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terça-feira, 26 de março de 2013

O cérebro e o behaviorismo radical (parte 2)

No primeiro texto desta série, critiquei a alegação de que o modelo behaviorista clássico de explicação do comportamento, a tríplice contingência (estímulo, reposta e consequência [S:R-C]), "coloca o cérebro entre parênteses". Como procurarei novamente demonstrar, é possível considerar a atividade do cérebro em uma contingência de três termos, embora o behaviorista raramente o faça. Mas, afinal de contas, ele deveria fazer isso? Se deveria, e se o modelo SORC não precisa ser adotado, como seria uma "versão neuropsicológica" da tríplice contingência?

O modelo de análise SORC (Haase, 2011) é composto pelo estímulo antecedente (S), as respostas cerebrais (O), o comportamento observável (R) e uma consequência (C).

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O cérebro e o behaviorismo radical (parte 1)

Esta série consistirá de um breve ensaio sobre algumas ideias que venho tendo sobre o lugar do cérebro no behaviorismo radical. Minhas intenções principais são desfazer alguns mal entendidos, ressaltar a possibilidade de diálogo entre o behaviorismo e a neurociência e identificar o que pode atrapalhar -- ou já está atrapalhando -- esse diálogo.

A caixa preta

Passeando recentemente pelo blog de um exímio professor de neuropsicologia, trombei com a incômoda alegação de que o behaviorismo desconsidera, em suas análises, qualquer tipo de evento ou variável neurobiológica. Vejamos:

[...] o modelo S:R-C [estímulo, resposta e consequência] é limitado porque coloca o cérebro entre parênteses, tratando-o como se fosse uma caixa preta. O modelo de tríplice contingência precisa ser substituído então por um modelo SORC, introduzindo variáveis do organismo entre o estímulo e a resposta. [...] O modelo SORC considera as instâncias regulatórias centrais, principalmente o córtex prefrontal e o chamado executivo central, as quais explicam a capacidade dos organismos de antecipar as consequências do seu comportamento (Haase, 2011).

A imagem abaixo, retirada do referido blog, ilustra o que seria o modelo SORC:


O modelo de análise SORC constitui-se de um estímulo (S), as respostas cerebrais (O), o comportamento observável (R) e uma consequência (C).

sábado, 2 de junho de 2012

A promiscuidade paradigmática da neurociência

Fonte original: Círculo da Savassi

Como a neurociência é um campo interdisciplinar, sua pluralidade paradigmática não é coisa de se espantar. Contudo, há paradigmas que parecem ser mais permeáveis ou ajustáveis a mais níveis de análise. Pode-se, por exemplo, encarar os objetos e eventos relacionados ao comportamento, à fisiologia e até mesmo à bioquímica à luz do cognitivismo. O cérebro poderia ser concebido como uma máquina computacional (que computa ou processa informações), sendo a "codificação", o "armazenamento" e a "recuperação" de informações exemplos de alguns de seus processos. Um paradigma abarca não só conceitos e uma teoria, mas também crenças, valores e técnicas particulares. Como venho percebendo, o cognitivismo figura como o paradigma psicológico/comportamental predileto dos neurocientistas. Ainda assim, o mundo das informações parece não ter conseguido abraçar todo o campo das redes neurais, e o linguajar da comunidade neurocientífica procura compensá-lo de outras maneiras.