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quinta-feira, 18 de julho de 2013

É possível uma ciência da mente?

Há cem anos atrás, John B. Watson (1913/2008) teve seu impactante artigo "A Psicologia como o behaviorista a vê" publicado. Também conhecido como "Manifesto Behaviorista", seu texto continha críticas contundentes à introspecção, método pelo qual pretendia-se estudar cientificamente a mente -- ou a consciência -- humana. Entre outros motivos, a falta de consenso entre observadores e a limitada utilidade de seus resultados desencorajaram o uso do método introspectivo. Se a proposta de se estudar cientificamente a experiência mental não se sustentava, caberia à Psicologia adotar o comportamento como objeto de estudo. As coisas iam bem -- para os behavioristas -- até pouco depois da metade do século passado, quando a denominada "revolução cognitiva" resgatou a mente do limbo. A metáfora computacional e o estudo do cérebro poderiam fundamentar uma nova ciência da mente, e o behaviorismo passaria a ser retratado como uma doutrina obsoleta.


sábado, 2 de junho de 2012

A promiscuidade paradigmática da neurociência

Fonte original: Círculo da Savassi

Como a neurociência é um campo interdisciplinar, sua pluralidade paradigmática não é coisa de se espantar. Contudo, há paradigmas que parecem ser mais permeáveis ou ajustáveis a mais níveis de análise. Pode-se, por exemplo, encarar os objetos e eventos relacionados ao comportamento, à fisiologia e até mesmo à bioquímica à luz do cognitivismo. O cérebro poderia ser concebido como uma máquina computacional (que computa ou processa informações), sendo a "codificação", o "armazenamento" e a "recuperação" de informações exemplos de alguns de seus processos. Um paradigma abarca não só conceitos e uma teoria, mas também crenças, valores e técnicas particulares. Como venho percebendo, o cognitivismo figura como o paradigma psicológico/comportamental predileto dos neurocientistas. Ainda assim, o mundo das informações parece não ter conseguido abraçar todo o campo das redes neurais, e o linguajar da comunidade neurocientífica procura compensá-lo de outras maneiras.

domingo, 22 de abril de 2012

Por que deixei de ser cognitivista

Uma resposta à pergunta "Por que deixei de ser cognitivista?" deve, ao mesmo tempo, fazer referência a por que me tornei behaviorista. Embora eu tenha grande apreço por discussões epistemológicas, o pano de fundo desta retrospectiva será debater duas hipóteses que explicariam a minha mudança paradigmática, quais sejam: "Eu deixei o cognitivismo porque eu não o conheço bem" e "Eu deixei o cognitivismo porque fui socialmente reforçado a fazê-lo". Essas hipóteses foram aventadas por um amigo cognitivista por quem tenho apreço e admiração. Parte do que será exposto já foi anteriormente desenvolvido em um saudável e memorável debate que travamos virtualmente. Por fim, esta reflexão tem por finalidade comemorar -- porque tenho estado satisfeito com esse novo estilo de vida -- um ano de prática e elucubrações enquanto behaviorista radical.