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domingo, 23 de novembro de 2014

A falácia mereológica da Neurociência é uma chatice analítica da Filosofia?

Antes de ontem, ao apresentar um pequeno trabalho intitulado "A falácia mereológica da Neurociência" no XIII Congresso Brasileiro da SBNp, eu fui questionado sobre se os problemas filosóficos, sobretudo os conceituais, são realmente relevantes para a Neurociência. "Afinal", perguntaram-me, "em que sentido isso é importante para nós?" Infelizmente, o descaso do avaliador do meu painel não foi desfeito por eu ter mencionado que os conceitos que utilizamos na ciência influenciam não apenas as perguntas que formulamos, mas também como interpretamos nossos dados e como eles são divulgados pela mídia. E, cá para nós, uma afirmação como "uma parte do cérebro fora do seu controle é quem escolhe por você" está longe de ser inofensiva – e, como pretendo demonstrar, não está perto de fazer algum sentido.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Mente e cérebro são a mesma coisa?

Acabei de assistir a um vídeo em que um psicólogo defende a tese de que mente e cérebro são entidades indistinguíveis. Uma vez que lesões cerebrais são normalmente acompanhadas de alterações comportamentais, não teríamos mais por que insistir na crença de que a mente, imaterial, existe à parte do corpo. No entanto, se pararmos para cerebralizar, digo, pensar bem sobre a questão, podemos nos embananar com alguns paradoxos interessantes. Por exemplo, se um neurocientista afirmar que o prazer não é nada senão a atividade de neurônios do núcleo acumbente, poderíamos concluir que a sensação aprazível é, tal como os neurônios, úmida e eletricamente carregada? Ou, ao postularmos que os sonhos são reverberações dos circuitos neurais que trabalharam durante a vigília, poderíamos saber o que um indivíduo está sonhando ao inspecionarmos seu cérebro? A despeito dos valiosos estudos em neuropsicologia, um exame filosófico cuidadoso parece colocar em suspensão a atraente ideia de que mente e cérebro são a mesma coisa.

terça-feira, 26 de março de 2013

O cérebro e o behaviorismo radical (parte 2)

No primeiro texto desta série, critiquei a alegação de que o modelo behaviorista clássico de explicação do comportamento, a tríplice contingência (estímulo, reposta e consequência [S:R-C]), "coloca o cérebro entre parênteses". Como procurarei novamente demonstrar, é possível considerar a atividade do cérebro em uma contingência de três termos, embora o behaviorista raramente o faça. Mas, afinal de contas, ele deveria fazer isso? Se deveria, e se o modelo SORC não precisa ser adotado, como seria uma "versão neuropsicológica" da tríplice contingência?

O modelo de análise SORC (Haase, 2011) é composto pelo estímulo antecedente (S), as respostas cerebrais (O), o comportamento observável (R) e uma consequência (C).

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O cérebro e o behaviorismo radical (parte 1)

Esta série consistirá de um breve ensaio sobre algumas ideias que venho tendo sobre o lugar do cérebro no behaviorismo radical. Minhas intenções principais são desfazer alguns mal entendidos, ressaltar a possibilidade de diálogo entre o behaviorismo e a neurociência e identificar o que pode atrapalhar -- ou já está atrapalhando -- esse diálogo.

A caixa preta

Passeando recentemente pelo blog de um exímio professor de neuropsicologia, trombei com a incômoda alegação de que o behaviorismo desconsidera, em suas análises, qualquer tipo de evento ou variável neurobiológica. Vejamos:

[...] o modelo S:R-C [estímulo, resposta e consequência] é limitado porque coloca o cérebro entre parênteses, tratando-o como se fosse uma caixa preta. O modelo de tríplice contingência precisa ser substituído então por um modelo SORC, introduzindo variáveis do organismo entre o estímulo e a resposta. [...] O modelo SORC considera as instâncias regulatórias centrais, principalmente o córtex prefrontal e o chamado executivo central, as quais explicam a capacidade dos organismos de antecipar as consequências do seu comportamento (Haase, 2011).

A imagem abaixo, retirada do referido blog, ilustra o que seria o modelo SORC:


O modelo de análise SORC constitui-se de um estímulo (S), as respostas cerebrais (O), o comportamento observável (R) e uma consequência (C).

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Velocidade de processamento de informação, memória de curto prazo e inteligência

ResearchBlogging.orgEmbora digam que a pressa é inimiga da perfeição, há contextos em que a velocidade anda junto com a eficiência. Esse parece ser o caso dos processos cognitivos -- ao menos em se tratando dos mais simples, elementares. Juntamente com a memória de curto-prazo, a velocidade de processamento de informação parece explicar boa parte da variância da capacidade cognitiva geral, a inteligência.