"Você é uma ilusão" foi a convidativa manchete de
uma revista, a Galileu, que eu encontrei por acaso há alguns dias
atrás. A edição é antiga, de outubro de 2002, mas o assunto
não poderia ser mais atual. A natureza e as dimensões do self, ou de um Eu
que dá luz à consciência, é um daqueles tópicos que encontram muita dificuldade em despertar
consenso na comunidade – sobretudo quando entrelaçamos ciência,
filosofia e religião. Nós existimos enquanto entidades imateriais,
independentes do corpo e espectadoras do mundo? Ou, trazendo os pés para
o chão, não passamos de uma parte especial deste Universo material?
Basicamente, o propósito daquela matéria foi propagar a boa nova de que algumas ideias
budistas sobre o self vêm encontrando respaldo nas ciências da
mente.
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terça-feira, 27 de março de 2012
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Consciência: uma definição
Venho acompanhando alguns fóruns cujo tema é o problema da consciência. Não raro percebo que a variabilidade de acepções para o termo gera discussões descabidas. Afinal, o que é a consciência? "Se precisamos perguntar, nunca iremos saber!", brincam alguns filósofos. Essa premissa parece sugerir que a consciência entremeia todas as mentes normais, que sua existência é evidente mas que descrevê-la assemelha-se a tentar explicar a um cego congênito o que são as cores. Por outro lado, não acho que a experiência consciente seja um fenômeno tão inescrutável assim.terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O dualismo está caindo?
Freud aventou que o denominador comum de todas as revoluções científicas é a promoção do "destronamento humano".(1) Enquanto Copérnico tirou a Terra do centro do universo, Darwin mostrou-nos de quem somos parentes e o pai da Psicanálise, embora muito criticado, lançou luz sobre uma dimensão mental pela qual somos ininterruptamente "controlados": o inconsciente. Estaríamos, com o advento das neurociências, arquitetando o prelúdio de uma nova revolução? Estaria o materialismo (ou o fisicalismo) ameaçando o reinado dualista?
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Da consciência, do vazio e da meditação
Hoje, durante nossa segunda aula de Psicologia Existencial, discutíamos sobre assuntos complicados como liberdade e consciência. Marco Portela, nosso professor, ensinava-nos que a consciência não é um recipiente, um depósito de conteúdos a respeito dos quais pensamos — mas as coisas mesmas a serem pensadas! A consciência é exatamente o que está sendo intencionado em nossa mente, ou o foco para o qual se volta a nossa atenção. Portela também salientou a impossibilidade de não se pensar em nada — afinal, "se estamos conscientes, necessariamente estamos conscientes de alguma coisa". Um pouco inquieta, uma colega argumentou que um dos propósitos da meditação é esvaziar a mente de todo e qualquer pensamento, levando-nos portanto ao encontro do nada. Lembrei-me naquele momento de algumas passagens de um dos livros de Antônio Damásio, O Mistério da Consciência. Segundo Damásio, o self, a sensação de sermos alguém, depende do mapeamento que o cérebro faz de diversas partes do corpo. Sem a representação mental do nosso corpo, e sem portanto a configuração de um "eu", não poderíamos sequer estar conscientes de algo. A meditação, nesse sentido, embora capaz de aquietar a torrente de pensamentos fervilhantes gerada pelo cérebro, não pode fazer com que nossa mente se esvazie completamente. Se assim fosse, deixaríamos de existir — ou, de um modo mais sublime, dormiríamos.Não sei se fui suficientemente claro ao expor esses conhecimentos durante a discussão. Depois de um silêncio geral que durou uns poucos segundos, Portela retomou o assunto conforme sua própria linha de raciocínio, como que desconsiderando o meu argumento. Esse episódio reforçou minha sensação de que meus colegas e a maioria dos meus professores não gostam de neurociência (ou não a entendem). A propósito, estariam eles ainda sendo guiados por uma concepção dualista de homem?
Na verdade, e como salientou John Horgan em seu polêmico livro A Mente Desconhecida (2002), um dos temas mais complexos e controversos das ciências da mente é a consciência. Talvez por isso ele seja um dos meus favoritos, e lamento muito que tenhamos tão poucos recursos financeiros, tecnológicos e motivacionais para estudá-lo.
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