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terça-feira, 26 de março de 2013

O cérebro e o behaviorismo radical (parte 2)

No primeiro texto desta série, critiquei a alegação de que o modelo behaviorista clássico de explicação do comportamento, a tríplice contingência (estímulo, reposta e consequência [S:R-C]), "coloca o cérebro entre parênteses". Como procurarei novamente demonstrar, é possível considerar a atividade do cérebro em uma contingência de três termos, embora o behaviorista raramente o faça. Mas, afinal de contas, ele deveria fazer isso? Se deveria, e se o modelo SORC não precisa ser adotado, como seria uma "versão neuropsicológica" da tríplice contingência?

O modelo de análise SORC (Haase, 2011) é composto pelo estímulo antecedente (S), as respostas cerebrais (O), o comportamento observável (R) e uma consequência (C).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Redes cerebrais de grande escala

Como requerimento para obtenção dos créditos da disciplina Developmental Cognitive Neuropsychology,(1) Bruno E. Faleiros e eu confeccionamos uma resenha crítica de um artigo de revisão sobre redes cerebrais de grande escala. O texto a seguir é uma versão levemente modificada da resenha original, e é constituído de um resumo das ideias principais abordadas pelos autores e de algumas críticas e sugestões nossas.

Resenha Crítica

Bressler, S. L., & Menon, V. (2010). Large-scale brain networks in cognition: emerging methods and principles. Trends in Cognitive Sciences, 14(6), 277-90.

Daniel F. Gontijo
Bruno E. Faleiros

Em seu artigo de revisão intitulado Large-scale Brain Networks in Cognition: Emerging Methods and Principles, Steven L. Bressler e Vinod Menon sugerem que as funções cognitivas podem ser adequadamente estudadas pelas redes cerebrais de grande escala (RCGEs).

Basicamente, uma RCGE pode ser definida como um conjunto de áreas que interagem dinamicamente para realizar funções específicas. A abordagem das RCGEs questiona a hipótese de que áreas isoladas e especializadas poderiam, sozinhas, sustentar certas funções cognitivas – premissa básica do paradigma modular. A percepção de faces, por exemplo, em vez de ser uma função cognitiva relacionada unicamente ao giro fusiforme, parece depender também do recrutamento de áreas visuais, límbicas e frontais. 

O reconhecimento de faces, embora seja um processo relativamente simples, está relacionado a uma rede que abarca diversas regiões cerebrais. A ruptura em algum ponto da rede pode levar a prejuízos funcionais, como é o caso da prosopagnosia (incapacidade de reconhecer faces). (Imagem retirada de Ellis e Lewis, 2001.)