Mostrando postagens com marcador Behaviorismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Behaviorismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de julho de 2013

É possível uma ciência da mente?

Há cem anos atrás, John B. Watson (1913/2008) teve seu impactante artigo "A Psicologia como o behaviorista a vê" publicado. Também conhecido como "Manifesto Behaviorista", seu texto continha críticas contundentes à introspecção, método pelo qual pretendia-se estudar cientificamente a mente -- ou a consciência -- humana. Entre outros motivos, a falta de consenso entre observadores e a limitada utilidade de seus resultados desencorajaram o uso do método introspectivo. Se a proposta de se estudar cientificamente a experiência mental não se sustentava, caberia à Psicologia adotar o comportamento como objeto de estudo. As coisas iam bem -- para os behavioristas -- até pouco depois da metade do século passado, quando a denominada "revolução cognitiva" resgatou a mente do limbo. A metáfora computacional e o estudo do cérebro poderiam fundamentar uma nova ciência da mente, e o behaviorismo passaria a ser retratado como uma doutrina obsoleta.


domingo, 22 de abril de 2012

Por que deixei de ser cognitivista

Uma resposta à pergunta "Por que deixei de ser cognitivista?" deve, ao mesmo tempo, fazer referência a por que me tornei behaviorista. Embora eu tenha grande apreço por discussões epistemológicas, o pano de fundo desta retrospectiva será debater duas hipóteses que explicariam a minha mudança paradigmática, quais sejam: "Eu deixei o cognitivismo porque eu não o conheço bem" e "Eu deixei o cognitivismo porque fui socialmente reforçado a fazê-lo". Essas hipóteses foram aventadas por um amigo cognitivista por quem tenho apreço e admiração. Parte do que será exposto já foi anteriormente desenvolvido em um saudável e memorável debate que travamos virtualmente. Por fim, esta reflexão tem por finalidade comemorar -- porque tenho estado satisfeito com esse novo estilo de vida -- um ano de prática e elucubrações enquanto behaviorista radical.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ciúme: palavras sobre o inato e o aprendido

Os ciumentos sempre olham para tudo com óculos de aumento, os quais engrandecem as coisas pequenas, agigantam os anões, e fazem com que as suspeitas pareçam verdades" (Miguel Cervantes, 1547-1616).


Na manhã de hoje (10 de outubro de 2011), tirei um tempinho para ler algo a respeito do ciúme. Por sorte, ao lançar o termo no Google Acadêmico, topei com o artigo "Contribuições da Psicologia Evolutiva e da Análise do Comportamento acerca do Ciúme" da analista do comportamento Nazaré Costa. Sorte porque, em primeiro lugar, eu gostaria de conhecer um pouco da leitura analítico-comportamental sobre o tema e, em segundo lugar, porque tenho tido interesse em trabalhos que contemplam atributos filogenéticos do comportamento.(1) Pretendo, com este texto, trazer os principais pontos dessas duas abordagens e esboçar um possível e desejável link entre seus respectivos níveis de análise.

sábado, 13 de agosto de 2011

Contingências, coincidências e superstições

Às vezes, andando pelo centro de Bom Despacho, minha cidade natal, avistava de longe um amigo ou conhecido. Quando nos aproximávamos, notava que a pessoa que avistara não era quem eu havia imaginado. Isso acontecia com certa regularidade, e o que estava por vir deixava-me com uma pulga atrás da orelha. Alguns minutos após o engano, eu acabava eventualmente encontrando meu conhecido. Impressionado, deixava-me seduzir pela ideia de que aquele equívoco se tratava de premonição (sinal de que algo vai acontecer) ou telepatia (sentir à distância). Era excitante imaginar que podemos ter superpoderes ou estranhas habilidades superdesenvolvidas. Era. Hoje, mais cético e instruído sobre o comportamento humano, tenho nas mangas explicações razoáveis para os eventos que nos convidam à superstição e à pseudociência.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ambiente(s), determinismo(s) e mal-entendido(s)

A história de diferentes povos seguiu diferentes rumos não por causa de diferenças biológicas entre esses povos, mas por causa de diferenças ambientais (Diamond, 1997). No âmbito do que venho estudando, os povos europeus são mais ricos e menos religiosos não em razão de sua maior inteligência, mas em razão de circunstâncias ambientais diferenciadas que caracterizaram seu percurso histórico.

Esse comentário, que postei antes de ontem (30/07) no meu mural do Facebook, rendeu uma discussão assaz interessante e apimentada. Um grande e velho amigo que tenho tomou-o como alvo de críticas contundentes, colou-o e ridicularizou-o em seu próprio mural e reservou-me conselhos e adjetivos depreciativos. Em vista disso, decidi tecer uma breve explicação do que quis dizer com aquelas palavras, bem como tentar resolver alguns mal-entendidos sobre ambiente(s), história(s) e determinismo(s).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Uma alternativa ao internalismo

Em "Breve defesa ao mentalismo", texto que escrevi no ano passado, procurei defender a perspectiva internalista (mentalista e neurocientificista) de explicação do comportamento. Nos últimos meses, contudo, venho reexplorando a proposta de que a atividade da mente, cujo conceito tentei desenvolver outrora, é inegável mas negligenciadamente modelada pelo e dependente do ambiente. Apoiado nos princípios do behaviorismo radical, filosofia arquitetada por B. F. Skinner, tentarei mostrar por que uma explicação legítima do comportamento deve necessariamente ir além das posturas internalistas.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Revisitando o Behaviorismo

Após trafegar durante alguns anos por abordagens mentalistas, entre as quais pela Psicanálise e, mais recentemente, pelo Cognitivismo, eis que me permito novamente explorar um terreno ímpar, epistemologicamente avesso a quase tudo o que há no campo da Psicologia: o Behaviorismo Radical.

O Behaviorismo Radical (BR) é a filosofia que fundamenta a Análise do Comportamento -- também conhecida como Psicologia Comportamental. Segundo B. F. Skinner (2006), seu principal arquiteto, o BR oferece uma forma muito peculiar de se estudar o comportamento humano. Diferentemente das abordagens mentalistas, a partir das quais o comportamento deve ser entendido como o resultado do dinamismo de componentes internos, mentais, Skinner prioriza uma análise interacionista, na qual o comportamento é tomado como um processo, como a relação organismo-ambiente. Disso decorre que pensamentos, crenças e sentimentos, p. ex., componentes que deveriam explicar o comportamento, são eles mesmos comportamentos (ou melhor, respostas à estimulação ambiental) e devem antes ser analisados sob as perspectivas histórica, selecionista e contextual. Com efeito, esses comportamentos desenvolvem-se mediante as e estão contidos nas relações organismo-ambiente, sendo portanto um equívoco tratá-los descontextualizadamente e/ou tomá-los como o ponto de partida de uma análise -- o pecado da maioria das demais aboragens. Para Skinner, análises mentalistas ou estruturalistas mais descrevem do que explicam o comportamento.

Apesar dessa revolução epistemológica, que se iniciou desde a primeira metade do século passado, diz-se às vezes que o BR é ultrapassado, superficial e que seus moldes não contemplam toda a riqueza do que é essencialmente humano. Perante essas e outras críticas, Skinner não poupou força e elegância ao escrever "Sobre o Behaviorismo" (1974), um excelente trabalho em resposta à ignorância e/ou a mal-entendidos a respeito do BR. Eis alguns equívocos que Skinner lista e desmistifica nesse livro:

  • O BR ignora a consciência, os sentimentos e os estados mentais;
  • Negligencia os dons inatos e argumenta que todo comportamento é adquirido durante a vida do indivíduo;
  • Apresenta o comportamento simplesmente como um conjunto de respostas a estímulos, descrevendo a pessoa com um autômato, um robô, um fantoche ou uma máquina;
  • Não tenta explicar os processos cognitivos;
  • Não considera as intenções ou os propósitos;
  • Não consegue explicar as realizações criativas -- na Arte, na Música, na Literatura, na Matemática ou na Ciência;
  • É necessariamente superficial e não consegue lidar com as profundezas da mente ou da personalidade;
  • Trabalha com animais, mas não com pessoas;
  • Seus resultados, obtidos nas condições controladas de um laboratório, não podem ser reproduzidos na vida diária;
  • Cultua os métodos da ciência mas não é científico;
  • Desumaniza o homem; é redutor e destrói o homem enquanto homem;
  • Só se interessa pelos princípios gerais e por isso negligencia a unicidade do individual.

Parece, conforme especulou Skinner (2006), que parte da dificuldade de se entender o BR advém da dificuldade de se entender a própria ciência; outra parte, do enraizamento de concepções e explicações mentalistas que nos acompanham desde a grécia antiga; e uma outra parte, da falta de esforço dos próprios analistas do comportamento no sentido de clarificar sua linguagem e de mostrar seus resultados aos públicos acadêmico e leigo. Com efeito, solucionar esses impasses se faz uma tarefa imprescindível para que o BR e a Análise do Comportamento sejam revitalizados.

Os maiores problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano (Skinner, 1974).



Referência Bibliográfica:

Skinner, B. F. (2006). Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Breve defesa ao mentalismo

Venho, já há alguns meses, procurando encontrar meios mais claros de apresentar e, quando preciso, defender a perspectiva mentalista de explicação do comportamento. Participar do Círculo da Savassi(1) vem sendo uma experiência estimulante, produtiva e esclarecedora. Sendo a ovelha negra do grupo (um cognitivista cercado de behavioristas), procuro contribuir e, ao mesmo tempo, compreender por que nos diferenciamos -- cognitiva e epistemologicamente. Na última sexta-feira (01/09/10), durante uma aula de "Processos Cognitivos e Comportamentais", creio que pude ligar mais algumas peças do quebra-cabeça.