Antes de ontem, ao apresentar um pequeno
trabalho intitulado "A falácia mereológica da Neurociência" no XIII Congresso Brasileiro da SBNp, eu fui
questionado sobre se os problemas filosóficos, sobretudo os conceituais,
são realmente relevantes para a Neurociência. "Afinal", perguntaram-me,
"em que sentido isso é importante para nós?" Infelizmente, o descaso do
avaliador do meu painel não foi desfeito por eu ter mencionado que os
conceitos que utilizamos na ciência influenciam não apenas as perguntas
que formulamos, mas também como interpretamos nossos dados e como eles
são divulgados pela mídia. E, cá para nós, uma afirmação como "uma parte
do cérebro fora do seu controle é quem escolhe por você" está longe de
ser inofensiva – e, como pretendo demonstrar, não está perto de fazer algum sentido.
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domingo, 23 de novembro de 2014
domingo, 12 de janeiro de 2014
Mente e cérebro são a mesma coisa?
Acabei de assistir a um vídeo
em que um psicólogo defende a tese de que mente e cérebro são entidades
indistinguíveis. Uma vez que lesões cerebrais são normalmente
acompanhadas de alterações comportamentais, não teríamos mais por que
insistir na crença de que a mente, imaterial, existe à parte do corpo. No entanto, se pararmos
para cerebralizar, digo, pensar bem sobre a questão, podemos nos
embananar com alguns paradoxos interessantes. Por exemplo, se um
neurocientista afirmar que o prazer não é nada senão a atividade de
neurônios do núcleo acumbente, poderíamos concluir que a sensação aprazível é, tal
como os neurônios, úmida e eletricamente carregada? Ou, ao postularmos
que os sonhos são reverberações dos circuitos neurais que trabalharam
durante a vigília, poderíamos saber o que um indivíduo está sonhando ao
inspecionarmos seu cérebro? A despeito dos valiosos estudos em
neuropsicologia, um exame filosófico cuidadoso parece colocar em
suspensão a atraente ideia de que mente e cérebro são a mesma coisa.terça-feira, 26 de março de 2013
O cérebro e o behaviorismo radical (parte 2)
No primeiro texto desta série, critiquei a alegação de que o modelo behaviorista clássico de explicação do comportamento, a tríplice contingência (estímulo, reposta e consequência [S:R-C]), "coloca o cérebro entre parênteses". Como procurarei novamente demonstrar, é possível considerar a atividade do cérebro em uma contingência de três termos, embora o behaviorista raramente o faça. Mas, afinal de contas, ele deveria fazer isso? Se deveria, e se o modelo SORC não precisa ser adotado, como seria uma "versão neuropsicológica" da tríplice contingência?
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| O modelo de análise SORC (Haase, 2011) é composto pelo estímulo antecedente (S), as respostas cerebrais (O), o comportamento observável (R) e uma consequência (C). |
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Vitor Geraldi Haase
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
O cérebro e o behaviorismo radical (parte 1)
Esta série consistirá de um breve ensaio sobre
algumas ideias que venho tendo sobre o lugar do cérebro no behaviorismo radical. Minhas intenções principais são desfazer alguns mal entendidos, ressaltar a possibilidade de diálogo entre o behaviorismo e a neurociência e identificar o que pode atrapalhar -- ou já está atrapalhando -- esse diálogo.
A caixa preta
Passeando recentemente pelo blog de um exímio professor de neuropsicologia,
trombei com a incômoda alegação de que o behaviorismo
desconsidera, em suas análises, qualquer tipo de evento ou variável
neurobiológica. Vejamos:
[...] o modelo S:R-C [estímulo, resposta e consequência] é limitado porque coloca o cérebro entre parênteses, tratando-o como se fosse uma caixa preta. O modelo de tríplice contingência precisa ser substituído então por um modelo SORC, introduzindo variáveis do organismo entre o estímulo e a resposta. [...] O modelo SORC considera as instâncias regulatórias centrais, principalmente o córtex prefrontal e o chamado executivo central, as quais explicam a capacidade dos organismos de antecipar as consequências do seu comportamento (Haase, 2011).
A imagem abaixo, retirada do referido blog, ilustra o que seria o modelo SORC:
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| O modelo de análise SORC constitui-se de um estímulo (S), as respostas cerebrais (O), o comportamento observável (R) e uma consequência (C). |
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Velocidade de processamento de informação, memória de curto prazo e inteligência
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