domingo, 30 de outubro de 2011

Muito além do nosso eu: admirável mundo por vir

Nicolelis, Aurora e seu braço robótico
Desde que li a obra do neurologista português Antônio Damásio, um livro de neurociência não tinha me deixado tão entusiasmado até eu trombar com o Muito Além do Nosso Eu.(1) Em seu livro, o brasileiro Miguel Nicolelis (2011) mostra-nos parte do desafio, assumido por ele e sua equipe, de desenvolver robustas interfaces cérebro-máquina (ICMs): paradigmas que possibilitam a relação da atividade cerebral com artefatos robóticos ou computacionais. Pacientes neurológicos, deficientes físicos, usuários de tecnologia avançada e até mesmo apreciadores de videogames poderão, em breve, se beneficiar desse tipo de tecnologia. Ao que parece, as ICMs prometem uma revolução na forma como interagimos com o mundo e com nós mesmos. Antes de abordar essas intrigantes conclusões, o cientista tupiniquim dedicou boas páginas de seu livro para falar de Aurora, uma macaquinha simpática que os ajudou a descobrir como se pode realizar muitas façanhas pela força do pensamento. E é por aí que eu vou começar.

domingo, 23 de outubro de 2011

Ciência Espírita

Eles são cientistas. E eles acreditam em espíritos e reencarnação. Agora, estão usando o laboratório para provar que tudo isso não é apenas questão de fé. E dizem que estão conseguindo.

O excerto supracitado é a manchete da Super Interessante deste mês (outubro de 2011). Embora convidativa e exagerada, como costuma ser quase toda capa de revista, a matéria não se limita a relatar anedotas que dão um frio na barriga. Em contraste, os autores (Nogueira e Castro) tiveram o escrúpulo de contar o outro lado da história: o fato de que pesquisas sérias acerca do tema estão apenas começando, bem como, e principalmente, que não há dados empíricos que corroborem a tese de que corpo e mente (ou alma) são entidades de natureza ou substância distinta. Contudo, e se isso for verdade, o que dizer das experiências extracorpóreas que praticantes de meditação, pacientes de enfarte e sobreviventes de acidentes relatam?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ciúme: palavras sobre o inato e o aprendido

Os ciumentos sempre olham para tudo com óculos de aumento, os quais engrandecem as coisas pequenas, agigantam os anões, e fazem com que as suspeitas pareçam verdades" (Miguel Cervantes, 1547-1616).


Na manhã de hoje (10 de outubro de 2011), tirei um tempinho para ler algo a respeito do ciúme. Por sorte, ao lançar o termo no Google Acadêmico, topei com o artigo "Contribuições da Psicologia Evolutiva e da Análise do Comportamento acerca do Ciúme" da analista do comportamento Nazaré Costa. Sorte porque, em primeiro lugar, eu gostaria de conhecer um pouco da leitura analítico-comportamental sobre o tema e, em segundo lugar, porque tenho tido interesse em trabalhos que contemplam atributos filogenéticos do comportamento.(1) Pretendo, com este texto, trazer os principais pontos dessas duas abordagens e esboçar um possível e desejável link entre seus respectivos níveis de análise.

sábado, 1 de outubro de 2011

Divulgando a (neuro)ciência

Aproveitando a onda do V Simpósio de Neurociências da UFMG, que ocorreu entre os dias 19 e 24 de setembro, professores e monitores se mobilizaram para receber a comunidade belo-horizontina em uma série de atividades de extensão. A I Semana de Neurociências da UFMG, título que recebeu a mobilização, constituiu de exposições, oficinas, grupos de discussão e visitas organizadas a alguns dos laboratórios da universidade. Como ex-aluno da especialização e monitor, tive o privilégio de conduzir, em companhia da sagaz e simpaticíssima Suzan Ribeiro, uma breve mas divertida apresentação do que é a neuropsicologia. Bem mais do que espectadores, cerca de oitenta alunos do ensino médio tiveram a chance de participar -- perguntando, jogando e discutindo -- de atividades relacionadas a essa emergente ramificação da neurociência. Tudo, é claro, sem perder de vista a proposta interdisciplinar do projeto.

Alunos do ensino médio no laboratório de neuroanatomia.