela avaliação. Logo depois, em 2002, envolvi-me em um mega estudo longitudinal desenvolvido pelo LADI, então coordenado pela profa. Carmen Flores-Mendoza. O estudo, cujo término será em 2012, objetiva avaliar e acompanhar o desenvolvimento cognitivo e de personalidade de crianças escolares. Entrei para o estudo como voluntária em decorrência do interesse em aprender um pouco mais na prática o que estava vendo nas disciplinas da área de Avaliação. Foi nesse momento que entrei em contato mais direto com a área da Psicologia Diferencial e, desde então, tenho trabalhado mais ativamente na área. Essa não é uma área muito difundida no Brasil, mas vem crescendo a cada dia. Enquanto a Psicometria/Avaliação Psicológica estão voltadas para a construção de instrumentos para a mensuração das características psicológicas e sua aplicação em contextos específicos, tais como a clínica e as organizações, a Psicologia das Diferenças Individuais investiga as origens, desenvolvimento e capacidade preditiva dessas características, tais como a inteligência e a personalidade humana. Em 2004, decidi entrar para o mestrado, o qual me possibilitou conhecer mais a área da Psicologia Diferencial. Realizei um estudo sobre a estrutura da personalidade infantil e sobre a capacidade preditiva desses traços em contextos como a escola e a saúde. E mesmo no intervalo entre o término do meu mestrado e o início do doutorado, quando estive mais envolvida com a docência e a prática profissional, estive em contato com a área por meio de grupos de discussão e colaboração em pesquisas. Atualmente, faço doutorado em Neurociências buscando uma interface entre esta e a Psicologia Diferencial. Venho desenvolvendo um programa de treinamento cognitivo para crianças com diferentes níveis intelectuais. A ideia não é apenas promover modificação na inteligência, mas também verificar se tal mudança é vista em nível de funcionamento cerebral. Os resultados encontrados no estudo piloto, feito no ano passado, foram bastante interessantes.&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2 - Que tal falarmos de um assunto ainda polêmico? O construto "inteligência" sofreu muitas críticas no final do século passado, entre as quais a de que não existiria &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; inteligência, mas &lt;i&gt;as&lt;/i&gt; inteligências, e a de que, com efeito, não haveria um consenso sobre a definição do termo. Como você vê essas e outras críticas à noção de inteligência humana?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o estudo da inteligência humana sempre foi muito polêmico justamente pela importância que a inteligência assume em nossas vidas. Ninguém se ofende ao ser chamado de “tímido”, mas, em geral, ninguém gosta de ser chamado de “ignorante” ou “burro”. Da mesma maneira que quando digo que alguém é inteligente, isso funciona como um elogio. Talvez essa seja a razão de ser tão difícil aceitar que há o que a gente conhece como inteligência geral, ou seja, uma capacidade mental ampla de fazer escolhas, de resolver problemas, de se adaptar ao ambiente e compreender o mundo à nossa volta -- o que é independente do conteúdo da atividade ou problema. Uma pessoa com elevada inteligência geral é boa em quase tudo que faz, enquanto uma pessoa com deficiência mental possui extensas dificuldades para responder a demandas cognitivas de seu ambiente físico e social. É, então, mais fácil acreditar que existem várias inteligências e que cada pessoa é “boa” em uma delas. Embora haja uma grande quantidade de estudos em vários países que apresentam evidências favoráveis à existência de um fator geral de inteligência, o suporte científico para a existência de múltiplas inteligências é quase nulo.&amp;nbsp; Mas aí vocês me perguntam: se existe um fator geral de inteligência, por que então existem pessoas que se destacam em áreas tão diferentes? Por que algumas pessoas são boas em matemática e outras, em literatura e português? É porque existem as habilidades cognitivas específicas, tais como a compreensão e fluência verbal e o raciocínio abstrato. Elas não são inteligências diferentes, mas apenas formas diferentes de expressão da mesma inteligência. Einstein, por exemplo, tinha alta inteligência que se expressou especificamente através de conteúdos matemáticos e físicos, enquanto que Gandhi também com alta inteligência com maior facilidade para conteúdos verbais. Mas apesar das diferentes habilidades específicas, nenhum dos dois tinha dificuldade de fazer uma ligação telefônica, de pegar ônibus sozinhos, de se formar na faculdade, de conseguir um bom emprego, porque ambos eram pessoas inteligentes. Aí se encontra a diferença entre habilidades específicas e inteligências múltiplas. A teoria das inteligências múltiplas assume que as várias inteligências são independentes, enquanto que ao considerar a existência de uma inteligência geral eu assumo que as habilidades específicas estão relacionadas a ela. No exemplo que dei, a teoria das inteligências múltiplas nos diria que Einstein sendo um gênio matemático poderia ter uma inteligência verbal inferior, o que o levaria a ter um péssimo vocabulário, dificuldades enormes de interpretação de textos e de compreensão das situações e dilemas sociais. Contudo, quando penso em habilidades específicas e inteligência geral, posso afirmar que o fato de se destacar enormemente em matemática não faz com que Einstein não consiga ler e interpretar textos, se comunicar e se relacionar com as pessoas e muito menos que não tenha vocabulário suficiente&amp;nbsp; para escrever uma teoria, como o fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero apenas destacar que em diferentes culturais e momentos, determinadas habilidades cognitivas específicas são mais valorizadas do que outras. Há, ainda, o que chamamos de “talentos”. Os talentos são pessoas que realizam com alto grau de qualidade uma determinada atividade ou profissão, alcançando reconhecido sucesso. Por exemplo, Beethoven pode ser considerado um talento musical.&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;3 - Como, no âmbito das neurociências, a inteligência é estudada? A propósito, haveria uma espécie de definição ou descrição neurobiológica da inteligência?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;É importante destacar antes de começar a responder a essa pergunta que, de forma geral, há dois enfoques principais para as investigações neurobiológicas da inteligência. O primeiro está relacionado aos estudos em genética comportamental e molecular e o segundo engloba os estudos sobre a estrutura e a fisiologia do cérebro humano. Para responder a essa pergunta, vou me concentrar no segundo aspecto, ok?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O avanço alcançado pelas neurociências nos últimos 20 anos possibilitou compreensões importantes para as investigações sobre o comportamento humano. Isso também se aplica às investigações sobre a inteligência humana. Os primeiros estudos sobre a relação cérebro-inteligência estavam interessados em verificar associações entre o volume (tamanho) cerebral e o nível intelectual do sujeito, sendo que foram baseados nas concepções antropológicas e arqueológicas de que cérebros maiores seriam capazes de armazenar e processar maior quantidade de informação. Um grande conjunto de estudos aponta para a existência de associação entre volume cerebral e medidas psicológicas da inteligência e, embora consistentes, tais associações são pequenas ou moderadas. Com isso quero dizer que mesmo que cérebros maiores também tendem a ser mais inteligentes, o tamanho do cérebro nos conta apenas uma pequena parte da história sobre o nível intelectual de uma pessoa. Justamente por isso, os estudos subseqüentes se interessaram por investigar outras questões, como as áreas cerebrais ativadas durante tarefas cognitivas. Estudos como esses só foram possíveis graças ao enorme desenvolvimento alcançado pelas técnicas de neuroimagem como a Ressonância Magnética Funcional e a tomografia por emissão de pósitrons, que nos possibilitam “ver” o cérebro no momento em que está funcionando. Os resultados desses estudos mostram que diferentes áreas cerebrais são ativadas durante tarefas cognitivas específicas. Por exemplo, os córtices visual (fica na parte de trás do cérebro, do lado oposto à testa) e parietal (que é vizinho do córtex visual) são ativados durante tarefas cognitivas visuo-espaciais e o córtex temporal (fica mais ou menos acima das orelhas) durante tarefas de linguagem. Contudo, há evidências de que todo o córtex cerebral está envolvido na resolução de problemas, sendo que diferentes etapas da resolução de problemas aconteceriam em diferentes regiões cerebrais. A tendência atual está em verificar se o cérebro de pessoas com alta e baixa inteligência funciona da mesma maneira. Tais estudos são feitos através do controle do consumo de glicose durante a realização de testes de inteligência. Quanto mais o cérebro trabalha, mais ele precisa de alimento (glicose). A hipótese por trás desses estudos é de que o cérebro de pessoas mais inteligentes precisa trabalhar menos do que o de pessoas menos inteligentes para resolver um dado problema, sendo, portanto, mais eficientes. Vários estudos com pessoas de diferentes sexos e idades apresentam evidências favoráveis a essa hipótese. Em suma, o foco das investigações neurocientíficas está em verificar se a estrutura e o funcionamento cerebral diferem entre indivíduos mais e menos inteligentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação à definição neurobiológica para a inteligência humana, apesar de não haver consenso, posso dizer que há uma tendência atual em considerar que a inteligência seria função de quão eficientemente o cérebro (aqui, no caso, as redes neuronais) humano processa informações. Assim, inteligência seria sinônimo de Eficiência Neuronal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4 - Afinal, Marcela, nossas habilidades intelectuais são herdadas, aprendidas ao longo do desenvolvimento ou um pouco de cada?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São um pouco de cada. Os estudos em genética comportamental têm nos indicado que tanto a genética quanto o ambiente contribuem para as diferenças individuais em inteligência. A genética comportamental é uma área relativamente recente que se concentra em explicar porque as pessoas são diferentes com relação às suas características psicológicas. Eles estudam grupos de pessoas (famílias e irmãos gêmeos e não gêmeos biológicos e adotivos) para nos dizer o quanto das diferenças entre as pessoas pode ser atribuído aos genes ou a aspectos do ambiente. As pesquisas feitas indicam que a maior parte (cerca de 60%) das diferenças intelectuais entre as pessoas pode ser atribuída à genética, bem como que o restante ficaria a cargo do ambiente. Algumas das descobertas da genética comportamental são bastante interessantes. Veja: eles nos dizem que há dois tipos de ambientes: o compartilhado e o não-compartilhado. O primeiro se refere àquele ambiente que separa as famílias, como o nível socioeconômico, a escolaridade dos provedores e a religião, ou seja, características que compartilhamos apenas com os membros de nossa família. O segundo é aquela parte do ambiente que não compartilhamos nem com a nossa família -- em especial, nem com nossos irmãos. É a forma como nossos pais nos tratam, como são nossos amigos, nossos professores e colegas de classe, as experiências que tivemos quando estávamos na barriga das nossas mães etc. A genética comportamental nos diz que o ambiente não-compartilhado (30%) possui uma contribuição maior do que o ambiente compartilhado (10%) para as diferenças intelectuais entre as pessoas. Outra descoberta interessante é que a influencia da genética e do ambiente mudam ao longo do ciclo vital. Quando pequenos o ambiente possui maior influência, enquanto que à medida que crescemos a genética dita mais nossas escolhas em termos intelectuais.&amp;nbsp; Além disso, quanto maior a desigualdade econômica e social, maior a influência do ambiente na determinação das diferenças intelectuais entre as pessoas.&amp;nbsp; Esse achado se faz importante demais, tendo em vista que vai na mesma direção das pesquisas que mostram que, apesar da ampla determinação genética, o cérebro humano responde e se modifica em função do ambiente em que está inserido. Isso é o que chamamos de Plasticidade Cognitiva. O cérebro se modifica tanto em função de ambientes empobrecidos quanto de enriquecidos. Essas descobertas despertaram o interesse em desenvolver programas de treinamento para melhorar a inteligência, ou seja, a eficiência cerebral. Esses programas atuariam através do aumento do volume de estruturas específicas, como o hipocampo (envolvido com a memória declarativa), ou por meio da modificação do padrão de funcionamento cerebral. Conforme eu disse anteriormente, estou desenvolvendo um programa com esse objetivo para crianças.&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;5 - Gostaria, para finalizar, que você nos deixasse dicas sobre o que podemos fazer para preservar ou até mesmo melhorar nosso rendimento intelectual.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A primeira dica que posso dar é para ficarem atentos quanto a fórmulas simples de modificação da inteligência que estão disponíveis na internet. Embora ter uma alimentação saudável, fazer exercícios físicos e não assistir tanto à televisão possam melhorar sua qualidade de vida, isso não torna ninguém mais inteligente. Se a modificação cognitiva fosse tão simples assim, os pesquisadores não estariam empenhando tantos esforços financeiros e humanos para desenvolver programas de melhoramento intelectual. Contudo, há algumas coisas que podemos fazer para prevenir o envelhecimento cerebral, e isso, por si só, já retarda o aparecimento de doenças que afetam a cognição, como o Mal de Alzheimer, e previne o declínio cognitivo. Por exemplo, ler livros, fazer palavras cruzadas, desenvolver atividades que requerem concentração, evitar a rotina, desenvolver hobbies -- enfim, todo tipo de atividade que estimula o cérebro. Há, ainda, sites que disponibilizam pacotes para melhorar aspectos específicos da cognição, como a memória e a atenção. Veja mais informações sobre tais programas nos seguintes links:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;http://www.happy-neuron.com/ e&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;http://www.lumosity.com&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-7560870790974894860?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/7560870790974894860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/06/o-estudo-da-inteligencia-humana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/7560870790974894860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/7560870790974894860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/06/o-estudo-da-inteligencia-humana.html' title='A inteligência humana: entrevista com Marcela Mansur-Alves'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-4-n7Rs_f3Mw/Tepl7YYRewI/AAAAAAAAAY8/gKV_i7IQmPA/s72-c/marcela+mansur-alves+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-6181784834607339403</id><published>2011-05-30T19:14:00.000-07:00</published><updated>2011-10-25T09:49:49.091-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Explicações diferentes podem ser igualmente boas?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seriam, por exemplo, a Psicanálise, a Análise do Comportamento, a Psicologia Cognitiva e a Psicologia Humanista igualmente eficientes em lidar com o comportamento humano? Alguns de nós somos condescendentes e dizemos que "sim". Outros, que "depende" -- afinal, cada qual lidaria com objetos de estudo específicos e, portanto, trabalharia conforme finalidades dessemelhantes. A própria expressão "lidar com o comportamento", aliás, poderia sugerir o objetivo de apenas uma abordagem (o da Análise do Comportamento) em detrimento do das outras. Mas pode haver uma saída para esse embate. Pedro Henrique Sampaio, analista do comportamento, apresentou-nos na &lt;a href="http://www.jmcienciadocomportamento.com.br/index.php"&gt;XII Jornada Mineira de Ciência do Comportamento&lt;/a&gt; alguns recursos que podem ser usados de forma a encurtar diferenças e facilitar a opção por uma ou outra teoria (não necessariamente do campo da Psicologia). Confira sua exímia exposição nos vídeos abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://3.gvt0.com/vi/EA-LdISY6Rc/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/EA-LdISY6Rc&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/EA-LdISY6Rc&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/2uu-k_6aK2I/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2uu-k_6aK2I&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/2uu-k_6aK2I&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-6181784834607339403?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/6181784834607339403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/05/explicacoes-diferentes-podem-ser.html#comment-form' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/6181784834607339403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/6181784834607339403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/05/explicacoes-diferentes-podem-ser.html' title='Explicações diferentes podem ser igualmente boas?'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-5305533553316244444</id><published>2011-05-20T09:39:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T07:38:57.454-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cursos e Eventos'/><title type='text'>Especialize-se em Neurociências pela UFMG</title><content type='html'>Estão abertas, de 16 a 27 de maio, as inscrições para o &lt;b&gt;exame de seleção&lt;/b&gt; referente ao curso de especialização em Neurociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Clique &lt;a href="http://www.4shared.com/document/0EgXFj8o/Edital_Especializao_-_Atualiza.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; para baixar o edital e/ou &lt;a href="http://www.cursoseeventos.ufmg.br/CAE/DetalharCae.aspx?CAE=4858"&gt;aqui&lt;/a&gt; para obter mais informações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-zFAq-JKo-vY/TdaYozwK39I/AAAAAAAAAYY/PPDOx0-h6bQ/s1600/especializa%25C3%25A7%25C3%25A3o+neuroci%25C3%25AAncias+ufmg+2011.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-zFAq-JKo-vY/TdaYozwK39I/AAAAAAAAAYY/PPDOx0-h6bQ/s320/especializa%25C3%25A7%25C3%25A3o+neuroci%25C3%25AAncias+ufmg+2011.jpg" width="226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-5305533553316244444?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/5305533553316244444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/05/curso-de-especializacao-em.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5305533553316244444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5305533553316244444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/05/curso-de-especializacao-em.html' title='Especialize-se em Neurociências pela UFMG'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-zFAq-JKo-vY/TdaYozwK39I/AAAAAAAAAYY/PPDOx0-h6bQ/s72-c/especializa%25C3%25A7%25C3%25A3o+neuroci%25C3%25AAncias+ufmg+2011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-9140341738531182611</id><published>2011-05-13T18:16:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T07:45:39.315-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><title type='text'>Terra fértil para o cultivo de novos neurônios</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/--BLNsM0T1Zg/Tc3L8rMbyBI/AAAAAAAAAYU/ivXX56tDwpg/s1600/song-1.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/--BLNsM0T1Zg/Tc3L8rMbyBI/AAAAAAAAAYU/ivXX56tDwpg/s200/song-1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="float: left; padding: 5px;"&gt;&lt;a href="http://www.researchblogging.org/"&gt;&lt;img alt="ResearchBlogging.org" src="http://www.researchblogging.org/public/citation_icons/rb2_large_gray.png" style="border: 0;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;Disseram-me, ainda no início do curso de Psicologia, que nascíamos  com o número total de &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/05/de-neuronio-em-neuronio_24.html"&gt;neurônios&lt;/a&gt; com que contaríamos por toda a vida  (cerca de 100 bilhões) e que, para espanto de alguns, perderíamos algo  em torno de 10 a 100 mil células desse tipo &lt;i&gt;diariamente&lt;/i&gt;. Desde  então, nunca li nada que refutasse esta última afirmação, embora --  felizmente -- eu não possa dizer o mesmo a respeito da primeira. Pois é  isto: a &lt;b&gt;neurogênese pós-natal&lt;/b&gt; é uma realidade e pode revolucionar a  medicina vindoura. A formação hipocampal e a zona  subventricular são exemplos de sítios nos quais podem proliferar novas células  neuronais. Apesar da popularidade da primeira região -- sobretudo em  função de seu envolvimento com a efetivação da aprendizagem --, tratarei das características da zona subventricular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Geografia, fertilidade e rotas subventriculares(1)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A zona &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;subventricular&lt;/span&gt;  é uma camada de células localizada na parede lateral de cada ventrículo  lateral. Em se tratando de roedores, estima-se que entre 10 e 30 mil &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;neurônios&lt;/span&gt; são gerados nessa região diariamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S9WqFeiqwuI/AAAAAAAAAPQ/Ch5r2xA_HmM/s1600/Human_subventricular_zone.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464460733958505186" src="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S9WqFeiqwuI/AAAAAAAAAPQ/Ch5r2xA_HmM/s400/Human_subventricular_zone.jpg" style="display: block; height: 184px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;(C) Corte coronal do cérebro de um ser humano adulto. (D) Ampliação da parede lateral de um dos ventrículos laterais (LV).&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Lá, a geração de novos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;neurônios&lt;/span&gt; deve-se ao trabalho de células &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;astrocíticas&lt;/span&gt; (do inglês &lt;i&gt;astrocyte-like cells&lt;/i&gt;), algumas das quais são capazes de se regenerar, se &lt;i&gt;proliferar&lt;/i&gt; e se diferenciar (se especializar) em novas células. Em razão disso, as células astrocíticas podem ser também chamadas de células progenitoras ou, ainda, &lt;b&gt;células-tronco &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;neurais&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;. As novas células neurais, contudo, não desempenham suas funções na zona &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;subventricular&lt;/span&gt;. Antes de se tornarem "células maduras", derivações das células &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;astrocíticas&lt;/span&gt;, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;neuroblasto&lt;/span&gt;s, migram &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;rostralmente&lt;/span&gt; a uma outra região: o bulbo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;olfatório&lt;/span&gt; (porção responsável pelo processamento de sinais olfativos&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S8s_WljhCNI/AAAAAAAAAO4/qWucnnUFIps/s1600/migra%C3%A7%C3%A3o-cadeias.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461528630387607762" src="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S8s_WljhCNI/AAAAAAAAAO4/qWucnnUFIps/s400/migra%C3%A7%C3%A3o-cadeias.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 155px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A figura (a) mostra, da direita para a esquerda, a zona &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;subventricular&lt;/span&gt; (&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;SVZ&lt;/span&gt;), a rota de migração &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;rostral&lt;/span&gt; (&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;RMS&lt;/span&gt;) e o bulbo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;olfatório&lt;/span&gt; (&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;OB&lt;/span&gt;). A figura (b) representa três &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;neuroblastos&lt;/span&gt; sendo envolvidos pelos "braços" de um astrócito. A rota migratória &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;rostral&lt;/span&gt; (&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;RMS&lt;/span&gt;), caminho através do qual os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;neuroblastos&lt;/span&gt; viajam até seu destino final, o bulbo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;olfatório&lt;/span&gt;, é composto por tubos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;arquitetados&lt;/span&gt; por células &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;astrocíticas&lt;/span&gt;. Ao chegarem no bulbo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;olfatório&lt;/span&gt;, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;neuroblastos&lt;/span&gt; se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;especializam&lt;/span&gt; em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;neurônios&lt;/span&gt; de associação (ou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;interneurônios&lt;/span&gt;), variando entre os tipos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;glomerulares&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;periglomerulares&lt;/span&gt;. Eis abaixo um exemplo real de migração neuronal.(2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://1.gvt0.com/vi/ZRF-gKZHINk/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ZRF-gKZHINk&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/ZRF-gKZHINk&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Apesar de a migração celular ser programada geneticamente, tem-se observado a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;atuação&lt;/span&gt; decisiva de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;neurotransmissores&lt;/span&gt; na proliferação, diferenciação e maturação dessas células. GABA, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;glutamato&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;serotonina&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;dopamina&lt;/span&gt; têm sido apontados como os mais importantes. Com efeito, compreender esse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;intricado&lt;/span&gt;  padrão de sinalização poderá contribuir para a formulação de  intervenções reparadoras do encéfalo (p. ex., retardando ou impedindo a  progressão de quadros como o &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/07/um-pouco-sobre-doenca-de-alzheimer.html"&gt;Alzheimer&lt;/a&gt;) e até mesmo melhorar a eficiência de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;transplantes&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Adubando o encéfalo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo e psicólogo Thiago Santos emprestou-me recentemente uma edição da revista &lt;i&gt;Psique&lt;/i&gt; (2010)  que traz uma reportagem sobre neurogênese e memória. Conforme declara  essa reportagem, alguns medicamentos, a alimentação, a prática de  esportes, a gravidez e a exploração de novos ambientes podem facilitar o  surgimento de novos neurônios. No caso da alimentação, chocolate e  frutas vermelhas seriam boas indicações. Em se tratando dos medicamentos, os antidepressivos, os estabilizadores de humor e até mesmo o  Viagra. Já a prática de esportes e o espírito explorador não foram  tratados detalhadamente. &lt;b&gt;Mas deixo duas ressalvas&lt;/b&gt;: 1) Deve-se  atentar para os efeitos colaterais da aderência de algumas dessas  estratégias (como comer muito chocolate e decidir ter um bebê) e, &lt;i&gt;talvez mais importante&lt;/i&gt;; 2) A maior parte desses achados não foi ainda replicada em sujeitos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas e referências &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;bibliográficas&lt;/span&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;(1) &lt;/span&gt;Seção baseada em Platel et al. (2010). Referência detalhada mais abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Vídeo sugerido pelo meu colega &lt;a href="http://www.blogger.com/profile/12210124597804238958"&gt;Cláudio Drews&lt;/a&gt;, graduando de Psicologia pela UCPEL. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medeiros, R. (2010). Memória Apagada. &lt;i&gt;Psique Ciência &amp;amp; Vida&lt;/i&gt;,&lt;i&gt; &lt;/i&gt;ano V, número 54, junho de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;amp;rft.jtitle=Brain+Research+Reviews&amp;amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1016%2Fj.brainresrev.2010.02.004&amp;amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;amp;rft.atitle=Neurotransmitter+signaling+in+postnatal+neurogenesis%3A+The+first+leg&amp;amp;rft.issn=01650173&amp;amp;rft.date=2010&amp;amp;rft.volume=63&amp;amp;rft.issue=1-2&amp;amp;rft.spage=60&amp;amp;rft.epage=71&amp;amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0165017310000184&amp;amp;rft.au=Platel%2C+J.&amp;amp;rft.au=Stamboulian%2C+S.&amp;amp;rft.au=Nguyen%2C+I.&amp;amp;rft.au=Bordey%2C+A.&amp;amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Neuroscience"&gt;Platel, J., Stamboulian, S., Nguyen, I., &amp;amp; Bordey, A. (2010). Neurotransmitter signaling in postnatal neurogenesis: The first leg &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Brain Research Reviews, 63&lt;/span&gt; (1-2), 60-71 DOI: &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.brainresrev.2010.02.004" rev="review"&gt;10.1016/j.brainresrev.2010.02.004&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-9140341738531182611?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/9140341738531182611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/05/terra-fertil-para-o-cultivo-de-novos.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/9140341738531182611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/9140341738531182611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/05/terra-fertil-para-o-cultivo-de-novos.html' title='Terra fértil para o cultivo de novos neurônios'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/--BLNsM0T1Zg/Tc3L8rMbyBI/AAAAAAAAAYU/ivXX56tDwpg/s72-c/song-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-678607424078782297</id><published>2011-05-10T09:27:00.000-07:00</published><updated>2012-01-31T16:55:30.203-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Determinismo neurobiológico, liberdade e responsabilidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“O que é ser livre em um corpo formado por   relações imutáveis,   previsíveis e determinadas?”(1) Fábio Trad,  jurista e  deputado federal, levantou em uma &lt;a href="http://www.msnoticias.com.br/?p=ler&amp;amp;id=62919"&gt;matéria recente&lt;/a&gt; a questão&amp;nbsp; de se o  determinismo neurobiológico ameaça as bases do Direito    Penal. Mais  especificamente, Trad refletiu -- bem preocupado, devo dizer  -- sobre   se as explicações neurocientíficas para o comportamento humano são compatíveis com as  noções de liberdade e responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Nz98MP9LyHA/TcliwG55vZI/AAAAAAAAAYE/dqk0gJjfXjE/s1600/escolha.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="257" src="http://1.bp.blogspot.com/-Nz98MP9LyHA/TcliwG55vZI/AAAAAAAAAYE/dqk0gJjfXjE/s320/escolha.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Livre-arb%C3%ADtrio"&gt;poder do  indivíduo de escolher suas próprias ações&lt;/a&gt; é um conceito comum de liberdade pessoal ou livre-arbítrio. Disso decorre que toda ação do  indivíduo é explicada por sua &lt;i&gt;vontade&lt;/i&gt;, a qual não   seria completamente determinada por eventos antecedentes. A vontade,  tal como  alguns dizem do espírito, não partilharia das  relações de  causa e efeito do mundo físico, material. Mas a noção de que a  vontade é &lt;i&gt;indeterminada&lt;/i&gt; -- ou apenas parcialmente determinada --  contraria o fundamento do &lt;i&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Determinismo"&gt;determinismo&lt;/a&gt;. &lt;/i&gt;No campo do comportamento humano, a doutrina determinista preconiza que qualquer ação seria determinada ou  causada  por eventos antecedentes, quer sejam imediatos, como o contexto  que circunda o  indivíduo no momento de sua ação, quer sejam distantes,  como os eventos que compõem sua história  de vida. Sobre o embate liberdade-determinação, que então permeia a arena do Direito Penal, o cientista  cognitivista Steven Pinker (2004) coloca o seguinte problema:  “Se alguém tenta explicar um ato como efeito de alguma  causa, está  dizendo que o ato não foi escolhido livremente, e que o agente não  pode  ser responsabilizado” (p. 249).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vejamos a seguinte e cômica ilustração do  que seria uma explicação  determinística de natureza histórica. Em uma charge  publicada na  revista &lt;i&gt;New Yorker&lt;/i&gt;, uma mulher no banco de testemunhas  declara:  “É verdade: meu marido me espancava por causa de sua infância… Mas eu o   matei por causa da minha!” (adaptado de Pinker, 2004). Essa trama retrata a  tentativa da  mulher de tirar sua responsabilidade pelo assassinato do  marido. A culpa, na  verdade, não seria dela, mas de tudo o que lhe  ocorreu enquanto ainda era  criança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De  forma análoga à supracitada, o deputado Trad pareceu-me  sugerir que a neurociência, com base em suas explicações  neurobiológicas, pode tirar  do indivíduo sua responsabilidade por aquilo que  faz. Tomando mais uma  de suas indagações: “De que forma se poderia alcançar a  legitimação do  direito de punir com o impacto da neurociência no conceito de   livre-arbítrio?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;Compreender é desculpar?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poderia a neurociência &lt;i&gt;justificar&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;desculpar&lt;/i&gt;  a criminalidade? Pinker (2004) comenta que um criminoso poderia ser defendido por via da alegação de que suas amígdalas (estruturas envolvidas no  processamento  emocional) são hipotrofiadas, que seu córtex pré-frontal  (camada de corpos  neurais associada, entre outras coisas, ao  comportamento moral) é  metabolicamente deficiente ou que seus genes são  ineficientes em codificar a  monoamina oxidase A (molécula que ajuda na  reciclagem de neurotransmissores). Contudo, haveria uma contrapartida dessa postura:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;Estão confundindo &lt;b&gt;explicação&lt;/b&gt; com  &lt;b&gt;absolvição&lt;/b&gt;. Ao contrário do que insinuam os críticos das  teorias das causas biológicas e ambientais, &lt;b&gt;explicar um comportamento  não é desculpar quem o executou&lt;/b&gt; (p. 250, destaque  meu).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pinker assevera que a responsabilização tem a função  prática de  dissuadir o comportamento prejudicial. Em outras palavras,   responsabilizar -- através da punição -- produz o desencorajamento, ou  melhor, a diminuição  da probabilidade de o infrator voltar a se  comportar de uma forma específica.  Nesses termos, da mesma forma que,  digamos, certos genes podem tornar os indivíduos mais propensos ao  comportamento criminoso,  podemos, enquanto reguladores sociais, atuar  de forma a  diminuir a frequência desse tipo de  comportamento -- o que é socialmente  interessante. Seria, por assim  dizer, um cabo-de-guerra entre diferentes vetores determinísticos, podendo o encéfalo -- ou melhor, o comportamento -- ser modelado  tanto para o “bem” como para o “mal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante  disso, eis que temos uma  resposta àquela pergunta do deputado Trad -- “De que forma se poderia  alcançar a legitimação do direito de  punir com o impacto da neurociência no  conceito de livre-arbítrio?”. A  resposta: independentemente do  determinismo, punir é  correto e aconselhável na medida em que não fazê-lo  equivale a permitir  que o infrator prossiga agindo de forma socialmente  indesejável. Em  termos técnicos, a punição, ou a responsabilização, tem o efeito  de  alterar as relações de causa e efeito nas quais está inserido o  comportamento  criminoso.(2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A neurociência &lt;i&gt;explica&lt;/i&gt; as nossas escolhas?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho  estudando a velocidade de  processamento de  informação  (VP) de idosos saudáveis. Em termos  cognitivistas, VP refere-se à velocidade  com que a  cognição recebe,  organiza e interpreta informações. Em  termos do senso comum, VP denota a velocidade com que   pensamos. Pelo  nível neurofisiológico, VP diz respeito à velocidade com  que os   potenciais de ação são conduzidos ao longo das vias neurais. Pergunto: a descrição neurofisiológica da VP explica as descrições do senso comum e da psicologia cognitiva? A  resposta, “não”, permite falarmos do que alguns filósofos denominam &lt;i&gt;pluralismo descritivo&lt;/i&gt;: a possibilidade de descrevermos um  mesmo fenômeno sob diferentes níveis de análise (Pinto, 2007). Por  essa perspectiva, a linguagem neurocientífica não é muito mais do  que  uma forma alternativa de se olhar para certos fenômenos. Vejamos, para clarificar o conceito, como Pinker aborda a escolha sob os níveis descritivos da neurociência e da psicologia intuitiva:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;A   experiência de escolher não é uma ficção, independentemente  de como o   cérebro funciona. É um processo neural, com a óbvia função de    selecionar o comportamento segundo suas consequências previsíveis. [...]   Você  não pode sair dele [do funcionamento do cérebro] nem deixar que   ele prossiga sem  você, pois &lt;b&gt;ele &lt;i&gt;é&lt;/i&gt; você&lt;/b&gt; (Pinker, 2004, p. 243, destaque  meu).&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os eventos neurobiológicos, uma vez sendo &lt;i&gt;identificados&lt;/i&gt;  aos eventos psicológicos, não podem ser  tomados como a causa destes últimos. Exemplo disso é o caso dos potenciais de ação, cuja velocidade não &lt;i&gt;causa&lt;/i&gt;/&lt;i&gt;determina &lt;/i&gt;a velocidade do pensamento -- ambas as descrições são, em vez disso, recortes diferentes de um mesmo fenômeno. Mas o que, afinal, determina se o cérebro &lt;b&gt;"&lt;/b&gt;escolhe&lt;b&gt;"&lt;/b&gt; um comportamento ou outro? A propósito, uma escolha específica &lt;i&gt;determina&lt;/i&gt; um comportamento público específico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permitam-me ser breve, porquanto já abordei questões parecidas &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2011/04/uma-alternativa-ao-internalismo.html"&gt;em outro lugar&lt;/a&gt;. Mesmo que eventos neurais &lt;i&gt;precedam&lt;/i&gt; comportamentos motores (como quando um assassino planeja uma execução e, depois disso, a concretiza), a &lt;i&gt;relação&lt;/i&gt;  entre esses dois eventos só pode ser apropriadamente  entendida à medida  que trazemos ao palco &lt;i&gt;a história de relações de uma  pessoa&lt;/i&gt; (que possui  genes específicos) &lt;i&gt;com o seu ambiente&lt;/i&gt;.  Em outros  termos, devemos recorrer à filogênese e à ontogênese se quisermos explicar por que uma pessoa faz umas ou outras escolhas. Essas  parecem ser as  fontes, as origens de quaisquer comportamentos. Se isso ficar claro, entenderemos por que, em certas situações, as pessoas pensam, sentem e fazem o que fazem. Se o  deputado Trad tiver que se preocupar com alguma  coisa, esta coisa  não é o sistema nervoso central -- tanto menos um homúnculo  imaterial. Colocar a culpa no cérebro não é muito diferente de colocar a culpa na pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E a liberdade, como é que fica?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Para se dimensionar o tamanho do estrago, basta entender que  toda a  justificação da imposição de uma pena criminal está fundamentada no   livre-arbítrio, elemento central da culpabilidade. Se o que está se  insinuando  com a tecnologia da Neurociência, de fato, se confirmar,  todo o edifício teórico  das ciências penais estará sustentada em areia  movediça (Trad, 2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;É verdade: não faz sentido falarmos de escolhas  &lt;i&gt;indeterminadas&lt;/i&gt;  diante da afirmação do determinismo. Por  outro lado, não vejo razão  para muito desespero. Admitir o determinismo não  implica em  desconstruir todo um sistema penal. O que talvez possa ser feito é   reformular certos premissas e conceitos básicos, podendo contudo, e se  convier,  manter boa parte daquilo que já é posto em prática. Como não  queremos descartar  toda a moralidade como sendo uma superstição, podemos tentar “descobrir  um jeito de conciliar causação  (genética ou não) com responsabilidade e  liberdade” (Pinker, 1998, p.  66).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para  B. F. Skinner (2006/1974), fundador do behaviorismo  radical, agir  livremente não implica em agir indeterminadamente. Em uma &lt;a href="http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=251"&gt;entrevista&lt;/a&gt;  concedida à revista Veja (1974), Skinner situa a liberdade na "soma dos  esforços do homem para escapar das condições adversas do meio  ambiente". Ser livre, pois, equivale a "poder controlar os elementos que  nos controlam", bem como a &lt;i&gt;agir sem coerção&lt;/i&gt; -- o que é geralmente acompanhado por respostas ou eventos comumente chamamos aprazíveis. Vale alertar que o  mundo nos controla na mesma medida em que o controlamos; a direção  da  causação é, por assim dizer, retroativa, bidirecional – e isso exclui a  ideia  de que seríamos meros fantoches, ou vítimas de fatalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-5GarNhw_fDQ/TcljRRjni_I/AAAAAAAAAYI/e_wWl0GNiFA/s1600/construindo.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="270" src="http://4.bp.blogspot.com/-5GarNhw_fDQ/TcljRRjni_I/AAAAAAAAAYI/e_wWl0GNiFA/s320/construindo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Deve  ser o seguinte: somos livres e responsáveis na medida em que, na   ausência de coerção, podemos fazer escolhas e agir -- o que costuma ser acompanhado por sensações&lt;i&gt; &lt;/i&gt;agradáveis. Mesmo que essas  escolhas e  ações sejam efeitos de um conjunto de causas, a responsabilização é legítima por  se  tratar de um recurso capaz de alterar o comportamento do indivíduo. Daí  que indivíduos total ou parcialmente insensíveis ao efeito da   punição não são formalmente responsabilizados por aquilo que fazem. Esse é o caso dos  loucos, das crianças, dos animais e dos objetos  inanimados (Pinker, 2004). Mas deve haver algo mais. Parece, por exemplo, que a expressão "liberdade de escolha" vem a calhar sob circunstâncias em que há não uma, mas duas ou mais possibilidades de ação que podem ser &lt;i&gt;antevistas&lt;/i&gt;, ou &lt;i&gt;premeditadas&lt;/i&gt;, por aquele que age. Isso explicaria por que crianças e loucos, que podem não possuir o repertório adequado ou socialmente desejado para certos contextos, recebem eventualmente a "carta branca". No entanto, a aquisição de valores e princípios é um processo &lt;i&gt;determinado&lt;/i&gt;, e o comportamento moral que dali se desdobra deve ser entendido enquanto tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em tom de reflexão, fiquemos com os seguintes excertos tecidos pelo cognitivista Pinker e pelo behaviorista Skinner:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Um   ser humano é simultaneamente uma máquina e um agente livre  senciente,   dependendo do objetivo da discussão, assim como ele também é um    contribuinte do fisco, um corretor de seguros, um paciente do dentista e   noventa  quilos de lastro num avião da ponte aérea […]. A postura   mecanicista [que é determinista] permite-nos  entender o que nos faz funcionar e como nos   encaixamos no universo físico.  Quando essas discussões se esgotam no   fim do dia, voltamos a falar uns dos  outros como seres livres e dignos   (Pinker, 1998, p.  68).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;Se continuarmos a castigar nossos semelhantes em nome do conceito de “homem autônomo”, simplesmente estaremos perpetuando o sistema de provocar tipos de comportamento desejáveis através de técnicas punitivas. O problema é que temos medo de procurar soluções diferentes – soluções que implicariam a aceitação de que é o meio ambiente a raiz causal do comportamento, e não a moral tradicional (Skinner, 1974). &lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;(1) Boa parte das conclusões que expus ao longo deste texto foi fruto de excitantes discussões com meus colegas analistas do comportamento belorizontinos, a quem devo consideração e gratidão por todo o ensinamento e carinho. Gostaria também de agradecer ao &lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100002008241410"&gt;Cláudio Drews&lt;/a&gt;, por quem tive acesso ao artigo, e, em termos de revisão, aos meus amigos Ramon Cardinali e Júnio Rezende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Mas a punição não é a medida mais efetiva em termos de  modelar o comportamento moral (ou não o é isoladamente). Valorizar/recompensar comportamentos  socialmente desejáveis deve ser uma estratégia muito mais efetiva. Falei  um pouco a respeito disso &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/04/punicao-politica-dissuasiva-e.html"&gt;por aqui&lt;/a&gt;, ainda no ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Referências&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Pinker, S. (1998). &lt;i&gt;Como a Mente Funciona&lt;/i&gt;. São Paulo: Companhia das Letras.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Pinker, S. (2004). &lt;i&gt;Tábula Rasa: a negação contemporânea da natureza humana&lt;/i&gt;. São Paulo: Companhia das letras.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Pinto, P. R. M. (2007). O reducionismo impiedoso de John  Bickle e seus problemas. In: Broens, M. C., Coelho, J. G., &amp;amp;  Gonzales, M. E. Q. &lt;i&gt;Encontro com as Ciências Cognitivas&lt;/i&gt;. São Paulo: Cultura Acadêmica.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Skinner, B. F. (2003). &lt;i&gt;Ciência e Comportamento Humano&lt;/i&gt;. São Paulo: Martins Fontes. Originalmente publicado em 1953.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Skinner, B F. (1974). Um Pensamento Polêmico. &lt;i&gt;Revista Veja&lt;/i&gt;, no. 316, pp. 3-6.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Trad, F. (2011). Direito Penal em apuros -- a Neurociência bate em sua porta! Em: http://www.msnoticias.com.br/?p=ler&amp;amp;id=62919&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-678607424078782297?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/678607424078782297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/05/determinismo-neurobiologico-liberdade-e.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/678607424078782297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/678607424078782297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/05/determinismo-neurobiologico-liberdade-e.html' title='Determinismo neurobiológico, liberdade e responsabilidade'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Nz98MP9LyHA/TcliwG55vZI/AAAAAAAAAYE/dqk0gJjfXjE/s72-c/escolha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-1209460722464427493</id><published>2011-04-20T12:05:00.000-07:00</published><updated>2011-10-07T12:06:04.032-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>Uma alternativa ao internalismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/10/breve-defesa-ao-mentalismo.html"&gt;"Breve defesa ao mentalismo"&lt;/a&gt;,  texto que escrevi no ano passado, procurei defender a perspectiva  internalista (mentalista e neurocientificista) de explicação do  comportamento. Nos últimos meses, contudo, venho reexplorando a proposta  de que a atividade da mente, cujo conceito tentei desenvolver &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/05/mente-esbocando-uma-definicao_18.html"&gt;outrora&lt;/a&gt;, é inegável mas negligenciadamente modelada pelo e dependente do ambiente.  Apoiado nos princípios do behaviorismo radical, filosofia arquitetada por B. F. Skinner, tentarei mostrar por que  uma explicação &lt;i&gt;legítima&lt;/i&gt; do comportamento deve necessariamente ir  além das posturas internalistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O internalismo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De  forma genérica, as abordagens internalistas partem do pressuposto de  que a mente (ou o encéfalo), em termos de seus componentes, de suas  estruturas, é a entidade originária e causal do comportamento. Dizemos  rotineiramente que, por exemplo, "Cantamos &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt; &lt;b&gt;estamos&lt;/b&gt; alegres", "Explicamos &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt; &lt;b&gt;desejamos&lt;/b&gt; ser compreendidos", "Passamos no vestibular &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt; &lt;b&gt;somos &lt;/b&gt;inteligentes", "Batemos &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt; &lt;b&gt;somos &lt;/b&gt;impulsivos" e "Oramos &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt; &lt;b&gt;acreditamos&lt;/b&gt;  que Deus existe e que Ele tem o poder de intervir sobre o mundo".  Nessas ocasiões, nas quais lançamos mão da chamada psicologia popular (&lt;i&gt;folk psychology&lt;/i&gt;),  estamos atribuindo a variáveis internas -- sentimentos, desejos,  habilidades intelectuais, traços de personalidade e crenças -- a origem e  a causalidade daquilo que fazemos ou realizamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além do discurso cotidiano, a maior parte das escolas da Psicologia  parte dessa perspectiva. Pela Psicanálise, por exemplo, &lt;i&gt;Id&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Ego&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Superego&lt;/i&gt;  são os principais construtos mentais empregados para explicar o  comportamento. Pela Psicologia Cognitiva, mais próxima da psicologia  popular, as crenças e os desejos. Mesmo o amplo e fecundo campo da Neurociência encaixa-se nessa perspectiva, de vez que elenca o balanço  bioquímico e os padrões de atividade neural como algumas das condições  explicativas do comportamento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NYyW4hG1sK8/TZ-iwPAqagI/AAAAAAAAAX0/p6mS_HVNsg4/s1600/496px-structural-icebergsvg.png" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-NYyW4hG1sK8/TZ-iwPAqagI/AAAAAAAAAX0/p6mS_HVNsg4/s320/496px-structural-icebergsvg.png" width="264" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Concepção freudiana da mente humana (a metáfora do &lt;i&gt;iceberg&lt;/i&gt;). O comportamento seria produzido pelo conflito -- em sua maior parte inconsciente -- das estruturas &lt;i&gt;Ego, Id &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Superego&lt;/i&gt;.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Examinemos  um exemplo da Neurociência, este agregado de especialidades que estuda o  sistema nervoso em variados níveis. Sugeriu-se certa vez que a escassez  de serotonina (um neurotransmissor) nas fendas sinápticas explicaria o  estado rebaixado de humor em pacientes depressivos. Uma vez identificada  essa &lt;i&gt;variável independente&lt;/i&gt;, comumente tomada como &lt;i&gt;causa&lt;/i&gt;, poderíamos sintetizar fármacos que configurassem o balanço molecular desejado. E foi o que tentaram fazer -- &lt;a href="http://psicologiaciencia.blogspot.com/2010/10/eficacia-dos-antidepressivos.html"&gt;mas sem muito sucesso&lt;/a&gt;. O problema é que os psicofármacos, além de serem imprecisos em seus efeitos, atuam mais de forma a &lt;i&gt;alterar o que seriam produtos de certas circunstâncias &lt;/i&gt;do que de &lt;i&gt;alterar certas circunstâncias que produzem certos problemas&lt;/i&gt;.  Em outras palavras, os psicofármacos atuam sobre os sintomas em vez de  fazê-lo sobre as variáveis que os geram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos aí, antes de tudo, um  problema de ordem ontológica: o &lt;i&gt;deficit&lt;/i&gt; de serotonina não seria a &lt;i&gt;causa&lt;/i&gt; do humor rabaixado, mas a &lt;i&gt;característica&lt;/i&gt; ou a &lt;i&gt;descrição molecular&lt;/i&gt;  daquele problema. A pergunta deveria ser a seguinte: O que acontece  para que as pessoas tenham menos ou mais serotonina em suas fendas  sinápticas? Na verdade, pergunta similar deve ser lançada para tudo  quanto é explicação internalista: o que acontece para que as pessoas  sejam mais ou menos impulsivas, responsáveis, extrovertidas, abertas,  tímidas, agressivas e empáticas e pensem, desejem, esperem e acreditem  em umas ou outras coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora as abordagens internalistas possam solucionar uma gama de interrogações, suas contribuições parecem ser bem mais &lt;i&gt;descritivas&lt;/i&gt; do que &lt;i&gt;explicativas&lt;/i&gt;.  De acordo com B. F. Skinner (1974/2006), principal desenvolvedor do  behaviorismo radical, o estruturalismo (ou o internalismo) nos diz &lt;i&gt;como&lt;/i&gt; as pessoas agem, mas esclarece muito pouco sobre &lt;i&gt;por que&lt;/i&gt; se comportam de uma ou de outra maneira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se  o compromisso da ciência psicológica é explicar, prever e controlar  (intervir sobre) o comportamento, cabe aos psicólogos a incumbência de  compreender as condições que dão origem, que controlam e que mantém  desejos, crenças, habilidades intelectuais, traços de personalidade e  sentimentos.&lt;b&gt; &lt;/b&gt;Em suma, esses componentes não explicam satisfatoriamente o comportamento justamente por &lt;i&gt;serem parte daquilo que precisa ser explicado&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Behaviorismo radical: uma alternativa ao internalismo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;António  R. Damásio, um dos maiores neurocientistas da atualidade, reconhece  patentemente o papel do ambiente na origem e na manutenção/adaptação de  espécies, de culturas e de comportamentos de indivíduos. Embora seja  mais internalista do que interacionista (o que é comum entre os  neurocientistas), Damásio (1996) asseverou que "os fenômenos mentais só  podem ser cabalmente compreendidos no contexto  de um organismo em  interação com o ambiente que o rodeia" (p. 17).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente do internalismo, as abordagens &lt;i&gt;interacionistas&lt;/i&gt;,  em especial o behaviorismo radical, objetivam explicar o comportamento à  luz das relações organismo-ambiente. O comportamento, tomado como um &lt;i&gt;processo&lt;/i&gt; -- em vez de como uma &lt;i&gt;coisa&lt;/i&gt; --, é ele próprio essa interação. Os sentimentos, as habilidades intelectuais e as condutas motoras, exemplos de &lt;i&gt;respostas&lt;/i&gt; de um organismo, devem ser analisados &lt;i&gt;contextualmente&lt;/i&gt;. Ao fazê-lo, tratamo-los como &lt;i&gt;comportamentos&lt;/i&gt;, de vez que são &lt;i&gt;respostas dependentes de eventos ambientais&lt;/i&gt;. O organismo vivo, qualquer que seja, não é indeterminado, isto é, não é livre conforme o sentido ingênuo do termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ieJSdL1YIDA/TbS5GERbcpI/AAAAAAAAAYA/FIzvzWURdtU/s1600/cerebro1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="199" src="http://3.bp.blogspot.com/-ieJSdL1YIDA/TbS5GERbcpI/AAAAAAAAAYA/FIzvzWURdtU/s200/cerebro1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;As habilidades intelectuais e os traços de personalidade constituem padrões de respostas que devem ser analisados tanto histórica como contextualmente.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;O  foco na interação organismo-ambiente tira dos processos internos o  papel originário e causativo do comportamento. Pode-se dizer que a &lt;i&gt;origem &lt;/i&gt;das  diferenças comportamentais de duas pessoas decorre da diferença de toda  uma constelação de eventos dos quais elas fizeram parte. Afora as  diferenças genéticas, somos diferentes &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt; nos desenvolvemos  em ambientes diferentes. Nossos padrões de respostas públicas (p. ex.,  ir à igreja, conversar e escrever) e privadas (p. ex., pensar, sentir e  desejar umas ou outras coisas) são modelados desde a tenra infância,  cabendo às circunstâncias atuais modificá-los, extingui-los ou  mantê-los. Tal como a origem das espécies não é adequadamente explicada  pelo desejo e poder de um Deus, a origem daquilo que sentimos, pensamos e  fazemos não é explicada pelo encéfalo e/ou por uma entidade denominada mente -- tanto  menos por um espírito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Basicamente, os comportamentos são originados de acordo com seus &lt;i&gt;efeitos&lt;/i&gt; sobre o mundo. Esses efeitos, também denominados &lt;i&gt;consequências&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;modificam&lt;/i&gt;  posterior e retroativamente a pessoa que os produziu. Mais especificamente, as consequências que se seguem a uma resposta  determinam a probabilidade de que essa resposta (rigorosamente, de uma  resposta &lt;i&gt;similar&lt;/i&gt;) seja posteriormente emitida em contextos similares. Se essa probabilidade aumentar, diz-se que a consequência foi/é &lt;i&gt;reforçadora&lt;/i&gt;; se diminuir, &lt;i&gt;punitiva&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como  os sentimentos e os pensamentos (que são comportamentos privados) normalmente  antecedem nossos comportamentos públicos (gritar ou conversar  assertivamente, p. ex.), tendemos erroneamente a lhes atribuir um papel  causal (Skinner, 1974/2006). Com isso, passamos a negligenciar os  eventos antecedentes que lhes controlam (que lhes determinam) e, ainda,  as consequências que lhes seguem. Mais uma vez, as consequências daquilo  que fazemos são, elas mesmas, o que &lt;i&gt;reforçam&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;enfraquecem&lt;/i&gt; um comportamento. Para usar um exemplo, não gritamos &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt; &lt;b&gt;sentimos&lt;/b&gt;   raiva; sentimos raiva &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;  gritamos porque, em ocasiões pregressas, essas respostas geraram    consequências reforçadoras (p. ex., intimidamos a pessoa com quem    discutíamos). Também podemos, em vez disso, sentir raiva &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; nos calar ou  mesmo sentir raiva &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; nos retirar do local -- tudo vai depender das consequências que se  seguiram a um ou a outro tipo de comportamento. Em suma, sentir raiva &lt;i&gt;e&lt;/i&gt;  gritar compõem uma unidade comportamental que foi previamente    selecionada e que é emitida em condições específicas; por se sucederem    temporalmente, temos a equívoca mas atraente impressão de que a  primeira   resposta (raiva) desse conjunto é causadora da segunda  (gritar).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O modelo de análise tradicional dos psicólogos comportamentalistas (ou melhor, dos analistas do comportamento) é o da &lt;b&gt;tríplice contingência&lt;/b&gt; (ou contingência de três termos). Esse modelo é constituído de um contexto ou &lt;i&gt;evento &lt;/i&gt;&lt;i&gt;antecedente&lt;/i&gt;, a(s) &lt;i&gt;resposta&lt;/i&gt;(s) de interesse e seu subsequente efeito ou &lt;i&gt;consequência&lt;/i&gt;. Vejamos como ficaria sistematizado o exemplo supracitado (agora mais enriquecido):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-2mU9FkfjXHY/Ta3MDGmJBvI/AAAAAAAAAX8/JzolhLDhxfA/s1600/analise+funcional-b.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="111" src="http://3.bp.blogspot.com/-2mU9FkfjXHY/Ta3MDGmJBvI/AAAAAAAAAX8/JzolhLDhxfA/s400/analise+funcional-b.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Exemplo de uma a&lt;i&gt;nálise funcional&lt;/i&gt;.  A resposta, como um todo, é imediatamente determinada por um evento  antecedente, o qual esteve e foi novamente emparelhado a consequências  reforçadoras subsequentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O contexto atual, que controla (determina) imediatamente as respostas de um organismo, o faz de uma ou de outra maneira &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt;,  no passado, aquele conjunto de respostas, emitido em circunstâncias  similares, produziu consequências reforçadoras. Com efeito, esse  conjunto de respostas continuará a ser emitido enquanto produzir  consequências desse tipo. Por outro lado, e retomando a ilustração,  se João passar a ouvir cuidadosamente as críticas de seus colegas e,  através delas, aprimorar suas ideias e conseguir uma promoção, suas respostas coléricas poderão ser extintas ao mesmo tempo em que um novo conjunto de respostas -- deveras mais adaptativo -- é instalado, &lt;i&gt;selecionado&lt;/i&gt;.  Esse novo conjunto de respostas, aliás, pode ser também reforçado por  elogios, reconhecimento e carinho por parte de seus colegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da  mesma forma como os sentimentos e as condutas públicas são  selecionados, também o são os pensamentos, as habilidades intelectuais e  as crenças. Não agimos &lt;i&gt;porque&lt;/i&gt;  acreditamos em uma ou em outra coisa; em vez disso, acreditamos/pensamos &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; sentimos &lt;i&gt;e&lt;/i&gt; fazemos umas ou outras coisas em contextos específicos. Explicando pela linguagem do modelo, pensamos em função do controle de  estímulos, sejam estes antecedentes ou, quando tratamos da origem e  manutenção de uma crença, consequentes. Em suma, componentes ou  construtos internos, geralmente hipotéticos (p. ex., memória, energia libidinal e estruturas de personalidade), devem ser &lt;i&gt;explicados&lt;/i&gt; para que possam ser satisfatoriamente compreendidos em uma sequência de eventos causais, ou melhor, &lt;i&gt;funcionais&lt;/i&gt;. Como ouvi dizer de um dizer de uma professora, parece que "as abordagens internalistas pegam o bonde andando".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Considerações finais&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A perspectiva behaviorista, que é &lt;i&gt;historicista&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;selecionista&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;contextualista&lt;/i&gt;,  oferece uma análise do comportamento bastante dessemelhante das  análises internalistas, mais tradicionais. Ao fazê-lo, restabelece a  função dos componentes internos, a saber, inserindo-os em uma história  evolutiva e em um ambiente com o qual interagem e se transformam.  Compreender o paradigma behaviorista requer uma reconstrução da forma  como tradicionalmente analisamos o comportamento, e fazê-lo pode ser tão  difícil quanto deve ter sido para os nossos antepassados compreender e  aceitar a evolução das espécies pela seleção natural -- se é que podemos dizer que o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Criacionismo"&gt; criacionismo&lt;/a&gt; desvaneceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Referências bibliográficas:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Damásio, A. R. (1996). &lt;i&gt;O Erro de Descartes: Emoção, Razão e Cérebro Humano&lt;/i&gt;. São Paulo: Companhia das Letras. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Skinner, B. F. (2006). &lt;i&gt;Sobre o Behaviorismo&lt;/i&gt;. São Paulo: Cultrix. (Originalmente publicado em 1974.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-1209460722464427493?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/1209460722464427493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/04/uma-alternativa-ao-internalismo.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1209460722464427493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1209460722464427493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/04/uma-alternativa-ao-internalismo.html' title='Uma alternativa ao internalismo'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-NYyW4hG1sK8/TZ-iwPAqagI/AAAAAAAAAX0/p6mS_HVNsg4/s72-c/496px-structural-icebergsvg.png' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-8790870285846779756</id><published>2011-04-06T10:06:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T07:45:06.571-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>Revisitando o Behaviorismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após trafegar durante alguns anos por abordagens mentalistas, entre as quais pela Psicanálise e, mais recentemente, pelo Cognitivismo, eis que me permito novamente explorar um terreno ímpar, epistemologicamente avesso a quase tudo o que há no campo da Psicologia: o Behaviorismo Radical.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Behaviorismo Radical (BR) é a &lt;i&gt;filosofia&lt;/i&gt; que fundamenta a Análise do Comportamento -- também conhecida como Psicologia Comportamental. Segundo B. F. Skinner (2006), seu principal arquiteto, o BR oferece uma forma muito peculiar de se estudar o comportamento humano. Diferentemente das abordagens mentalistas, a partir das quais o comportamento deve ser entendido como o resultado do dinamismo de componentes internos, mentais, Skinner prioriza uma análise &lt;i&gt;interacionista&lt;/i&gt;,  na qual o comportamento é tomado como um processo, como a &lt;i&gt;relação&lt;/i&gt;  organismo-ambiente. Disso decorre que pensamentos, crenças e sentimentos, p. ex., componentes que deveriam explicar o comportamento,  são eles mesmos comportamentos (ou melhor, &lt;i&gt;respostas&lt;/i&gt; à estimulação ambiental) e devem  antes ser analisados sob as perspectivas &lt;i&gt;histórica&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;selecionista&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;contextual&lt;/i&gt;. Com efeito, esses comportamentos desenvolvem-se mediante as e estão contidos nas relações organismo-ambiente, sendo portanto um equívoco tratá-los descontextualizadamente e/ou tomá-los como o ponto de partida de uma análise -- o pecado da maioria das demais aboragens. Para Skinner, análises mentalistas ou estruturalistas mais &lt;i&gt;descrevem&lt;/i&gt; do que &lt;i&gt;explicam&lt;/i&gt; o comportamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar dessa revolução epistemológica, que se iniciou desde a primeira metade do século passado, diz-se às vezes que o BR  é ultrapassado, superficial e que seus moldes não contemplam toda a  riqueza do que é essencialmente humano. Perante essas e outras críticas,  Skinner não poupou força e elegância ao escrever "Sobre o Behaviorismo" (1974), um excelente trabalho em resposta à ignorância e/ou a mal-entendidos a respeito do BR. Eis alguns equívocos que Skinner lista e &lt;i&gt;desmistifica&lt;/i&gt; nesse livro:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;O BR ignora a consciência, os sentimentos e os estados mentais;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Negligencia os dons inatos e argumenta que todo comportamento é adquirido durante a vida do indivíduo;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Apresenta o comportamento simplesmente como um conjunto de respostas a estímulos, descrevendo a pessoa com um autômato, um robô, um fantoche ou uma máquina;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Não tenta explicar os processos cognitivos;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Não considera as intenções ou os propósitos;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Não consegue explicar as realizações criativas -- na Arte, na Música, na Literatura, na Matemática ou na Ciência;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;É necessariamente superficial e não consegue lidar com as profundezas da mente ou da personalidade;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Trabalha com animais, mas não com pessoas;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Seus resultados, obtidos nas condições controladas de um laboratório, não podem ser reproduzidos na vida diária;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Cultua os métodos da ciência mas não é científico;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Desumaniza o homem; é redutor e destrói o homem enquanto homem;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Só se interessa pelos princípios gerais e por isso negligencia a unicidade do individual.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece, conforme especulou Skinner (2006), que parte da dificuldade de se entender o BR advém da dificuldade de se entender a própria ciência; outra parte, do enraizamento de concepções e explicações mentalistas que nos acompanham desde a grécia  antiga; e uma outra parte, da falta de esforço dos próprios analistas  do comportamento no sentido de clarificar sua linguagem e de mostrar  seus resultados aos públicos acadêmico e leigo. Com efeito, solucionar esses impasses se faz uma tarefa imprescindível para que o BR e a Análise do Comportamento sejam revitalizados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: 0px; margin-right: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Lh7j212RFGY/TZyYmxwD7vI/AAAAAAAAAXs/jD-LJ0PIO5U/s1600/skinner-80s-smiling%255B1%255D.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-Lh7j212RFGY/TZyYmxwD7vI/AAAAAAAAAXs/jD-LJ0PIO5U/s200/skinner-80s-smiling%255B1%255D.jpg" width="137" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Os maiores problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser  resolvidos se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano  (Skinner, 1974).&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Referência Bibliográfica:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Skinner, B. F. (2006). Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-8790870285846779756?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/8790870285846779756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/04/revisitando-o-behaviorismo.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/8790870285846779756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/8790870285846779756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/04/revisitando-o-behaviorismo.html' title='Revisitando o Behaviorismo'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Lh7j212RFGY/TZyYmxwD7vI/AAAAAAAAAXs/jD-LJ0PIO5U/s72-c/skinner-80s-smiling%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-5788122352082696172</id><published>2011-01-31T12:05:00.000-08:00</published><updated>2011-06-01T07:43:50.266-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Processos Psicológicos Básicos'/><title type='text'>Velocidade de processamento de informação, memória de curto-prazo e inteligência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="float: left; padding: 5px;"&gt;&lt;a href="http://www.researchblogging.org/"&gt;&lt;img alt="ResearchBlogging.org" src="http://www.researchblogging.org/public/citation_icons/rb2_large_gray.png" style="border: 0pt none;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;Embora digam que a pressa é inimiga  da perfeição, há contextos em que a velocidade anda junto com a  eficiência. Esse parece ser o caso dos processos cognitivos -- ao menos  em se tratando dos mais simples, elementares. Juntamente com a memória  de curto-prazo, a velocidade de processamento de informação parece  explicar boa parte da variância da capacidade cognitiva geral, a inteligência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Memória&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conforme consta na &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mem%C3%B3ria#Tipos_de_mem.C3.B3ria"&gt;Wikipédia&lt;/a&gt;,  memória é a capacidade de adquirir (aquisição), armazenar  (consolidação) e recuperar (evocar) informações. Existe uma porção de  modalidades de memória. As mais clássicas são os  pares 1) memória de  curto-prazo e memória de longo-prazo e 2) memória  declarativa e memória  não-declarativa. A memória de curto-prazo, mais importante na ocasião  deste texto, refere-se basicamente à capacidade de armazenamento &lt;i&gt;provisório&lt;/i&gt;  de informações. Essas informações, diretamente adquiridas do meio  circundante (como estas palavras) ou recuperadas (evocadas) da memória  de longo-prazo (como o &lt;i&gt;significado&lt;/i&gt; destas palavras), permanecem temporariamente (segundos ou minutos) disponíveis no &lt;i&gt;background &lt;/i&gt;cognitivo  (digamos, na camada pré-consciente da mente), podendo ser imediatamente  acessadas. O título deste  texto, por exemplo, é um conjunto de informações que pode ser  efetivamente resgatado desse depósito(1).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos, durante a vigília, ininterruptamente servidos pela memória de curto-prazo. O que comemos no café da manhã, a última conversa que tivemos, o que fizemos antes de começar esta leitura e a ideia geral do último parágrafo são informações que permanecem &lt;i&gt;temporariamente&lt;/i&gt;, por um curto prazo,&lt;i&gt; &lt;/i&gt;disponíveis para acesso, para ser evocadas, recordadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diferentemente  da memória de longo-prazo, a memória de curto-prazo é limitada em  termos de sua capacidade de armazenamento. Por exemplo, certamente somos  incapazes de armazenar e evocar imediatamente &lt;i&gt;todas&lt;/i&gt; as palavras  deste parágrafo. Devemos, talvez, recordar de apenas 6 ou 8 palavras --  as quais devem ficar disponíveis para acesso não mais do que  por alguns segundos ou minutos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Velocidade de processamento de informação, memória de curto-prazo &lt;/b&gt;&lt;b&gt;e inteligência&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A  velocidade de processamento de informação (ou a velocidade em que a &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/10/breve-defesa-ao-mentalismo.html"&gt;mente&lt;/a&gt; funciona) é uma variável geralmente  mensurada por tarefas cognitivas elementares (ECT, do inglês &lt;i&gt;elementary cognitive tasks&lt;/i&gt;). O desempenho nessas tarefas, que é baseado no &lt;i&gt;tempo&lt;/i&gt; despendido para emitir uma resposta específica, tende a estar altamente co-relacionado à capacidade cognitiva geral, a &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/medidas-da-inteligencia.html"&gt;inteligência&lt;/a&gt; (Deary et al., 2010).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: 0px; margin-right: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TUXSl4qj0iI/AAAAAAAAAXQ/e87rhvykaQ4/s1600/reaction+time.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="224" src="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TUXSl4qj0iI/AAAAAAAAAXQ/e87rhvykaQ4/s320/reaction+time.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Nesta ECT, o  avaliando é orientado a pressionar, tão rapidamente puder, o botão  correspondente ao estímulo numérico apresentado no visor ("Se aparecer o  dígito 2, pressione o botão 2.").&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto  mais complexa for a ECT, tanto maior será a co-relação entre o tempo de  reação medido e a inteligência (em termos de QI). O desempenho na ECT  ilustrada acima, que requer que o avaliando escolha uma entre quatro  alternativas de resposta (1, 2, 3 ou 4), co-relaciona-se mais altamente  com a inteligência do que uma ECT simples (Der &amp;amp; Deary, 2006),  que não envolve escolha (p. ex., "Pressione 0 sempre que &lt;i&gt;qualquer&lt;/i&gt; estímulo aparecer no visor.").&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tarefas  mais complexas demandam mais recursos cognitivos, sendo portanto mais  adequadas para se estimar a inteligência (Flynn, 2009). Um desses  recursos, a memória de curto-prazo, vem já há algum tempo ganhando a  atenção dos cientistas cognitivistas. Em resumo, o desempenho em testes de  inteligência depende em grande medida do &lt;i&gt;quanto&lt;/i&gt; e de &lt;i&gt;por quanto&lt;/i&gt; &lt;i&gt;tempo&lt;/i&gt;  podemos armazenar temporariamente as informações relevantes para a  resolução da tarefa. Enquanto fazemos uma divisão de um numerador de três  dígitos, por exemplo, precisamos alternar a nossa atenção entre este e o seu denominador (digamos, 612/18), as regras e os  atalhos matemáticos necessários para efetuar a operação (evocá-los e  executá-los) e os sub-resultados sequencialmente obtidos -- os quais são usualmente submetidos aos mesmos processos descritos  anteriormente. Por recrutar muitas informações e constituir-se de muitos  passos sequenciais, essa tarefa ameaça as capacidades de armazenamento  (por sobrecarregá-la) e de manutenção de informação da memória de  curto-prazo. Com efeito, a probabilidade de perda ou de confusão de  informação é aumentada, e o desempenho na tarefa pode ser parcial ou  totalmente comprometido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por  outro lado, há uma relação inversamente proporcional entre a taxa de  perda de informações e a velocidade com que estas são processadas.  Vistas as limitações de espaço e de manutenção da memória de  curto-prazo, um processamento mais rápido resultaria em menos perda de informações, e o desempenho em tarefas cognitivas seria  significativamente melhor (Flores-Mendoza &amp;amp; Colom, 2006).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TUbFED_S0OI/AAAAAAAAAXU/ofPw6hjGIIY/s1600/500x_IMG_0734.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TUbFED_S0OI/AAAAAAAAAXU/ofPw6hjGIIY/s200/500x_IMG_0734.jpg" width="132" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejamos, para ilustrar o esquema, a seguinte analogia. A permeabilidade do filtro de café restringe a  taxa de passagem/drenagem de água quente. Se a despejarmos  tão rapidamente que saturasse a capacidade de drenagem, algum líquido  seria entornado, desperdiçado. Entretanto, um filtro de café cuja  permeabilidade é maior conseguiria evitar que parte da informação seja perdida,  digo, que parte da água entorne. Dessa forma, o aumento da velocidade  de drenagem permitiria mais eficiência (isto é, menos perda de água quente) na passagem do café. Traduzindo a analogia, a velocidade de  processamento de informação pode compensar a limitação de  sustentabilidade e de espaço da memória de curto-prazo -- e isso significa mais eficiência na resolução de problemas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Da etiologia da velocidade de processamento de informação&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora  possamos tomar a velocidade de processamento de informação como uma  variável que explica parte do desempenho cognitivo geral, resta-nos  ainda detectar as variáveis que a explicam (ou seja, desvendar a  natureza do filtro de café cognitivo). No nível psicológico, sabe-se que  a familiaridade com a tarefa é um fator facilitador. Por exemplo,  adultos geralmente efetuam operações matemáticas mais rapidamente do que  crianças, para as quais o mundo dos números ainda é uma novidade -- uma  novidade ansiogênica, às vezes. A propósito, a disposição emocional e a  atenção/concentração devem também ser variáveis elencadas. Contudo, e  como estamos tratando de um aspecto cognitivo simples, elementar, o foco  e o nível das pesquisas recentes têm sido neurobiológico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A  velocidade de processamento informacional, que deve refletir a  eficiência do processamento neural (condução de potenciais de ação),  parece ser explicada pela integridade da matéria branca encefálica, isto  é, pela integridade dos prolongamentos axonais que conduzem o potencial de ação (Penke et al., 2010). Essa hipótese é  sustentada por uma constelação de achados. Por exemplo, sabe-se que o  tempo de reação e a inteligência declinam com a idade, sobretudo após os  sessenta anos (Deary et al., 2010). Em idosos cuja cognição está  levemente comprometida, os padrões de ativação sincrônica de áreas  corticais anteriores e posteriores é significativamente distinto daquele  verificado em jovens sadios (Waiter, 2008). Essas alterações são decorrentes não de perda neuronal, mas provavelmente da defasagem de mielina que  reveste os prolongamentos axonais (Andrews-Hanna et al., 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TUb4-GVJHhI/AAAAAAAAAXY/lF6si28bxMk/s1600/myelin+sheath.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="252" src="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TUb4-GVJHhI/AAAAAAAAAXY/lF6si28bxMk/s400/myelin+sheath.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;A bainha de mielina (&lt;i&gt;myelin sheath&lt;/i&gt;), que reveste o axônio (&lt;i&gt;axon&lt;/i&gt;), facilita -- torna mais rápida -- a propagação do impulso nervoso (a unidade informacional neurofisiológica).&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em  provisória conclusão, a velocidade de processamento de informação, altamente  co-relacionada à inteligência e comumente medida através de tarefas cognitivas elementares, parece ser explicada pela integridade da  matéria branca encefálica. Mais do que isso, algumas de suas medidas (como os &lt;i&gt;tempos de inspeção&lt;/i&gt; e&lt;i&gt; de reação com escolha&lt;/i&gt;) figuram como marcadores atraentes do envelhecimento cognitivo, podendo  anunciar precocemente a instalação de quadros demenciais e, mais  surpreendentemente, ser um dos melhores preditores de mortalidade aos setenta  anos de idade (Deary &amp;amp; Der, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Referências Bibliográficas:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andrews-Hanna, J. R. et al. (2007). Disruption of large-scale brain  systems in advanced aging. Neuron 56, 924–935. In: Bishop, N. A., Lu,  T., &amp;amp; Yankner, B. A. (2010). Neural mechanisms of ageing and  cognitive decline. &lt;i&gt;Nature&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;464&lt;/i&gt;(7288), 529-35. doi: 10.1038/nature08983.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colom, R., Flores-Mendoza (2006). Armazenamento de curto prazo e  velocidade de processamento explicam relação entre memória de trabalho e  o fator &lt;i&gt;g&lt;/i&gt; de inteligência. &lt;i&gt;Psicologia: teoria e pesquisa&lt;/i&gt;, 222, 113-122.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Der, G., &amp;amp; Deary I. J. (2006). Age and sex  differences in reaction time in adulthood: results from the United  Kingdom Health and Lifestyle Survey. Psychology and aging.  21(1):62-73. Available at:  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16594792.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deary, I. J., Bastin, M.E., Pattie, A., Clayden, J.D., Whalley, L.J.,  Starr, J.M., Wardlaw, J.M. (2006a). White matter integrity and cognition  in childhood and old age. Neurology 66, 505-512.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deary, I. J., Der, G. (2005). Reaction time explains IQ’s association  with death. Psychological science : a journal of the American  Psychological Society / APS, 16(1), 64-9. doi:  10.1111/j.0956-7976.2005.00781.x&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deary, I. J., Der, G., Ford, G. (2001). Reaction times and intelligence differences: a population-based cohort study. &lt;i&gt;Intelligence, 29, 389 - 399.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;amp;rft.jtitle=Psychology+and+aging&amp;amp;rft_id=info%3Apmid%2F20230141&amp;amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;amp;rft.atitle=Are+processing+speed+tasks+biomarkers+of+cognitive+aging%3F&amp;amp;rft.issn=0882-7974&amp;amp;rft.date=2010&amp;amp;rft.volume=25&amp;amp;rft.issue=1&amp;amp;rft.spage=219&amp;amp;rft.epage=28&amp;amp;rft.artnum=&amp;amp;rft.au=Deary+IJ&amp;amp;rft.au=Johnson+W&amp;amp;rft.au=Starr+JM&amp;amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology"&gt;&lt;br /&gt;Deary I. J., Johnson W., &amp;amp; Starr, J. M. (2010). Are processing speed tasks biomarkers of cognitive aging? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Psychology and aging, 25&lt;/span&gt; (1), 219-28 PMID: &lt;a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20230141" rev="review"&gt;20230141&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flynn, J. R. (2009). O que é inteligência? Porto Alegre: Artmed.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gregory,  T., Nettelbeck, T., Howard, S., &amp;amp; Wilson, C. (2008). Inspection  Time: A biomarker for cognitive decline. Intelligence, 36(6), 664-671.  Elsevier Inc. doi: 10.1016/j.intell.2008.03.005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penke,  L., Maniega, S. M., Murray, C., Gow, A. J., Hernández, M. C. V.,  Clayden, J. D., et al. (2010). A general factor of brain white matter  integrity predicts information processing speed in healthy older people.  The Journal of neuroscience : the official journal of the Society for  Neuroscience, 30(22), 7569-74. doi: 10.1523/JNEUROSCI.1553-10.2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Waiter,  G. D., Fox, H. C., Murray, A. D., Starr, J. M., Staff, R. T., Bourne,  V. J., et al. (2008). Is retaining the youthful functional anatomy  underlying speed of information processing a signature of successful  cognitive ageing? An event-related fMRI study of inspection time  performance. &lt;i&gt;NeuroImage&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;41&lt;/i&gt;(2), 581-95. doi: 10.1016/j.neuroimage.2008.02.045.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Nota:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(1)  Termos como "adquirir", "estocar" e "recuperar" são utilizados  didaticamente. Não há, na verdade, um local no encéfalo -- ou na mente --  no qual são depositadas informações; há, sim, mecanismos &lt;i&gt;específicos&lt;/i&gt;, paralelos e  sequenciais de processamento cognitivo/neural cujo trabalho influencia e é influenciado por mecanismos de níveis mais e/ou  menos amplos, gerais. Por outro lado, o uso desses "andaimes intelectuais" -- como diriam os meus amigos behavioristas --, provavelmente por refletirem certos padrões de funcionamento do encéfalo, mostra-se cientificamente satisfatório e didaticamente atraente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-5788122352082696172?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/5788122352082696172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/01/velocidade-de-processamento-de.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5788122352082696172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5788122352082696172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2011/01/velocidade-de-processamento-de.html' title='Velocidade de processamento de informação, memória de curto-prazo e inteligência'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TUXSl4qj0iI/AAAAAAAAAXQ/e87rhvykaQ4/s72-c/reaction+time.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-8520827242116321870</id><published>2010-12-25T16:47:00.000-08:00</published><updated>2011-06-01T07:48:19.079-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia e Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Natal, ceticismo e religiosidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de ontem (23 de dezembro), no  tardar de uma confraternização, convocaram-me para participar de uma  discussão informal sobre ceticismo e religiosidade. Uma das debatedoras,  que defendia a hipótese da existência de Deus, acusava-nos -- os ateus --,  em razão de "negarmos a existência de coisas simplesmente por não  podermos senti-las", de &lt;i&gt;prepotentes&lt;/i&gt;. Asseverou, ainda, que usamos  apenas cerca de 10% do nosso cérebro, e que por isso seríamos  ignorantes em relação a uma infinidade de eventos e entidades do mundo  -- inclusive a respeito de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para  o bem da relação e da ocasião, dediquei-me à assertividade e, na medida  do possível, à condescendência. Apesar disso, não evitei de asseverar  que, em geral, parece haver mais prepotência embebida em posturas  religiosas do que em posturas céticas. Pelas lentes do cristianismo, por  exemplo, nós, seres humanos, fomos criados &lt;i&gt;à semelhança&lt;/i&gt; de Deus, O criador de todo o universo. Para muitos, somos &lt;i&gt;o propósito&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;o&lt;/i&gt; &lt;i&gt;centro &lt;/i&gt;de  todas as coisas, bem como a única espécie dotada de alma e,  portanto, digna de uma vida espiritual infindável. Ao lado disso, qualquer prepotente desconfiança dos ateus diante da possibilidade da  existência de Deus acaba ficando minguada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A respeito da suposta capacidade intelectual humana inutilizada, devo tecer três considerações. Primeiramente, &lt;i&gt;todo&lt;/i&gt; o nosso encéfalo está &lt;i&gt;em constante&lt;/i&gt;  atividade; não há folga sequer enquanto dormimos. Em contrapartida,  não é equivocada a ideia de que podemos aprimorar as nossas aptidões  intelectuais. O &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/efeito-flynn-multiplicacao-social-da.html"&gt;efeito Flynn&lt;/a&gt;,  conforme discuti outrora, é uma evidência disso. O aumento da  inteligência (isto é, o aumento da capacidade de aprendizagem, de&amp;nbsp; raciocínio e, com efeito, de resolução de problemas), por outro lado, não implica em &lt;i&gt;mais &lt;/i&gt;atividade neural. Podemos, no máximo, dizer de potenciais e estilos de raciocínio &lt;i&gt;diferenciados&lt;/i&gt;. Em suma, a suposição de que usamos apenas 10% do nosso encéfalo é um mito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Devo, contudo, concordar que realmente somos limitados acerca daquilo que  podemos compreender do universo. Como asseverou McGinn (citado por  Abrantes, 1994),&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;não  deveria nos surpreender a descoberta de que nem todo aspecto do mundo  natural seja acessível aos nossos poderes de compreensão. Nós não  esperamos que outras espécies, que resultaram da evolução, sejam  oniscientes; portanto, por que assumir que a nossa inteligência tenha  evoluído com a capacidade de resolver qualquer problema que possa ser  colocado a respeito do universo, do qual somos uma parte tão pequena e  contingente? (McGinn, 1999)&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Apesar  disso, aceitar os nossos limites cognoscíveis não implica em aceitar a  existência de Deus. Embora não possamos ver as alterações de pressão das  moléculas dispostas no ar, temos evidências da existência desse tipo de evento (inclusive uma evidência experiencial,  qual seja, o som). Quando tratamos de eventos e entidades divinas,  transcendentais, não há sequer uma evidência ou mesmo uma pista  verdadeiramente atraente que nos -- os céticos -- faça tratá-los com  seriedade. Pelo contrário, e como listarei a seguir, há uma pilha de dados e inferências razoáveis que colocam contundentemente em questão a  existência de uma ente onipotente, fonte de todas as coisas, em  torno da qual o universo gravita e, pelo viés do cristianismo, da qual  somos filhos e pela qual seremos julgados futuramente. Ei-los:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;O universo existe há cerca de 15 bilhões de anos, iniciou-se com o &lt;i&gt;Big Bang&lt;/i&gt;, é constituído por trilhões de galáxias e é possível que haja  vida inteligente em algumas delas;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Todas&lt;/i&gt; as espécies evoluíram pela seleção natural -- e provavelmente a partir de ancestrais &lt;i&gt;comuns&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;todos&lt;/i&gt; os demais animais, incluindo os extraterrestres, merecem uma vida espiritual perene?);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O grau de complexidade dos mamíferos (em termos  de estrutura, cognição e comportamento) deve, em parte, à extinção dos dinossauros (o que foi, conforme sugerem as melhores hipóteses, &lt;i&gt;um  golpe do&lt;/i&gt; &lt;i&gt;acaso&lt;/i&gt;);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Aqui, neste pálido ponto azul, inúmeras sociedades cultuaram e ainda  cultuam inúmeros deuses, muitos dos quais não podem (pela lógica, não)  co-existir (afinal, qual desses deuses seria O Deus, Aquele que tudo  criou e a Quem deveríamos direcionar as nossas preces?);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;As ideologias, inclusive as de caráter religioso, são produtos de intricadas relações sociais, cumprem determinadas funções e precisam ser suficientemente flexíveis para que possam se adaptar às mutantes demandas culturais e individuais (mas podem também persistir por contarem com seguidores cuja &lt;i&gt;interpretação&lt;/i&gt; de suas [da ideologia] premissas é flexível);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;A consciência experiencial (o sentido do "eu", o &lt;i&gt;self&lt;/i&gt;) é um fenômeno configurado pela atividade do encéfalo, tendo como substrato basal os estados &lt;i&gt;do corpo &lt;/i&gt;(o qual, como um todo, torna-se disfuncional com a incidência da morte);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O método científico é a forma mais efetiva de obtermos conhecimento a  respeito de como o mundo funciona. Às religiões, diante dos dados  oriundos da ciência, vêm restando &lt;i&gt;cada vez&lt;/i&gt; &lt;i&gt;menos&lt;/i&gt; eventos e entidades para -- insatisfatoriamente -- explicar.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Do Natal&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante  das considerações supracitadas, deve ter ficado claro o meu ceticismo  em relação aos dois grandes ícones do natal: o Papai Noel e o menino  Jesus. Primeiramente, temos &lt;i&gt;evidências&lt;/i&gt; de que o Novo Testamento foi incontavelmente alterado&lt;i&gt; &lt;/i&gt;desde a sua primeira publicação. O livro "O que Jesus disse? O que Jesus não disse?" (ed. Prestígio, 2006), de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bart_D._Ehrman"&gt;Bart D. Ehrman&lt;/a&gt;,  expõe algumas dessas alterações e suas respectivas justificativas. Não  poderíamos, portanto, crer na veracidade histórica dos acontecimentos  nele relatados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, parece estar claro que &lt;i&gt;a essência da vida de Jesus Cristo já havia sido contada séculos antes do seu nascimento&lt;/i&gt;.  Alvin B. Kuhn, em seu livro "Um renascimento para o cristianismo" (ed.  Nova Era, 2006), assevera que boa parte dos acontecimentos, rituais,  profecias e símbolos cristãos foram patentemente inspirados na mitologia  egípcia (que, a propósito, era substancialmente embasada em leituras  astrais), bem como os Dez Mandamentos contidos no Velho Testamento.  Conforme dizem por aí, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=LbiO_fBeg3I"&gt;a pessoa e as façanhas de Jesus de Nazaré não passariam de plágio&lt;/a&gt; (inclusive a data do seu nascimento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em  suma, provavelmente nunca houve uma comunicação direta entre Deus e a  sua criação -- e provavelmente, aliás, Deus é uma entidade de natureza imaginária. Todo o bolo de crenças que compõe as religiões é inspirado  em mitos de religiões adjacentes e/ou decadentes, em interpretações  equivocadas de eventos, em delírios, em jogadas políticas e, é claro, &lt;i&gt;em&lt;/i&gt; &lt;i&gt;intuições de pessoas comuns&lt;/i&gt;.  A inteligência humana parece trazer o preço da dúvida e da angústia perante a finitude e o  desconhecido. Tentamos, com efeito, saná-las com os recursos intelectuais e tecnológicos de que dispomos. No meu entendimento, já estamos no momento de rever o que  nos leva a celebrar o nascimento de um&amp;nbsp; semideus supostamente capaz  de salvar as nossas supostas almas -- supostamente pecaminosas -- e que  cuja história de vida e existência são dúbias. Dentro daquilo que  percebo, o natal, apesar de ser uma data agradável -- sobretudo em razão  dos presentes e da companhia dos parentes e amigos --, não passa de um  mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TRaO-Ey_0EI/AAAAAAAAAXI/LKuNdAo4W1Y/s1600/mito-natal.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="117" src="http://4.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TRaO-Ey_0EI/AAAAAAAAAXI/LKuNdAo4W1Y/s400/mito-natal.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Referência bibliográfica:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrantes, P. (2004). Naturalismo em filosofia da mente. In: Ferreira, A., Gonzales, M. E. Q. &amp;amp; Coelho, J. G. &lt;i&gt;Encontro com as Ciências Cognitivas. &lt;/i&gt;São Paulo: Cultura Acadêmica.&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-8520827242116321870?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/8520827242116321870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/12/natal-ceticismo-e-religiosidade.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/8520827242116321870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/8520827242116321870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/12/natal-ceticismo-e-religiosidade.html' title='Natal, ceticismo e religiosidade'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TRaO-Ey_0EI/AAAAAAAAAXI/LKuNdAo4W1Y/s72-c/mito-natal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-118825472808916723</id><published>2010-12-01T08:18:00.000-08:00</published><updated>2011-06-01T07:49:07.323-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Qual é o propósito da vida?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Richard Dawkins, etólogo e popularizador da ciência, acredita que já  podemos abordar -- científica e -- adequadamente essa indagação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Parte 1&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/r-kUjyUVtCs?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/r-kUjyUVtCs?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Parte 2&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NfNOL0h-0ng?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NfNOL0h-0ng?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Parte 3&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; &amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fgKxI5jS8f8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fgKxI5jS8f8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-118825472808916723?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/118825472808916723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/12/ha-um-proposito-na-vida.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/118825472808916723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/118825472808916723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/12/ha-um-proposito-na-vida.html' title='Qual é o propósito da vida?'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-5567521107946195586</id><published>2010-11-18T11:48:00.000-08:00</published><updated>2011-09-05T19:41:11.964-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Processos Psicológicos Básicos'/><title type='text'>Entre os genes e o ambiente: a multiplicação individual da inteligência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma vez discutida a hipótese dos &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/efeito-flynn-multiplicacao-social-da.html"&gt;multiplicadores sociais&lt;/a&gt;  -- pelos quais se faz possível aumentar a inteligência média de uma  população em um curto espaço de tempo --, resta esboçar uma explicação  de como os genes e o ambiente, em conjunto, modulam o desenvolvimento  individual e diferencial da &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/medidas-da-inteligencia.html"&gt;inteligência&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Influência genética: pontos teóricos e empíricos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOUsMjdbdAI/AAAAAAAAAVw/hDcgouZ4NVs/s1600/gemeos1.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOUsMjdbdAI/AAAAAAAAAVw/hDcgouZ4NVs/s200/gemeos1.jpg" width="173" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ninguém  duvida de que tanto os genes como o ambiente controlam o  desenvolvimento da inteligência. A dificuldade, que vem sendo superada,  está em estimar quanto e como cada um deles o faz. A genética  comportamental, pela qual comparamos membros de uma família em termos de  seus perfis genético e cognitivo, apresenta-se como uma tentativa de  solucionar esse problema. A ideia básica é a de que gêmeos idênticos,  que compartilham 100% de seus genes, devem ser mais cognitivamente  semelhantes do que, por exemplo, gêmeos fraternos, que compartilham mais  ou menos 50% de seus genes. Podemos, a fim de estimar o peso&amp;nbsp; da  influência ambiental, comparar gêmeos que cresceram em lares distintos  com gêmeos que cresceram no mesmo seio familiar, bem como comparar  irmãos biológicos e adotivos entre si e com seus respectivos pais adotivos e  biológicos. Petrill (2006), com respeito a esses "estudos de  parentesco", comenta que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;a  herdabilidade da inteligência é uma das conclusões mais consistentes   da literatura de Psicologia, [sendo] replicada em delineamentos de   pesquisa que envolveram gêmeos e adoção, diferentes países e idades   distintas. Em todos os estudos, a herdabilidade da inteligência  geral  está em torno de 0,50, o que significa que, em termos gerais, as   diferenças genéticas são responsáveis por cerca de 50% das diferenças   observadas na inteligência (p. 144).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece  um cenário justo: genes e ambiente controlando, razoavelmente na mesma  medida, o desenvolvimento diferencial da inteligência. Apesar dessa  estimativa, a divisão desse controle parece não ser estável ao longo da  vida. Petrill (2006) comenta que, em geral, a herdabilidade da  inteligência aumenta de cerca  de 20% na infância para 60% na idade  adulta, chegando a até 80% na  velhice. Curiosamente, esse tipo de  correlação diretamente proporcional entre &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fen%C3%B3tipo"&gt;fenótipo&lt;/a&gt;  e idade também é detectado em estudos de personalidade, pelos quais  constatamos que gêmeos idênticos se tornam mais parecidos na medida em  que envelhecem (ao passo que irmãos adotivos, p. ex., não).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A  via paralela dessa constatação diz respeito ao papel do ambiente sobre o  desenvolvimento diferencial da inteligência. Conforme asseverou Jensen  (1998), citado por Flynn (2006), embora o ambiente possa ter alguma  força em  etapas  iniciais da vida, as diferenças de QI entre adultos  são  determinadas  majoritariamente por diferenças genéticas. A título  de exemplo, gêmeos idênticos que cresceram juntos são, quando adultos,  tão similares em termos de inteligência quanto gêmeos idênticos que  cresceram em lares distintos. O mesmo, em contrapartida, não acontece  durante a infância, quando o ambiente compartilhado faz com que os  primeiros sejam mais parecidos em comparação aos segundos. Quando  adultos, suas reduzidas e principais diferenças parecem ser explicadas  pela influência de ambientes &lt;i&gt;não&lt;/i&gt;-compartilhados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses  dados, que podem ser vistos como contra-intuitivos, podem também ser  mal-interpretados. O poder dos genes sobre a inteligência, que aumenta  na medida em que crescemos, &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; atua independentemente do  ambiente. Se fosse assim, e como pontuou Flynn (2009), estaríamos diante  de um paradoxo: "Como  as evidências sólidas podem demonstrar que o  ambiente é frágil  (estudos  de parentesco) e potente (ganhos de QI [ao  longo das gerações, o efeito Flynn]) ao mesmo tempo?" Para mostrar como  os genes podem explicar mais as &lt;i&gt;diferenças&lt;/i&gt; de inteligência do que  o ambiente e, apesar disso, dele depender, recorramos a uma analogia  desenhada por Lewontin  (1976a), um geneticista de Harvard.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagine que temos um saco de sementes de milho  cuja  genética é &lt;i&gt;diversificada&lt;/i&gt;.   Temos, também, dois terrenos  distintos nos quais plantá-las. O   primeiro, que chamaremos de "terreno  bom", possui condições uniformes  e   ideais para o plantio; e o segundo,  que chamaremos de "terreno ruim",    é uniformemente carente de nitratos.  Quando crescidos, as &lt;i&gt;diferenças&lt;/i&gt;  de tamanho entre os organismos  cultivados &lt;i&gt;em um mesmo ambiente&lt;/i&gt;, digamos, no terreno bom, seriam &lt;i&gt;exclusivamente &lt;/i&gt;genéticas.    Obviamente, essa mesma variável (diferença genética) explicaria    hegemonicamente as diferenças de tamanho dos organismos cultivados no    terreno ruim.  Por outro lado, a média de altura dos pés de milho de    cada terreno seria diferente. Os organismos que se desenvolveram sob    melhores condições (isto é, no terreno bom) seriam, em média, mais altos.    Nesse último caso, a diferença da média de tamanho das duas populações  seria explicada pelas diferenças ambientais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiramente, devemos sublinhar que estamos tratando de diferenças, sejam elas&lt;i&gt; &lt;/i&gt;individuais ou grupais. Quando tentamos responder por que dois ou mais organismos cultivados &lt;i&gt;em um mesmo terreno&lt;/i&gt;, que é &lt;i&gt;homogêneo&lt;/i&gt;,  são diferentes no que se refere à altura, a explicação deve ser de  ordem genética. Quando, por outro lado, estamos tratando de diferenças  populacionais, o ambiente aparece como a variável diferencial (caso as  populações sejam idênticas em variabilidade genética).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A analogia de Lewontin, embora seja simples e esclarecedora, não explica  adequadamente o &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/efeito-flynn-multiplicacao-social-da.html"&gt;efeito Flynn&lt;/a&gt;  e as diferenças individuais de  inteligência. Neste último nível, devemos tentar descrever como os genes controlam o desenvolvimento  diferencial da inteligência em um ambiente que, diferentemente dos  terrenos hipotéticos nos quais semeamos o milho, é indizivelmente  heterogêneo e dinâmico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hipótese dos multiplicadores individuais&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Similarmente ao efeito Flynn, no qual as  contingências sociais alavancam a média da inteligência de uma  população, parece haver um circuito de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Retroalimenta%C3%A7%C3%A3o"&gt;retroalimentação&lt;/a&gt;  no nível individual: ambientes que potencializam, multiplicam o  desempenho cognitivo. O efeito dessa multiplicação, da qual tratarei mais adiante, é dependente de ações diretas e indiretas dos genes. Em poucas palavras, parece que os genes, através de seus fenótipos, explicam em larga medida por que duas pessoas, quando expostas aos mesmos estímulos, processam-nos e aproveitam-nos de formas dessemelhantes. Tomemos uma ilustração de Flynn (2009):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;Uma   criança nasce com um cérebro levemente maior do que outra. Qual  delas   tenderá a gostar da escola, ser estimulada, começar a frequentar a    biblioteca, entrar em turmas com desempenho superior [e] frequentar a    universidade? E se essa criança tiver um irmão gêmeo idêntico [separado    na infância] que tem mais ou menos a mesma história acadêmica, o que  responderá por   seus QIs semelhantes quando adultas? Não apenas os  genes idênticos [mas também] a   capacidade desses genes idênticos de atrair  ambientes de qualidade   semelhante será a peça que falta no  quebra-cabeça (p. 391).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOUummC8_7I/AAAAAAAAAV4/9CM5EbbKwPo/s1600/brain-music-HE02-vertical.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOUummC8_7I/AAAAAAAAAV4/9CM5EbbKwPo/s200/brain-music-HE02-vertical.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Deixemos  de lado a hipótese de que o tamanho do encéfalo explica, em parte, as  diferenças de inteligência. Em vez disso, discutamos a hipótese de que  os genes, pela mediação fenotípica, influenciam os destinos intelectual  e -- muito provavelmente -- profissional das pessoas. Façamos uso de uma outra analogia -- uma analogia baseada  em fatos reais. Em um grupo de garotos mais ou menos da mesma idade,  alguns possuem mais destreza, percepção de ritmo e som (discriminação de  tons) e melhor coordenação motora. Digamos, para dar forma à analogia,  que essas aptidões sejam essencialmente modeladas pelos genes. Com o  tempo, embora a maioria deles se envolva com o cenário musical -- p. ex., tocando em eventos escolares --, apenas alguns ganharão  destaque, receberão convites para tocar em bares e, por competência e um  pouco de sorte, também para gravar um bom álbum.(1) Esse conjunto  encadeado de pequenas conquistas, da escola ao estúdio, facilita a  multiplicação, a potencialização individual das aptidões musicais. Em cada nova etapa estão embutidas novas demandas, o que resulta em mais treino e aperfeiçoamento --  um circuito de retroalimentação positiva; um elo entre os genes e o  ambiente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flynn  e Dickens (2009), a respeito de seu modelo dos multiplicadores  individuais, sugerem que aqueles 70 ou 80% da hereditariedade da  inteligência de adultos são divididos "entre o efeito direto dos genes  sobre o QI (digamos, sobre a qualidade do cérebro herdado) e o efeito  indireto que os genes adquirem cooptando fatores ambientais por  combinação" (p. 80). Dessa forma, e justificando a analogia, parece que  esse percurso multiplicador,  impulsionado pelos genes e pelos ambientes  por eles cooptados, explica  o destino e as aptidões similares de  gêmeos idênticos. Na medida em que crescemos, tornamo-nos mais autônomos  e, com isso, engajamo-nos em ocupações (laborais, sociais e  recreativas) nas quais temos mais afinidade. Colocando em termos  práticos, embora de forma simplificada, Flynn (2009) argumenta que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;há  uma forte tendência de uma vantagem ou desvantagem genética se encaixar  em um ambiente correspondente. A criança que considera o trabalho  escolar fácil tem mais probabilidade de enxergá-lo como um modo de  vencer na vida, de se motivar para fazer as tarefas e de receber mais  trabalho dos professores. A criança que precisa lutar para acompanhar o  ritmo é mais provável de ser desestimulada e de passar mais tempo  fazendo esportes do que envolvida com os estudos (p. 75-76).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Não  devemos, contudo, supor que toda dificuldade ou desinteresse escolar  parta de uma desvantagem genética. Há inúmeras variáveis controlando  essa categoria de problema (p. ex., a personalidade, o incentivo e  reconhecimento dos pais e a disposição de recursos materiais). Além do mais, é também possível que uma criança  geneticamente vantajosa prefira, em vez de se envolver em tarefas  escolares, jogar futebol, assistir televisão e dormir. Por outro lado,  essa mesma criança deverá, posteriormente, dadas as condições e a  motivação necessárias, alcançar e -- provavelmente -- superar seus  colegas cuja genética é menos vantajosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para finalizar, vale  ressaltar que o efeito dos multiplicadores sociais não elimina o efeito  dos multiplicadores individuais (Flynn,  2009). Mesmo que conquistemos uma espécie de homogeneidade social (p.  ex., possibilitando que toda a população brasileira tenha acesso à universidade),    genes melhores continuarão proporcionando mais vantagens àqueles que os  detém (lembremos da analogia de Lewontin). Se estamos  prontos para assumir essa possibilidade, devemos também estar preparados  para debater uma possibilidade um pouco mais apimentada, qual seja, a  de identificarmos e selecionarmos artificialmente grupos de genes que  conferem vantagens cognitivas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Nota e Referências:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flynn, J. R. (2009). &lt;i&gt;O que é inteligência? &lt;/i&gt;Porto Alegre: Artmed&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lewontin, R. C. (1976a). Further remarks on race and the genetics of intelligence. In: Flynn, J. R. (2009). &lt;i&gt;O que é inteligência? &lt;/i&gt;Porto Alegre: Artmed&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Petrill, S. A. (2006). Genes, ambiente e inteligência. In: Flores-Mendoza, C., &amp;amp; Colom, R., &lt;i&gt;Introdução à Psicologia das Diferenças Individuais.&lt;/i&gt; Porto Alegre: Artmed. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1)  Luís Couto é uma das poucas pessoas que participaram do cenário musical  de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bom_Despacho"&gt;Bom Despacho&lt;/a&gt; e que, até hoje, continuam aprimorando suas habilidades  musicais. Uma de suas bandas, &lt;a href="http://www.myspace.com/churrus"&gt;Churrus&lt;/a&gt;, recentemente lançou seu segundo álbum, &lt;i&gt;Monotone&lt;/i&gt;.  Talvez não por acaso, boa parte de sua família, de ambas as  ramificações (Couto e Silva), tocam algum instrumento musical e/ou  cantam.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-5567521107946195586?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/5567521107946195586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/entre-os-genes-e-o-ambiente.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5567521107946195586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5567521107946195586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/entre-os-genes-e-o-ambiente.html' title='Entre os genes e o ambiente: a multiplicação individual da inteligência'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOUsMjdbdAI/AAAAAAAAAVw/hDcgouZ4NVs/s72-c/gemeos1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-3438227611638809714</id><published>2010-11-10T17:54:00.000-08:00</published><updated>2011-09-05T19:32:57.216-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Processos Psicológicos Básicos'/><title type='text'>Efeito Flynn: a multiplicação social da inteligência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após ter apresentado as duas medidas de inteligência tradicionais, &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/medidas-da-inteligencia.html"&gt;QI e fator &lt;i&gt;g&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,  é tempo de trazer ao palco um tema intrigante: o efeito Flynn. Esse  fenômeno diz respeito aos ganhos exponenciais de QI ao longo das  gerações. Na Argentina, por exemplo, constatou-se, no espaço de apenas  uma geração (30 anos), um aumento de 18 pontos (pouco mais que um &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Desvio_padr%C3%A3o"&gt;desvio padrão&lt;/a&gt;)  no desempenho médio das pessoas no teste Matrizes Progressivas de  Raven. O escore total de crianças e adultos nas escalas Wechsler (WISC e  WAIS-III, respectivamente) também vem inflacionando. O que está  acontecendo, afinal? Estamos, com o passar das gerações, ficando mais  inteligentes? Quais variáveis explicam esse fenômeno? Tentarei, com base  nas ideias de James R. Flynn (2006, 2009), tecer respostas razoáveis  para essas perguntas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Em que vimos melhorando?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim:  o aumento do QI médio da população é real. Apesar disso, é importante  especificarmos em quais tipos de habilidades estamos superando nossos  antepassados. Os dados mostram que, ao menos em se tratando das duas últimas  gerações, quase não há aumento de rendimento nas tarefas que  requerem a &lt;i&gt;reprodução&lt;/i&gt; de conhecimento, sobretudo de natureza verbal (p. ex., "Quem foi Chacrinha?" e "O que significa &lt;i&gt;embrulhar&lt;/i&gt;?").  Poderíamos dizer, no máximo, que as crianças estão aprendendo a ler e a  fazer cálculos mais cedo. Apesar disso, chega um momento, como no final  do ensino médio, que esse tipo de desempenho é razoavelmente igualado  ao de seus pais e avós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O aumento de rendimento é maior em tarefas menos familiares, isto é, que requerem &lt;i&gt;menos&lt;/i&gt;  conhecimento previamente adquirido para resolvê-las. No teste Matrizes Progressivas de  Raven, por exemplo, devemos decidir, após identificar a lógica  implícita que relaciona um conjunto de figuras abstratas, qual das  opções completa a casela em branco. Problemas como os do teste Raven  costumam ser inéditos, requerem soluções imediatas e recrutam o que chamamos &lt;i&gt;raciocínio&lt;/i&gt; &lt;i&gt;fluido&lt;/i&gt;, isto é, um estilo de raciocínio analítico, dedutivo e aplicável a uma diversidade de tarefas (também denominado Inteligência Fluida). Com efeito, pode-se dizer que os ganhos atuais&lt;i&gt; &lt;/i&gt;em QI são mais em razão do aprimoramento das habilidades fluidas do que das habilidades cristalizadas (de caráter reprodutivo, comumente representadas pelo construto Inteligência Cristalizada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TNveNCgxnNI/AAAAAAAAAVA/7VHt9qT1FHA/s1600/raven_example_gontijo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="198" src="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TNveNCgxnNI/AAAAAAAAAVA/7VHt9qT1FHA/s200/raven_example_gontijo.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Ilustração do que seria uma matriz de figuras abstratas do Raven.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A origem do aprimoramento fluido&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece  ter havido, concomitantemente à Revolução Industrial, também uma  revolução de raciocínio. Nossos antepassados costumavam resolver  problemas mais concretos, isentos de conceitos e regras  abstratas. A sociedade industrializada, que demanda e recompensa de acordo com o nível de instrução, faz com que mais pessoas passem mais  tempo na escola. Aos poucos, a linguagem e a forma abstrata e científica de  raciocinar foram sendo incorporadas e trazidas ao  cotidiano. Um mesmo problema poderia ser abordado por diversos ângulos;  poderíamos agrupar coisas em categorias abstratas;  analogias e deduções seriam constantemente recrutadas para a resolução de problemas laborais e recreativos; e a rotina urbana  demandaria flexibilidade, planejamento e tomada de decisão mais  complexos e frequentes. Nas palavras e exemplos de Flynn (2006),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;vídeo-games,  jogos eletrônicos populares e aplicativos de computador  geram uma  reorientação em direção à solução de problemas em contextos  visuais e  simbólicos. A Revolução Industrial cria mais empregos  enfatizando a  manipulação de símbolos e de abstrações. Em suma, uma  sociedade mais  sofisticada e urbanizante gera inúmeros multiplicadores  de habilidades  cognitivas que preenchem o dia todo, quer interajamos com  colegas de  escola, quer isso se dê com colegas de trabalho, cônjuges,  pares ou  parentes (pp. 398-399).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não  é menos verdade que a Revolução Industrial tenha levantado a média da  população também através do aprimoramento de habilidades reprodutivas,  cristalizadas. Nossos repertórios lexical e aritmético e as informações  de que dispomos sobre o mundo são acumulados conforme o tempo que  passamos na escola. Por outro lado, esse ganho parece ter ocorrido em  maior proporção durante a primeira metade do século passado. Depois  disso, digamos, de duas gerações para cá (60 anos), a principal mudança  vem incidindo sobre a maneira pela qual raciocinamos. Apesar disso,  Flynn (2009) argumenta que devemos ter cautela ao concluirmos, como  alguns sugeriram -- talvez em tom de ironia --, que grande parte de  nossos ancestrais era retardada mental:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;[...] os enormes ganhos [em QI] de uma geração para outra [&lt;i&gt;não&lt;/i&gt;]  indicam uma falta geral de inteligência por parte de nossos ancestrais.  Suas mentes simplesmente não estavam permeadas pela linguagem  científica e não tinham o hábito de raciocinar além do concreto (p. 34).&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em outras palavras, tanto nossos avós como seus pais eram dotados dos mesmos &lt;i&gt;potenciais&lt;/i&gt;  para aprendizagem, raciocínio e resolução de problemas que temos você e  eu. A diferença de ambientes, que depende fundamentalmente do  desenrolar histórico, explica a diferença intelectual em questão. Por  outro lado, caso estimemos e julguemos a inteligência em se tratando de  seus &lt;i&gt;produtos&lt;/i&gt; (rendimento cognitivo), as pessoas que iniciaram  este milênio são, em média, mais inteligentes do que as pessoas que  viveram no início do século passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O ambiente é suficiente?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em suma, as análises de Flynn levaram-no a postular a hipótese dos multiplicadores sociais. Para compreendermos adequadamente o efeito Flynn, precisamos considerar uma espécie de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Retroalimenta%C3%A7%C3%A3o"&gt;retroalimentação positiva&lt;/a&gt; entre as demandas de mercado, a competição e a  educação:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Revolução Industrial é filha da Revolução Científica e mãe da  disseminação de visão de mundo científica. Ela mudou cada aspecto da  nossa vida [...] e exige e gratifica os anos adicionais de educação.  Quando a educação fundamental se tornou uma norma, todos com aspirações  de classe média queriam um diploma de ensino médio. Quando seus esforços  tornaram o diploma do ensino médio a norma, todos começaram a querer um  diploma universitário. Todos respondem ao novo meio melhorando o seu  desempenho, o que eleva a média, de modo que respondem à nova média, o  que a eleva ainda mais. [Como consequência, há] um aumento enorme nas  habilidades cognitivas em uma única geração (p. 43).&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Flynn denomina essa retroalimentação positiva de &lt;i&gt;multiplicadores sociais&lt;/i&gt;.  Por outro lado, não devemos negligenciar o fato de que há diferenças de  inteligência consideráveis entre pessoas de uma mesma classe social, que  frequentam uma mesma escola e que, aliás, podem até ser irmãos. A  hipótese dos multiplicadores sociais parece cumprir seu papel ao  explicar o efeito Flynn; já o desenvolvimento individual da  inteligência, distinto entre pessoas que crescem em ambientes comuns,  pode demandar uma outra explicação. Entre os genes e o ambiente, os &lt;i&gt;multiplicadores individuais &lt;/i&gt;podem ser a bola da vez. Aguardem o próximo capítulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Referências Bibliográficas:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Flynn, J. R. (2009). &lt;i&gt;O que é inteligência? &lt;/i&gt;Porto Alegre: Artmed.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flynn, J. R. (2006). O efeito Flynn: repensando a inteligência e aquilo que a afeta. In: Flores-Mendoza, C., &amp;amp; Colom, R., &lt;i&gt;Introdução à Psicologia das Diferenças Individuais.&lt;/i&gt; Porto Alegre: Artmed.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-3438227611638809714?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/3438227611638809714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/efeito-flynn-multiplicacao-social-da.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/3438227611638809714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/3438227611638809714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/efeito-flynn-multiplicacao-social-da.html' title='Efeito Flynn: a multiplicação social da inteligência'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TNveNCgxnNI/AAAAAAAAAVA/7VHt9qT1FHA/s72-c/raven_example_gontijo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-4290678602822875014</id><published>2010-11-04T06:34:00.001-07:00</published><updated>2011-06-01T07:53:06.420-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Processos Psicológicos Básicos'/><title type='text'>Medidas de inteligência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conforme expus em uma &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/09/em-busca-da-inteligencia.html"&gt;outra ocasião&lt;/a&gt;, o conceito de "inteligência" empregado no senso comum não destoa,   em essência, do conceito trabalhado na academia. De modo genérico,   "inteligência" denota a capacidade geral para aprender, raciocinar e   resolver problemas de conteúdo cognitivo. Podemos medi-la através de testes validados e   padronizados, e seus dados têm sido largamente utilizados nas clínicas   psicológica e educacional e em pesquisas inter, multi e   transdisciplinares. A conceituação e as medidas da inteligência vinham sofrendo severos ataques até bem pouco tempo, mas nenhum modelo alternativo encarou satisfatoriamente os problemas da cognição e de sua mensuração. Tentarei, nos parágrafos subsequentes, conceituar e   diferenciar duas medidas tradicionais da inteligência: o QI e o   fator &lt;span style="font-style: italic;"&gt;g&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;QI: quociente de inteligência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os   testes que medem o QI, a medida de inteligência mais popularizada,   representam uma tentativa de traduzir, em um único número, a capacidade   intelectual das pessoas. Muitos desses testes são compostos por  diversos  subtestes que estariam avaliando nossas principais  habilidades  cognitivas. A terceira edição do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wechsler Adult Intelligence Scale&lt;/span&gt;   (WAIS-III) é um bom exemplo. O WAIS-III é composto por doze subtestes   fatorialmente divididos em duas escalas: a escala verbal e a escala de   execução. O QI estimado pelo WAIS-III diz respeito à&lt;span style="font-style: italic;"&gt; somatória&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;padronizada &lt;/span&gt;da pontuação de seus doze subtestes. É possível -- e às vezes conveniente -- estimar o QI verbal isoladamente do QI de execução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A   expressão "somatória padronizada" merece ser discutida   pormenorizadamente. Pessoas com um QI médio, convencionalmente   padronizado em 100, são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a maioria&lt;/span&gt;   em uma população. Como ilustrado na figura abaixo, o gráfico que   representa um grupo de pessoas em termos de sua inteligência costuma ter   um formato de sino, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;the bell curve&lt;/span&gt;, também chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;curva normal&lt;/span&gt;.    Com efeito, pela curva normal visualizamos nitidamente que os grupos   de pessoas muito e pouco inteligentes (digamos, QI&amp;gt;130 e   QI&amp;lt;70, respectivamente) são menores (variável %) quando   comparados ao grupo de pessoas medianamente inteligentes (QI=100): &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TM2oBJ2zRgI/AAAAAAAAAUk/kz6hBroR0yM/s1600/600px-IQ_curve.svg.png"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534264254887314946" src="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TM2oBJ2zRgI/AAAAAAAAAUk/kz6hBroR0yM/s400/600px-IQ_curve.svg.png" style="display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A   padronização de testes psicológicos pode ser realizada  diferencialmente  por grupos. Por exemplo, apesar de que haja diferenças  cognitivas  notáveis entre crianças e adultos, tanto adultos como  crianças  intelectualmente medianas possuem um QI em torno de 100. O QI  de uma  pessoa diz respeito ao seu rendimento cognitivo &lt;i&gt;dentro de &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;um grupo de referência&lt;/span&gt;. A versão brasileira do teste &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Matrizes_Progressivas_de_Raven"&gt;Matrizes Progressivas Coloridas de Raven&lt;/a&gt;, por exemplo, possui &lt;a href="http://www.scielo.br/pdf/pe/v9n3/v9n3a15.pdf"&gt;normas padronizadas&lt;/a&gt;   especificamente para crianças que estudam em escolas públicas e para   crianças que estudam em escolas privadas. Essa padronização diferenciada deveu-se a uma variação significativa de desempenho no teste em razão do tipo de escola que a criança frequentava. Disso decorre que, tanto   qualitativa como quantitativamente, o conceito "inteligência média"   (QI=100) precisa ser entendido dentro de um contexto/grupo específico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale sublinhar que uma avaliação adequada da inteligência vai além do QI. Embora duas crianças tenham um mesmo QI, suas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;habilidades cognitivas específicas&lt;/span&gt; podem ser significativamente distintas. Imaginemos que uma dessas crianças acertou todos os itens do subteste  Aritmética&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;mas, em contrapartida, rendeu abaixo da média em Vocabulário.   A outra criança, da mesma idade, pontuou medianamente nesses dois   subtestes mas, em contrabalanço, ficou um pouco acima da média no   subteste Cubos. (Esses três subtestes fazem parte da terceira edição do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wechsler Intelligence Scale for Children&lt;/span&gt;   [WISC-III], uma escala de inteligência para crianças e adolescentes.)   Portanto, e mesmo compartilhando um mesmo QI, duas crianças podem ser   consideravelmente distintas em termos de suas habilidades cognitivas   específicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudiosos como Howard Gardner,   disseminador da Teoria das Inteligências Múltiplas, acreditam que essas   flutuações de rendimento conforme o estilo de prova invalidam o  conceito  de inteligência geral. Não obstante seus investimentos  argumentativos  (comumente desprovidos de evidências estatísticas), a maior parte dos estudos  atuais apontam para uma tendência &lt;i&gt;homogênea&lt;/i&gt; de desempenho cognitivo. Por exemplo, e no caso dos testes WAIS e WISC-III, um rendimento médio em Vocabulário costuma acompanhar um rendimento médio em Aritmética.   Embora seja possível, é bastante improvável que um bom matemático  tenha  um péssimo vocabulário. Esse fenômeno, quando apurado  fatorialmente,  tem reforçado a crença de que podemos dizer de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;inteligência geral&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O fator &lt;i&gt;g&lt;/i&gt; de inteligência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TNGl6o1ONSI/AAAAAAAAAUs/8H6DWF7HZEc/s1600/sports.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TNGl6o1ONSI/AAAAAAAAAUs/8H6DWF7HZEc/s200/sports.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Recorrerei, para explicar o fator &lt;span style="font-style: italic;"&gt;g&lt;/span&gt;,  a uma analogia simples. Pelé, o Rei do Futebol, embora fosse um péssimo  nadador, possuía um rendimento acima da média em praticamente toda  modalidade desportiva. Digamos -- e é provável que isso seja verdade -- que  essa tendência à homogeneidade de rendimento não seja fruto do acaso. Pode ser que  algumas habilidades requeridas no futebol influenciem também o desempenho no &lt;i&gt;handball&lt;/i&gt;, no basquete e no tênis. Dessa forma, e após mensurar o desempenho de um atleta em diversas modalidades  desportivas, deveríamos notar a  existência de uma variável latente, hipotética, que explicaria boa  parte da variância das variáveis (isto é, boa parte do rendimento em cada esporte). Essa variável, o "fator &lt;i&gt;g&lt;/i&gt; desportivo", poderia ser denominada &lt;i&gt;capacidade desportiva geral&lt;/i&gt;.  Distante das lentes científicas, isto é, pela boca de admiradores e   críticos do esporte, o termo "grande atleta" estaria captando,   intuitivamente, a expressão dessa variável. Da mesma forma, e  dentro do campo da Psicometria, o "fator &lt;span style="font-style: italic;"&gt;g&lt;/span&gt; de inteligência" é o construto que regula e amarra grande parte de nossas habilidades cognitivas. Sua expressão, em termos de desempenho cognitivo, também não deixa de ser captada pelo senso comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teorias   fatoriais da inteligência tentam explicar nosso rendimento cognitivo   com base em variáveis latentes, os fatores (também denominados   construtos). A busca por essas variáveis é efetuada pelo procedimento   matemático denominado &lt;i&gt;análise fatorial&lt;/i&gt;. O objetivo da análise   fatorial é simples: resumir, com base em intercorrelações, variáveis   originais (p. ex., os escores obtidos no futebol, no tênis, no basquete e no &lt;i&gt;handball&lt;/i&gt;), normalmente  numerosas, em um número  menor de variáveis ("capacidade desportiva geral"),  hipotéticas, que explicariam a co-variância das primeiras. Da mesma forma  que a capacidade desportiva poderia, pelo menos em parte, predizer e explicar nosso desempenho em uma diversidade de esportes, a inteligência, representada pelo "fator &lt;i&gt;g&lt;/i&gt;", prediz e explica boa parte da variação de rendimento em uma variedade de tarefas cognitivas. A esse  respeito, Flynn (2009) comenta que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;existe   uma forte tendência de o desempenho [nos dez subtestes do WISC-III]   estar intercorrelacionado. Isso significa que as pessoas que estão acima   da média em um deles tendem a se sair bem em todos, ou seja, aquelas   que são boas em enxergar o que certos conceitos têm em comum e em   identificar a peça que falta em um padrão tendem a ser as mesmas pessoas   que acumulam vocabulários grandes, muitas informações gerais e   habilidades aritméticas. É por isso que falamos de um fator de   inteligência geral, ou &lt;i&gt;g&lt;/i&gt; (p. 16). &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Há,   além do fator geral, fatores menores que agrupam variáveis que   co-variam. A intercorrelação de um grupo de tarefas cognitivas dependerá, em parte,   do tipo de raciocínio requerido para resolvê-las. Por exemplo, há uma   forte tendência de o escore dos subtestes Informação, Vocabulário, Semelhanças e Compreensão&lt;i&gt; &lt;/i&gt;(WISC/WAIS-III)   co-variar (nosso desempenho nesses subtsetes costuma ser homogêneo). Esse grupo de tarefas parece exigir um tipo de raciocínio   comum. O fator específico que as agrupa, denominado Compreensão Verbal,   seria a variável latente/construto que explicaria essa co-variação.   Como, por outro lado, nosso desafio é avaliar a estrutura e a potência   da inteligência &lt;i&gt;geral&lt;/i&gt;, devemos lançar mão de uma bateria de provas que,   idealmente, abranja nossas principais habilidades cognitivas. As escalas Wechsler (WISC e WAIS-III), por exemplo, contam com tarefas cognitivas que avaliam, além da compreensão verbal, a velocidade de processamento, a organização perceptiva,  a atenção  (resistência à distração) e a memória de trabalho. Com esses medidores na  manga,  faz-se possível avaliar e diferenciar pessoas e grupos em termos  de sua  inteligência geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TN6KiAqJ4yI/AAAAAAAAAVE/3OvW2H8gHL4/s200/400px-SpearmanFactors.svg.png" width="200" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Considerações finais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A   avaliação da inteligência recebeu uma torrente de críticas ao longo da   segunda metade do século passado. Como resposta, teorias alternativas,   como a das Inteligências Múltiplas, de Gardner, e a da Inteligência   Emocional, de Goleman, tentaram atender às exigências e sanar a   desconfiança dos críticos. Apesar disso, seus pressupostos ainda carecem de   evidências consistentes, às vezes confundem-se com construtos de outras   naturezas (p. ex., traços de personalidade) e, em geral, não resolvem a   maior parte dos desafios da avaliação intelectual. Consequentemente,  nossas  medidas tradicionais de inteligência continuam sendo imprescindíveis para abordar problemas em   Gerontologia, Sociologia, Pedagogia e, é claro, em Psicologia. O QI e o fator &lt;i&gt;g&lt;/i&gt;, em resumo, parecem ser as melhores ferramentas de que   dispomos para tentar solucionar o seguinte problema: "Que traços afetam   nossa capacidade de resolver problemas de conteúdo cognitivo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Referência Bibliográfica:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flynn, J. R. (2009). &lt;i&gt;O que é inteligência?&lt;/i&gt; Porto Alegre: Artmed.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-4290678602822875014?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/4290678602822875014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/medidas-da-inteligencia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/4290678602822875014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/4290678602822875014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/11/medidas-da-inteligencia.html' title='Medidas de inteligência'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TM2oBJ2zRgI/AAAAAAAAAUk/kz6hBroR0yM/s72-c/600px-IQ_curve.svg.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-9043298850091668940</id><published>2010-10-06T07:47:00.000-07:00</published><updated>2011-10-07T11:58:14.094-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Breve defesa ao mentalismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TMqt5iiX-gI/AAAAAAAAAUU/973P7tL6CbI/s1600/img1.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533426296213207554" src="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TMqt5iiX-gI/AAAAAAAAAUU/973P7tL6CbI/s200/img1.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 150px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 200px;" /&gt;&lt;/a&gt;Venho, já há alguns meses, procurando encontrar meios mais claros de apresentar e, quando preciso, defender a perspectiva mentalista de explicação do comportamento. Participar do Círculo da Savassi(1) vem sendo uma experiência estimulante, produtiva e esclarecedora. Sendo a ovelha negra do grupo (um cognitivista cercado de behavioristas), procuro contribuir e, ao mesmo tempo, compreender por que nos diferenciamos -- cognitiva e epistemologicamente. Na última sexta-feira (01/09/10), durante uma aula de "Processos Cognitivos e Comportamentais", creio que pude ligar mais algumas peças do quebra-cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;A Doutora Sílvia Regiane, analista do comportamento, instruiu-nos sobre como as ciências humanas estiveram, durante boa parte do século passado, distantes de ciências como a Física e a Biologia. Enquanto estas últimas explicavam o comportamento de seus objetos de estudo em termos de relações &lt;span style="font-style: italic;"&gt;causais&lt;/span&gt;, as ciências humanas, em especial a Psicologia, tentavam explicar o comportamento humano com base em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;razões&lt;/span&gt;, propósitos pessoais. Esse tipo de explicação, tomada como teleológica e mentalista, perderia espaço para a perspectiva behaviorista, monista e selecionista. Em acréscimo, caberia às neurociências assumir o papel frustradamente ocupado pelas disciplinas mentalistas -- desvelar os mistérios da caixa-preta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O modelo behaviorista&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B. F. Skinner, fundador da Análise do Comportamento, propôs que o comportamento resulta da força de três níveis de seleção: os níveis filogenético, ontogenético e cultural (Andery, Micheletto &amp;amp; Sério, 2002). Esse modelo explica que a seleção natural, a sociedade e as circunstâncias cotidianas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;selecionam&lt;/span&gt; e determinam nosso comportamento. Deter-me-ei, para ser breve e objetivo, à explicação do nível ontogenético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nível ontogenético explica que as consequências de nossos comportamentos afetam a probabilidade de suas futuras reemissões.(2) Podemos dizer que nossos comportamentos são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;selecionados&lt;/span&gt; por suas consequências, as quais seriam, por seu turno, suas futuras e respectivas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;causas&lt;/span&gt;. Por exemplo, meu comportamento "expressar e publicar ideias" foi sendo gradativamente selecionado na medida em que produzia certas consequências, tais como ter sido compreendido e elogiado e ter oportunizado debates interessantes com alguns colegas. Além disso, devo seguir escrevendo enquanto meus textos continuarem a ser comentados -- uma condição &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mantenedora&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale pontuar que os comportamentos são emitidos em circunstâncias mais ou menos específicas. Embora "expressar e publicar ideias" seja um comportamento comumente &lt;i&gt;reforçado&lt;/i&gt;, fazê-lo inadvertidamente pode ser prejudicial. Por exemplo, publicar ideias na ausência de bons argumentos para defendê-las pode gerar consequências aversivas, entre as quais ser ignorado e, talvez pior, ser ridiculamente refutado. Essas consequências tendem a diminuir a probabilidade de que o referido comportamento seja novamente emitido. Apesar disso, ideias publicadas e satisfatoriamente defendidas tendem a gerar consequências reforçadoras. Como resultado, a condição "ter em mãos bons argumentos" passa a ser sinalizadora e, de certa forma, controladora do comportamento "expressar e publicar ideias". Disso decorre a premissa de que o comportamento é controlado pelo ambiente -- tanto pelos estímulos discriminativos ("ter em mãos bons argumentos") como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;em&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;função&lt;/span&gt; das consequências selecionadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TKyWkpMo_rI/AAAAAAAAAS0/6KYkfnrLVxc/s1600/analise+funcional.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524956399155084978" src="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TKyWkpMo_rI/AAAAAAAAAS0/6KYkfnrLVxc/s400/analise+funcional.bmp" style="cursor: pointer; display: block; height: 108px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 485px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O esquema acima denomina-se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;análise funcional&lt;/span&gt; -- a principal ferramenta de trabalho do analista do comportamento. A análise funcional explica o comportamento com base nos eventos que o antecedem e nas consequências que o selecionam e o mantém. Trata-se de um excelente modelo. Não obstante, e como cognitivista e estudante de neurociências, sinto-me corriqueiramente instado a indagar: O encéfalo e a mente não teriam espaço nessa história?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.comportese.com/"&gt;Neto&lt;/a&gt;, analista do comportamento em formação, comenta que a atividade do cérebro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é&lt;/span&gt; um comportamento, bem como as emoções e os pensamentos. Tratar a atividade encefálica como comportamento faz com que a neurociência e as abordagens mentalistas estejam explicando não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por que &lt;/span&gt;certos comportamentos são emitidos, mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como&lt;/span&gt; o são. Apesar desse posicionamento, que julgo ser razoável, ainda vejo coerência e conveniência em adotar o cérebro e a mente como guardiões de variáveis que determinam o comportamento. Tentarei, nas linhas seguintes, defender essa proposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A explicação mentalista&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha acepção do termo &lt;i&gt;mente&lt;/i&gt; bebe das fontes cognitivista, evolucionista e neurocientífica. Sutilmente distinta da definição que elaborei em &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/05/mente-esbocando-uma-definicao_18.html"&gt;"Mente: esboçando uma definição"&lt;/a&gt;, mente designa um sistema computacional composto por mecanismos razoavelmente especializados em traduzir e processar sinais do corpo e do ambiente. Sua estrutura e seus mecanismos foram modelados pela seleção natural, e sua função primordial consiste em gerir comportamentos adaptativos de distintas complexidades. Cabe sublinhar que mente e encéfalo (isto é, cérebro, cerebelo e tronco encefálico) são, nos níveis &lt;i&gt;sistêmico&lt;/i&gt; e&lt;span style="font-style: italic;"&gt; funcional&lt;/span&gt;, a mesma coisa. O que chamamos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;subjetividade&lt;/span&gt;, a saber, o nível experiencial constituído por padrões imagéticos que representam o mundo e o corpo (p. ex., imagens visuais, auditivas e emocionais), é uma característica exclusivamente mental (mas uma característica encéfalo-dependente). Tentarei, com base nessa definição, defender o papel causalístico da mente sobre o comportamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TL2IIN6v8lI/AAAAAAAAATM/wwzLQSCUExE/s1600/Brain.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5529725592237240914" src="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TL2IIN6v8lI/AAAAAAAAATM/wwzLQSCUExE/s200/Brain.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 200px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 182px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Crianças pequenas aprendem a falar o idioma típico das pessoas com quem convivem; gatinhos e pintinhos, não. O encéfalo de humanos e gatos foi modelado diferencialmente pela seleção natural, um conjunto de causas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;longínquo&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;distante&lt;/span&gt;. A causa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imediata&lt;/span&gt; de seus potenciais de aprendizagem diferenciados reside, com efeito, na diferença de suas mentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cardinalismo.blogspot.com/2010/10/as-origens-do-comportamento.html"&gt;Em um de seus textos&lt;/a&gt;, Ramon Cardinali, um de meus amigos behavioristas, assevera que as origens do comportamento são históricas. Digamos que João descobriu, por acaso, que os pães da padaria estão mais quentinhos às dez horas da manhã. Após esse e outros episódios similares (ainda bem que os padeiros são pontuais), João passou a comprá-los diária e rigorosamente às dez. Desse modo, diríamos que a origem do seu comportamento atual ("Ir à padaria às dez horas") pode ser explicada por um histórico de consequências específicas. Correto. Por outro lado, é importante lembrar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por que&lt;/span&gt; João é suscetível à aprendizagem e ao controle de contingências ambientais. Isso acontece porque sua mente possui recursos mnemônicos (que consolidam a aprendizagem), dispositivos que simulam o futuro e antecipam consequências e, é claro, intricadas vias envolvidas no planejamento e na tomada de decisão. Veja que a explicação cognitivista, imediatista e mentalista, não suplanta a explicação histórica daquele comportamento. São explicações &lt;span style="font-style: italic;"&gt;complementares&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situações de desempenho são esclarecedoras. Dois rapazes, Douglas e Silas, estão disputando arremessos no basquete. Douglas têm pernas e braços vigorosamente desenhados pela academia e é alto; Silas é magro e pequeno. Embora ambos possuam apontaria mediana, Douglas supera Silas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque&lt;/span&gt; seu corpo permite-lhe arremessar com mais eficiência. Sabemos que a academia e certos genes que regulam a altura tiverem papel imprescindível na diferença de desempenho dos rapazes; mas não é menos verdade que a diferença de corpos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;causou &lt;/span&gt;a diferença de resultados. Essa lógica pode ser generalizada para explicar diferenças de rendimento cognitivo e de padrões de comportamento interindividuais (p. ex., diferenças de personalidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um último exemplo. Citei anteriormente algumas origens históricas do comportamento "expressar e publicar ideias". Aquelas causas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;próximas&lt;/span&gt; (consequências selecionadoras) explicam bem por que escrevo. Mas também é verdade que escrevo porque gosto, porque valorizo a transmissão de conhecimento e porque espero fertilizar debates esclarecedores e envolventes. Explicar que minhas crenças e expectativas têm origem histórica e são gradualmente selecionadas (causação próxima) não invalida sua função, qual seja, fornecer uma explicação imediata para o comportamento em questão. Se em vez de excitado (tomado por emoções) e cheio de expectativas (isto é, movido por crenças centrais e intermediárias) a ansiedade e o receio dominassem meu corpo, haveria menos palavras e parágrafos ao longo deste texto -- se é que haveria texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vemos, ser mentalista não resulta em negar o desenvolvimento histórico do comportamento. O que os mentalistas fazem é tomar a mente como um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;referencial explicativo&lt;/span&gt;. Para tanto, tratam atributos como pensamentos, sentimentos e mecanismos psicológicos como variáveis independentes, isto é, como determinantes do comportamento.(3) Ainda assim, parece que os mentalistas concordam que a mente trabalha conforme as circunstâncias ambientais. João, que vai à padaria diariamente às dez horas, só o faz, digamos, porque seu relógio e sua fome o sinalizam (eventos antecedentes). Mas um cognitivista diria que as horas e a fome controlam o comportamento de João &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por causa &lt;/span&gt;da natureza (humana) e das particularidades (p. ex., registros ontogênicos) de sua mente, isto é, em razão do trabalho em equipe de mecanismos como a memória, o pensamento, a antecipação de consequências e a tomada de decisão. Esses recursos, que compõem as engrenagens da mente, são pontos-chave de uma explicação cognitivista do comportamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, deixarei uma sugestão e, adicionalmente, um resumo daquilo que penso sobre a determinação do comportamento. Julgo ser razoável propor que os três níveis explicativos do comportamento atualizam-se no nível imediato, mentalista.(4) Genes, comportamentos e hábitos culturais selecionados não determinam de longe, do passado, nosso comportamento atual. Em vez disso, suas vias determinísticas estão situadas no que alguns teóricos denominam "sistema mente-encéfalo". Mesmo que a atividade da mente dance conforme a música ambiental, os&lt;span style="font-style: italic;"&gt; mecanismos&lt;/span&gt;, os&lt;span style="font-style: italic;"&gt; potenciais &lt;/span&gt;e os&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;registros &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mentais&lt;/span&gt; são variáveis imprescindíveis para uma explicação rica, imediata e diferencial do comportamento.(5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Considerações finais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos as principais asserções desenvolvidas e/ou aludidas ao longo deste texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Diferenças de espécies em relação ao comportamento e à cognição devem-se, em grande parte, a diferenças de encéfalos;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Mente e encéfalo são, nos níveis &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sistêmico&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;funcional&lt;/span&gt;, a mesma coisa. A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;subjetividade&lt;/span&gt;, isto é, o nível experiencial constituído por padrões imagéticos que representam o mundo e o corpo (p. ex., imagens visuais, auditivas e emocionais), é uma característica exclusivamente mental (mas uma característica encéfalo-dependente).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Os modelos de explicação mentalistas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;refletem&lt;/span&gt;, de certa forma, padrões de funcionamento do encéfalo(6);&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Abordagens mentalistas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não&lt;/span&gt; são necessariamente dualistas;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Diferenças interindividuais de comportamento e cognição decorrem de diferenças de encéfalos, isto é, de diferenças de mentes;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Genes, ontogênese e cultura estão envolvidos no desenvolvimento do encéfalo;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Influências genéticas, ontogênicas e culturais determinam o comportamento e a cognição &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por modificarem o encéfalo&lt;/span&gt;;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;As circunstâncias ambientais controlam o comportamento em razão da natureza e das particularidades do encéfalo, isto é, da natureza e das particularidades da mente.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;Se explicar a inteligência -- ou o comportamento -- é, como asseverou Daniel Dennett (1981), a função da Psicologia, não devemos nos limitar aos níveis de explicação histórico e circunstancial. A origem de padrões cognitivos e comportamentais decorre do enlace entre genes, ontogênese e cultura. Apesar disso, e como brincou Aaron Beck (1998), rastrear toda a história causalística de nossos comportamentos demandaria uma viagem às origens do universo. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status quo&lt;/span&gt; do encéfalo, na medida em que é sistematizado em termos mentalistas, fornece uma explicação imediata e -- às vezes -- econômica de por que interpretamos o mundo e atuamos de maneiras particulares -- e explica também nossas diferenças cognitivas e epistemológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas e Referências Bibliográficas:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alford, B.A., Beck, A.T. (1998). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Integrative Power of Cognitive Therapy&lt;/span&gt;. The Guilford Press.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andery, M. A. P. A., Micheletto, N., &amp;amp; Sério, T. M. A. P. (2002). O modelo de seleção por consequências a partir de textos de B. F. Skinner. In Teixeira, A. M. S. et al. (orgs.). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ciência do comportamento: conhecer e avançar.&lt;/span&gt; ESETEC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dennett, D. (1981). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Brainstorms: Philosophical Essays on Mind and Psychology&lt;/span&gt;. MIT Press.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) O "Círculo da Savassi" é um grupo informal de estudo e debates composto por psicólogos e estudantes de Psicologia belorizontinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Usarei, ao longo do texto, apenas exemplos de comportamento operante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Cabe ressaltar que a categoria de fenômenos denominados "comportamento" é bem mais abrangente para um behaviorista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) A mente não se enquadra no nível de explicação selecionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(5) Sabemos que há diferenças decisivas entre os modelos mentalistas atualmente propostos. Desconfio, em razão do atual estado da arte das ciências da mente, que os modelos capazes de se adequar aos e influenciar os achados e modelos neurocientíficos têm -- mesmo que potencialmente -- maior poder explicativo e preditivo sobre o comportamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(6) Mesmo os modelos mentalistas de caráter dualista refletem, sem querer, aspectos da atividade encefálica. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-9043298850091668940?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/9043298850091668940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/10/breve-defesa-ao-mentalismo.html#comment-form' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/9043298850091668940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/9043298850091668940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/10/breve-defesa-ao-mentalismo.html' title='Breve defesa ao mentalismo'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TMqt5iiX-gI/AAAAAAAAAUU/973P7tL6CbI/s72-c/img1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-3003284319568038463</id><published>2010-09-27T17:30:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T08:00:22.343-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Processos Psicológicos Básicos'/><title type='text'>Em busca da inteligência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagine Cristóvão Colombo em uma ilha, sozinho, lutando para sobreviver.  Colombo esqueceria coisas e, assim, teria o conceito de memória. Ele aprenderia novas habilidades e, desse modo, teria o conceito de aprendizagem. Porém, ele somente desenvolveria o conceito de inteligência  quando Pedro Álvares Cabral chegasse e aprendesse essas habilidades  mais rapidamente e melhor do que ele havia aprendido (adaptado de  Jensen, 1979, citado em Flynn, 2009).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Como ilustrado acima, o  termo inteligência é comumente empregado para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;explicar&lt;/span&gt; diferenças de  rendimento cognitivo entre pessoas. Se Cabral aprende mais rapidamente e  melhor do que Colombo, provavelmente também o supera na resolução de  uma diversidade de problemas. Ficamos, com efeito, instados a  considerá-lo mais inteligente do que o segundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colom (2006), a  respeito de um estudo de Sternberg (1981), assevera que as pessoas em  geral possuem uma ideia definida sobre o que é inteligência, e que essa  ideia coincide muito com a visão de um cientista. Conforme definiram os  entrevistados, uma pessoa inteligente "fala com clareza e fluidez",  "raciocina com lógica", " identifica relações entre ideias", "vê todas  as variantes de um  problema", "é um bom conversador", "domina uma  determinada área do  conhecimento", "mantem sua mente aberta" e  "interessa-se pelas coisas do  mundo em geral". Como vemos, esses  atributos referem-se à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;manifestação&lt;/span&gt; do que chamamos inteligência. Por exemplo, só uma pessoa suficientemente inteligente consegue dominar um assunto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;complexo&lt;/span&gt; e, ainda, explicá-lo de maneira clara e eficiente. Para usar um ditado: "Falar difícil é fácil; difícil é falar fácil".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, todos conhecemos indivíduos que raciocinam com lógica e dominam temas  complexos (p. ex., álgebra e genética) mas que não são bons  conversadores. Apesar disso, "falar com clareza e fluidez" costuma ser  um atributo menos notável e socialmente valorizado do que "raciocinar  com lógica" e "dominar determinada área do conhecimento". Em ilhas  desertas, vilarejos ou em grandes cidades, as duas últimas habilidades  tendem a gerar mais vantagens do que a primeira. Disso decorre que  certas habilidades caracterizam melhor a inteligência do que outras. Além do mais, é mais provável que pessoas que raciocinam com lógica também falem com clareza e fluidez do que o contrário. Se  submetidos a baterias de testes de inteligência, geneticistas e físicos  decerto superariam, em média, radialistas e pastores (que são, em geral,  exímios conversadores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, nosso rendimento em diferentes  habilidades cognitivas costuma ser razoavelmente homogêneo. Se Cabral  consegue planejar e armar armadilhas para capturar animais,  provavelmente também é capaz de arquitetar uma balsa e se orientar pelas  estrelas. Com efeito, a alta correlação no desempenho das pessoas em  diversas provas cognitivas vem levando (desde a primeira metade do século  passado) os psicometristas a postular a existência de uma inteligência  geral. Seria algo como termos uma central cognitiva controlando nossas  habilidades específicas, mais ou menos como no esquema abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TKJDJuN337I/AAAAAAAAASc/hvlToNufrKs/s1600/g.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522049927413751730" src="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TKJDJuN337I/AAAAAAAAASc/hvlToNufrKs/s400/g.bmp" style="cursor: pointer; display: block; height: 325px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Modelos  hierárquicos como esse são desenhados de acordo com análises  estatísticas aplicadas ao resultado de um conjunto amplo de testes  cognitivos. Boa parte desses modelos é composta por um fator geral, o  fator &lt;span style="font-style: italic;"&gt;g&lt;/span&gt;. Em razão de seu alto poder explicativo e preditivo sobre aptidões  amplas (p. ex., inteligência verbal) e habilidades específicas (p. ex.,  fluência verbal), o fator &lt;span style="font-style: italic;"&gt;g &lt;/span&gt;é comumente tratado como o representante da  inteligência geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;i&gt;Status quo&lt;/i&gt; e perspectivas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inteligência pode ser considerada como o construto mais bem estudado pela Psicologia (Flores-Mendoza, 2010). Apesar disso, ainda há quem o trate com desconfiança, descaso e, como às vezes percebo, preocupação. No entanto, e como asseverou Colom (2006), há um  consenso geral na comunidade científica a respeito dos seguintes pontos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;As pessoas [diferem] em sua capacidade geral para raciocinar, resolver problemas e aprender;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Essa capacidade pode ser medida imparcialmente por meio de testes padronizados;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;As diferenças de capacidade devem-se à influência conjunta de diferenças genéticas e ambientais;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;As diferenças de capacidade predizem mais de 60 importantes fenômenos sociais.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;Cabe esclarecer que a inteligência é ubíqua, isto é, que todas as  pessoas  são  inteligentes. Podemos, com treino, aprimorar nossos potenciais cognitivos -- que são tão plásticos quanto nossos circuitos neurais. Encontrar um núcleo encefálico para a  inteligência parece, contudo, distante da expectativa mesmo do  cientista mais otimista. Pelo contrário, e como no caso da consciência,  pode ser que diversos mecanismos estejam trabalhando em equipe, de forma  sincrônica, seguindo regras intrínsecas e atuando conforme as demandas ambientais. Seja como for, tem sido excitante a empreitada de tentar desvendar os segredos daquilo que me permite desvendar segredos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TKE8ecN1SEI/AAAAAAAAASM/xrJmoyXzn6A/s1600/Bate+Papo+-+Intelig%C3%AAncia+espiritual.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521761111800891458" src="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TKE8ecN1SEI/AAAAAAAAASM/xrJmoyXzn6A/s200/Bate+Papo+-+Intelig%C3%AAncia+espiritual.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 199px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 200px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências bibliográficas:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flores-Mendoza, C. (2010). Inteligência Geral. In Malloy-Diniz, L. F., Fuentes, D. Mattos, Abreu, N. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Avaliação Neuropsicológica.&lt;/span&gt; Porto Alegre: Artmed, Cap. 5, p. 58-66.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flores-Mendoza, C., Colom, R. (2006). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Introdução à Psicologia das Diferenças Individuais&lt;/span&gt;. Porto Alegre: Artmed.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jensen, A. R. (1979). The nature of intelligence and its relation to learning. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Journal of Research and Development in Education&lt;/span&gt;, 12: 79-85. In Flynn, J. R. (2009). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que é inteligência?&lt;/span&gt; Porto Alegre: Artmed.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-3003284319568038463?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/3003284319568038463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/09/em-busca-da-inteligencia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/3003284319568038463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/3003284319568038463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/09/em-busca-da-inteligencia.html' title='Em busca da inteligência'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TKJDJuN337I/AAAAAAAAASc/hvlToNufrKs/s72-c/g.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-8044849026417426399</id><published>2010-08-31T06:34:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T08:01:18.329-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Pinker e a Tábula Rasa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Steven Pinker, professor de Psicologia em Harvard, está entre os  principais entusiastas atuais da Psicologia Evolucionista. Seus livros &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como a Mente Funciona&lt;/span&gt;  (Companhia Das Letras, 1998) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tábula Rasa&lt;/span&gt; (Companhia das Letras, 2004) trazem ao palco um tema razoavelmente  evitado durante o século passado: a natureza humana. Neste último, em especial, Pinker procura desbancar&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;a  ideia de que a mente do recém-nascido é um recipiente a ser  preenchido pelos pais e pela sociedade, a concepção de que o homem em  seu estado primitivo é um bom selvagem e a crença de que uma alma  imaterial dotada de livre-arbítrio é responsável pelas ações do  indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assista abaixo comentários do autor sobre alguns temas polêmicos de seu livro. (Para ajustar uma legenda, clique em &lt;span style="color: red; font-style: italic;"&gt;View Subtitles&lt;/span&gt;.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="326" width="446"&gt;&lt;param name="movie" value="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="bgColor" value="#ffffff"&gt;&lt;param name="flashvars" value="vu=http://video.ted.com/talks/dynamic/StevenPinker_2003-medium.flv&amp;amp;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/StevenPinker-2003.embed_thumbnail.jpg&amp;amp;vw=432&amp;amp;vh=240&amp;amp;ap=0&amp;amp;ti=354&amp;amp;introDuration=15330&amp;amp;adDuration=4000&amp;amp;postAdDuration=830&amp;amp;adKeys=talk=steven_pinker_chalks_it_up_to_the_blank_slate;year=2003;theme=evolution_s_genius;theme=unconventional_explanations;theme=how_we_learn;theme=words_about_words;theme=how_the_mind_works;event=TED2003;&amp;amp;preAdTag=tconf.ted/embed;tile=1;sz=512x288;"&gt;&lt;embed src="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf" pluginspace="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" bgcolor="#ffffff" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" flashvars="vu=http://video.ted.com/talks/dynamic/StevenPinker_2003-medium.flv&amp;amp;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/StevenPinker-2003.embed_thumbnail.jpg&amp;amp;vw=432&amp;amp;vh=240&amp;amp;ap=0&amp;amp;ti=354&amp;amp;introDuration=15330&amp;amp;adDuration=4000&amp;amp;postAdDuration=830&amp;amp;adKeys=talk=steven_pinker_chalks_it_up_to_the_blank_slate;year=2003;theme=evolution_s_genius;theme=unconventional_explanations;theme=how_we_learn;theme=words_about_words;theme=how_the_mind_works;event=TED2003;" width="446" height="326"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-8044849026417426399?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/8044849026417426399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/08/pinker-tabula-rasa.html#comment-form' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/8044849026417426399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/8044849026417426399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/08/pinker-tabula-rasa.html' title='Pinker e a Tábula Rasa'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-5422099110467495817</id><published>2010-07-21T08:59:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T08:02:30.607-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Mentes, genes e números: uma reflexão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante algum tempo, sobretudo após  iniciar minha graduação em Psicologia, venho buscando compreender como  funciona o ser humano e o mundo. Encontrei respostas e reescrevi várias  questões enquanto estive perto de filósofos como Nietzsche, Descartes e  Aristóteles. Cheguei a duvidar da importância de disciplinas como  Neuroanatomia e Neurofisiologia para a minha formação, e com Freud  comecei a montar as primeiras peças do meu, digo, do  quebra-cabeça que é a cognição. Atualmente, cursando Neurociências e  estudando um pouco de Psicometria, desconfio que os números e a Biologia  vêm, aos poucos, reconstruindo a Psicologia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TEccRlp9MmI/AAAAAAAAARA/KT5vwVmzals/s1600/brain-processor.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496392958720422498" src="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TEccRlp9MmI/AAAAAAAAARA/KT5vwVmzals/s200/brain-processor.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 200px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 200px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Para ser honesto, incomoda-me o fato de muitos psicólogos -- e  Psicologias -- negligenciarem a neurociência, as linhas evolucionistas e, em geral, o método científico.  Achados recentes sobre sonhos, memória, cognição social, transtornos mentais e  personalidade dariam novos contornos a muito do que ainda se ensina na  academia. O método científico traz rigor e precisão ao estudo da  cognição, e através dele podemos testar hipóteses e detectar e manipular  variáveis que, em conjunto, compõem toda a riqueza do comportamento  humano. O raciocínio hermenêutico presente na maioria das Psicologias é,  apesar de lógico e elegante, carente de evidências. Com efeito, certos postulados e práticas  terapêuticas de diversas abordagens tendem a ser imprecisos, dúbios,  deficitários. Por outro lado, não há por que deixarmos de lançar mão da  velha e boa filosofia, a partir da qual se originam nossos conceitos e  são erguidas nossas maiores questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mentes e genes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TEccmMT1OLI/AAAAAAAAARI/dEAYr1TZcrU/s1600/brain-processing.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496393312693991602" src="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TEccmMT1OLI/AAAAAAAAARI/dEAYr1TZcrU/s200/brain-processing.jpg" style="display: block; height: 200px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 189px;" /&gt;&lt;/a&gt;A resposta para uma dessas questões, "Quem somos?", está presente e é  central em qualquer Psicologia. No entanto, quase não se é dito sobre  nossas origens ("De onde viemos?"), e em virtude desse desinteresse  passamos ao largo de respostas razoáveis sobre a questão anterior. Se não me falha a memória, apenas dois dos meus professores  da graduação disseram algo -- embora muito brevemente -- sobre a teoria da  evolução das espécies. O fato de que as espécies evoluem em razão da  seleção natural elucida grandes enigmas sobre nossa natureza. Por  exemplo, nossa história evolutiva explica diversas diferenças  cognitivas/comportamentais entre homens e mulheres e, obviamente, entre  seres humanos e outros animais. Vivemos em sociedade, nossa comunicação é  complexa, calculamos, levantamos prédios, planejamos, amamos e  cozinhamos -- e por trás de todas essas façanhas reina a arquitetura de  um órgão gradualmente modelado pelas pressões ambientais: o encéfalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto que as mutações genéticas são o primeiro passo para a evolução  das espécies, arranjos gênicos atípicos mostram-se grandes responsáveis  pelo desenvolvimento de transtornos mentais como a  esquizofrenia, o autismo e a bipolaridade. Mais que isso, traços de  personalidade e aptidões cognitivas têm sido em parte explicados por  diferenças genéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dar espaço a esse tipo de postulado permite que a Psicologia ganhe novos  formatos. Pode ser que não sejamos tão maleáveis e sensíveis às pressões ambientais como supúnhamos -- e essa hipótese desagrada muita  gente. Em todo caso, tem soado indubitável a noção de que temos, como os  demais animais, uma natureza. Há padrões cognitivos e --  consequentemente -- comportamentais inerentes à nossa espécie. Alguns  desses padrões abrangem todos os indivíduos e outros, pelo que parece,  variam conforme gênero, idade e, possivelmente, etnia. Dentro de um  mesmo grupo, ainda, pessoas têm rendimento variado em tarefas (p.  ex., calcular) que exigem o uso de funções cognitivas específicas. Mais  que buscar explicações para como nossa cognição se desenvolveu ao longo  de milênios, podemos também checar diferenças cognitivas entre  indivíduos e grupos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mentes e números&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns psicólogos (e eu já estive entre eles) parecem crer que a   Psicometria se restringe à elaboração de testes que, em último caso,   apenas serão importantes para procedimentos técnicos concernentes à área organizacional.  Em contrapartida, há teóricos que apregoam que mensurar a cognição  talvez seja o modo mais perspicaz de estudá-la. Muito além de distribuir  pessoas e grupos em gráficos, dados psicométricos podem, quando sistematicamente analisados, lançar luz sobre a organização, a  estrutura da cognição. Por exemplo, o procedimento estatístico denominado análise fatorial revela haver fatores psicológicos básicos, relativamente independentes, que juntos configuram construtos como a inteligência e a personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de que pareça haver uma estrutura cognitiva humana universal, o  desempenho ou a forma como operam seus componentes varia entre as pessoas. Dito de outra forma, se por um lado a inteligência é  ubíqua, por outro lado notamos diferenças em sua manifestação.  Características genéticas explicam boa parte dessa variação, e fenômenos  sociais como o nível sócio-econômico, o rendimento   acadêmico, a saúde e até mesmo a resposta à psicoterapia costumam estar  altamente relacionados ao perfil cognitivo das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudos psicométricos da personalidade permitem o rastreio de dimensões ou  fatores psicológicos que descrevem quem -- ou  como -- somos. Dados sobre a persistência/flexibilidade desses fatores podem ser levantados a partir de estudos longitudinais.  Tendências e preferências ocupacionais e disposições psicológicas podem  ser explicadas conforme a configuração dessas dimensões. Apesar de que a personalidade seja um pouco menos determinada geneticamente do que a inteligência (mais ou menos 50 e 78%, respectivamente),  no mínimo colocamos em questão a validade de um espesso corpo teórico  que há décadas nos trata como organismos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;totalmente&lt;/span&gt; moldáveis às  condições ambientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande parte do que sabemos sobre a estrutura da inteligência e da  personalidade advém de estudos em Psicometria. Como estudante de  neurociências, não me passa despercebida a questão de  como os números  obtidos em testes psicométricos refletem aspectos  morfológicos,  fisiológicos e mesmo bioquímicos do encéfalo. Mensurar nossas aptidões e  habilidades cognitivas e, em paralelo, os traços que definem quem somos  pode servir como uma avaliação indireta do funcionamento desse órgão.  Ainda não sei se esses dados são -- ou como são -- reveladores ou apenas  imprecisos, superficiais; mas desconfio, em virtude da evidente  relação mente-encéfalo, que de alguma forma o estamos ouvindo -- com pouco  ou muito ruído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Considerações  finais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei em que pé terminará esta etapa de minha jornada. Confesso que  ainda, e talvez sempre, tenho mais dúvidas do que hipóteses razoáveis  sobre o mundo e o ser humano. Sei que ainda é muito cedo para prever o  futuro da Psicologia, mas não nego meu otimismo a respeito de sua  ascensão em termos de credibilidade e importância sociais. Creio que a  metodologia científica nos oferece uma forma de estabelecer diálogos  mais satisfatórios com outras ciências e, o que também é muito  importante, entre as diversas áreas psicológicas. Não apenas  através dos números, vejo na neurociência uma possibilidade de fazer com que o psicológico se  torne menos abstrato, intocável, espiritual. Em suma, entender as leis  que regem o encéfalo talvez seja o caminho mais proveitoso e seguro para  a compreensão da cognição -- mesmo que às vezes o façamos pela direção  inversa, isto é, rastreando e avaliando construtos cognitivos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sugestões para leitura:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinker,  Steven. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tábula Rasa: a negação  contemporânea da natureza humana.&lt;/span&gt; São Paulo: Companhia das  Letras, 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flores-Mendoza, Carmen. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Introdução à  Psicologia das Diferenças Individuais.&lt;/span&gt; Porto Alegre: Artmed,  2006.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-5422099110467495817?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/5422099110467495817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/07/mentes-genes-e-numeros-uma-reflexao.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5422099110467495817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/5422099110467495817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/07/mentes-genes-e-numeros-uma-reflexao.html' title='Mentes, genes e números: uma reflexão'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TEccRlp9MmI/AAAAAAAAARA/KT5vwVmzals/s72-c/brain-processor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-4924018111913920383</id><published>2010-07-11T09:38:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T08:06:23.101-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clínica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><title type='text'>Um pouco sobre a doença de Alzheimer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esquecer o caminho de casa, deixar o  almoço queimar e tornar-se incapaz de manusear o dinheiro são indícios de que a cognição está, por algum motivo, "enferrujando". Por trás desse quadro &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;semiológico&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, que às vezes -- mas só por algum  tempo -- passa despercebido por muita gente, não raro constata-se a  incidência da doença de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. O aumento da expectativa de vida das pessoas faz dessa doença um sério problema de saúde pública, e vários pesquisadores e clínicos têm se empenhado em entendê-la, diagnosticá-la precocemente e, tanto quanto possível, minimizar os prejuízos dela oriundos.&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A doença de  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As demências são síndromes  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;caracterizadas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; por processos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;neurodegenerativos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, a partir dos quais  originam-se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;declínios&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; cognitivos progressivos e, por isso mesmo,  devastadores. Estima-se que de 2 a 4% da população com mais de 65 anos  apresenta a doença de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;,(1) a qual responde por cerca de 50% dos  casos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;demenciais&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.(2) Sua prevalência aumenta com a idade,  particularmente após os 75 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;neurodegeneração&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; na doença de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; ocorre em virtude do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;acúmulo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  das proteínas beta-amilóide e tau, as quais constituem, respectivamente, placas senis e emaranhados &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;neurofibrilares&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Essas constituições  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;protéicas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; comprometem a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;neurotransmissão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, e diversas faculdades cognitivas vão sendo progressivamente prejudicadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TDjByw7U-EI/AAAAAAAAAQw/fs-0A3C6p9k/s1600/al4.png" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e)  {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5492352823449679938" src="http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TDjByw7U-EI/AAAAAAAAAQw/fs-0A3C6p9k/s320/al4.png" style="cursor: pointer; display: block; height: 246px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De acordo com o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;DSM&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-IV, os sintomas  clínicos típicos da doença de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; são:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;omprometimento da memória &lt;/span&gt;(capacidade  prejudicada de aprender novas informações ou recordar informações  anteriormente aprendidas);&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;fasia&lt;/span&gt; (perturbação da  linguagem);&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;praxia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; (capacidade  prejudicada de executar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;atividades&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; motoras);&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;gnosia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; (incapacidade de  reconhecer ou identificar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;objetos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;);&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;P&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;erturbação do funcionamento  executivo &lt;/span&gt;(p. ex., dificuldades em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;planejar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, organizar,  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;sequenciar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e abstrair).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;Ainda conforme o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;DSM&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-IV, o diagnóstico da doença de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; inclui a  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;necessidade&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;defasagem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; de pelo menos uma função cognitiva além da  memória.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A utilização combinada de instrumentos  de avaliação cognitiva e de escalas de avaliação funcional se faz  importante para a fundamentação do diagnóstico. A avaliação funcional  visa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;checar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;declínios&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; que acometem sobretudo as áreas social e laboral do paciente desde a emergência dos primeiros sintomas. A avaliação  cognitiva visa detectar quão comprometidas estão funções como a memória,  a atenção, a linguagem, as funções executivas e as habilidades  construtivas. Instrumentos de avaliação específicos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;checam&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; isoladamente  cada uma dessas funções, enquanto que a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;cognição&lt;/span&gt; global pode ser  avaliada pelo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Mini&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-exame do Estado Mental.(3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe ressaltar que o diagnóstico &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;embasado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; em manuais, entrevistas e/ou  técnicas de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;imageamento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;probabilístico&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;,  restando à análise &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;anátomo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-patológica do encéfalo (realizada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;pos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;mortem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;) verificar a hipótese.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Etiologia e relações&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda não sabemos ao certo as causas  do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;acúmulo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; proteico  que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;caracteriza&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  a doença de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.  Apesar de  que certos genes pareçam estar relacionados ao quadro (como   alguns do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;cromossomo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  21), a influência hereditária só se mostra &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;significativa&lt;/span&gt;  em casos onde a doença se inicia precocemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias pesquisas relatam haver  correlação negativa entre escolarização e prevalência da doença de  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; (isto é, pessoas que estudaram por mais tempo mostram-se menos  propensas a desenvolvê-la). Acredita-se que arranjos sinápticos mais  complexos e fortalecidos "protegem-nos" da doença, e que a escolaridade  seria um dos principais promotores dessas condições. Há também suspeitas  de que variáveis como prática de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;atividades&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; físicas e estilos de vida  (lazer, sociabilidade e profissão) e de dieta estejam de alguma forma  relacionados à incidência da doença. No entanto, a maior parte dessas inferências carece de  estudos que as sustentem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;satisfatoriamente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo que o curso da doença de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; seja irreversível, há   procedimentos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;farmacológicos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e de reabilitação razoavelmente capazes de   retardar seu desenvolvimento. Como em quase toda condição patológica, o   diagnóstico precoce permite que as intervenções disponíveis sejam mais   &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;efetivas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue abaixo um vídeo instrutivo sobre a doença de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/h30Qn5YQNLw&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/h30Qn5YQNLw&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;Bibliográficas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(1) Consultado em  http://virtualpsy.locaweb.com.br/dsm_janela.php?cod=42&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;CHARCHAT&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;,  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;Helenice&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;NITRINI&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;,  Ricardo; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_58"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;CARAMELLI&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;,  Paulo                  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_59"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;and&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;     &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_60"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;SAMESHIMA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;,  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_61"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;Koichi&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Investigação de Marcadores Clínicos dos Estágios  Iniciais da Doença de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_62"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_58"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; com Testes &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_63"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_59"&gt;Neuropsicológicos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_64"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_60"&gt;Computadorizados&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;i&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_65"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_61"&gt;Psicol&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_66"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_62"&gt;Reflex&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_67"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_63"&gt;Crit&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/i&gt; [&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_68"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_64"&gt;online&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;].       2001,      &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_69"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_65"&gt;vol&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.14, n.2                     [&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_70"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_66"&gt;cited&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;       2010-07-11], &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_71"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_67"&gt;pp&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. 305-316.&lt;br /&gt;&lt;http: br="" script="sci_arttext&amp;amp;pid=s0004-282x2005000400034&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso"&gt;&lt;/http:&gt;&lt;br /&gt;&lt;http: br="" script="sci_arttext&amp;amp;pid=s0004-282x2005000400034&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso"&gt;(3)  &lt;/http:&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_72"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_68"&gt;NITRINI&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, Ricardo    &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_73"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_69"&gt;et&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_74"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_70"&gt;al&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;   .   Diagnóstico de doença de  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_75"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_71"&gt;Alzheimer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; no  Brasil: avaliação cognitiva e  funcional. Recomendações do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_76"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_72"&gt;Departamento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  Científico de Neurologia  Cognitiva e do Envelhecimento da Academia  Brasileira de Neurologia.&lt;b&gt;  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_77"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_73"&gt;Arq&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Neuro-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_78"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_74"&gt;Psiquiatr&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/b&gt;,    São Paulo,      v. 63,     n. 3a, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_79"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_75"&gt;Sept&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.       2005.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-4924018111913920383?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/4924018111913920383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/07/um-pouco-sobre-doenca-de-alzheimer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/4924018111913920383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/4924018111913920383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/07/um-pouco-sobre-doenca-de-alzheimer.html' title='Um pouco sobre a doença de Alzheimer'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TDjByw7U-EI/AAAAAAAAAQw/fs-0A3C6p9k/s72-c/al4.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-1222145028856790772</id><published>2010-05-24T08:03:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T08:08:02.412-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><title type='text'>De neurônio em neurônio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;neurônios&lt;/span&gt; são as unidades elementares do  sistema nervoso. Cada célula neuronal é composta por um corpo celular (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;cell&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;body&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;), um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;axônio&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;axon&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;) e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;dendritos&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;dendrites&lt;/span&gt;). Os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;dendritos&lt;/span&gt; são  prolongamentos (ou acessórios), como fios de cabelo, nos quais estão arraigados  receptores sensíveis a moléculas dispostas no meio &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;extracelular&lt;/span&gt;. O  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;axônio&lt;/span&gt;, um prolongamento caudal, conduz o tipo típico de sinal -- um sinal elétrico -- que trafega pelo sistema nervoso: os impulsos nervosos, também denominados potenciais de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;ação&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S_nm_OzvO2I/AAAAAAAAAQo/2Q42ErQ8hjk/s1600/NEURON2b.gif" onblur="try  {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474660796026796898" src="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S_nm_OzvO2I/AAAAAAAAAQo/2Q42ErQ8hjk/s320/NEURON2b.gif" style="cursor: pointer; display: block; height: 261px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 261px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Nosso encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) abriga cerca de 100 &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;bilhões&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;neurônios. Essas células comunicam-se entre si &lt;span style="font-style: italic;"&gt;des&lt;/span&gt;continuamente. &lt;/span&gt;O impulso nervoso, ao  atingir os terminais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;axonais&lt;/span&gt;, promove a liberação de moléculas -- os neurotransmissores -- na fenda sináptica, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;espaçamento&lt;/span&gt; entre os neurônios. Quando essas moléculas se ligam a um número suficiente de receptores pós-sinápticos -- enraizados, p. ex., nos dendritos do neurônio vizinho --, um novo impulso nervoso é gerado. Veja abaixo uma animação  de como seria esse diálogo neuronal.(1)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="364" width="445"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KdFSdOrBRiM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/KdFSdOrBRiM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A velocidade média do impulso nervoso é de  10 metros por segundo, sendo que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;axônios&lt;/span&gt; mais espessos e/ou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;mielinizados (revestidos por mielina)&lt;/span&gt; transmitem sinais mais rapidamente. Similarmente à lógica do código &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Morse&lt;/span&gt;, a  informação transmitida entre os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;neurônios&lt;/span&gt; está codificada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;na frequência&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;no padrão &lt;/span&gt;de impulsos nervosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os  impulsos nervosos percorrem extensas redes ou vias (p. ex., as vias  sensitivas), várias das quais medeiam o diálogo entre o encéfalo e o  resto do corpo. A título de exemplo, e como será mostrado no vídeo a  seguir, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;neurônios&lt;/span&gt;  da área motora primária, localizada no &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;neocórtex&lt;/span&gt;,  enviam sinais que modulam o comportamento do dedo indicador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/xRkPNwqm0mM" title="YouTube video player" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;neurônio&lt;/span&gt; em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;neurônio&lt;/span&gt;, como  pessoas que conversam umas com as outras, mensagens  são  incessantemente transmitidas e, concomitantemente, pensamentos, sentimentos e condutas públicas  são produzidos. Doenças &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;psiquiátricas&lt;/span&gt; e neurológicas podem  envolver distúrbios na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;neurotransmissão&lt;/span&gt;, e diversos fármacos atuam de forma a tentar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;restabelecer&lt;/span&gt; a  comunicação neuronal normal (&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;Gazzaniga&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;cols&lt;/span&gt;., 2006).  De estudantes universitários a tubarões, camundongos e abelhas, os  princípios da geração, condução e transmissão de impulsos nervosos são  os mesmos. Disso desdobra a possibilidade -- e a conveniência -- de se  estudar a circuitaria de animais não-humanos com a finalidade de compreendermos e intervirmos adequadamente sobre o nosso próprio maquinário neural.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nota e &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42" style="font-weight: bold;"&gt;bibliografias&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; consultadas:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(1) Embora não esclarecido no texto, o  vídeo mostra como o impulso nervoso é conduzido ao longo do axônio, a  saber, através da despolarização da membrana axonal. Ademais, cabe  salientar que os neurotransmissores -- embora possa parecer no vídeo -- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não&lt;/span&gt; entram na membrana  pós-sináptica. Em vez disso, eles se ligam a receptores que, por seu  turno, permitem a troca de íons entre o neurônio pós-sináptico e o meio  extracelular (tornando o primeiro mais excitável). As moléculas que adentram a  membrana neuronal na ilustração são, portanto e provavelmente, íons de  cálcio e de sódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_63"&gt;Bear&lt;/span&gt;,  Mark F. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_64"&gt;Neurociências&lt;/span&gt;:     desvendando o sistema   nervoso.&lt;/span&gt; Porto Alegre: &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_65"&gt;Artmed&lt;/span&gt;, 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gazzaniga,  Michael S. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Neurociência Cognitiva: a  biologia da mente.&lt;/span&gt; Porto Alegre: Artmed, 2006.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-1222145028856790772?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/1222145028856790772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/05/de-neuronio-em-neuronio_24.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1222145028856790772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/1222145028856790772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/05/de-neuronio-em-neuronio_24.html' title='De neurônio em neurônio'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S_nm_OzvO2I/AAAAAAAAAQo/2Q42ErQ8hjk/s72-c/NEURON2b.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-7815439816696437198</id><published>2010-05-18T13:28:00.001-07:00</published><updated>2011-06-01T08:08:46.813-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Mente: esboçando uma definição</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos cursando o segundo módulo da  especialização em Neurociências pela UFMG. Com bem menos bioquímica, fisiologia e  neuroanatomia, temos estudado as doenças do sistema nervoso sob uma  perspectiva mais psiquiátrica, cognitivista e, é claro,  psicopatológica. Muitos de nós temos achado esse segmento do curso mais  leve -- sobretudo por haver menos termos e processos moleculares intricados para  aprender. No entanto, e à medida que lançamos mão de psicologismos para  descrever ou explicar doenças, as coisas vão ficando, como diriam alguns  colegas, mais abstratas. Termos banais como personalidade, afeto e  inteligência podem parecer residir em um universo totalmente à parte do  sistema nervoso central. Não obstante os esforços de professores e  colegas no sentido de arquitetar pontes entre esses mundos, alguns  termos ainda nos escapam entre os dedos. Um deles, talvez o mais popular  e abrangente, empacou por alguns minutos o fluxo da nossa última aula.  "Afinal de contas, professor", interveio uma colega, "o que vem a ser a mente?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Alguns teóricos sugerem que a mente é  exatamente aquilo que o cérebro faz. Para ilustrar essa aproximação (ou melhor, essa identificação), iInumeráveis  construtos psicológicos vêm sendo relacionados a padrões de sinalização  neuroquímica (comunicação entre neurônios por meio de substâncias  químicas, os neurotransmissores), a circuitos relativamente  circunscritos e a modalidades específicas de conexão e disparos  neuronais. Memória de trabalho, filtro atentivo, percepção, linguagem,  inibição de impulsos e tomada de decisão são exemplos de construtos que têm sido&amp;nbsp; incorporados e abordados pelas neurociências. Apesar de que ainda  estejamos um pouco longe de explicá-los (os construtos)  sistematicamente, não faltam evidências de que o que somos e como agimos  e pensamos está intimamente ligado à atividade do encéfalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Psicologias Comportamental e Cognitiva, talvez também por seu compromisso  científico, dialogam satisfatoriamente com as neurociências. A perspectiva cognitivista, em especial, preconiza que o  mundo mental pode ser alicerçado no mundo físico pelos conceitos de  informação, computação e &lt;i&gt;feedback&lt;/i&gt;, bem como que a mente é um sistema  complexo composto de muitas partes que interagem.(1) Ao estudarmos os sistemas computacionais do encéfalo, estaríamos também estudando a mente. A título de exemplo, sabe-se que o córtex pré-frontal  dorsolateral dá forma à memória de trabalho; que circuitos da amígdala e do  córtex orbitofrontal computam informações emocionais; e que áreas sensitivas  primárias dos lobos temporal e occipital processam, respectivamente,  informações auditivas e visuais. Vale lembrar que essas áreas, como  todas as demais, recebem e enviam informação de e para inúmeras outras, arquitetando redes amplas e complexas de computação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S_KoCxT5jTI/AAAAAAAAAQQ/vQoW4JqM57M/s1600/mente-compu%5B1%5D.jpg" onblur="try  {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5472621262758579506" src="http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S_KoCxT5jTI/AAAAAAAAAQQ/vQoW4JqM57M/s200/mente-compu%5B1%5D.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 200px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 167px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Elaborei, pelas lentes cognitivistas, um  esboço do que entendo pelo termo mente. Em uma só frase, mente designa o conjunto de sistemas especializados em traduzir e processar os sinais do corpo e do ambiente, tendo como função global e primordial garantir a funcionalidade, a adaptação de um organismo  ao seu meio. Cabe ressaltar que animais não-humanos também possuem  mente, mesmo que seus mecanismos constituintes variem de acordo com a  espécie e, portanto, gerem cognições e comportamentos peculiares. Esses mecanismos, que estão assentados na filogênese, foram  modelados pela seleção natural.(2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Considerações finais&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximar a mente das computações encefálicas faz desdobrar questões inquietantes de cunho científico, filosófico e religioso. Por exemplo, aceitar que só há mente -- e consciência -- enquanto estamos vivos costuma suscitar revolta naqueles que creem em um propósito transcendental para a vida. Em se tratando da filosofia da mente, talvez jamais saibamos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por que&lt;/span&gt; certos padrões de disparo -- ou conjuntos de neurônios -- configuram umas ou outras modalidades imagéticas (isto é, os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;qualia&lt;/span&gt;), tais como a vermelhidão do vermelho, a alegria ou o amargo do café.(3) Seja como for, pode ser que a materialização da mente -- em grande parte por via dos avanços da Neurociência -- reforce, saliente e transforme os paradigmas da Psicologia que são mais comprometidos com o método científico. Não obstante  certos entraves epistemológicos, essa etapa pode marcar um novo caminho rumo à compreensão, previsão e controle do comportamento humano.&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas e referência  bibliográfica:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Pinker, Steven. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tábula Rasa: a negação contemporânea da  natureza humana.&lt;/span&gt; São Paulo: Companhia das Letras, 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2)  Se considerarmos as ambições dos proponentes da inteligência  artificial, logo teríamos de mudar a forma de pensar sobre o termo  tratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Não estou discutindo a origem dos mecanismos celulares que geram as imagens mentais (os quais foram modelados pela seleção natural); discuto a natureza e o mistério que envolve essas imagens -- o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;conteúdo &lt;/span&gt;da mente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-7815439816696437198?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/7815439816696437198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/05/mente-esbocando-uma-definicao_18.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/7815439816696437198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/7815439816696437198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/05/mente-esbocando-uma-definicao_18.html' title='Mente: esboçando uma definição'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S_KoCxT5jTI/AAAAAAAAAQQ/vQoW4JqM57M/s72-c/mente-compu%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-2202030568801928464</id><published>2010-04-30T10:47:00.001-07:00</published><updated>2011-06-01T08:12:06.072-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hipóteses e Modelos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Processos Psicológicos Básicos'/><title type='text'>Um pouco abaixo da consciência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem à noite, logo quando me deitei    para dormir, versos melódicos de "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Day&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Tripper&lt;/span&gt;", uma canção dos Beatles,    começaram a invadir meus pensamentos. Não havia, pelo que notei,    qualquer estímulo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;discriminativo&lt;/span&gt; (como uma foto dos Beatles ou meu   violão)  nas proximidades capaz de engatilhar a balada. Minha melhor  hipótese,   fundamentada em teorias e estudos de que tratarei adiante, é  a de que aqueles versos já estavam, silenciosamente, sendo cantados por  mim - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e  sem que eu  me desse conta  disso&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S_ljBK2k8kI/AAAAAAAAAQg/zTodtWRBSqs/s1600/the_beatles.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474515693789835842" src="http://4.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S_ljBK2k8kI/AAAAAAAAAQg/zTodtWRBSqs/s320/the_beatles.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 202px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 269px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Sabemos que o cérebro não  pára:  seu funcionamento é incessante e dividido em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;departamentos&lt;/span&gt; e níveis  de  processamento distintos. Enquanto  estamos  ocupados em tarefas  simples como ler, ouvir música ou dormir,  cálculos e  computações &lt;span style="font-style: italic;"&gt;im&lt;/span&gt;perceptíveis são gerados pela &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;atividade&lt;/span&gt; dos  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;neurônios&lt;/span&gt;, as células  básicas que o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;constituem&lt;/span&gt;. O conteúdo  mental a que temos acesso ou  consciência é,  como sugerira Freud, apenas a  pontinha de um imenso e  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;intricado&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;iceberg&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Sendo assim, e um pouco abaixo do escopo da  consciência, pode-se dizer que emoções, ensaios motores e versos  melódicos são silenciosa, paralela e  constantemente gerados.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S9cfibVJrdI/AAAAAAAAAQA/F-xMGZBOvuI/s1600/brain-music-HE02-vertical.jpg" onblur="try  {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sono, memória e processamento inconsciente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos,  diversos estudos sobre a  relação entre sono (sobretudo o sono &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;REM&lt;/span&gt;) e  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;aprendizagem&lt;/span&gt; foram  realizados. Em suma, propõe-se que  enquanto dormimos  o cérebro se  encarrega de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;repetir&lt;/span&gt;  e  organizar (ou sintetizar) o que aprendemos  recentemente. Essas   repetições, que durante os sonhos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;comumente&lt;/span&gt; estariam  "camufladas",   possuiriam a função de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;consolidar  &lt;/span&gt;a   &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;aprendizagem&lt;/span&gt; (&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Bear&lt;/span&gt;, 2002).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudos sobre os mecanismos moleculares da memória  parecem corroborar a teoria &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;supracitada&lt;/span&gt;. Não apenas durante o sono, um  tipo de modulação sináptica, a potenciação de longa duração (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;long&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;term&lt;/span&gt;  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;potentiation&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; -  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;LTP&lt;/span&gt;),  empenha-se em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;efetivar&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;o  registro (ou a memorização) de novos acontecimentos ou procedimentos  executados. Em se tratando do nível de análise &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;comportamental&lt;/span&gt;, essa modulação mostra-se decisiva  na promoção dos condicionamentos clássico e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;instrumental&lt;/span&gt; (&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Loginver&lt;/span&gt;,  2010). A &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;LTP&lt;/span&gt; aumenta por horas, dias ou meses a eficácia de  sinapses estimuladas (&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Bear&lt;/span&gt;, 2002). Tal como precisamos chutar bolas inúmeras  vezes ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;gol&lt;/span&gt; para que  nossa  apontaria melhore, nossos  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;neurônios&lt;/span&gt;  precisam disparar incontáveis   vezes para que novas  habilidades  ou informações sejam  consolidadas -  mesmo que não o percebamos.  Além de prolongar a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;atividade&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;neurônios&lt;/span&gt; específicos, a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;LTP&lt;/span&gt; eleva  também a frequência de seus disparos (efetivando mais ainda suas sinapses). Veja abaixo um   vídeo     ilustrativo da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;LTP&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="364" width="445"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/sTPa2rvqDWs&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/sTPa2rvqDWs&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É possível que potenciações de longa duração estejam sendo geradas em seu cérebro neste momento.  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Destarte&lt;/span&gt;, quando posteriormente você se ocupar com outros afazeres,  essas potenciações permanecerão, silenciosa e persistentemente, em  execução. Esse processamento inconsciente poderá, na melhor das hipóteses, registrar em suas redes &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;neurais&lt;/span&gt; informações consistentes a respeito da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;LTP&lt;/span&gt;. Não é curiosa a ideia de que só &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;efetivamente&lt;/span&gt; aprendemos algo sobre potenciações de longa duração na medida em que entram em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;ação&lt;/span&gt;, em nossos circuitos, potenciais de longa duração? Dependendo do quanto este assunto  lhe despertou interesse, é teoricamente possível que seus pensamentos sejam de alguma forma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;afetados&lt;/span&gt; por essas potenciações recentemente geradas (mas talvez não tanto quanto seriam caso estas tratassem de consolidar versos melódicos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renovando o repertório&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem à tarde, horas antes de eu me deitar, dediquei    alguns bons minutos tentando tocar e cantar "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;Day&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;Tripper&lt;/span&gt;". Com efeito,  esse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;treinamento&lt;/span&gt; possivelmente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;ativou&lt;/span&gt; o tipo de modulação sináptica  denominado &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;LTP&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;long&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;term&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;potentiation&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;),  através do qual encadeamentos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;neurais&lt;/span&gt; específicos continuaram    disparando no decorrer do dia - e decerto também durante meu sono. Ouso  extrapolar, outrossim, que essa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;atividade&lt;/span&gt; neural, em  razão da  não-competição  (ou de uma baixa competição) com estímulos circundantes   (oriundos do ambiente exterior), conquistou, pouco antes de eu dormir,  acesso  ao nível de  processamento que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;constitui&lt;/span&gt;  a experiência consciente. Essa linha de eventos, enfim, abriu uma janela cuja vista, os versos de uma bela canção, repousava há horas no meu inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Considerações finais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não  estou certo do quanto e de como a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;LTP&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;afeta&lt;/span&gt; comportamento e pensamento  corriqueiros. No entanto, no mínimo posso - e desejo - inferir que o  inconsciente não é, como gostaria Freud, constituído sobretudo de  fantasias sexuais. É possível que boa parte do processamento imerso nas  águas profundas da cognição diga respeito à consolidação &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;mnemônica&lt;/span&gt;, bem  como que esta, realizada via &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;LTP&lt;/span&gt; (mas não só), interfira no curso do  pensamento e do comportamento. Por exemplo, não estaria a potenciação de longa duração relacionada à reprodução involuntária de "músicas-que-não-saem-da-cabeça"? A propósito, não poderia a potenciação de longa duração desencadear  comportamentos na ausência de estímulos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;discriminativos&lt;/span&gt;? Se não, não  estaria a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;LTP&lt;/span&gt; ao menos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;afetando&lt;/span&gt; a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;probabilidade&lt;/span&gt; de que certos  comportamentos sejam emitidos? Em se tratando do viés psicanalítico, a interpretação de sonhos e de fenômenos como o ato falho poderiam ganhar rumos alternativos (não necessariamente substitutivos). No entanto, resta saber se há abertura na teoria psicanalítica para que hipóteses biológicas afetem a forma como é vista a dinâmica do inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero em breve ter em mãos respostas para algumas dessas perguntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%; font-weight: bold;"&gt;Notas  e referências &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_60"&gt;bibliográficas&lt;/span&gt;:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1)  Para detalhes sobre o  conceito &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_61"&gt;acesse&lt;/span&gt; &lt;a href="http://danielgontijo.blogspot.com/2010/02/um-pouco-mais-sobre-consciencia.html"&gt;Consciência:  uma definição&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2)  Na verdade, aprender e estabelecer novas  conexões sinápticas (ou   desfazê-las) são, em certo sentido,   &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_62"&gt;sinônimos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_63"&gt;Bear&lt;/span&gt;, Mark F. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_64"&gt;Neurociências&lt;/span&gt;:   desvendando o sistema   nervoso.&lt;/span&gt; Porto Alegre: &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_65"&gt;Artmed&lt;/span&gt;, 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_66"&gt;Lovinger&lt;/span&gt;,  David M.   &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_67"&gt;Neurotransmitter&lt;/span&gt; roles &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_68"&gt;in&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_69"&gt;synaptic&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_70"&gt;modulation&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_71"&gt;plasticity&lt;/span&gt;  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_72"&gt;and&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_73"&gt;learning&lt;/span&gt;   &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_74"&gt;in&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_75"&gt;the&lt;/span&gt; dorsal &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_76"&gt;striatum&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_77"&gt;Neuropharmacology&lt;/span&gt; 58 (2010),  951-961.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-2202030568801928464?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/2202030568801928464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/04/um-pouco-abaixo-da-consciencia_30.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/2202030568801928464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/2202030568801928464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/04/um-pouco-abaixo-da-consciencia_30.html' title='Um pouco abaixo da consciência'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S_ljBK2k8kI/AAAAAAAAAQg/zTodtWRBSqs/s72-c/the_beatles.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-2307231139545772412</id><published>2010-04-10T19:11:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T08:13:28.811-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>Punição, Política Dissuasiva e Moralidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um dos episódios de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Futurama&lt;/span&gt;, animação estadunidense do mesmo criador de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Simpsons&lt;/span&gt;, a capitã da espaçonave &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Planet Express&lt;/span&gt; se depara com uma fonte de petiscos deliciosos (similares a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;baconzitos&lt;/span&gt; rechonchudos) em um planeta longínquo. Com a ajuda de seus amigos, Bender e Fry, Leela carrega seu veículo interestelar com essa guloseima e começa a comercializá-la na Terra. Os negócios andavam bem até que os líderes de uma espécie alienígena, furiosos em razão do sequestro e dizimação de sua prole, vieram à Terra a fim de fazer justiça. A guloseima exótica, que vinha conquistando o paladar de milhões de terráqueos, era na verdade pequeninos e quase inexpressivos bebês extraterrestres. Nossa capitã, principal responsável pela exportação das criaturinhas, seria, em rede nacional, devorada pelos justiceiros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S9Wo6c4-HmI/AAAAAAAAAPI/UqFLHhOT0tY/s1600/futurama_greenyonder1.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464459445024988770" src="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S9Wo6c4-HmI/AAAAAAAAAPI/UqFLHhOT0tY/s320/futurama_greenyonder1.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 180px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Punir ou não punir? — eis a questão. Um dos psicólogos mais eminentes do século passado, Skinner (1983) asseverou que “a punição destina-se a eliminar comportamentos inadequados, ameaçadores ou […] indesejáveis, com base no princípio de que quem é punido apresenta menor possibilidade de repetir seu comportamento”.(1, 2) Há casos, no entanto, e tal como foi ilustrado anteriormente, em que a punição chega ao extremo de eliminar toda e qualquer forma de expressão do infrator (matando-o). Embora haja quem se oponha a essa espécie de condenação, há também quem a defenda em razão de um de seus efeitos indiretos: desestimular outras pessoas de cometer infrações. Como aprendemos, além de por nossas experiências diretas (modelagem), também pela observação (modelação), e como somos indivíduos sociais e cognitivamente capazes de seguir regras (outro fio condutor do comportamento), o fenômeno chamado “política dissuasiva” desponta naturalmente como uma das vértebras de nossa coluna moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A política de dissuasão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “política de dissuasão”, como alguns teóricos a denominam, pode ser vista como uma estratégia reguladora de comportamento cuja função é dissuadir ou desencorajar infratores potenciais. Como punir é comumente uma tarefa custosa e às vezes produz colaterais danosos,(3) pessoas e instituições lançam mão da política dissuasiva. Um exemplo de dissuasão é garantir que multas ou prisões sejam aplicadas a cidadãos emissores de condutas socialmente indesejáveis (convenhamos, penalidades nada extremistas se comparadas ao assassinato legal). As religiões, que também adotam medidas dissuasivas, geralmente apregoam severas punições &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pos mortem. &lt;/span&gt;Em se tratando do cristianismo, por exemplo, pagar as contas no purgatório e torrar perenemente no fogo do inferno são as mais populares e temidas. Mas a política de dissuasão permeia também nosso cotidiano. Ameaças de castigo e agressão são topografias comportamentais típicas dos pais, e alusões de negligência e separação são tentativas de endireitar a conduta do cônjuge (e há quem diga que o ciúme evoluiu “para”, entre outras coisas, nos amparar nesse quesito).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Sabemos, contudo, que há falhas na política dissuasiva. Por exemplo, a probabilidade de emitirmos comportamentos imorais/inadequados aumenta na medida em que os estímulos sinalizadores da punição se ausentam.(1) Furamos o sinal vermelho e somos infiéis bem mais quando sermos flagrados se faz improvável. Voltando ao caso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Futurama&lt;/span&gt;, para que o propósito dos reis extraterrestres fosse eficazmente conquistado, qual seja, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dissuadir&lt;/span&gt; as pessoas de comer seus filhotes, apenas promover o “Show do Banquete” não bastaria (tal como não basta televisionar a condenação do casal Nardoni para dissuadir atos de crueldade na relação pais-filho). Se seus ninhos não estiverem protegidos e se sua astúcia em detectar os gulosos for falha, tanto maior será a chance de sua prole cair em mãos — e bocas — erradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga jurista, a respeito das falhas do sistema penal, asseverou que uma parcela mínima dos criminosos é presa. Quando são detidos, ainda, apenas a minoria vai para o xadrez. E não é por acaso que os presidiários são, em maioria, pobres. Os ricos, complementou, têm bons advogados e se esquivam sagazmente da fiscalização — e por isso não são desencorajados pelas punições previstas na legislação. A conclusão, em termos do senso comum, parece a seguinte: se eu posso te empurrar na lama &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sem que você me empurre&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;outrora&lt;/span&gt;, ser egoísta e imoral se me faz desejável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, praticamente ninguém é ininterrupta e incondicionalmente imoral. A não ser as pessoas com transtorno de personalidade antissocial (os psicopatas) — as quais “fracassam em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais” —,(4) somos adequadamente afetados pela punição, sentimos culpa e embaraço e, com efeito, geralmente julgamos que os fins &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não&lt;/span&gt; justificam os meios. Ao lado disso, não são poucas nossas razões para sermos solidários, cooperativos e conformantes aos princípios morais. Sem isso decerto não teríamos pisado na Lua, levantado cidades ou tecido redes virtuais de comunicação. Sermos empáticos, amáveis e corteses também caracterizam condutas cujos efeitos são, em diversos contextos, bilateralmente benéficos. A base da moralidade, concluo, não se restringe aos princípios da política dissuasiva (embora dela dependa enormemente).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Pouco antes de concluir, devo citar o que parece caracterizar a eficácia das políticas dissuasivas: 1) a eficiência na detecção de infratores e 2) a aplicação &lt;i&gt;infalível&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;apropriada &lt;/i&gt;de penalidades. Há um esboço de como um sistema munido desses mecanismos poderia funcionar apresentado no texto &lt;a href="http://olharbeheca.blogspot.com/2010/03/olho-por-olho.html"&gt;&lt;span style="color: #336699;"&gt;Olho por Olho&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; do psicólogo e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;game designer&lt;/span&gt; Alessandro Vieira. Receio, no entanto, que aprimorar nossos instrumentos reguladores a tal patamar é, ao menos atualmente, inviável. Em paralelo, não estou certo se meios eficientes de gratificar e alardear condutas socialmente desejáveis poderiam ser elaborados, incentivados e mesmo implementados pelo governo. Como aludi anteriormente, mais que ameaçar, fiscalizar e punir acertadamente, desenvolver e reforçar condutas, valores e ideais apropriados é tanto e talvez até mais imprescindível quando queremos promover "homeostasia moral".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Da condenação de Leela&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leela merecia ser comida pelos alienígenas? Sabemos, pelo viés da Psicologia Existencial, que da liberdade irrompe a responsabilidade. Mas se por um lado o caminhão de petiscos embarcou rumo à Terra — e à morte — devido às deliberações da capitã, por outro lado não lhe passou pela cabeça o fato de que havia vida pulsando em suas entranhas (dos petiscos). Seu crime não fora premeditado e sua luta contra a comercialização do produto, mais adiante, revelou sua veia altruísta e incomumente materna. Por sorte, e como não estamos tratando de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;South Park&lt;/span&gt;, nossa protagonista esquivara-se do seu trágico destino.(4) Os alienígenas grosseiros, em contrapartida, acabaram revelando ao mundo que o cumprimento de suas ameaças é falho e impreciso. A regra “Se-comer-será-comido”, com efeito, provavelmente não controlaria eficientemente o comportamento dos terráqueos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%; font-weight: bold;"&gt;Notas e referências&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;bibliográficas:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(1) Skinner, 1983, citado em MOREIRA e MEDEIROS, 2007.&lt;br /&gt;(2) Meus agradecimentos pela fonte e revisão ao embrionário e dedicado analista do comportamento Neto, autor do &lt;a href="http://cptse.blogspot.com/"&gt;Blog "Comporte-se"&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;(3) Pinker, Steven. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tábula Rasa: a negação contemporânea da natureza humana. &lt;/span&gt;São Paulo: Companhia das Letras, 2004.&lt;br /&gt;(4) American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 4. ed. Washington, DC: American Psychiatric Association; 1994.&lt;br /&gt;(5) Apesar de Leela ter sido poupada, um outro ativista foi degolado pelo alienígena. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6987296777344636173-2307231139545772412?l=danielgontijo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danielgontijo.blogspot.com/feeds/2307231139545772412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/04/punicao-politica-dissuasiva-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/2307231139545772412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6987296777344636173/posts/default/2307231139545772412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danielgontijo.blogspot.com/2010/04/punicao-politica-dissuasiva-e.html' title='Punição, Política Dissuasiva e Moralidade'/><author><name>Daniel F. Gontijo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05642453169721712475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/TOJvUDla0hI/AAAAAAAAAVI/d4zfu4KpQlg/S220/meritob.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S9Wo6c4-HmI/AAAAAAAAAPI/UqFLHhOT0tY/s72-c/futurama_greenyonder1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6987296777344636173.post-9139206953536821954</id><published>2010-03-11T06:38:00.001-08:00</published><updated>2011-06-01T08:25:08.779-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte e Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência e Filosofia'/><title type='text'>AVATAR: à nossa imagem e semelhança</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S5pqVx3b-kI/AAAAAAAAANY/RvmxilcX-rE/s1600-h/avatar_66.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447783621653690946" src="http://3.bp.blogspot.com/_ITNo_YQI-Ms/S5pqVx3b-kI/AAAAAAAAANY/RvmxilcX-rE/s320/avatar_66.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 320px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 241px;" /&gt;&lt;/a&gt;Vertiginosos cenários tridimensionais, ficção científica e um belo mundo de plantas e bichos nunca antes vistos — mesmo que virtuais — são algumas das inebriantes atrações de AVATAR, uma das maiores produções hollywoodianas. Mas, e apesar das críticas, sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;trama&lt;/span&gt; agitou-me um tanto mais. Baseado nos temas que vinha estudando atualmente, quais sejam, natureza humana e moralidade,  teci uma análise de alguns paradoxos morais do filme e, em paralelo, inferi por que a maioria de nós comemorou a derrota humana.&lt;span style="color: #333333; font-size: 100%; font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: #333333; font-size: 100%; font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Da trama e da natureza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Subia-me um ar de estranheza ao ver imagens dos Na´Vi (ou de suas réplicas ou clones, os "avatares") em cartazes ou na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;web&lt;/span&gt;. Suas faces lembram as faces humanas, exceto pela cor da pele (azul), a protuberância de alguns traços (como o nariz e as orelhas) e os belos pigmentos bioluminescentes. Parecem um híbrido: uma mistura de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Homo sapiens&lt;/span&gt; vampíricos e engrandecidos com &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Smurfs"&gt;Smurfs&lt;/a&gt;. Mas o leve desconforto não superou minha curiosidade de conhecê-los pessoalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No laboratório de em uma espaçonave intergaláctica, o fuzileiro naval Jake, paraplégico, interpretado por Sam Worthington, foi convocado para assumir o posto de seu irmão gêmeo falecido. Para cumprir suas missões (das quais tratarei posteriormente), Jake precisa se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;incorporar&lt;/span&gt; (não simplesmente se conectar), através de aparelhos sofisticadíssimos, em um avatar — um tipo de clone da espécie inteligente do planeta Pandora. A consciência dos "incorporadores" é totalmente canalizada para seus respectivos avatares. A ideia é um pouco similar à do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Matrix&lt;/span&gt;, exceto pelo fato de que os avatares são biologicamente tão reais quanto os corpos dos "espíritos" que lhes animam. Para ser mais preciso, é como acordarmos, após um leve cochilo, no corpo de outra pessoa — ou de outro animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tal animal, talvez não por acaso, assemelha-se conosco. E não me refiro apenas ao corpo (apesar da calda, altura e pele): mente e comportamento, ouso julgar, praticamente refletem nossa natureza. Religiosidade e mitos, canções, caça, monogamia, padrões hierárquicos, domesticação de animais, disposição para a guerra, linguagem (inclusive capacidade para aprender o inglês) e rituais de ascensão são alguns exemplos de comportamentos funcionalmente idênticos aos nossos. E todo repertório emocional humano fora 
