Embora a Filosofia da Mente possua
uma agenda muito ocupada com os problemas da consciência, há uma questão
que, para os psicólogos mais céticos e pragmáticos, pode ser muito mais
atraente e envolvente – mas igualmente polêmica. Essa questão, que
parece passar intocada pelos graduandos de Psicologia, por seus
professores e para o público leigo, é a de se os estados mentais
inconscientes(1) realmente existem – logo eles, que são rotineiramente
invocados para se explicar o comportamento. Antes disso, é
impressionante como até mesmo nós, clínicos e/ou professores, temos
dificuldade em descrever o que são esses estados mentais – ou o que é a mente, afinal.
Mas eu não estou aqui para tentar resolver o problema, e sim, entre
outros motivos – inconscientes? –, para colocá-lo sobre a mesa. Devo
adiantar que o que virá a seguir não é uma análise sobre os conteúdos e
processos inconscientes postulados pela Psicanálise, da qual eu não
tenho o menor domínio, e sim sobre a tese mais genérica e popular de que
existe uma fatia da mente que trabalha e nos afeta sem sequer
percebermos.
